Posts Tagged ‘Pedagogia’
Parabéns aos jovens que ainda mantém a coragem de dedicar-se à atividade magisterial. Parabéns aos professores que trabalham nas periferias das grandes cidades, convivendo com realidades bastante desafiadoras, junto aos adolescentes.
Parabéns aos professores universitários, que seguem desafiados a promover concomitantemente tanto o anseio pelo saber metodicamente rigoroso, que compõe o universo das ciências e da tecnologia, mas ao mesmo tempo crítico, sem o qual não poderemos sustentar os anseios de transformação dos homens e das sociedades, na direção da justiça, da dignidade, da sustentabilidade e da igualdade.
Mas, para concluir, não posso deixar de fazer observações sobre a necessidade de criar um grande pacto político em torno de um Programa de Valorização da Profissão Docente. A criação da lei que aprovou o Piso Nacional do Magistério, com o intuito de fixar os valores mínimos de salário para o professorado da educação pública é um avanço, uma vez que aponta numa direção fundamental que é a melhoria da remuneração, dos salários, assegurando que em todo o país, tanto no âmbito dos municípios, quanto estados, não existam professores ganhando menos do que determina o Piso.
É verdade alguns governadores e partidos políticos, tais como o DEM e o PSDB, foram contra a aprovação do Piso Nacional do Magistério, mas foram derrotados no STF quando do questionamento da constitucionalidade da lei. Graças a Deus. Mas, agora, o que importa, é que ano a ano, no cumprimento da lei do Piso Nacional do Magistério, os salários dos professores possam crescer acima da inflação, patrocinando a recuperação da dignidade dos profissionais docentes que dedicam-se à educação no país.
Estamos num momento em que a Presidenta Dilma enfatizou a necessidade do ganho de competitividade na economia brasileira. Ocorre, que a almejada competitividade é totalmente dependente dos ganhos de produtividade, em que a educação é um dos fatores de maior alcance.
Salários baixos provocam fuga de professores da carreira
Piso salarial de R$ 1,4 mil está longe da remuneração de outras profissões, que muitas vezes exigem menos qualificação e dedicação
Priscilla Borges – iG Brasília | 15/10/2012 05:00:00
Rita de Cássia Hipólito desistiu da carreira de projetista para fazer um mestrado e, por acaso, se tornar uma professora. Ensinar era a atividade mais compatível com a jornada de estudos. Apaixonou-se pela profissão e há sete anos trabalha na rede municipal de São Paulo dando aulas de história. A carreira, já tão desvalorizada, está prestes a perder mais uma profissional.
Sonho mantido: Eles querem ser professores
A paulistana de 37 anos, assim como tantos outros colegas, não vê valorização em seu esforço de se capacitar e dar boas aulas. Os alunos – e o carinho que demonstram por ela – são a única razão que a mantém na ativa até agora. Mas o salário, de aproximadamente R$ 2,8 mil por 40 horas de trabalho semanais, a obriga a reavaliar a profissão neste momento. “Eu não tenho reconhecimento de ninguém. Continuo pelo meu aluno, não por mim”, admite.
Meses atrás, Rita adoeceu. O terapeuta recomendava abandonar a profissão. “Eu chorava, porque não conseguia me imaginar longe da escola. Mas, aí, me vejo sendo tão maltratada como profissional, penso em largar”, admite. A professora, que fez bacharelado e licenciatura em Ciências Sociais e mestrado em sociologia na Universidade de São Paulo, diz que sempre teve dois empregos para conseguir se manter. “Mas quando vi meu primeiro holerite me assustei. Eu ganhava mais dando aula particular”, conta.
A história de Rita, infelizmente, não é isolada. No Dia do Professor, comemorado nesta segunda-feira, muitos profissionais em todo o País lamentam – em vez de celebrar – a escolha de carreira que fizeram . O iG ouviu alguns professores de formação que, mesmo apaixonados pelo trabalho que desenvolviam, desistiram de tentar sobreviver com o salário da função, baixo diante de outras profissões, e mudaram de atividade.
Salários desproporcionais
Manoel, Rosângela e Joelma sentem saudades da sala de aula e dizem que, se as condições de trabalho fossem melhores e a remuneração mais alta, teriam continuado na profissão. É fácil compreender as razões deles. Para ser um professor, por lei, é preciso ser formado em Pedagogia ou em alguma licenciatura, cujo curso dura pelo menos três anos. Há muitos outros cargos que, com a mesma titulação, oferecem salários mais atraentes.
Para melhorar: Piso, bolsas e carreira são promessas para valorizar professor
Manoel é servidor público no Senado Federal. Lá, um analista (cargo que exige apenas a graduação) inicia a carreira ganhando R$ 18 mil. Mais de 10 vezes o piso salarial do professor , que hoje é de R$ 1,4 mil e não é pago por muitos redes estaduais e municipais. No Judiciário, onde trabalham Rosângela e Joelma, um técnico (nível médio) e um analista (graduado) ganham, em média, 3,5 mil e R$ 6 mil, respectivamente, no início da carreira.
As diferenças salariais estão também em carreiras mais próximas à realidade do professor. O salário básico de um biólogo ou de um químico, por exemplo, é de seis salários mínimos, um total de R$ 3,7 mil. Há muitos professores dessas áreas que cursaram não só a licenciatura, que habilita a dar aulas, mas também o bacharelado e poderiam atuar como biólogos e químicos.
Para tentar mudar esse cenário, o Plano Nacional de Educação (PNE), que define as metas educacionais para o País nesta década, previu a valorização dos profissionais da área, equiparando os salários . A redação da meta 17, que trata desse tema, diz que o “rendimento médio” dos docentes será equiparado aos “dos demais profissionais com escolaridade equivalente, até o final do sexto ano da vigência deste PNE (2016)”. Mas o projeto não define quais profissões seriam comparadas à do professor. E ainda não foi implementado.
Em busca de ascensão social
Ensinar foi a primeira atividade que chamou a atenção, e despertou o interesse, de Manoel Morais, 36 anos. O cearense, aos 10 anos, dava aulas de reforço para os colegas em dificuldade. Estudioso, achava fácil explicar o que sabia aos colegas. Estudante de química industrial na escola técnica de Fortaleza, Manoel não pensava em se tornar um professor até ser convidado, aos 17 anos, a dar aulas em cursinhos pré-vestibulares.
A vocação lhe parecia natural, mas Manoel queria fugir da profissão tão criticada pelos seus professores da rede pública, onde estudou a vida toda. Apesar das aulas no cursinho, fez vestibular para Engenharia Química. No meio do caminho, decidiu fazer licenciatura em Química e se tornar mesmo professor. “Comecei a estudar neurociências para entender como o cérebro aprende e poder ajudar meus alunos melhor”, conta.
Em 2004, no entanto, as ilusões de Manoel com a carreira acabaram. Ele começou a fazer concursos públicos para mudar de área de atuação. Em 2005, chegou a Brasília, após ter sido aprovado no concurso do Ministério Público da União. “Mudei em busca de ascensão social mesmo. O cargo de juiz exige apenas o bacharelado em Direito. Para dar aula em uma faculdade é preciso, no mínimo, um mestrado. E quem ganha mais? Não quis seguir na carreira que eu amo por conta da condição financeira mesmo”, admite.
Hoje, Manoel está prestes a concluir o curso de Direito e pensa em novos concursos. “Por causa da questão financeira, há uma fuga de cérebros do magistério. Teria ficado na escola se tivesse a oportunidade de ganhar a mesma coisa”, desabafa. Para diminuir as saudades da sala de aula, hoje Manoel ensina outras pessoas a estudar. Dá treinamentos aos sábados sobre técnicas de estudo e oratória.
Longe do sacerdócio
Como muitas mulheres de sua idade, Joelma de Sousa, 46 anos, fez o curso normal durante o antigo 2º grau. Antes mesmo de terminar o preparatório para o magistério, Joelma passou em um concurso da Fundação Educacional de Brasília. “Era o caminho mais rápido para o trabalho. Passei cinco anos dando aulas de alfabetização para crianças e adultos. Adorava meu trabalho. Eu via o começo e o fim dele. Um dos mais gratificantes”, analisa.
Como precisava ajudar a família a se manter, Joelma desistiu do curso de pedagogia. Estudou para um concurso e se tornou técnica judiciária. “A questão salarial foi a única razão para ter mudado de profissão. Fiquei muito triste quando sai”, relembra. Ela diz que, na época, o salário de técnica já era três ou quatro vezes maior que o de professora. Já trabalhando no tribunal, Joelma fez Letras-Tradução em Francês, depois cursou Direito.
“Se minha filha quiser ser professora, vou achar sensacional. A minha família não tinha condições de me apoiar nessa decisão à época, mas espero que eu possa. Ser professor não é um sacerdócio, todos precisam de dinheiro para viver. Se quisermos bons profissionais, teremos de pagar bem”, pondera.
Sonho interrompido
Rosângela Pinto Ramos, 51 anos, escolheu ser uma professora ainda criança. Filha de professora, ela admirava a mãe. Percebeu que tinha escolhido a carreira certa logo que terminou o curso de magistério. Começou a dar aulas e se apaixonou pelo ambiente escolar, o trabalho com os alunos. Fez o curso de pedagogia e sonhava em abrir seu próprio colégio.
Mas as diferenças salariais – e a oportunidade de atuar na própria área ganhando mais – a fizeram desistir. Rosângela começou a trabalhar no Judiciário quando os pedagogos ainda eram requisitados para atuar nas Varas de Infância e para trabalhar com jovens infratores.
“Mesmo assim eu continuei dando aulas, por prazer mesmo. Até que a correria me fez desistir das aulas”, conta. A servidora, que já não atua mais com sua área no tribunal em que trabalha, conta que sente saudades da sala de aula até hoje.
Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/2012-10-15/salarios-baixos-provocam-fuga-de-professores-da-carreira.html
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Muito já se discutiu, inclusive em obras acadêmicas, sobre esse tema da liderança. Há pessoas que entendem que a liderança resulte de uma espécie de traço de personalidade com o qual a pessoa nasce e que, no decorrer da vida, vai explicitando. A liderança, nesta perspectiva, seria como que um carisma, uma espécie de graça divina, um dom. Outras pessoas, entre quais me incluo, consideram que a liderança é uma capacidade que pode ser apreendida, mas que jamais se torna definitiva propriedade do líder, de modo que este precisa continuamente cultivá-la, inclusive para exercê-la de modo apropriado nas diferentes conjunturas em que seja necessária, nos diferentes ambientes em que o líder se insere.
O que, a meu sentir, diferencia de forma definitiva os padrões do exercício da liderança, é o seu grau de comprometimento com a democracia entendida aqui não apenas enquanto obediência às decisões coletivas, mas mais que isso, enquanto pedagogia e investimento no fortalecimento grupal e no amadurecimento homogêneo da consciência coletiva, pelo processo contínuo de diálogo e elaboração coletiva das decisões.
Obviamente que este é um processo que possui alguns ônus. É frequente que algumas pessoas participantes dos grupos, movimentos ou organizações sociais desrespeitem os processos coletivos de diálogo e elaboração das decisões, não por outras razões senão a própria ansiedade ou a percepção de oportunidades que julgam não poderem ser deixadas de lado e que não puderam ser objeto de discussão grupal.
Mas, este é um desafio que se impõe no processo de formação de uma liderança com o perfil que destaquei: elevado grau de compromisso com a formação grupal e com a democracia. Saber renunciar à ansiedade e mesmo às oportunidades. Valorizar o grupo, o crescimento homogêneo da consciência, desenvolver as habilidades de todos os integrantes do grupo para dar respostas às demandas cotidianas, tudo isso é dependente de um despreendimento do líder, que só é efetivamente possível se ele tiver como valor primeiro não os resultados imediatos dos processos em que atua, mas a maturação e a capacitação de todos os membros do seu grupo.
Por isso, em palestras e cursos sobre liderança em que fui convidado a atuar, passei a defender que existia uma prova dos nove para verificar se determinada liderança correspondia ou não a esse perfil que expus. O bom líder, dizia, seria aquele que estivesse sempre acompanhado pelos seus liderados. Citava o exemplo dos presidentes de associações de moradores, que costumavam ir sozinhos a reuniões com secretários municipais, vereadores ou os prefeitos e confrontava-os com aqueles presidentes que quando marcavam algum tipo de reunião com essas autoridades, mobilizavam os membros da associação e os moradores do bairro para estarem presentes nos encontros.
Os primeiros, dizia eu, não seriam capazes de reunir nove pessoas, pelo menos, para empreender com as autoridades públicas as negociações que considerassem necessárias. Os segundos, ao contrário, com o passar do tempo, propiciariam que se multiplicassem diversos líderes para o bairro, para o desenvolvimento de ações e iniciativas de diversas naturezas: culturais, ambientais, assistenciais, etc.
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Revista Cláudia, maio/2009, p. 119-121
O estilo de aprender de cada criança é um traço pessoal que a escola e a família precisam identificar e estimular. Só assim você garante que o conhecimento entrará na cabecinha do seu filho – e ficará ali.
Imagine que você precisa aprender algo completamente novo. Se não aprender, não segue adiante. Pode ser um procedimento de gestão recém-adotado em sua empresa, as novas regras ortográficas da língua portuguesa ou até mesma a utilização de um software vital em sua área de atuação. Sem pensar, você começará a repetir em voz alta o que está lendo, pegará um lápis para fazer resumos, montará fichas ou simplesmente ficará procurando um ponto de partida. Estará assim pondo automaticamente em ação algo que descobriu sozinha ou com ajua de alguém ainda na infância: a sua estratégia para aprender. Pois é isso que seu filho, justamente agora, está começando a desenvolver, e ele pode precisar de uma mãozinha – muito importante para o futuro. Existem, sim, estratégias para aprender a aprender, e são cada vez mais valorizadas na educação contemporânea, especialmente durante o ensino fundamental, quando se estabelecem as bases de procedimentos internos que acompanharão o indivíduo por toda a vida. CLAUDIA ouviu especialistas para descobrir como os pais podem ajudar a consolidar essas práticas, seja cobrando da escola atenção a essa questão, seja colaborando em casa e participando do desenvolvimento da vida escolar dos filhos.
Cada um aprende de um jeito
“Assim como temos preferências por um tipo de roupa, comida ou filme, temos também um estilo próprio e pessoal na hora de aprender”, compara Evelise Portilho, pesquisadora da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, em Curitiba, que se doutorou pela Universidade Complutense de Madri justamente avaliando estilos de aprendizagem. São quatro, segundo ela: ativo, reflexivo, teórico ou pragmático. O ativo caracteriza as pessoas que gostam de aprender sempre coisas novas, ter diferentes experiências e oportunidades, competir em equipes, resolver problemas. O reflexivo aplica-se aos que absorvem conhecimentos observando e refletindo sobre as atividades antes de agir. Os teóricos sentem-se estimulados quando podem questionar e participar de situações complexas e estruturadas. Por fim, os pragmáticos aprendem melhor quando conseguem entender que uso farão daquele conhecimento no dia-a-dia, assistindo a filmes de demonstração, por exemplo. Para Evelise, a questão não é identificar e seguir um caminho apenas, mas estar consciente das próprias características e procurar ampliar paulatinamente as estratégias.
A escola tem papel central nesse processo. Em primeiro lugar, porque uma cas características de um processo pedagógico rico é a utilização de múltiplas rotas para a educação. Aulas expositivas nõ são, nem de longe, a única forma de ensinar. Alguns exemplos de diferentes propostas didáticas: pesquisas de campo, experiências científicas, uso de jogos, recursos tecnológicos ou de diferentes mídias para apresentar os conteúdos, leituras, produção coletiva, debates, seminários e projetos em que o aluno seja protagonista. O papel dos pais, aqui, é cobrar diversidade por parte da escola: que haja estratégias para todos os gostos e estilos de aprender.
Questão de ritmo
A psicopedagoga Birgit Mobus, da Escola Suiço-Brasileira, em São Paulo, chama a atenção para a importância da rotina, da repetição e do ritmo. Rotina e repetição têm a ver com hábitos como o de estudar mesmo quando não há nenhuma avaliação à vista. “Estudar apenas na véspera da prova torna a pessoa vulnerável ao stress, com o risco de dar branco, e faz com que a matéria tenda a ser esquecida rapidamente”, diz. Por isso, Birgit sugere que se estabeleça uma rotina de revisão semanal da matéria apresentada, fazendo a releitura, marcação e sinalização dos tópicos mais relevantes. Essa atitude tem revelado bons resultados, especialmente para os alunos da segunda etapa do ensino fundamental. Para os menores, a participação de um adulto colaborando na criação e manutenção da rotina é muito importante, pois ainda têm pouca autonomia. Birgit também sugere o estabelecimento de um ritmo que ela compara ao da respiração – a inspiração, absorvendo os conhecimentos, e a expiração, expressando-os. Na prática, essa estratégia propõe que o aluno se habitue a fazer pausas para assimiliar e expressar o que aprendeu, verbalmente ou por outros caminhos.
O desafio do tempo
Aluno estudioso é aquele que passa horas debruçado sobre um livro? Não é bem assim. Para os educadores, períodos prolongados de estudo em ambientes fechados são pouco produtivos. “Sair do quarto, dar uma volta, brincar do lado de fora. Tudo isso ajuda a recarregar as baterias”, afirma Birgit Mobus. Mas mesmo as pausas devem ser combinadas com os pais e ter regras mais ou menos flexíveis, que evitam o recorrente desgaste de cobrar os filhos diariamente na hora de estudar. Os pais também devem buscar o equilíbrio ao montar a agenda das crianças, pois nem sempre costumam prever tempo para o estudo em casa. “Muitos alunos, atualmente, participam de vários cursos extras, tais como inglês e esportes, e só lhes sobra a noite, momento em que já estão muito cansados”, lembra Francisco Eduardo de Aguirra, diretor do Colégio I.L.Peretz, em São Paulo.
Arrumar idéias e pertences
Para Sandra Regina Gianoccaro, orientadora educacional do Colégio Nossa Senhora de Sion, em São Paulo, é fundamental que as crianças e os adolescentes compreendam a importância e a necessidade de ser bem organizados. Aprender a utilizar a agenda, saber elaborar um bom resumo ou esquema e identificar as idéias centrais de um texto são questões básicas de organização que se impõem a qualquer aluno. Vera Laurenti Bianchini, coordenadora pedagógica das escolas de idiomas Fisk, em São Paulo, lembra que até mesmo procedimentos simples, como arrumar a própria mochila induzem o aluno a recuperar anotações e tornar seu material de estudo acessível. Vera recomenda também montar um plano de estudo. Não basta sentar, abrir o livro e começar a ler: é preciso saber o que se vai estudar, como e até que ponto – ou seja, com um planejamento que busque aproveitar melhor o tempo. “Todos nós já tivemos situações escolares nas quais gastamos horas estudando sem alcançar o resultado que julgamos merecido”, lembra. “Quanto mais cedo um aluno aprender a se organizar nos estudos, mais rapidamente os resultados positivos aparecerão”.
Musculação para a mente
Pode parecer óbvio, mas não é: um ponto fundamental para a formação de estratégias de aprendizagem é… pensar! Exercitar a memória e valorizar o raciocínio abstrato, como ao fazer uma conta de cabeça, são hábitos imprescindíveis para quem precisará aprender ao longo de toda a vida. O estudo mecânico, que não estimula o uso do raciocínio, pode levar à famosa “bitola”, ou seja, aprender sem compreender. A memorização é um terreno pantanoso na educação contemporânea. Embora muitas vezes, justamente condenada na pedagogia como forma de aprendizagem, não se deve confundir: uma coisa é memorizar conceitos em vez de aprendê-los, substituindo o raciocínio pelo decoreba: outra bem diferente é deixar de exercitar a memória como um recurso cognitivo de grande valor – imprescindível para recitar de improviso uma poesia, executar uma partitura ou resolver uma equação matemática. Por isso, acompanhe o trabalho da escola e questione se os professores estimulam as habilidades cognitivas. Em casa, enriqueça o lazer das crianças com exercícios como palavras cruzadas, jogos da memória e de raciocínio.
Sem respostas prontas
Outro conselho dos especialistas diz respeito à participação dos pais. Ao acompanhar o estudo das crianças, é fundamental evitar a tentação de bancar o editor, reescrevendo a lição ou antecipando a resposta. Devem mostrar interesse e conversas sobre as dificuldades, mas resistir à tentação de invadir o espaço do aluno. “A principal colaboração deles será ensinar os filhos a estudar por si mesmos. Se tiverem o hábito de ler e de aprender coisas novas e cultivarem vínculos com o meio sociocultural, já há grande possibilidade de os filhos trilharem o mesmo caminho”, afirma a pedagoga Cássia Urbano Gallo, do Pueri Domus Escolas Associadas, em São Paulo. Ou, em outras palavras, como resume Sandra Lia Nisterhofen Santilli, da Associação Brasileira de Psicopedagogia: “As estratégias de aprendizagem funcionarão na orientação dos estudos dos filhos desde que a família atribua valor significativo ao aprender”.
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Sua proposta expressa em Pedagogia do Oprimido representou o resgate de um método educativo capaz de conectar o processo da aprendizagem à experiência vivencial concreta das pessoas, estabelecendo relações entre a prática social e o conhecimento.
Em sua concepção, o processo de conhecimento resulta de um conjunto de interações sociais e a educação consiste em explicitar o sentido dessas relações, permitindo que as pessoas compreendam-se no mundo e compreendam sua condição de inserção na realidade sócio-política.
Neste sentido, o educador não esgota sua tarefa numa prática de transmissão de informações.
Cabe a ele viabilizar um processo por meio de qual o educando possa explicitar suas vivências, analisá-la, considerar suas motivações e compreender as possibilidades de sua mudança.
O educador, portanto, não pode atuar sem a interação intensamente ativa do educando, razão pelo qual um método educativo baseado numa metodologia tradicional não dá conta de representar verdadeira pedagogia, quiçá verdadeira educação.
A educação, em sua visão, é um processo, mais que um ato, politicamente engajado, necessariamente emancipatório e capaz de impulsionar movimentos comunitários de sentido libertários.
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