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Vocês são milhares. Isso causa um efeito e uma consequência, concorda?

21 de junho de 2013 / Unipress /

Nota longe trágica de hoje.

Fui embora da Paulista. Não aguentei. De verdade, o que vocês realmente querem? Eu nunca senti tanto nojo na minha vida como hoje! Pessoas festejando, enroladas na bandeira do Brasil e pintando o rosto, ao mesmo tempo que riam do vídeo do Ronaldo (sabe?).

Pessoas comprando a máscara do Guy Fawkes e tampando os rostos. Por que vocês não dão a cara pra bater?

Na avenida, uma menina que estava segurando uma bandeira vermelha foi empurrada por um cara com o chapéu verde-amarelo-azul. Na calçada encurralaram o MST e começaram a gritar “o povo unido não precisa de partido”. Olhei pra cima e vi um objeto voando em direção da minoria que estava apertada contra o muro, gritando “fascistas!”. Uma bomba estourou e saímos correndo.

Não resisti e perguntei pra uma moça que fazia parte do grito patriota:

– Licença. Já que vocês não querem partidos, o que querem então?
– Eles estão aproveitando. São oportunistas!
– Tá, mas vocês estão gritando através de milhares de vozes “sem partido”. Seremos todos iguais, então? É ditadura em que sentido?
– Não sei. Confesso que não sei nada de política e não estudo sobre o assunto.
– Tudo bem. Mas quando vocês gritam “sem partido”, vocês estão pensando na qualidade da educação do ensino público? no saneamento básico da periferia? no racismo? na desigualdade social? na violência que atinge diretamente os pobres?
– Moça, sou aberta para novas opiniões. Sou uma pessoa comum, assim como todos aqui.
– Sim, mas vocês são milhares. Isso causa um efeito e uma consequência, concorda?
– Concordo.

Nisso começaram a pressionar cada vez mais o pessoal no muro. As pessoas gritavam ofensas sem parar e sem saber por qual motivo, algo extremamente irracional. Tive que sair correndo de novo porque a violência estava aumentando.

No caminho, uma moça com o rosto pintado pedia para um policial dar um jeito de tirar a galera do MST e do PT da manifestação. “Dar um jeito”.

Mais pra frente, a bandeira do Brasil com seu “ordem e progresso” continuava a ter o seu momento de fama, sendo fotografada sem parar. A televisão acompanhava tudo! De repente ficou a favor…

Risos, máscaras, bandeiras, rostos pintados, samba. Projeções em edifícios nas cores do país. Fotos e mais fotos, gravatas e mais gravatas, cachorrinhos passeando. Num cantinho, repressão. Silêncio. Bocas caladas. Censura. “Queima a bandeira”.

O que vocês querem? Vão fazer do Brasil um país socialista? Nunca, né? Estamos pensando em todos?

Li um cartaz: “tira minha comida, mas não tira minha internet”.

Eu quase não vi pobre naquela manifestação e os que eu vi, foram surrados. Hoje a polícia e a extrema-direita vibraram! Festejaram! Hoje eu constatei que a História se repetiu de novo.

Não sei como estão os outros estados, mas aqui em SP é fato: golpe. Se depender desse estado, o Brasil não vai melhorar, mas sim piorar. E se o Feliciano não perder o cargo político, a coisa vai piorar mais ainda! Falo de peito aberto: eu tenho medo disso tudo virar um nazismo/fascismo. Medo mesmo. Hoje eu senti pra valer e não é mero pessimismo ou exagero. Eu olhei nos olhos das pessoas e escutei de tudo!

Pois bem, a Globo e seus amigos agradecem. As propagandas políticas dos partidos conservadores também. Obrigada por continuarem a cimentação das minorias e por continuarem o “cala a boca” de quem realmente sente a chibatada. Obrigada pela falta de sensibilização, de solidariedade, de senso crítico e acima de tudo: de inteligência.

Do mural de Fernanda Pacheco no Facebook: https://www.facebook.com/fernanda.monique.pacheco