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A torcida da mídia contra Dilma na campanha presidencial de 2014

25 de julho de 2014 / Unipress /

Com o fim da Copa 2014, as eleições presidenciais ganham espaço no noticiário. A tônica da cobertura repete a estrutura e o posicionamento dos principais veículos de imprensa já evidenciados nas eleições anteriores, claramente torcendo e atuando pela derrota do PT e, obviamente, de Dilma Roussef, neste caso.

Ainda que os indicadores de consumo, de emprego e de renda mantenham-se bastante positivos, há um esforço enorme em apontar a suposta existência de uma crise econômica no país, que não é nem efetiva e nem real.

O que está acontecendo com a economia brasileira neste momento?

É preciso considerar-se o fato de que desde a posse do ex-presidente Lula em seu primeiro mandato, em janeiro de 2003, onze anos passados já, houve um expressivo crescimento do país e uma forte alteração do padrão de crescimento da economia, com a adoção de estratégias que repercutiram fortemente na maior inclusão social perpetrada em toda a história brasileira.

O movimento de ascensão social dos mais pobres, de ganho de renda, de melhoria da qualidade dos empregos, do ponto de vista da cobertura pela legislação do trabalho, de formalização de microempresas, de expansão do crédito sem que houvesse o incremento das taxas de inadimplência, como muitos temiam, o acesso à educação superior que se expandiu velozmente, o acesso à moradia, via programa Minha Casa Minha Vida, a expansão do crédito para o financiamento da agricultura familiar, todas estas características do novo padrão de desenvolvimento vivenciado desde o início da era Lula-Dilma, mudaram o patamar de necessidades da economia brasileira e das instituições de nossa sociedade para que o ciclo possa prosseguir evoluindo de forma saudável e positiva.

Os movimentos necessários já foram detectados por Dilma e pelos estrategistas do governo e do PT: há que avançar-se na direção do aumento da competitividade da economia brasileira, com a melhoria dos padrões de logística.

Ocorre que a maturação destas iniciativas não se dá no curto prazo. Por exemplo, o PIL – Programa de Investimentos em Logística lançado no ano passado pelo governo só agora começa a ser implementado. As primeiras obras das novas concessionárias nas rodovias federais concedidas à iniciativa privada nos marcos do PIL só agora começam a ser realizadas. Por quê?

Porque após as concessões, as empresas tiveram que elaborar suas estratégias de contratação de mão de obra, de captação de recursos no mercado financeiro, de instalação física nas regiões, de aquisição de equipamentos, etc.

E os impactos destas obras, já podem ser observados?

Claro que não, apenas em algum tempo é que os resultados gerados em termos de ganhos de competitividade serão percebidos.

O que significa dizer que as taxas de crescimento da economia brasileira que recrudesceram em relação àquelas observadas no segundo mandato Lula não representam sinais de crise econômica, mas de adaptação a um novo cenário cuja transição não é imediata.

Mas, o que precisa ficar claro, o Brasil continua com taxa POSITIVA de crescimento econômico, num cenário internacional que prossegue muito ruim e instável.

A torcida contra Dilma Roussef não se funda, portanto, em motivações adequadas e justas, correspondentes ao cenário da economia brasileira, mas nas velhas opções ideológicas da mídia brasileira e dos partidos tradicionais.

Diretor do Datafolha vê voto anti-PT mas indica ‘uma avenida à frente’

Por Carmen Munari | Valor

SÃO PAULO – O desempenho dos candidatos de oposição em um eventual segundo turno da eleição presidencial chegou a surpreender os que acompanham as pesquisas eleitorais. Este cenário indicaria que grande parte dos eleitores descontentes canalizam a intenção de voto nos dois principais opositores, incluídos aí parte dos que afirmaram que votariam em branco ou nulo ou se dizem indecisos no primeiro turno. Na interpretação do diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino, a explicação está no sentimento de mudança que permeia a atual eleição.

“É um voto anti-PT e não um voto preponderantemente nos candidatos atuais da oposição”, disse Paulino ao Valor PRO, serviço de informação em tempo real do Valor. “Ainda vamos ver quem vai convencer o eleitor que representa a mudança”.

Paulino acredita, no entanto, que a maior exposição dos candidatos a partir da propaganda gratuita na TV e no rádio e da realização de debates, sabatinas e entrevistas vai fornecer um panorama mais claro para o eleitor. Pelos dados do Datafolha, os que conhecem bem a presidente Dilma Rousseff (PT) somam 53%; o senador Aécio Neves (PSDB), 17%, e o ex-governador Eduardo Campos (PSB), 7%.

“Só para se apresentar ao eleitor, há uma avenida ainda”, afirmou Paulino. Sociólogo e atuante no Datafolha há mais de 20 anos, ele afirma que o nível de conhecimento dos candidatos vai se igualar após dez dias do início do horário eleitoral.

Sobre a presidente Dilma, diz que pesa contra ela a pior avaliação de seu mandato detectada na recente pesquisa do instituto, aliada ao baixo desempenho da economia. Por outro lado, a campanha na TV e nas ruas vai expor seu principal aliado, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cabo eleitoral que deixou o governo em 2010 com aprovação de 82%, a mais alta já alcançada por um presidente na série histórica do Datafolha.

A oposição tem a seu favor o índice de 74% dos eleitores que manifestam desejo de mudança. Mas Paulino afirma que Aécio Neves tem um ponto fraco: carrega a rejeição aos governos de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Já Campos é de oposição mas nem tanto — ataca Dilma mas não Lula e tem tempo muito curto na TV (1min49s) para explicar esta postura e ainda se fazer conhecer, apresentar seu programa de governo e mostrar que é o candidato de sua vice, Marina Silva.

Tudo somado, as pesquisas atuais são um bom indicativo, mas é preciso esperar a campanha engrenar para uma avaliação mais precisa.

Aécio leva votos de Campos

Na disputa contra a presidente Dilma, Aécio passa de 20% no primeiro turno para 40% no turno final, enquanto o ex-governador Campos sobe de 8% para impressionantes 38%. Dilma teria 44% contra Aécio, um empate técnico pela margem de erro de 2 pontos, e venceria Campos com 45%, conforme avaliação do Datafolha feita entre 15 e 16 de julho.

É intrigante que, enquanto a presidente lidera na primeira fase com 36% e recebe oito pontos a mais em um eventual segundo turno contra o tucano, Aécio, por sua vez, dobra o desempenho, o que deve significar que ele absorve boa parte dos votos de Campos (e vice-versa), uma identidade entre os dois candidatos de oposição que não está clara nesta eleição.

(Carmen Munari | Valor)

Fonte: http://www.valor.com.br/politica/3622536/diretor-do-datafolha-ve-voto-anti-pt-mas-indica-uma-avenida-frente