Posts Tagged ‘Sócrates’
Este é mais um caso evidente de invasão de privacidade por parte dos veículos de imprensa que não possuem limites na sua busca por produzir informações sem qualquer relevância social apenas para produzir visibilidade.
Trata-se aqui de questionar não se o caso entre Raí e Zeca Camargo existe ou não. Não importa e nem interessa saber. Trata-se de questionar acerca do direito que veículos de comunicação de massa teriam de adentrar o universo das vidas pessoais para transformar em matéria o que constitui privacidade da vida das pessoas, sejam elas conhecidas ou não.
É óbvio que esse direito não pode existir. E preservar a intimidade e a privacidade das pessoas não representa nenhum tipo de censura ou de restrição à liberdade de expressão. Muito pelo contrário.
O que fazem as colunas sociais; os “reality shows”, como o BBB ou A Fazenda; os paparazzi com suas fotos e vídeos vendidos à mídia expondo as vidas pessoais e os relacionamentos de atores, atrizes e de jogadores? É, na verdade, um escândalo contra a dignidade humana dos “personagens” e, mais que isso, uma completa manifestação de desprezo pelo público.
Há poucos dias, o ator Pedro Cardoso, em programa conduzido pelo jornalista Pedro Bial, se insurgiu contra os paparazzi, atacando essa transformação da vida privada em produto comercial e de merchandising, dizendo que este é um procedimento cuja opção comercial tem como centro a venda da mentira para a população. E ele explicou o que quis dizer, afirmando textualmente, e de modo enfático, que muitos desses “produtos” de divulgação (fotos, vídeos, fofocas) são encomendados, tanto pelas empresas de comunicação quanto pelos “agentes” que tem por missão manter tais pessoas em evidência ou promover tais pessoas para que ganhem notoriedade cujo único intuito é produzir ganhos publicitários.
É assim que os corpos são explorados. É assim que as amizades, os namoros e os casamentos passam a ser vasculhados e vigiados. É assim que o lazer das pessoas é transformado em “acontecimento”. É terrível, mas a sexualidade das pessoas quase sempre é utilizada em apelo para atrair a atenção.
Observe-se, para não cometer injustiça, que este tipo de produção de “matérias jornalísticas” não é novo. As colunas sociais são práticas recorrentes na imprensa brasileira, quicá mundial, desde sempre. Mesmo nas pequenas cidades, existem lá os jornalistas que se apresentam como colunistas sociais, em geral bajulando empresários e políticos locais, com falsas entrevistas, premiações arranjadas, fofocas e destaques para o irrelevante. E o pior é que em geral, ganham bom dinheiro agindo assim.
Refutar este tipo de posicionamento das empresas de comunicação não tem como raiz nenhum moralismo, mas sim, baseia-se num pressuposto saudável do que seja a moralidade.
No caso em questão, além da invasão das vidas pessoais, o que de per si já seria extremante grave, há uma informação sem nenhuma base fática, uma vez que o texto é todo redigido usando-se dos verbos na condicional, mas o que é ainda pior é o fato de mobilizar estereótipos, quando aponta como centro da notícia e causa de curiosidade o tema do homossexualismo.
Invadir a privacidade é um procedimento antiético. Divulgar uma informação sem evidenciar os fatos é uma atitude antiprofissional quando se fala em jornalismo. E usar as pessoas para promover uma discussão enviezada sobre um tema como o do homossexualismo, sobre qual pesam tantos preconceitos, que incidem sobre milhões de pessoas, sem aprofundar as opiniões e o diálogo sobre ele, é uma irresponsabilidade social.
Está certo o jogador Raí, ao processar a jornalista Fabíola Reipert e o R7. Na verdade, todos os atores, atrizes, jogadores, cantores e cantoras, sempre deveriam agir como Raí. Se alguns usam este tipo de artimanha para ganhar evidência e dinheiro, como se sabe que existem, eles é que estão errados e não devem merecer do público nenhuma atenção nem reconhecimento.
O que você pensa a respeito dessas colunas sociais e desses programas tipo “reality”, que ganham dinheiro bajulando ou invadindo a privacidade das pessoas?
Veja a seguir o vídeo de Pedro Cardoso discutindo o tema com Pedro Bial.
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Todos os comentários relembram suas passagens memoráveis pelo Botafogo de Ribeirão Preto, pelo Corinthians e pela Seleção Brasileira. Com efeito, sob sua liderança o Botafogo se reergueu na segunda metade dos anos 70, chegado ao vice-campeonato no Primeiro Turno do Paulista em 1977; o Corinthians rompeu com o longo período árido de vitórias, chegando ao título paulista em 1977, depois de 23 anos sem vitórias; e a seleção brasileira, sob o comando técnico de Telê Santana, mas de Sócrates em campo, encantou o mundo no mundialito de 1981 e na Copa da Espanha, em 1982.
Mas as proezas de Sócrates não se limitaram ao campo esportivo. De dentro de campo, ele conseguiu influir sobre a formação ideológica da população, quando criou, no Corinthians, um movimento chamado de Democracia Corinthiana. O país vivia ainda sob o regime militar, a ditadura vigia, e o nascimento no clube com a torcida mais popular do país, de uma “democracia corinthiana”, representou não apenas a contestação da hierarquia interna ao clube e do relacionamento entre os cartolas e os jogadores, mas, mais que isso, uma evidente alavanca de difusão do valor da democracia para a sociedade e o benefício da população.
Essa capacidade de pensar a sociedade esteve presente em toda a vida de Sócrates, que logo filiou-se ao PT, mas que jamais pretendeu explorar a sua fama obtida nos campos para conquistar cargos eletivos, num gesto profundamente educativo também, sobre a autonomia e identidade específica de cada campo de atuação: o campo do esporte distinto do campo da política. Esta consciência amadurecida e respeitosa evitou que ele concorresse em eleições tanto parlamentares (para deputado estadual ou federal, em São Paulo) quanto executivas (para prefeito de Ribeirão Preto, por exemplo).
Sócrates se vai, e apesar de todos os seus méritos, somos obrigados a reconhecer que por um de seus graves limites: foi o alcoolismo que lhe levou a vida. É uma contradição que um médico com tanta capacidade e tantas contribuições às pessoas e à sociedade, inclusive por sua capacidade de formulação teórica e de influenciar as pessoas, se tenha deixado abater por uma doença como o alcoolismo.
Mas, Sócrates não vivenciou o alcoolismo como doença e sim como prazer, como festejo e regozijo. Neste ponto, agiu com irresponsabilidade, mas o que podemos dizer se cada um temos os nossos próprios limites?
Resta-nos agradecer ter vivido ao seu lado e ususfruído das alegrias que ele proporcionou nos gramados, do futebol, e aprendido com sua liderança sobre a democracia corintiana e seus escritos recentes à Carta Maior.
Adeus, Dr. Sócrates!
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