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Brasil começa a produzir primeiro genérico

Cerca de 8 mil pessoas dependem do medicamento

AGÊNCIA BRASIL

O Sistema Único de Saúde (SUS) recebeu hoje (19) o primeiro lote do medicamento mesilato de imatinibe, usado no tratamento de leucemia mieloide crônica e do tumor do estroma gastrointestinal. O remédio é produzido pelos laboratórios públicos Farmanguinhos e Vital Brazil, em parceria com cinco laboratórios privados.

Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, é o primeiro medicamento genérico para o câncer produzido no Brasil. De acordo com ele, no país, cerca de 8 mil pessoas dependem do medicamento, que era comprado de um laboratório estrangeiro por R$ 140 milhões por ano. Com a produção do remédio nacional, o Ministério da Saúde acredita que serão economizados cerca de R$ 340 milhões nos próximos quatro anos.

“O Brasil passa a produzir aqui no país um genérico para o câncer, garantindo, para a nossa população, um remédio com qualidade e garantindo que o Brasil seja autossuficiente em relação a isso. Ou seja, é o Brasil podendo garantir, cada vez mais, o tratamento à sua população, independentemente de qualquer oscilação do mercado internacional”, disse Padilha.

O primeiro lote, entregue hoje, contém 220 mil comprimidos. Em 2013, devem ser produzidos 5 milhões de comprimidos, o suficiente para atender a toda a demanda nacional. O ministro disse que a economia garantida pela produção nacional do medicamento pode ser revertida na produção e no suprimento de mais medicamentos à população.

Outro benefício de produzir remédios no país, com a compra garantida pelo Ministério da Saúde, é criar mercado para que grupos farmacêuticos brasileiros e estrangeiros invistam mais na pesquisa e produção no Brasil. Padilha disse ainda que o Ministério da Saúde quer que o país comece a produzir marcapassos e retome a produção de insulina.

Em visita ao Rio de Janeiro, o ministro também comentou a decisão da Justiça do Rio de manter internada uma usuária de crack. Segundo Padilha, uma lei federal já estabelece que internações compulsórias de dependentes químicos podem ocorrer em determinadas situações.

“O fundamental é ajudar a cidade do Rio de Janeiro. O Ministério da Saúde está do lado do prefeito Eduardo Paes para ampliarmos a rede de cuidado e atendimento à pessoa que é vítima da dependência química do crack. O decisivo no enfrentamento do crack e da dependência química não é só cuidar ou internar, mas reconstruir o projeto de vida dessas pessoas. Por isso, estamos apostando na ampliação dos consultórios nas ruas, em que os profissionais avaliam se a pessoa corre risco de vida, se ela precisa ou não ser submetida à internação”, disse.

“O problema não é o SUS, e sim o mercado”, diz pesquisador do IPEA

Enviado por Bruno de Pierro, sex, 23/11/2012 – 12:24
Autor: Bruno de Pierro

Embora carregue no nome a palavra “único”, o Sistema Único de Saúde (SUS), criado em 1988, com a instituição da Constituição Federal, ainda está longe de ser um sistema universal de saúde e de proteção social. Não que o sistema brasileiro esteja no caminho errado, porém, diante do avanço da privatização e do mercado de planos de saúde, o SUS tem, paradoxalmente, como maior desafio a ser vencido tornar-se finalmente unificado. Em SUS: o desafio de ser único, livro recém-lançado pela Editora Fiocruz, o economista e pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) Carlos Octávio Ocké-Reis discute a complexidade da relação entre o sistema público e o mercado de planos de saúde e mostra que a implementação do SUS necessita de transformações estruturais e novo modelo de desenvolvimento.

Ao refletir sobre dilemas do mercado privado, sua auto-regulação e também os problemas do subfinanciamento do SUS, Carlos, que também tem pós-doutorado na Yale School of Management, propõe a criação de um modelo de propriedade privada de interesse público, “em direção a novos modos de intermediação do financiamento dos serviços privados”, para barrar o movimento de privatização do setor. Conforme afirma no livro, a transição passaria pelo fortalecimento do papel do Estado na atual correlação de forças, usando seu poder oligopsônico de compra como instrumento de relativização do poder do capital.

“Se não bastassem os subsídios do Estado que patrocinam o mercado de planos de saúde desde 1968, o SUS hoje socializa os custos deste mercado”, explicou o economista em entrevista ao Brasilianas.org. Para ele, o problema não é o SUS, mas o mercado que se fortalece paralelamente. “[O mercado] acumula capital, radicaliza a seleção de riscos e retira recursos financeiros crescentes do SUS, em detrimento da qualidade da atenção médica e da saúde pública da população”.

Confira abaixo a integra da entrevista, na qual Carlos Ocké-Reis ainda discute o embate entre contenção de custos e eficiência na gestão do SUS e também a responsabilidade do Estado na “desfianciamento” do sistema público.

Brasilianas.org – A criação do SUS teve inspiração nas experiências universalistas dos sistemas nacionais de saúde. Como esse modelo é consolidado no mundo?

Carlos Ocké-Reis – Apesar da crise econômica internacional, o sistema universal resiste naqueles países onde se estruturou um modelo de proteção social público na área da atenção médica como na Inglaterra e no Canadá. São patrimônios civilizatórios dessas sociedades. Entretanto, em geral, observa-se uma hibridização entre os modelos de seguridade, seguro social e mesmo liberal nos países ocidentais industrializados. No fundo, em razão das características econômicas do mercado de serviços de saúde (custos crescentes) — ou se estatiza o sistema de saúde (radicalizando o papel intervencionista do Estado) ou se mantém a forma privada de atividades política e socialmente importantes, aplicando mecanismos de subvenção estatal (incentivos governamentais).

Podemos dizer que a demanda “extra-SUS”, ou seja, a saúde suplementar com os planos de saúde, cresce na medida em que o subfinanciamento do sistema pública permite o racionamento dos serviços. O problema do SUS estaria, portanto, no paradoxo de sua origem: atender a todos, de forma universal, enquanto que, ao mesmo tempo, a universalização mostra-se como uma barreira?

Não existe a rigor uma demanda “extra-SUS”, uma vez que a clientela da medicina privada utiliza, largamente, os bens e serviços do SUS (vacinação, urgência e emergência, bancos de sangue, remédios, serviços de alto custo e de alta complexidade tecnológica etc.). Deste modo, se não bastassem os subsídios do Estado que patrocinam o mercado de planos de saúde desde 1968, o SUS hoje socializa os custos deste mercado. De sorte que o problema não é o SUS e sim o mercado – que acumula capital, radicaliza a seleção de riscos e retira recursos financeiros crescentes do SUS, em detrimento da qualidade da atenção médica e da saúde pública da população. Veja, de um lado, a expulsão dos doentes crônicos e idosos dos planos de saúde, e de outro, a baixa remuneração dos prestadores médico-hospitalares. Até onde vai esse mercado?

A estratégia de regionalização faz parte da célula original do SUS. Por que, até agora, ela não foi implementada de forma ampla, ainda que haja alguns consórcios inter-municipais exitosos?
Concordamos com a tese da professora Luciana Lima, da Fiocruz, quando ela afirma que o modelo de federalismo fiscal, adotado sob os imperativos da política de estabilização econômica e contenção dos gastos em saúde, acabou gerando constrangimentos e desequilíbrios federativos e não favoreceu a redistribuição de recursos a favor das desigualdades nas condições de financiamento em saúde dos estados e municípios brasileiros. Concordamos também quando ela diz que, no contexto de restrição fiscal, o modelo de descentralização implementado no sistema de saúde serviu mais ao propósito de retração da União e de contenção de despesas do que de sua expansão. O Ministério da Saúde já foi responsável por 75% do financiamento da saúde pública em 1980.

Em 2010, por exemplo, essa participação foi reduzida para 45% no total dos gastos públicos em saúde. Os problemas da descentralização se devem a crise de financiamento, hoje, acentuada, com o fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira no Senado Federal, em fins de 2007. Essa nos parece uma explicação plausível para entender a promessa não cumprida em relação aos consórcios. Na mesma linha, a meu ver, boa parte dos problemas de gestão do SUS é decorrente da crise crônica de financiamento do SUS. Parece, assim, que a questão do financiamento continua sendo uma dimensão-chave para negarmos o SUS da ‘não-universalidade’ e da ‘não-descentralização’, para que ele não negue si mesmo enquanto direito social.

Como o senhor avalia o papel da saúde suplementar, que muitas vezes nega procedimentos aos clientes, forçando-os a procurar a rede pública, e a questão do ressarcimento ao SUS? No livro, o senhor fala do conceito de “universalização excludente”. O que isso significa?
A noção de universalização excludente, cunhada por Paulo Faveret e Pedro Oliveira para designar a associação entre a ‘expansão por baixo’, pela inclusão de milhões de pobres e indigentes, e a ‘exclusão por cima’, pela busca de atendimento diferenciado nos planos de saúde pelas classes médias, não explorou o seguinte fato: ocorreu migração da clientela do seguro social para o mercado de planos de saúde. Nesses termos, pode-se afirmar que, simultaneamente à implantação do SUS, houve privatização do seguro social – como defendem também meus colegas economistas Iola Gurgel e Pedro Salles – engrossando o número de consumidores de planos privados e promovendo um sistema duplicado, que reproduz desigualdades sociais e aprofunda iniquidades de acesso dentro do sistema de saúde.

Em outras palavras, como ao SUS não foi possível – nem poderia ter sido, em razão dos parcos recursos financeiros – atrair a classe média e o polo dinâmico da força de trabalho, o fim do Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (INAMPS) acabou sintetizando um movimento iniciado em 1968 com os convênios entre o Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) e as empresas, quando seus segurados passaram a ser cobertos por esquemas privados. Conclui-se então que ocorreu a privatização do seguro social, o que, somado ao crescimento endógeno do mercado de planos, interditou o projeto estratégico do SUS, o projeto da reforma sanitária.

Em termos de gestão, o sistema de saúde tem observado o aumento do espaço ocupado pelas Organizações Sociais de Saúde. Há diversas organizações que cuidam da gestão de hospitais municipais e estaduais, e um intenso debate sobre a eficiência desses serviços, bem como o grau de transparência no repasse de recursos entre administração pública e as OS. Qual sua avaliação sobre tais organizações na saúde?
A Professora Sonia Fleury, em recente entrevista ao Le Monde Diplomatique, sugeriu que a pretexto de se igualar e de se interar o público e o privado, o que se está fazendo é reduzir progressivamente o papel do Estado a financiador e comprador, o que seria decretar a morte progressiva do SUS. Ela está correta ao fazer esse alerta às autoridades governamentais. Sem um programa mínimo para fortalecer o SUS, uma visão fiscalista, em que o fomento ao mercado de serviços de saúde aparece como solução pragmática para desonerar as contas públicas, passa a fazer parte do ideário de setores economicistas no Estado e na sociedade. Os direitos sociais da Constituição de 1988 não podem ser rasgados.

Assim que assumiu a pasta da Saúde, o ministro Alexandre Padilha afirmou que, diante do corte de orçamento no ministério, teria que fazer muito com o pouco que tinha. Ainda assim, o orçamento do Ministério da Saúde é um dos maiores dentro todos os ministérios. Na sua avaliação, este “fazer muito com pouco” é possível? Os avanços na gestão, com aperfeiçoamento de indicadores, por exemplo, pode de fato compensar a falta de verbas para a Saúde?

Em termos econômicos, a indagação correta a ser feita é: a contenção dos custos de maneira indiscriminada não poderia agravar os problemas de gestão do SUS? O incremento da eficiência não deve ser tomado como desculpa para cortar recursos financeiros ou organizacionais do SUS, bem como as filas em um sistema universal de saúde não podem servir para restringir o acesso.Considerando o custo de oportunidade para se alocar recursos para a saúde (vis-à-vis outros setores sociais), a melhor prática potencializa o dinheiro empregado na prestação de serviços médico-hospitalares visando sua efetividade. A qualidade da atenção pode ser, portanto, valorizada a partir da aplicação de um conjunto de práticas gerenciais: otimização de recursos; incentivos contratuais de longo prazo aos profissionais de saúde; ajustes permanentes do meio-ambiente e das tecnologias ao processo de trabalho; incremento da produtividade; corte de desperdícios; combate à corrupção etc. Desse modo, paradoxalmente, a melhoria da eficiência pode, na realidade, exigir o aumento dos gastos e por isso boa parte dos problemas de gestão decorre da crise crônica de financiamento do SUS. O professor da UERJ e meu colega aqui do IPEA, Alexandre Marinho, demostra empiricamente essa tese em diversos de seus trabalhos.

A questão entretanto é mais dramática. Como o SUS hoje não tem condições de substituir o mercado na cobertura dos trabalhadores do núcleo dinâmico da economia e do Estado – ao lado de seu fortalecimento nos parece oportuno defender no terreno da Reforma Sanitária a ideia de que a ‘saúde suplementar’ seja regulada como atividade privada de interesse público, mediante o regime de concessão de serviços públicos. Para tanto, seria necessário mudar no Congresso Nacional as normas que designam a assistência à saúde como livre à iniciativa privada (artigo 199 da Constituição Federal e art. 21 da lei n. 8.080). A presença do setor privado acabou portanto sendo naturalizada no sistema de saúde brasileiro. E não foram as eventuais fragilidades do SUS que proporcionaram o crescimento dos planos de saúde! Ao contrário, esse crescimento foi gritante, porque contou com incentivos governamentais no contexto do desfinanciamento do SUS, da crise fiscal do Estado e da ofensiva neoliberal. Nessa perspectiva, a alegação de que o mercado desafoga o SUS serve de apoio ideológico aos interesses liberais e capitalistas, porém, na verdade, esconde o fato histórico de que esse mercado foi uma criação do Estado, favorecendo o modelo de proteção social de matriz liberal em contraposição ao modelo definido na Constituição de 1988.

No livro, o senhor aborda, em certos momentos, o modelo de Saúde Pública de outras nações. No caso do Reino Unido, que é apontado como uma das principais referências, o que pode ser “copiado” no Brasil? Recentemente, o ex-ministro José Gomes Temporão visitou a China, a convite do governo de lá, para passar um pouco da experiência brasileira. O que estamos exportando e o que precisamos ainda importar em termos de modelos e práticas na saúde pública?

Visando a promoção do crescimento econômico e redução das desigualdades sociais, o ex-Ministro, provavelmente, refletiu lá a necessidade de estruturar no Brasil um certo capitalismo de Estado no setor, onde o governo regule o complexo produtivo da saúde, mas atue igualmente como agente econômico. É verdade que precisamos desmedicalizar o modelo assistencial, mas ele como profissional de saúde poderia falar melhor do que eu nesse caso. De qualquer maneira, tendo em mente as mudanças econômicas e tecnológicas operadas na fase da globalização, em tese, esse projeto pretende conservar os acertos (industrialização) e superar os erros (excesso de subsídios ao mercado) do processo de substituição de importação visto no século passado.

Desse modo, de um lado, o Estado poderia incentivar, a um só tempo, os investimentos e a cadeia produtiva na geração de renda, emprego e inovação tecnológica, e de outro, poderia criar uma oferta estatal capaz de atender às exigências de saúde da população em oposição àquelas demandas estritamente mercadológicas do complexo médico-industrial. Vale dizer, nesse sentido, o Dr. Carlos Gadelha, Secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, tem o mérito de incorporar na agenda da saúde pública a contribuição de Keynes, Schumpeter e do próprio Marx, seguindo ao seu modo o trabalho realizado pelo estimado professor Reinaldo Guimarães.

Fonte: http://www.advivo.com.br/materia-artigo/o-problema-nao-e-o-sus-e-sim-o-mercado-diz-pesquisador-do-ipea

Governo assina 20 parcerias para produzir 19 remédios e duas vacinas

Medicamentos são contra Aids, câncer, asma, hemofilia e outras doenças.

D0 G1

Os ministérios da Saúde, da Ciência, Tecnologia e Inovação e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior firmaram nesta quarta-feira (31), em Brasília, 20 parcerias para a produção nacional de medicamentos e vacinas que devem ser oferecidos no Sistema Único de Saúde (SUS).

Os acordos de transferência de tecnologia envolvem 17 laboratórios privados, como Baxter e Merck, e 12 públicos – todos no Nordeste –, que vão fabricar 19 remédios para 11 tratamentos diferentes, como câncer, asma, mal de Parkinson, doenças psiquiátricas, imunológicas (como a Aids) e sanguíneas (como a hemofilia, que dificulta a coagulação).

Em cinco anos, a Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás) espera beneficiar dez mil pessoas hemofílicas com os novos medicamentos.

Além desses remédios, as parcerias preveem a produção de produtos biológicos, usados para combater problemas crônicos, quando os tratamentos convencionais já não funcionam.

Os acordos também incluem duas vacinas: a tetraviral (contra sarampo, caxumba, rubeola e catapora) e outra de hepatite A – esta teve a tecnologia transferida pelo laboratório Merck e deve ser fabricada pelo Instituto Butantan, em São Paulo.

O anúncio foi feito durante a 3ª Reunião do Comitê Executivo e Conselho de Competitividade do Complexo da Saúde (Gecis), da qual participaram o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel. Também estiveram presentes representantes de laboratórios públicos, como Bio-Manguinhos, do SUS e da indústria farmacêutica.

Segundo o Ministério da Saúde, o objetivo é fortalecer as áreas de pesquisa, desenvolvimento e inovação, reduzir a dependência do país em produtos importados e aumentar a capacidade de exportação de medicamentos e vacinas.

Já Pimentel destacou que esse é um avanço “muito significativo” para consolidar o país como um polo de desenvolvimento industrial de fármacos e saúde em geral.

“O Brasil tem um potencial enorme nessa área, e pode ser mais bem aproveitado”, disse o ministro durante a assinatura das parcerias.

Padilha também se pronunciou e destacou que 30% dos esforços de inovação tecnológica no país estão concentrados na área da saúde. No mundo, a média é de 28%. Além disso, de acordo com o ministro, 33% das publicações científicas brasileiras são relacionadas à saúde.

Com os acordos, poderá haver uma redução de quase cinco vezes no preço dos remédios praticado hoje pelo mercado, afirmou Padilha.

“Queremos entrar na produção de tratamentos contra o câncer e de produtos biotecnológicos. Certamente, isso garantirá o desenvolvimento de outros produtos, gerando emprego e renda”, ressaltou.

O ministro falou também sobre o papel “decisivo” da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para antecipar o processo de registro de medicamentos. Segundo ele, o que antes levaria de três a quatro anos, agora pode ser acelerado tanto para o setor público quanto para o privado.

Vacina contra HPV

Na reunião desta quarta-feira, Padilha também falou que o Ministério da Saúde está analisando a possibilidade de incluir a vacina contra o vírus do papiloma humano (HPV) no SUS. O ministro desafiou laboratórios públicos a apresentarem, até dezembro, propostas de parceria ao comitê do Gecis.

O HPV é transmitido principalmente por relações sexuais sem camisinha e pode causar verrugas genitais e câncer do colo do útero, de cabeça e pescoço, vagina, pênis e do canal anal.

Além da necessidade de usar camisinha, existe vacina contra o HPV, que está disponível apenas na rede privada. Segundo o ginecologista José Bento, existem dois tipos de doses: a bivalente (contra os vírus 16 e 18) e quadrivalente (6, 11, 16 e 18). A primeira custa R$ 1.000 e a segunda, R$ 1.200, e ambas são aplicadas em três vezes (a segunda após dois meses da primeira e a terceira depois de seis meses da primeira).

Em todo o mundo, estima-se que 600 milhões de pessoas estejam contaminadas pelo HPV. Cerca de 10 milhões já têm uma lesão pré-cancerígena, e entre 2 e 3 milhões de mulheres foram diagnosticadas com câncer do colo do útero.

Fonte: http://www.midianews.com.br/conteudo.php?sid=8&cid=139162

Anvisa proíbe venda de chás “emagrecedores”

Anvisa bane chás para dietas

Correio Braziliense – 26/10/2012

Governo proíbe a produção e a venda de emagrecedores à base de ervas. Os produtos não foram submetidos aos testes de eficácia e de segurança

RENATA MARIZ

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a produção, venda e publicidade de cinco produtos que prometem auxiliar no emagrecimento. São eles: Emagrecedor Sem Dieta Dulopes (da Dulopes Comércio de Produtos Naturais Ltda), 30 Ervas Emagrecedor, Uxi Amarelo, Unha de Gato e Engordar (da Chá Diet Ltda) foram considerados ilegais porque os fabricantes não têm registro na Anvisa, o que impede a avaliação quanto à segurança e eficácia dos produtos. Mais 14 empresas de vários segmentos — detergentes, mata-moscas, amônia e fortificantes — foram fechadas pela agência, ontem, devido à falta de autorização para funcionar.

Por não ter o registro na agência reguladora, os produtos são classificados como clandestinos. As empresas ficam sujeitas a multas de R$ 2 mil a R$ 1,5 milhão por comercializar itens que podem prejudicar a saúde do consumidor.

Para Henrique Suplicy, especialista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, a decisão da Anvisa foi acertada, uma vez que não há qualquer comprovação da eficácia dos emagrecedores. “Sem contar que esses produtos, ao contrário do que muitos pensam, podem ter efeito colateral. Não é porque são plantas que não fazem mal à saúde de quem as utiliza”, destaca o endocrinologista.

Suplicy relaciona a proliferação de produtos à base de ervas e chás no mercado à proibição, feita também pela Anvisa há cerca de um ano, de emagrecedores derivados de anfetamina. “Esses remédios que funcionavam de fato foram retirados de circulação. E a falta de opções dos pacientes que sofrem de obesidade acaba incentivando o surgimento dessas falsas promessas”, diz ele. Hoje, dos poucos remédios para emagrecer ainda permitidos no país, a sibutramina, que não tem base anfetamínica, é um dos mais receitadas pelos médicos. “Mas há muitas restrições, a Anvisa não se deu conta de que proibir indiscriminadamente os medicamentos é uma forma simplista de tentar resolver o uso abusivo que se fazia deles”, alfineta o especialista.

Obesidade avança

A Anvisa tem se manifestado publicamente pela manutenção da proibição dos emagrecedores à base de anfetaminas, com o argumento de que os remédios não têm eficácia comprovada nem sustentável. Pelos dados da agência, cerca 90% dos pacientes abandonam o tratamento após três meses, e menos de 10% usam os remédios por mais de um ano.

Enquanto o debate sobre o papel desse tipo de medicamento parece longe do fim, o problema do excesso de peso só aumenta no Brasil. Dados do Ministério da Saúde mostram que, nos últimos seis anos, a proporção de pessoas em briga com a balança subiu de 42,7% para 48,5%. Hoje, 15% da população é considerada obesa, o que representa cerca de 30 milhões de pessoas.

A obesidade também ameaça a infância. Dados do ministério mostram que uma em cada três crianças entre 5 e 9 anos de idade está acima do peso. Em 1989, esse índice era 13,5%. O sobrepeso é responsável por uma série de doenças ao longo da vida, como hipertensão, cardiopatias e diabetes. Também é fator que eleva o risco de acidente vascular cerebral (AVC).

30 milhões

Número de obesos no Brasil, segundo o Ministério da saúde

Remédio contra mal de Parkinson

A Anvisa autorizou o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a produzir o medicamento Pramipexol, usado para o tratamento do mal de Parkinson. Em novembro do ano passado, o laboratório alemão Boehringer Ingelheim — dono da patente do remédio — e a Farmanguinhos assinaram acordo de transferência de tecnologia para produção do fármaco no Brasil. Pelo acordo, com prazo de cinco anos, o Pramipexol será totalmente importado nos três primeiros anos. Depois, metade da demanda interna será produzida pelo instituto. A nacionalização do remédio vai provocar uma queda de preço que pode chegar a 30%. Só no ano passado, o SUS repassou R$ 37 milhões aos estados para atender à demanda por Pramipexol. O mal de Parkinson é uma doença degenerativa do sistema nervoso central e atinge cerca de 200 mil pessoas no Brasil, principalmente idosos.

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