Posts Tagged ‘empreiteiras’

Atualizado em 03/11/2012 ás 14:55h

Sinop precisa capacitar 18 mil pessoas para usina

Essa é estimativa do Ministério do Desenvolvimento Social para que não sobre ‘pobreza’ no final da obra

JAMERSON MILÉSKI

Evitar a migração desenfreada para suprir a necessidade de mão de obra, e a formação de bolsões de pobreza no final da construção da usina. Essa é a meta do Ministério do Desenvolvimento Social que trouxe a equipe do Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego), até Sinop na última quarta-feira. Para evitar o legado negativo, comum em grandes empreendimentos como usinas hidrelétricas, Sinop precisa se antecipar e formar aproximadamente 18 mil empregos.

A estimativa é do diretor de política inclusiva do MDS, Luiz Müller, feita a partir de cálculos de empreiteiras que realizam esse tipo de obra. A projeção é de que, nos 4 anos de construção, 18 mil operários passarão pelo canteiro de obras da Usina. Isso sem contar os empregos indiretos. “A estratégia é se antecipar, começar a capacitar agora essa mão de obra e torna-la disponível para empresa que for executar o empreendimento. Dessa forma a cidade evita, ou pelo menos diminui a necessidade, de se buscar mão de obra fora”, explica Muller. Para o diretor, a ação evita o efeito sanfona, comum nesse tipo de obra, em que durante a construção a cidade aumenta em 20 mil habitantes, cresce para acompanhar a demanda, e quando as obras encerram, ficam diversos operários ociosos ou há uma evasão populacional. “Não é só riqueza que fica. Pobreza também fica”, completa Muller, lembrando a cidade já tem problemas hoje com a falta de mão de obra na construção civil.

Muller: “Nada de capacitação faz de conta”

A usina hidrelétrica de Sinop será colocada em leilão no dia 15 de dezembro. Ou seja, daqui 35 dias estará definida a empresa ou grupo de investidores que vão construir a usina. Como todo o projeto já está pronto, a formação do canteiro de obras começa cerca de 15 dias depois.

Segundo Muller, a demanda inicial será de 240 operários, principalmente operadores de máquinas para terraplanagem. Para essa leva não há mais tempo para formar mão de obra, que terá que ser absorvida provavelmente de outras regiões. “Essa antecipação nunca foi feita. Sinop é a primeira cidade em que uma usina será instalada que irá contar com essa capacitação da mão de obra. Optou-se por isso após a analise dos problemas sociais encontrados em outros municípios onde usinas foram levantadas”, ressaltou o diretor do Pronatec, dizendo que ainda há tempo para reverter esse quadro.

Mas como?

A chave é o Pronatec

A previsão é de que no segundo semestre de 2013 a necessidade será por profissionais para construir a estrutura administrativa e o canteiro de obras. O “boom” das contratações deve ser em 2014, quando estima-se que de março a novembro sejam contratados três mil trabalhadores/mês.

É o tempo suficiente para formar essa mão de obra através do Pronatec. Segundo Muller, a estratégia do programa é capturar a mão de obra subempregada através das secretarias de Ação Social dos municípios. Essas pessoas, que em geral não tem sequer formação escolar, receberão as orientações dos CRAS (Centros de Referência de Assistência Social). Essa mobilização dos subempregados também será feita pelo Cadastro único da Assistência Social, relacionando os beneficiários de programas como o Bolsa Família.

Paralelo a esse trabalho, cada município faz o levantamento das demandas junto aos potenciais empregadores, como CDL, ACES, sindicato patronais e demais entidades classistas. Com isso, mede-se as necessidades, identificando que tipo de mão de obra falta na cidade. Além, é claro, da evidente demanda da construção civil.

Com o tipo de curso definido e o número de alunos, basta abrir a turma. E como diz Muller, “nada de capacitação faz de conta”. Apenas as entidades do Sistema S (Senai, Senac, Sesi…), e as escolas técnicas estaduais (Secitec, no caso de Sinop), estarão aptas a formar profissionais. A burocracia termina por aqui. Basta a entidade cadastrar a relação dos alunos e o curso que o Ministério do Desenvolvimento e/ou o MEC fazem o repasse do dinheiro: R$ 10 por hora aula/aluno. Para um curso de 100 horas para formar uma turma de 40 pedreiros, por exemplo, a entidade vai dispor de R$ 40 mil. “Não há licitação nem convênio. O valor é suficiente para montar os cursos com qualidade. Quando a estrutura não for suficiente, a prefeitura pode colaborar cedendo o local para os cursos. Essas unidades remotas já fazem parte do projeto do Pronatec”, revelou Muller.

Em Mato Grosso mais de 4 mil pessoas já estão sendo capacitadas nesse sistema. Em Sinop são 410. A secretaria de Assistência Social do município já trabalha com a projeção de 7 mil vagas para o próximo ano.

BEM MAIS DO QUE PEDREIROS

O foco do momento é sim a capacitação básica do operário da construção civil, aquele de primeiro nível. Mas a intenção é que a partir do Pronatec sejam formados mais do que braçais para aproveitar esse “mini-milagre econômico” que vai ser a usina de Sinop.

Muller explica que nesse intervalo de 4 anos, uma pessoa sem graduação que começar sua formação em janeiro do ano que vem terá condições de chegar ao nível 3 de formação. Ou seja, ele estará capacitado para a profissão, especializado e com uma especialização extra. “Não há porta de saída. A pessoa entra no Pronatec, faz sua primeira formação, consegue o emprego e o programa continua oferecendo capacitação, até que ela tenha uma profissão que lhe garanta plena independência financeira”, argumenta Muller.

Além desse conceito de formação contínua, o plano é formar outros profissionais. De acordo com a secretaria de Assistência Social de Sinop, 14 cursos devem ser disponibilizados a partir do próximo ano, com 1,2 mil vagas, atendendo as demandas já identificadas. Embora a construção civil seja o maior gargalo, os levantamentos mostram a necessidades de curso de panificação, corte e costura, pintor, eletricista, assentador de cerâmica, auxiliar de caixa, auxiliar financeiro, garçom, atendente, camareira, secretária doméstica, jardineiro e cuidador de idoso. São todos setores em que falta mão de obra hoje em Sinop. A tendência é de que mais vagas de emprego nesses e em outros setores sejam abertas com a instalação da usina.

Esses cursos, gratuitos, são para quem se encaixa no Cadastro Único, que são famílias com até 3 salários mínimos por mês. Mas e para o jovem que não está nessa classe baixa nem na classe alta que consegue “bancar” uma faculdade.

Essa “lacuna” será preenchida não pela Ação Social, mas pela secretaria de Educação. O jovem no 2º e no 3º ano do ensino médio poderá se matricular em qualquer curso técnico de capacitação. Ele já sai com um degrau acima, por ter essa base escolar. Nesses cursos, forma-se a mão de obra mais especializada, que também está em falta. “Hoje prepara o jovem para que? Só para passar no vestibular e entrar na faculdade. Não há preparação para o trabalho. Ai os mais abastados param de estudar e vão procurar emprego sem formação. Com o Pronatec vamos corrigir isso. Mesmo não entrando na faculdade, o jovem vai estar capacitado para ser absorvido no mercado de trabalho”, encerra Muller.

O desenvolvimento do Pronatec em Sinop, estima o diretor, servirá de análise e estudo para o restante do país.

Fonte: http://www.grupocapital.com.br/Noticias/Geral/Geral/Sinop-precisa-capacitar-18-mil-pessoas-para-usina

EMPREITEIRAS EMERGENTES ENTRAM NO CLUBE DO BILHÃO
OBRA PÚBLICA IMPULSIONA EMPREITEIRAS EMERGENTES
Autor(es): Daniel Rittner | De Brasília
Valor Econômico – 11/01/2012

O forte impulso dado a grandes obras pelos governos federal e estaduais e por empresas estatais, principalmente a Petrobras, está mudando o cenário desenhado pelo conjunto das empreiteiras. Num processo semelhante ao que ocorreu durante o regime militar, cresceu o grupo das construtoras com faturamento elevado graças a projetos públicos, aí incluídos estádios e outras obras para a Copa e a Olimpíada

Nos anos 70, enquanto a ditadura militar alardeava o crescimento da economia com obras jamais vistas no país, um punhado de empreiteiras viu sua carteira se multiplicar e entrou na lista de gigantes do capitalismo brasileiro. Eram os tempos da hidrelétrica de Itaipu, da rodovia Transamazônica, da primeira usina nuclear de Angra e da implantação do metrô em São Paulo e no Rio.

Novas refinarias da Petrobras, grandes projetos de mineração, estádios para a Copa do Mundo de 2014 e orçamentos recordes do governo para a reforma de estradas fazem hoje com outras empreiteiras a mesma transformação gerada pelo “milagre econômico” quatro décadas atrás.

Os sinais da mudança estão nos números. Em um período de apenas cinco anos, entre 2006 e 2010, o seleto grupo de construtoras com faturamento superior a R$ 1 bilhão aumentou de cinco para 11 empresas. O time original era formado por Odebrecht, Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão e Delta Construções. Juntaram-se a OAS, Galvão Engenharia, Construcap, Mendes Júnior, ARG e Egesa, conforme dados compilados pela revista especializada “O Empreiteiro”. Outras três construtoras já estavam bem perto de entrar no “clube do bilhão” em 2010 – Serveng-Civilsan, Schahin Engenharia e Carioca Christiani-Nielsen – e podem ter rompido essa marca no ano passado. Quase todas são dependentes de contratos públicos – e a retomada de investimentos da União e dos governos estaduais em grandes obras de infraestrutura deu uma nova cara à indústria de construção pesada.

A Galvão Engenharia, com donos oriundos da Queiroz Galvão, tem 63% do faturamento de contratos públicos

Algumas empreiteiras emergentes, como a Galvão Engenharia e a Mendes Júnior (reemergente), chegaram a quadruplicar o faturamento em cinco anos. Mas o setor disparou como um todo: as receitas totais das 100 maiores subiram, entre 2006 e 2010, de R$ 28,7 bilhões para R$ 67 bilhões. “Ficamos em um período de estagnação nas últimas décadas”, diz o presidente da Associação Paulista de Empresários de Obras Públicas (Apeop), Luciano Amadio Filho. Para ele, a Lei de Responsabilidade Fiscal começou a abrir espaço para a retomada dos investimentos em infraestrutura, que ganharam impulso com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

“Muitas construtoras não estavam suficientemente capitalizadas para aproveitar essa onda”, diz Amadio. “Quem estava preparado, saiu na frente. Mas há oportunidades e desafios para todos. Quando o investimento voltou, havia máquinas paradas e fartura de mão de obra disponível. Hoje, estamos na fase de comprar mais equipamentos e em busca de técnicos qualificados.”

Uma das empreiteiras que souberam agarrar essa oportunidade foi a mineira Egesa, fundada nos anos 60 e reerguida em 1985, após quase ter chegado à bancarrota. “Até 2004, tivemos um crescimento constante, mas pequeno”, afirma Elmo Teodoro Ribeiro, presidente e principal acionista da Egesa. Um de seus sócios morreu em um acidente de carro enquanto tocava uma obra em Sergipe. Outro decidiu vender suas ações antes da recente explosão de obras, que encontrou a empresa preparada: havia obtido certificações internacionais de segurança e de meio ambiente, habilitando-se para as concorrências da Petrobras e da Vale.

A nova carteira da Egesa, antes concentrada em obras rodoviárias, é um retrato do que ocorre com a maioria das empreiteiras emergentes. Ela participa da reforma do Mineirão para a Copa do Mundo, faz parte do grupo que constrói os tanques de petróleo do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), tem 80% do consórcio responsável pela estação de tratamento de dejetos industriais da Refinaria Abreu Lima (parcela da obra orçada em R$ 800 milhões) e ergue 6 mil casas populares em Pernambuco para o programa Minha Casa, Minha Vida. Atua no exterior, na construção de duas rodovias em Angola e sonda empreendimentos em vizinhos como Bolívia e Colômbia. Aliou-se com os coreanos para entrar no leilão do trem-bala Rio-São Paulo-Campinas, que acabou não recebendo nenhuma proposta. E tem grande interesse em disputar a concessão da BR-040, prevista para este ano, depois de ter sido derrotada na concorrência da Fernão Dias.

“Estamos vendo o maior boom da construção pesada desde os anos 70″, acredita Ribeiro. Além da diversificação da carteira, com novas obras de infraestrutura, o empresário destaca o aumento da confiança no setor público, que deixou de atrasar pagamentos e ficar inadimplente com as construtoras. Quanto às perspectivas, ele é cauteloso: “A nossa meta é atingir R$ 1,5 bilhão de faturamento, em dois anos, até sentirmos segurança suficiente para darmos o passo seguinte”.

O clube das emergentes inclui histórias de quem surgiu de uma costela das gigantes. É o caso da Galvão Engenharia. Antigos sócios da Queiroz Galvão, quarta maior empreiteira do país, o arquiteto Dario Galvão Filho e três irmãos dele venderam ações da empresa, em 1995, para começar do zero no ano seguinte. Sem esconder suas raízes, a Galvão rapidamente se transformou em um ator importante da construção pesada, mas deslanchou a partir de 2006. Hoje, tem 63% do faturamento proveniente de contratos com o setor público, que lhe renderam algumas de suas principais vitrines: um lote do trecho sul do Rodoanel, as obras de modernização do aeroporto de Congonhas e a reforma do estádio Castelão, em Fortaleza. Agora, ela se prepara para disputar a concessão dos aeroportos, de olho especialmente no de Brasília.

Os investimentos do PAC e o reforço no orçamento do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) beneficiaram as empreiteiras. A Delta, do empresário Fernando Cavendish, encabeça desde 2009 a lista de pessoas jurídicas que mais recebem dinheiro da União. Só no ano passado, foram R$ 683 milhões – quase 20% a mais do que a segunda colocada, Glaxo Smith-Kline, fornecedora de medicamentos para o Sistema Único de Saúde (SUS). Em 2011, a Delta causou polêmica ao ser escolhida pela Infraero para construir às pressas um terminal remoto no aeroporto de Guarulhos, sem licitação. O Tribunal de Contas da União (TCU) questionou a forma de contratação e alertou para a falta de experiência da construtora nesse tipo de projeto. A previsão da Infraero, que era de inaugurar o terminal em 20 de dezembro, foi adiada depois do desabamento de parte do teto.

Cavendish, por si só, esteve no centro de duas controvérsias: foi acusado por dois empresários do setor de ter contratado o ex-ministro José Dirceu para fazer tráfico de influência em favor da Delta, em Brasília. Era de Cavendish, também, o helicóptero que caiu em Porto Seguro e deixou sete mortos, entre os quais a namorada do filho do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB). O episódio jogou luzes sobre as relações entre Cavendish e Cabral.

Para o consultor Paulo Matos, autor de vários livros sobre o mundo da construção pesada, as empreiteiras emergentes trouxeram maior dinamismo para esse mercado, apesar de terem inicialmente menos know-how em obras de alta complexidade. “Os clientes resolveram apostar nelas porque também perceberam que não era bom negócio estar nas mãos de quatro ou cinco construtoras. Era um oligopólio velado”, aponta o consultor.

Matos ressalta que “as oportunidades cresceram absurdamente”, mas é preciso tomar certos cuidados. Com o aumento da concorrência nas licitações, as taxas de retorno encolheram, os preços de insumos subiram e o espaço para repasse é menor, a escassez de mão de obra preocupa cada vez mais e os órgãos de fiscalização de obras públicas aumentaram o rigor. Por isso, ele adverte que o principal risco para as empreiteiras é se comprometer com uma carteira de obras maior do que sua real capacidade de atendimento. “Depois de muitas lições, as empresas começaram a aprender que é mais fácil morrer de indigestão do que de inanição”, conclui o especialista.

Fonte: http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/1/11/empreiteiras-emergentes-entram-no-clube-do-bilhao

Assine a newsletter

Preencha o formulário para assinar.

 
Google Adsense
Boo-Box
Pesquisar o blog
Patrocínio
Conexões
Performance Optimization WordPress Plugins by W3 EDGE