A gravíssima ocorrência do assassinato do menino indígena da etnia awá-guajá, de apenas 8 anos de idade, queimado vivo pelos madeireiros no Maranhão, dá o tom do grau de violência e crueldade com que a disputa pela terra está sendo travada no Brasil de hoje. Mais que isso, temos que observar, neste caso, trata-se da disputa pela terra da Amazônia, o que dá um alcance muito maior ao acontecido.

Temos neste caso, uma conjunção de temas que o transformam num ícone dos problemas contemporâneos do padrão de desenvolvimento brasileiro neste momento e da relevância da radicalização de esforços pela ampliação e universalização dos direitos de cidadania inerentes a uma sociedade democrática, não apenas em sua dimensão política, mas no conjuntos das relações societais e principalmente em seu modelo de produção econômica.

a) Como eu disse acima, temos aqui a disputa pela terra;
b) Temos a disputa pela Amazônia e sua riqueza;
c) Temos a temática da preservação das terras indígenas;
d) Temos o problema da preservação das diversas etnias;
e) Emerge o tema das culturas dos “povos da floresta”;

Estes são os temas que se evidenciam de imediato quando tomamos conhecimento do assassinato desse menino indígena. Mas há mais aspectos ainda a serem considerados:

Há o problema da inoperância da Funai, mesmo quando alertada para a presença indevida dos madeireiros na região.

Além disso, a cobertura e a repercussão pelos veículos de comunicação para este fato é mínima. Chamo aqui a atenção para que façamos um comparativo entre este caso e aquele da morte da menina Isabela, jogada pelo pai do edifício, em São Paulo. Por que a menina da classe média paulistana tem maior atenção dos veículos de imprensa e da grande mídia do que o menino índio do Maranhão?

E, por fim, a sensação de que o movimento retrógrado que aprovou uma versão conservadora do Código Florestal no Congresso Nacional dá aos criminosos deste caso a sensação de liberdade para expulsar de suas terras aos indígenas que dela se alimentam, se vestem e vivem.

É preciso exigir uma ação muito intensa dos órgãos do governo brasileiro na apuração desse caso, na identificação dos madeireiros envolvidos e na sua condenação.

7 de janeiro de 2012
Madeireiros queimam criança indígena no Maranhão, mas imprensa silencia

Jorge Lourenço, via JB

Uma criança de 8 anos da etnia awá-guajá foi queimada viva por madeireiros no município de Arame, a 476 quilômetros de São Luís (MA). Ela faleceu no local. A informação, inicialmente divulgada pelo jornal Vias de Fato, foi confirmada pelo representante do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) no estado, Gilderlan Rodrigues da Silva.

Mídia muda
De acordo Gilderlan, a Fundação Nacional do Índio (Funai) foi alertada pelos awá-guajá várias vezes a respeito da proximidade dos madeireiros da região no território indígena, mas não se mobilizou. “Qualquer questão de abuso contra os indígenas daqui pouco sai na mídia. Os madeireiros são muito blindados pela imprensa para não sujar a imagem das invasões das terras indígenas”, disse o representante do Cimi, ao Informe JB. Jornalistas do Vias de Fato disseram que a influência do senador José Sarney (PMDB/AP) nos jornais locais é muito forte para que os problemas da questão indígena sejam divulgados.

Ação
O Conselho Indigenista informou que alguns membros da tribo já entraram em contato com a Funai e com o Ministério Público. Eles procuram um índio que afirma ter filmado a criança carbonizada, mas encontram dificuldade graças ao isolamento dos awá-guajás. A tribo vive numa região de difícil acesso e receio de manter contato com o homem branco.

Velha história
De acordo com o Vias de Fato, a complacência da mídia e do poder público com os abusos cometidos contra tribos indígenas e quilombolas no Maranhão é recorrente. Recentemente, um quilombola maranhense teve seu poço d’água envenenado e vários animais morreram. A ação teria partido de fazendeiros.

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