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Até aqui, o que está se configurando é que se oponha à gestão Kassab com seus padrinhos Serra e Alckmin uma chapa oposicionista liderada pela aliança entre o PT e o PSB, com a candidatura de Fernando Haddad apoiado pelo nome de Luiza Erundina como candidata a vice-prefeita.
Haddad – Erundina é uma chapa extraordinária!
Um sonho para qualquer militante empunhar a bandeira com alegria e destemor: brilhantismo, inteligência, integridade, inovação, tradição, vitalidade e, sobretudo, compromisso com a inclusão social e a igualdade.
Quem não se empolgar com essa chapa é porque não possui nenhuma ideologia e nem compreensão política.
Os dois nomes possuem currículo político em que a ideologia transformadora não se deixou subverter pela vivência da gestão administrativa da máquina pública, no Ministério da Educação no caso de Haddad, e na Prefeitura da própria São Paulo, no caso de Erundina, quando de sua passagem por lá, entre 1989 e 1992.
Com a importância dos cargos que lograram alcançar, tanto Haddad quanto Erundina promoveram transformações significativas que resultaram na melhoria da qualidade de vida de milhões de pessoas e na mudança definitiva dos padrões da sociedade brasileira e de nossa democracia.
A gestão de Erundina na Prefeitura de São Paulo foi marcada pela proximidade com os movimentos sociais, pelos esforços extraordinários de impor à administração pública da maior cidade da América Latina uma agenda política com foco na periferia da cidade e nos problemas sociais dos mais pobres da cidade. O tema do transporte público, do IPTU progressivo, dentre outros, mesmo já passados 20 anos do fim de seu mandato como prefeita ainda suscitam memória e convicção de que algo de radicalmente diferente se estava fazendo naquela cidade.
Já Haddad é o nome do militante que deu impulso, enquanto ministro da educação do presidente Lula, às decisivas políticas de transformação do perfil da educação brasileira, gerando a inclusão de milhões de novos estudantes das camadas pobres às oportunidades que a educação superior pode propiciar. Seus méritos estão expressos nos resultados do ProUni, na criação das novas universidades federais, na expansão das vagas na universidade pública, nos novos campi implantados pelo país, na extraordinária rede de educação tecnológica que em poucos anos foi instalada, etc.
Os dois, Haddad e Erundina, condensam, ao mesmo tempo, experiência administrativa e posicionamento ideológico transformador; sonho e utopia, temperados com experiência e resultados práticos.
Uma chapa de candidatos capitaneados por esse perfil é um verdadeiro deleite para quem entende a política como extensão de seu compromisso ético e de seu amor: é para fazer política com prazer e convicção!
Parabéns PT! Parabéns PSB! Viva Fernando Haddad! Viva Luíza Erundina!
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Olhar para outras dimensões além da econômica, entretanto, é importante, para compreender que este é um processo de construção de cidadania, implicando, portanto, as diversas relações sociais e culturais que constituem as nossas sociedades.
Na entrevista que publico abaixo, encontramos um documento de 2007, anunciando as preocupações com a integração no campo da educação superior, ainda antes da constituição da UNILA, a Universidade Latino-Americana, implantada em Foz do Iguaçu, com alunos dos quatro países partes do Mercosul.
Ensino superior pode fortalecer Mercosul
Julia Dietrich
Diante da importância e do desenvolvimento do Mercado Comum do Sul (Mercosul) e a crescente demanda pela internacionalização do ensino superior, o governo federal brasileiro anuncia uma série de programas universitários que busca intensificar o intercâmbio de estudantes, professores e pesquisadores da América do Sul, além de promover uma maior integração da região.
Segundo o chefe da assessoria internacional do Ministério da Educação (MEC), Alessandro Candeas, até o final do governo do presidente Luís Inácio Lula da Silva serão criadas três novas instituições que respondem às necessidades do Brasil no plano internacional.
A entrevista foi concedida em Brasília (DF) durante o Encontro Internacional de Reitores Universia.
Aprendiz: O governo federal vem lançando continuamente novas ações para a integração do Mercosul. Quais são os planos nessa questão para o ensino superior brasileiro?
Alessandro Candeas: O Brasil largou na frente. A idéia de um espaço de educação superior do Mercosul é nossa. Lançada em novembro de 2006 pelo ministro Fernando Haddad, o plano foi aprovado prontamente pelos outros ministros. Mas, primeiro, o Brasil começou fazendo o dever de casa com o lançamento do Instituto Mercosul de Estudos Avançados (Imea), no Parque Tecnológico de Itaipu, em Foz do Iguaçu (PR).
No primeiro semestre de 2008 começaremos a estipular o funcionamento do Espaço Comum de Educação Superior do Mercosul que abrangerá diversas universidades que fazem parte do Mercosul. Posteriormente, discutiremos a criação da Universidade Latino-Americana (Unila).
Aprendiz: Como funcionará o Imea?
Candeas: Será uma universidade brasileira que receberá professores e alunos do Mercosul com um projeto de ensino, pesquisa e extensão voltado para a integração dos países do bloco.
Aprendiz: O conteúdo apresentado nas disciplinas também responderá à questão do Mercosul?
Candeas: A idéia é manter e fomentar a integração dos países. No futuro buscaremos abarcar todas as áreas do saber, mas no caso do Imea, são as de interesse da região, como, por exemplo, ciências ambientais, energia, agricultura e ciências sociais.
Acredito que agora, em 2008, abriremos os editais para contratação de funcionários e professores e depois abriremos para o processo seletivo dos alunos. A seleção será feita com base em critérios regionais e teremos que ter professores da Argentina, do Uruguai e Paraguai. E, mais tarde, se ampliarmos o projeto para toda América do Sul, teremos que ter um quadro docente que inclue Chile, Venezuela, Bolívia etc. Mas, a idéia é começar com a região de Foz do Iguaçu, onde se instalará o Imea.
Aprendiz: Qual será o idioma utilizado na universidade?
Candeas: Esse é um ponto fundamental. Isso vale também para o Espaço Comum de Educação Superior do Mercosul. Já que as instituições trabalharão com professores e alunos da região, as aulas serão ministradas e os trabalhos serão feitos em português e espanhol.
Aprendiz: Quando Espaço Comum de Educação Superior do Mercosul passará a funcionar?
Candeas: Para o Espaço Comum de Educação Superior do Mercosul nós criamos um grupo de trabalho que começará a se encontrar agora no primeiro semestre de 2008 e espero que até o segundo semestre já tenhamos fechado o desenho desse espaço. Mas o conceito geral é ter um projeto pedagógico de integração. Ou seja, se for ensinar direito ou sociologia, por exemplo, o trabalho sempre buscará a integração. Não é conteúdo geral ou abstrato. É operacional e com foco bastante específico nas necessidades do Mercosul.
Haverá professores e alunos dos países que compreendem o Mercosul, seguindo o bilingüismo e graduação e pós-graduação nas diferentes disciplinas. Esse espaço será formado tanto por novas instituições, como o Imea, quanto por instituições antigas, como a Universidade de Brasília (UnB), por exemplo, que reservem espaços, salas, cursos, faculdades ou departamentos para fazer parte desse trabalho.
Por exemplo, a UnB pode determinar que o Instituto de Relações Internacionais faça parte do Espaço Comum de Educação Superior do Mercosul. Sendo assim, é importante que todo o diploma e créditos sejam válidos em todas as entidades que fazem parte deste espaço. Se um estudante se forma em Jornalismo na UnB, o seu diploma também será válido, por exemplo, na Universidade de Buenos Aires.
Aprendiz: A idéia então é facilitar o intercâmbio entre as universidades?
Candeas: Exatamente. Aí está o outro ponto de grande importância no Espaço. O intercâmbio de estudantes, professores e pesquisadores. O intercâmbio pode ser feito tanto no curso completo, durante toda a graduação ou pós-graduação, quanto poderá abranger segmentos do curso. Graduação, mestrado e doutorado sanduíche. O estudante matriculado na UnB pode, por exemplo, fazer um ano na Universidade de Montevidéu e seus créditos cursados automaticamente serão computados nas duas universidades.
Aprendiz: Quem é o responsável por desenvolver esse novo modelo no Brasil? Como e quando se darão as discussões?
Candeas: Montamos um grupo de alto nível que se reunirá no Encontro de Buenos Aires para desenhar esse espaço comum de educação superior. Cada país indicou seus representantes. O Brasil indicou o professor Élgio Trindade, ex-reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Designado pelo ministro, o professor é o responsável por definir o posicionamento do Brasil no processo.
Aprendiz: E a Unila, qual o projeto e quais os planos?
Candeas: A Unila é para o futuro e seu projeto ainda está sendo rascunhado. Em primeiro lugar, ela não tem um lugar físico para existir. Ela será uma rede parecida com o modelo da Universidade das Nações Unidas. O Espaço Comum também é uma rede, mas o Imea tem seu espaço físico delimitado. A Unila será caracteristicamente brasileira e o espaço responderá aos interesses do Mercosul.
Aprendiz: Já existem universidades interessadas em compor a Unila?
Candeas: Em primeiro lugar, a previsão é que todas as universidades federais façam parte deste consórcio. Porém, é um projeto ainda para o futuro.
Aprendiz: Mas a Unila congregará apenas as universidades federais?
Candeas: Não. Inicialmente ela nasce nas federais, mas certamente as estaduais e depois as particulares de boa qualidade devem participar dessa rede.
Aprendiz: Então, quais as datas aproximadas para a realização destes três projetos diferentes?
Candeas: O Espaço Comum de Educação Superior do Mercosul é para já. Ainda no primeiro semestre de 2008 suas atividades estarão decididas. O Imea deve seguir no mesmo tempo. O edital de publicação e de seleção deve sair também agora no começo do ano. E a Unila virá depois. Teremos primeiro essas experiências para depois desenvolvermos a Unila. Agora, certamente, tudo isto estará muito bem desenvolvido até o final do governo Lula.
Aprendiz: A graduação dessas novas universidades já começará atendendo ao modelo do Ciclo Básico?
Candeas: Provavelmente sim, porque esta é uma tendência do ensino superior mundial. As universidades norte-americanas e várias européias já o fazem, porque nos dois primeiros anos o estudante ainda não tem a obrigação de definir seu curso, sua diplomação. No Brasil, ainda vivemos no sistema antigo de escolher aos 17 anos a profissão que deverá seguir na vida. Aqui você já entra no curso fechado, aumentando as chances de desistência. Acredito que a Imea e a Unila já devem seguir essa tendência, mas é algo que está sendo desenhado.
Aprendiz: Como estão as discussões sobre o ensino de espanhol?
Candeas: Nossa idéia é buscar estimular com as universidades a formação de professores de espanhol e português. No Brasil, já existe a Lei de Ensino do Espanhol, de 2005, que prevê até 2010 a obrigatoriedade de oferecer espanhol aos alunos do Ensino Médio de todas as escolas do país. Porém, faltam professores. E por isso, várias universidades brasileiras e outras da América Latina buscam a especialização da formação em espanhol e português. A idéia é que troquemos informações para discutir como aumentar o número de professores e a qualidade de ensino do idioma.
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