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Cooperativismo de crédito e economia sustentável
Autor(es): José Salvino de Menezes
Correio Braziliense – 22/10/2012
Presidente do Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil (Sicoob Confederação)
Um novo modelo de negócio emerge de forma promissora na economia do Brasil: o cooperativismo de crédito. A influência do setor no país tem proporcionado o desenvolvimento socioeconômico de forma sustentável e inclusiva. Além de contribuir com a manutenção das economias locais, o setor cooperativista de crédito se apresenta como uma alternativa com viabilidade econômica e de responsabilidade social.
As cooperativas de crédito são sociedades de pessoas que buscam, por meio da união e da intercooperação, prestar serviços financeiros competitivos em benefício de todos seus associados, que também são donos do negócio. Sempre alicerçado em valores éticos, o cooperativismo de crédito não visa lucros e privilegia o valor pessoal de cada cooperado integrante da sociedade. Além disso, os recursos provenientes das cooperativas são aplicados nas comunidades na qual estão inseridas, estimulando seu crescimento econômico e social.
Com esse modelo de negócio, o setor tem experimentado índices de crescimento superiores em relação ao Sistema Financeiro Nacional (SFN). No primeiro semestre de 2012, os ativos das cooperativas cresceram 13,75% em relação a dezembro do ano passado, de R$ 86 bilhões em dezembro de 2011 para R$ 98 bilhões em junho deste ano. O patrimônio cresceu 10,62%, chegando a R$ 17,6 bilhões, e, nos depósitos, o segmento teve uma expansão de 21,22%, saindo de R$ 38 bilhões em dezembro de 2011 e alcançando a marca de R$ 46 bilhões em junho de 2012. No quesito empréstimos, o aumento foi de 9,94%, totalizando R$ 41,6 bilhões. O setor cooperativista de crédito possui a segunda maior rede de atendimento no Brasil, com aproximadamente 5 mil pontos, que atendem a 5,8 milhões de pessoas ligadas ao segmento e a 1.312 cooperativas de crédito atuantes no país.
No mundo, o cooperativismo de crédito é um dos setores que mais cresce. Segundo o Conselho Mundial das Cooperativas de Crédito (WOCCU, na sigla original), em 2011 existiam 51 mil cooperativas de crédito em 100 países, somando 200 milhões de associados. A entidade também aponta que aproximadamente 8% da população economicamente ativa do mundo é associada a uma cooperativa de crédito.
Reconhecendo o crescimento vertiginoso do cooperativismo de crédito no Brasil, o governo decidiu instituir uma data na qual o setor fosse celebrado. Em maio deste ano, a presidente Dilma Rousseff promulgou a Lei nº 12.620 e estabeleceu o Dia Nacional das Cooperativas de Crédito: 28 de dezembro. Um marco para o setor e uma demonstração do interesse do governo brasileiro pelo tema.
Além dessa data, todo ano, na terceira quinta-feira de outubro, é celebrado mundialmente o Dia Internacional do Cooperativismo de Crédito. A data, comemorada este ano no dia 18, relembra o empenho dos pioneiros na construção dos valores do setor. A comemoração, que ganhou um significado especial em virtude das celebrações do Ano Internacional das Cooperativas, evidencia o sucesso e o desenvolvimento do segmento no mercado.
Neste ano, ao papel das entidades cooperativistas no desenvolvimento econômico da sociedade, inclusão social e geração de renda no mundo todo também foi reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU), que elegeu 2012 como o Ano Internacional das Cooperativas, com o slogan “Cooperativas constroem um mundo melhor”. O objetivo é despertar o interesse e sensibilizar governos e sociedades sobre o papel das cooperativas no desenvolvimento socioeconômico das comunidades em que atuam, bem como destacar a importância da criação de políticas que contribuam para o crescimento do setor. No Brasil, o Banco Central lançará, no fim do mês, moeda comemorativa que apresentará a logomarca oficial e o slogan do Ano Internacional das Cooperativas.
A mudança da realidade socioeconômica depende de todos nós. E isso pode ser feito por meio da intercooperação. Os valores e princípios do cooperativismo podem fazer toda a diferença na consolidação de uma sociedade que valoriza o capital humano em detrimento do lucro. O ano de 2012 é especial para milhares de pessoas no mundo que pensam diferente, para todos aqueles que têm no cooperativismo de crédito um modelo ideal de desenvolvimento.
O empenho do governo no fortalecimento do modelo cooperativista de crédito surge da necessidade de redução das diferenças econômicas e sociais com foco no crescimento justo e sustentável. E a promoção desse modelo deve ser feita por meio da educação, para que, no futuro, as crianças de hoje possam ter a consciência de que o cooperativismo de crédito é um instrumento imprescindível para viabilizar o bem-estar social, a independência e a autonomia econômica.
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Obviamente, esta passagem não é simples: as empresas resistem à mudança; surgem temores de que os compromissos sociais e ambientais gerem obrigações causadoras de ônus financeiros insuportáveis ou que provoquem a redução da rentabilidade. Nem todas as empresas e organizações possuem setores voltados à pesquisa e à inovação, que as permita vislumbrar novos modelos de negócios, em que o próprio compromisso social e ambiental sejam as fontes para o desenvolvimento de produtos e serviços, de modo que tragam receita e ganhos econômicos e financeiros.
Por isso, é importante que os governos comprometam-se com a difusão das responsabilidades sociais e ambientais, como valores de uma nova moral econômica. A Prefeitura de Macapá, na matéria que transcrevo abaixo, está cumprindo este papel, ao criar o seu “Dia D da Responsabilidade Social”. A proposta é simples: concentrar alguns serviços sociais em bairros da periferia da cidade, atendendo à população, em esquemas de “mutirão” de serviços. Vê-se: nada de tão diferente do que ocorre em muitos lugares do país.
Entretanto, a simples adoção de nomenclatura vinculando a ação à Responsabilidade Social transforma o evento em um gesto de grande relevância, na medida em que contribui para promover o debate de uma temática fundamental e alinhada com as perspectivas globais de transformação.
Estão de parabéns os idealizadores da iniciativa, que vem sendo repetida há vários anos na capital amapaense.
Prefeitura realiza mais de 1.500 atendimentos no Dia “D” da Responsabilidade Social
18/Maio/2012A Prefeitur a de Macapá realizou ontem o Dia “D” da Responsabilidade Social, que levou atendimento em diversas áreas da saúde e também serviços socias a comunidade do bairro do Zerão. A programa denominada Festa da Familia aconteceu na Escola Municipal Marinete da Silva Mira e contou com a parceria de diversões órgãos públicos e privados.
A ação contou com a participação do Rotary Club, Senac, Ctmac, Exército, Famap, Nasp/Semsa, Semsa , Grupo de Escoteiro Duque de Caxias, Conselho Tutelar e Corpo de Bombeiros. Segundo a diretora Adriana Nascimento, o objetivo foi alcançado e a comunidade foi a grande beneficiada pela ação. “Felizmente conseguimos atingir nosso objetivo que era atender uma grande parcela de nossa comunidade com os serviços sociais. Graças a ajuda de todos tivemos a chance de levar aos moradores do bairro atendimentos em diversas áreas, principalmente da saúde. Sabemos que isso não é tudo, mas ajuda muito a diminuir a demanda nos postos de saúde e também esclarece vários assuntos, através das palestras ministradas pelos orgãos competentes”, declarou.
No total foram contabilizados cerca de 1.500 atendimentos nos diversos setores oferecidos pelo município. Este foi o 5º ano da ação e mais de 7 mil pessoas já foram beneciadas pelos serviços.
Para o Coordenador de Mobilização Institucuinal da PMM Anizio Gallo, a programação foi positiva e conseguiu atingir o compromisso de atender o comunidade. “Trabalhamos sempre com o intuito de priorizar a comunidade mais necessitada e por isso não medimos esforços para realizar esses trabalhos. Agora já estamos organizando outras atividades com esse mesmo objetivo em outros bairros da cidade”, finalizou.
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Prefeitura Municipal de Macapá – PMM
Coordenadoria Municipal de Comunicação Social – CMCS
Fonte: http://www.correaneto.com.br/site/noticias/25715
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Originariamente sustentabilidade tem a ver com longevidade, com mudança de hábitos e de cultura, com resiliência e superação, isto é, com a capacidade de se transformar para sobreviver às intempéries e evoluir com a natureza. Hoje, no entanto, ser um negócio sustentável virou uma espécie de modismo e o conceito vem sendo empregado, inclusive, por aqueles cujas práticas não correspondem integralmente à proteção ambiental ou à qualidade de vida das comunidades envolvidas nem com a longevidade do negócio.
Medidas simples como reciclagem, destinação adequada de resíduos, produtos tóxicos e restos de matéria-prima e o reuso de materiais podem fazer alguma diferença nos aspectos ambientais, mas para a construção de diretrizes realmente sustentáveis é preciso implementar soluções e estratégias de sustentabilidade empresarial, entre elas a comunicação. Mais que boa vontade, é preciso ter uma espinha dorsal alicerçada em conceitos, práticas e resultados, que torne sustentável também a cadeia de suprimentos e fornecedores.
No Brasil, a maioria das ações de sustentabilidade ainda está engatinhando. Teremos que nos esforçar muito mais para conciliar nosso processo produtivo com a preservação do meio ambiente e da sociedade como um todo. O caminho é o equilíbrio entre pessoas, natureza e negócios, num jogo de ganha-ganha, em que todas as partes se beneficiem e, neste aspecto, a comunicação é imprescindível.
Como não é possível, no curto prazo, mudar a organização inteira, é preciso escolher dentre as áreas, as mais críticas, para criar uma situação favorável às mudanças e transformar cada caso em oportunidade e esperança de um futuro melhor. Para conseguir êxito nas medidas de desenvolvimento sustentável, em primeiro lugar, é preciso conscientizar a base da pirâmide produtiva sobre a urgência das ações em defesa do meio ambiente e suas consequências na vida das pessoas. A capacitação sobre práticas de sustentabilidade, para o quadro funcional e fornecedores desenvolverem suas atividades, também faz parte da estratégia de desenvolvimento sustentável. Faz-se necessário ainda, compartilhar informações sobre responsabilidade socioambiental e trocar experiências com objetivo de transformação cultural.
Instrumentos de comunicação permitem construir e melhorar a imagem de uma empresa, entidades e públicos internos e externos. Até mesmo influenciar consumidores e ganhar novos seguidores. Também possibilita que as empresas posicionem-se em seu mercado de atuação. Alcançar a meta desejada depende de uma estratégia bem elaborada e que caiba no bolso do investidor. Para fazer parte do alinhamento estratégico ligado aos preceitos de sustentabilidade, a comunicação deve obrigatoriamente estar focada ao pensamento, aos negócios e aos objetivos do empreendimento.
Tomemos casos de sucesso no “Planejamento Estratégico de Sustentabilidade Empresarial”, como o da Natura, por exemplo, que obedecem as diretrizes de: responsabilidade para com as gerações futuras; educação ambiental; gerenciamento do impacto ao meio ambiente; do ciclo de vida de produtos e serviços; e da minimização de entradas e saídas de materiais.
Para isso, a fabricante de cosméticos cumpre todos os requisitos legais, controla todas as fases de produção, reduz a utilização de insumos que prejudiquem a ecologia, bem como, extinguiu os testes em cobaias e as embalagens ecologicamente incorretas. Outro detalhe é o emprego de tecnologias limpas e a promoção da melhoria contínua nos processos de toda sua cadeia produtiva, com redução de emissões de gases geradores do efeito estufa. Também procura desenvolver modelos de negócios que levem em conta os princípios e as oportunidades advindas da sustentabilidade. Além disso, adota instrumentos capazes de medir, monitorar e auditar o consumo de recursos naturais e a geração de resíduos. A empresa ainda está preparada para quaisquer tipos de incidentes e comunica isto o tempo todo em seus informativos internos e externos, em suas notícias divulgadas pela imprensa, em seu material institucional e mercadológico.
A sociedade de consumo valoriza atitudes como o gerenciamento da qualidade do ar, da água e do solo, o controle de efeitos sonoros, a redução do desperdício, o uso de materiais biodegradáveis, a compensação de pegadas ambientais. Essas, entre outras iniciativas, devem fazer parte das estratégias de sustentabilidade de empresas comprometidas com um planeta melhor para os nossos filhos e devem ser exaustivamente anunciadas às futuras gerações.
No Brasil já foi criado, por iniciativa da Bolsa de Valores de São Paulo, Fundação Getúlio Vargas, Instituto Ethos e Ministério do Meio Ambiente, um Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE). Seu intuito é incentivar os investidores a aplicarem seu capital em empresas que trabalhem com políticas de desenvolvimento sustentável, responsabilidade social e ambiental, compromisso ético e boas práticas de negócios.
Embora algumas corporações pensem nisso apenas como retorno de marketing, que podem auferir da sustentabilidade empresarial, essa nova abordagem deve ser empregada conscientemente, no sentido de reintegrar o homem à natureza. Muitos empreendimentos já adotaram o conceito de responsabilidade socioambiental empresarial em seus processos produtivos e o transferem à cadeia de fornecedores e parceiros. As companhias nacionais têm que repensar o jeito de fazer negócios, respeitando o que é ecologicamente correto, ao mesmo tempo, economicamente viável; socialmente justo e culturalmente aceito.
Anúncios e divulgações a respeito podem dar excelentes resultados na adesão do conceito da sustentabilidade. O que garantirá seu sucesso é o alinhamento da forma de comunicação às necessidades de cada empresa. Para isso é preciso saber onde se está e onde se quer chegar!
Clarice Pereira é jornalista, formada pela USP – Universidade de São Paulo e especialista em marketing, pela ESPM – Escola Superior de Propaganda e Marketing. Há 30 anos desenvolve atividades de comunicação empresarial. Atualmente comanda a Link Portal da Comunicação (www.linkportal.com.br), assessoria de comunicação integrada, fundada há mais de 10 anos. E-mail: [email protected]
Fonte: http://www.investimentosenoticias.com.br/ultimas-noticias/artigos-especiais/comunicacao-como-estrategia-de-sustentabilidade-empresarial.html
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