Posts Tagged ‘Desaparecidos Políticos’
Além disso, confirmou que o regime ditatorial não foi apenas um movimento militar, mas sim uma composição entre setores da sociedade civil, empresários, e militares, como apontam estudos recentes.
O ato do MST, neste dia 2 de novembro de 2012, quando finalmente a Comissão da Verdade começou a funcionar, em busca do esclarecimento dos crimes cometidos naquele período tenebroso, é um sinal de extrema pertinência e muita relevância para a continuidade das lutas pelo aprofundamento da democracia no Brasil, mas também de que faz-se necessário aplicar sanções aos criminosos que extrapolaram qualquer senso de respeito pela vida humana para impor à força sua vontade e seu regime de exceção, aprofundando a injustiça no país e a desigualdade social.
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Apesar de já ter lido uma quantidade bastante razoável de material e de livros sobre o período da ditadura militar no Brasil, ainda não tinha ouvido falar de Henning Albert Boilesen, que conheci ontem, por meio dessa série de vídeos que estão disponíveis no Youtube.
Henning Boilesen era dinamarques, nascido em 1916, e chegou ao Brasil ainda jovem, casado com uma brasileira que conhecera na Dinamarca, quando tinha 22 anos de idade. Logo adaptou-se ao Brasil, começou a trabalhar em empresas na capital paulista e em 15 anos, numa ascensão meteórica, chegou à presidência do grupo Ultragás, que dirigiu até sua morte, em 1971.
Segundo os relatos estampados no documentário Cidadão Boilesen, Henning era um homem inteligente e carismático, detentor de grande capacidade de comunicação e liderança, qualidades que explicariam sua chegada à direção de uma das maiores empresas brasileiras daquele período.
No ano de 1964, segundo o documentário, ele foi agraciado com o prêmio de melhor relações públicas do ano, ao que parece pela Associação Comercial de São Paulo.
Esta sua condição de liderança empresarial impôs a Boilesen se envolvesse com as discussões sobre a agenda política nacional, impelido tanto pela importância da própria organização que ele presidia, a Ultragás, quanto por demais empresários que preocupavam-se com os rumos do governo João Goulart, apoiador declarado dos movimentos de reformas de base, como se sabe.
Com a deposição de Jango e a implantação da ditadura militar, o empresariado explicita seu apoio aos militares golpistas e aprofunda seu relacionamento com eles, inclusive tendo em vista conquistar oportunidades de negócios mediante acordos e conveniências nem sempre declaráveis.
Com a crescente radicalização da ditadura, a oposição política a ela foi perdendo o fôlego e os grupos adversários, ligados aos movimentos sindicais, estudantis ou dos partidos de esquerda, foram sendo compelidos à aderirem à luta armada como única forma de resistência política.
O enrijecimento político do governo militar e o recrudescimento da resistência armada resultaram, no final de 1968, no campo da oficialidade, na publicação do Ato Institucional n.5 (AI-5), que esvaziava os direitos dos cidadãos, e no campo da repressão, à criação da OBAN, a Operação Bandeirantes, com o aumento da brutalidade das práticas de tortura, o crescimento dos assassinatos de militantes de esquerda e o aumento do número de desaparecidos políticos.
Boilesen e outros empresários, muitos dos quais liderados por ele, participaram do financiamento das atividades da OBAN, bem como emprestaram estruturas de suas empresas para a atuação dos agentes da repressão política para a captura e eliminação dos militantes da resistência política.
Henning Boilesen, além disso, foi visto por pessoas que sobreviveram às torturas e às prisões da época, participando das sessões de tortura, demonstrando um grau de sadismo surpreendente.
Aos poucos, os relatos sobre a presença daquele estrangeiro participando das sessões de tortura foram sendo transmitidos para a liderança dos partidos e movimentos de esquerda que deliberaram por sua morte, como forma de justiçamento, com o intuito de desestimular que outros empresários seguissem financiando a OBAN.
Boilsesen morreu, assassinado, em 15 de abril de 1971, por militantes do MRT e da ALN.
O documentário é excelente quando analisado do ponto de vista da pesquisa histórica para o levantamento de dados sobre a vida de Henning Boilesen. Ao levantar sua biografia, por outro lado, consegue inserí-lo perfeitamente no cenário político do período, permitindo vislumbrar que seu caso não foi isolado, mas representou um movimento de muitos empresários que deram apoio não apenas moral e político à ditadura, mas forneceram-lhe recursos financeiros e logísticos para que ela operasse a indústria da tortura em que se transformou.
A Comissão da Verdade, recém instalada, na apuração dos processos que provocaram o sequestro, o desaparecimento de muitos militantes dos grupos de oposição e a morte de outros tantos, não pode furtar-se de investigar também a participação de grupos empresariais no apoio à ditadura. A verdade exige que estas empresas sejam conhecidas pela população, para que ela possa produzir seu juízo sobre elas.
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Foram cassações de mandatos políticos, destituições das diretorias sindicais, prisões ilegais, agressões, repressão à mobilização social, censura à imprensa, censura artística, torturas, desaparecimentos e mortes, além da generalização da corrupção e de outras formas de arbítrio que, deterioraram a cultura política do país e que ainda hoje repercutem como práticas abusivas de muitos agentes públicos. Uma verdadeira doença política que está difícil de extirpar.
Com enorme esforço, o país avançou, buscando a redemocratização. Muito se fez, mas os resquícios daquele período sombrio seguem importunando o desenvolvimento de nossas instituições democráticas. Finalmente, depois de 27 anos de governo civil, quase 24 anos de vigência de uma nova Constituição, temos a nomeação da nossa Comissão da Verdade, contra qual seguem levantando-se velhos militares já aposentados, que entretanto, não sossegam, e seguem querendo impedir o país de se redimir dos crimes cometidos naquele período e querendo impedir as famílias dos mortos e desaparecidos políticos de tomarem conhecimento das atrocidades cometidas contra os seus que lhes privaram de suas vidas e de seu futuro.
Mas, aqui, quero discutir o erro grosseiro da versão em português da Wikipedia ao tratar do General Emílio Garrastazu Médici, um dos presidentes militares, dos mais responsáveis pela chamada linha dura do comando militar nos anos da ditadura. A Wikipedia, no verbete em questão, transmite a impressão de que Médici era um homem empenhado em restaurar a democracia no Brasil, nada mais falso que isso.
De minha parte, já tentei editar o texto, transmitir a informação de que Médici foi um dos expoentes da implantação de uma institucionalidade autoritária, derivada da Doutrina de Segurança Nacional e que, somente sob esta perspectiva, é que ele pretendia que se restaurasse o funcionamento do Congresso Nacional. Ou seja, apontei que Médici buscava uma legitimidade para o Estado repressor instalado pela ditadura militar, que rasgou a Constituição de 1946 e a substituiu pelos Atos Institucionais emanados das juntas militares e dos comandos das forças armadas.
Quando fiz a edição do texto, fui surpreendido por um revisor que alegou que meus argumentos não eram fatuais, mas interpretativos e, apesar de eu citar o livro de Maria Helena Moreira Alves, 1964: O Estado e a Oposição no Brasil, como fonte, fui acusado de não fundamentar minha manifestação.
Preocupo-me com esse verbete da Wikipedia, que venho acompanhando em suas edições, por entender que ela, a Wikipedia, tornou-se uma das mais consultadas fontes de informações pelos jovens estudantes. Conter interpretações históricas tão distorcidas sobre aquele período de nossa história é um contrassenso e um prejuízo à educação.
Veja um dos trechos mais graves da redação atual que já tentei alterar, mas que resiste, apesar de minha argumentação:
Mandato como presidente
Médici exigiu que, para sua posse na presidência, o Congresso Nacional fosse reaberto, e assim foi feito. Em 25 de outubro de 1969, Emílio Garrastazu Médici foi eleito presidente da república por uma sessão conjunta do Congresso Nacional, obtendo 293 votos, havendo 75 abstenções. Tomou posse no dia 30 de Outubro de 1969, prometendo restabelecer a democracia até o final da sua gestão. A guerrilha urbana e rural foi derrotada durante sua gestão, permitindo que seu sucessor Ernesto Geisel iniciasse a abertura política. As denúncias de tortura, morte e desaparecimentos de presos políticos que ocorreram na década de 1970 provocaram embaraço para o governo brasileiro no cenário internacional. O governo atribuiu as críticas a uma campanha da esquerda comunista contra o Brasil.
Médici com o presidente dos Estados Unidos Richard Nixon, em dezembro de 1971.No campo político, o governo Médici foi responsável pela eliminação das guerrilhas de esquerda rurais e urbanas. A repressão às manifestações populares e à guerrilha ficou a cargo do ministro do Exército Orlando Geisel. Médici, ao contrário dos ditadores anteriores (Castelo Branco e Costa e Silva), não cassou mandato de nenhum político.
Nas duas eleições ocorridas durante seu governo, a Arena saiu amplamente vitoriosa, fazendo, em 1970, 19 senadores contra 3 do MDB, e, em 1972, elegendo quase todos os prefeitos e vereadores do Brasil.
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Em%C3%ADlio_garrastazu_m%C3%A9dici
Observe que Médici é apresentado como alguém que deseja a restauração da democracia; que não teria cassado nenhum político; que teria enorme apoio popular, referendado na vitória eleitoral do partido governista; contra quem haviam apenas “denúncias” de crimes e torturas.
Claramente, esse artigo precisa ser revisto e, para isso, é necessário que outras pessoas se expressem junto aos redatores da Wikipedia e aos seus revisores. Não podemos aceitar que Médici seja conhecido com roupagem tão falsa quanto esta.
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Por Diego Alves
Mato Grosso do Sul teve mais de mil perseguidos durante a ditadura militar. O número foi confirmado pelo advogado Lairson Palermo que possui em torno de 30 casos de pedidos de indenização na Comissão de Anistia do Ministério da Justiça.
A Comissão de Anistia foi instalada pelo Ministério da Justiça, no dia 28 de agosto de 2001. Criada pela Medida Provisória n.º 2.151, a Comissão analisa os pedidos de indenização formulados pelas pessoas que foram impedidas de exercer atividades econômicas por motivação exclusivamente política desde 18 de setembro de 1946 até cinco de outubro de 1988.
Na manhã desta sexta-feira (8), representantes da OAB, CUT (Central Única de Trabalhadores), Central de Movimentos Populares (CMP) e Conselho Indígenista Missionário (CIMI), reuniram-se com o presidente da Fundação Perseu Abramo e ex-primeiro ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos no governo Lula, Nilmário Miranda, no plenarinho da Assembleia Legislativa em Campo Grande.
Miranda está à frente da Comissão Nacional da Verdade, prevista no Projeto de Lei 7376/10, que tem o objetivo de esclarecer casos de violação de direitos humanos ocorridos no período da ditadura (1964-1985).
Um dos indenizados que estava presente na reunião é o ex-presidente do Sindicato dos Garçons de São Paulo, Luiz Christofoletti, que veio para Campo Grande no ano de 1969 por conta da perseguição dos militares. Seu Luiz relatou à reportagem que, quando perseguido, chegou a viver durante oito meses pelas ruas e em porões com os “camaradas” na época de luta.
Outro relato foi o do presidente do Central de Movimentos Populares (CMP) Cleutu Soares sobre o pai, Waldemar Soares, integrante na época do Partido Comunista Brasileiro, que morreu com 64 anos em 1981.
Waldemar foi um dos líderes em Campo Grande de movimentos em prol de melhorias trabalhistas para funcionários quilombolas de uma pedreira e de cortadores de lenha na Capital, entre os períodos de 1961 a 1964.
Cleutu se emociona ao lembrar quando soldados do exército incendiaram a sua casa no bairro Cabreúva em 1964 quando tinha 5 anos. Por conta do incêndio, ele perdeu a irmã mais velha, Eunice Soares, na época com 6 anos, que morreu dois anos após o episódio, por conta de queimaduras.
“No dia a minha mãe foi com um irmão, avisar o meu pai que fazia “bicos” à noite, que ele estava sendo perseguido”. Na casa ficaram Cleuto e mais dois irmão pequenos que foram surpreendidos pelas chamas.
“Depois disso, para sobrevivermos, a minha mãe plantava mandioca e milho que eu vendia nas casas. Mas como o governo da época conseguia fazer toda uma propaganda, as pessoas fechavam as portas”, conta emocionado.
Navio prisão de Corumbá
Também em 1964, a cidade de Corumbá, no antigo estado do Mato Grosso uno, teve o episódio do Navio Prisão de Corumbá. Depois de Cuiabá, Corumbá era considerada uma das cidades com maior militância esquerdista no antigo estado de MT.
No navio, ficaram presos durante 30 dias, metalúrgicos, marinheiros, mineradores e até vereadores.
“Esse caso do Navio Prisão de Corumbá, foi uma surpresa, eu não sabia desse caso, uma novidade. Infelizmente no Brasil afora se encontra muito disso e com a democracia há o estímulo para que essas histórias sejam contadas”, disse o ex-ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos.
Fonte: http://www.desaparecidospoliticos.org.br/pagina.php?id=373&m=4
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