Posts Tagged ‘Roriz’
O quadro de invasão de bandoleiros aos cofres públicos no DF é por demais extenso e complexo para permitir emitir opiniões sobre a participação e o envolvimento das pessoas sem que se tenham configurado os devidos procedimentos investigatórios e judiciais. No artigo “Denúncias e necessidades de mudanças“, que escrevi em dezembro de 2009, enquanto vinham a tona os vídeos divulgados por ocasião da Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, salientei alguns pontos que destaco:
“Assim, a amplitude do arco de alianças partidárias firmadas para a composição da “base de sustentação” política do governo Arruda, não encontra guarida em afinidades políticas nem em posicionamentos ideológicos ou programáticos, mas no aquinhoamento de benesses espúrias, típicas do patrimonialismo, tal como descrito por Raimundo Faoro, em Os Donos do Poder. Agregar segmentos empresariais interessados em locupletarem-se, desde que dispostos a pagarem comissões pelas vantagens obtidas, é essencial para a construção deste modelo: torna viável um poderio econômico que desequilibra favoravelmente a alguns a possibilidade de oferta das candidaturas nos processos eleitorais, instala pessoas em postos determinados da estrutura governamental, para o delineamento de políticas que viabilizem a persistência dos ganhos econômicos destes grupos empresarias, enquanto alimenta continuamente a sanha parasitária de uma legião política sem ideologia ou programa“.
Enquanto trabalhei no Ministério do Trabalho, fui visitado algumas vezes por pessoas que se diziam vinculadas a associações de aposentados, igrejas pentecostais, escolas de samba e outras entidades culturais que pretendiam que eu ajudasse a escrever projetos para obtenção de recursos em projetos sociais.
Como para explicitar minha disposição em fazê-lo sempre requeria visitar a entidade e verificar in loco as necessidades reais, participando de um diagnóstico de planejamento participativo, jamais recebi o segundo contato. Estou esperando até hoje um pastor “João” que ficou de me buscar para irmos conhecer sua pretensa igreja evangélica e o lindo trabalho que ele disse fazer para qualificação profissional e “geração de renda”. Como ele não apareceu, liguei-lhe pedindo o endereço, para que eu mesmo fosse, com meu carro, já que queria ajudar, mas ele não me informou, prontificando-se a me buscar novamente. De novo, as atividades do zelo pelas almas devem ter-lhe ocupado demasiadamente. Melhor assim.
Depois que deixei o Ministério, também fui contratado, por alguns meses, para elaborar um projeto de microcrédito, por uma empresa. Quando ficou evidente que minha disposição de buscar recursos junto ao governo ou ao BNDES dependia de que o trabalho de atendimento aos microempreendedores já estivesse efetivamente sendo realizado pela empresa, para só depois elaborarmos as propostas, meu contrato foi rompido unilateralmente, durando menos de 1/3 do inicialmente previsto, inclusive com o não pagamento de parte do acordado. Anoto que a empresa mantinha negócios no ramo imobiliário, na venda de seguros e no crédito consignado tendo como base de clientes diversas associações de aposentados e servidores do GDF, mais especificamente do ramo policial, onde já está evidenciado que se infiltraram hordes de desonestos.
Com isto quero dizer que se alastrou por todo o Distrito Federal, no lastro dos governos Roriz e Arruda, o que chamei no artigo citado de “sanha parasitária”, ou seja, uma legião de pessoas dedicadas à extorsão dos recursos públicos. Romper com tantos vasos comunicantes da corrupção certamente vai trazer à tona a ira de muita gente que vai reagir jogando podridão no ventilador.
Não há que se pretender isentar aprioristicamente o governador Agnello Queiroz das acusações que lhe estão sendo feitas, mas considerar que há uma renhida luta em andamento no governo do GDF, que pode estar motivando a geração de inverdades para desestruturar uma ação saneadora.
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28/09/2010 – 19:12
Débora Zampier
Repórter da Agência BrasilBrasília – O Ministério Público Eleitoral do Distrito Federal (MPE-DF) pediu à Justiça Eleitoral que não libere a candidatura de Weslian Roriz (PSC) ao governo local. Ela protocolou pedido de candidatura no último sábado (25), assumindo o lugar do marido, o ex-governador Joaquim Roriz. Para o MPE, a substituição de Roriz por Weslian ocorreu fora do prazo.
O ex-governador desistiu de ser candidato diante do empate em 5 a 5 do julgamento de ação sobre a validade da Lei da Ficha Limpa, no Supremo Tribunal Federal (STF), para as eleições deste ano. Roriz foi enquadrado na lei por ter renunciado ao cargo de senador para não ser cassado e recorreu à Corte contestando o texto aprovado pelo Congresso. Como o resultado da análise do caso não foi proclamado pelo STF, o ex-governador saiu de disputa e indicou Weslian para substitui-lo.
O registro de Weslian será julgado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) no próximo sábado (2). O parecer do MPE é levado em consideração pelos ministros antes de decidirem. O parecer é assinado pelo procurador regional Eleitoral, Renato Brill, e pelo procurador regional substituto, José Osterno Campos de Araújo.
Para o Ministério Público, o pedido de substituição ocorreu fora do prazo, porque o motivo que impediria Roriz de ser candidato foi a decisão do TRE-DF do dia 4 de agosto, que negou o seu registro. Segundo a legislação eleitoral, o pedido de substituição deve ocorrer até 10 dias após o motivo que causou a desistência.
O Ministério Público ainda afirma que é notório o fato de que Weslian seria apenas uma “representante” de Roriz, o que viola o princípio constitucional da representatividade. “O candidato Joaquim Domingos Roriz não pode ser um representante eleito pelo povo, pois já teve o seu pedido de registro indeferido duas vezes, tanto pelo TRE-DF, quanto pelo TSE. Se não pode ser eleito, como pretende governar ‘por intermédio’ de sua esposa, sem que tal fato ofenda o princípio da
representatividade?”, diz o parecer.Por fim, o documento destaca “o efeito cascata que uma decisão favorável ao registro de candidatura de Weslian Roriz causaria no restante do país, legitimando diversas “candidaturas laranjas”’.
Fonte: http://agenciabrasil.ebc.com.br/home?p_p_id=56&p_p_lifecycle=0&p_p_state=maximized&p_p_mode=view&p_p_col_id=column-4&p_p_col_pos=3&p_p_col_count=5&_56_groupId=19523&_56_articleId=1064048
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