O conheci em 1982, quando, após o BNH – Banco Nacional da Habitação promover um aumento acima da inflação no reajuste das prestações das casas de conjuntos habitacionais (COHABs), iniciamos uma mobilização de vários bairros da cidade, para que os mutuários unidos ingressassem no judiciário contra aquele reajuste. Afinal, previam os contratos, que as prestações deveriam guardar uma relação percentual com os salários dos mutuários, algo que se rompia com aquele reajuste.
Ele era morador do Conjunto Habitacional Antonio Marinceck.
Ao longo dos anos, seguimos caminhos paralelos, ainda que o Delvino fosse mais velho alguns anos do que eu. Ele, assim como eu e minha família, pertencia, em seu bairro, à comunidade católica São Marcos, na época funcionando tipicamente como uma comunidade eclesial de base, nos moldes da pastoral inspirada pela Teologia da Libertação. Depois, ele, assim como eu, ingressou no PT, a partir de um núcleo do partido criado em seu bairro.
E, assim, mesclando militância pastoral com militância partidária, estivemos juntos anos a fio, participando de lutas, movimentos sociais, encontros pastorais e partidários, processos eleitorais, além de quermesses e festivais que eram organizados na cidade.
Soube hoje que o Delvino faleceu há uma semana. Ainda não sei qual foi a causa. Mas, sinto a ausência de um companheiro, cuja presença era sempre uma certeza. Simples, dedicado, comprometido, um líder e um testemunho.
Um homem de fé e de luta.
Obrigado pela amizade, companheiro Delvino.
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