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Pesquisa mostra que só 20% das empresas cumprem prazos, metas e orçamentos
Natalia Flach – Brasil Econômico | 18/09/2012 05:40:16
Mais de um terço dos projetos formulados pelas empresas ao redor do mundo fracassam. Isso acontece — em grande parte — pela falta de gestão organizacional das companhias. Segundo pesquisa Pulse of the Profession do instituto PMI, concedida com exclusividade ao BRASIL ECONÔMICO , 20% dos mil entrevistados descrevem suas organizações como tendo elevado grau de maturidade em gerenciamento de projetos (medido a partir do cumprimento de prazos, orçamento e objetivos) — ficando acima dos 11% observados em 2006. Em geral, são as grandes empresas que se enquadram neste grupo. Quase 30% das companhias com faturamento acima de US$ 1 bilhão relatam esse nível de maturidade ante os 10% das empresas com rendimentos anuais de até US$ 50 milhões. Alguns setores também são mais propensos a apresentar essa maturidade, tais como consultoria, varejo, indústria aeroespacial, tecnologia da informação e telecomunicações.
Entre os benefícios de se investir em gestão de projetos o principal é aumentar chances de sucesso. As organizações com níveis de maturidade mais elevados superam as de menor grau em 28 pontos percentuais no que se refere a prazo de entrega do projeto, em 24 pontos percentuais quando o assunto é enquadramento ao orçamento e em 20 pontos percentuais, no cumprimento de objetivos originais e intenções de negócios. Além disso, o resultado pode ser economia de gastos. Quando um projeto falha, um terço do orçamento, em média, é perdido para sempre. Isso significa que as organizações estão colocando em risco US$0,12 para cada US$ 1 gasto em projetos, ou seja, pouco mais de US$ 120 mil para cada US$ 1 milhão.
As condições econômicas provocadas pela crise vão continuar forçando as empresas a estruturarem uma carteira de projetos, se tornarem mais ágeis e investirem em talentos. “Às vezes, querer controlar tudo o que se passa faz com que se perca a agilidade. Quanto mais rapidamente são implementadas mudanças, menos riscos se corre, sem falar que obriga as empresas a ficarem mais atentas. O problema aparece quando o cenário é positivo, já que os executivos costumam relaxar”, afirma Ricardo Viana Vargas, presidente do PMI e especialista em gerenciamento de projetos, portfólio e riscos. “Há uma década, não se tinha dúvidas sobre o império da Estrela, no Brasil. Hoje, minhas filhas não sabem quem é essa fabricante de brinquedos que já foi tão poderosa.”
Para se conseguir atingir metas, as empresas precisam deixar os seus objetivos organizacionais mais claros e delegar responsabilidades para a equipe de projetos. “É o caso do Facebook. Logo após o IPO, as ações caíram porque os investidores não sabem para onde a empresa vai crescer, a liderança do Mark Zuckerberg está sendo desafiada. Isso é uma grande oportunidade para se reinventar”, diz. “Muitas pessoas me perguntam como explicar os benefícios de gerenciamentos de projetos — que às vezes são intangíveis. Imagina se os Estados Unidos soubessem no dia 10 de setembro que aconteceria um atentado no dia seguinte. Além de vidas, economizaria muitos bilhões de dólares. É a mesma coisa com as companhias. Quando dá certo, o custo é bem menor do que o custo do fracasso.”
Em geral, Vargas destaca que as empresas de capital aberto estão mais atentas a essas questões por causa do retorno que precisam dar aos acionistas. “Investidor é bem diferente daquele executivo que criou a empresa — não tem fidelidade. Se não está dando retorno, ele muda”, diz. “As empresas brasileiras estão no caminho certo de gerenciamento de projetos que podem torná-las mais ágeis. O problema é a burocracia que ainda trava o avanço, funcionando como freio de mão.”
Fonte: http://economia.ig.com.br/empresas/2012-09-18/gestao-ineficiente-condena-mais-de-um-terco-dos-projetos.html
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Autor(es): agência o globo:Luiz Cláudio Campos
O Globo – 16/07/2012
O mercado de energia renovável nacional expande e encolhe conforme as mudanças de políticas públicas, tecnologias e incentivos financeiros. No Brasil, os últimos meses foram de importantes movimentos no setor. No terceiro trimestre de 2011, quatro leilões de energia ofereceram oportunidades para remodelar o mercado de eletricidade do país.
A energia eólica atraiu mais atenção quando se verificou que, pela primeira vez, seu preço ficou abaixo do da eletricidade gerada pelo gás natural. Assim, o setor de eólica garantiu contratos de compra de energia para 78 projetos, totalizando 1.929 MW nos leilões – cerca de metade da capacidade total disponível -, que devem começar a operar em 2014. Outro leilão realizado em dezembro abriu concessão de contratos de 20 anos para usinas de energia eólica, biomassa e gás natural, e de 30 anos para usinas hidrelétricas. O pregão atraiu registro de 377 projetos, totalizando capacidade instalada de 24,3 GW, dos quais 79%, com capacidade total de 7,5 GW, relacionados à eólica.
Os leilões de 2011 iniciaram o processo competitivo entre fontes, e os investidores de eólicas demonstraram um interesse surpreendente pelos projetos. De acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica, a capacidade eólica brasileira deve crescer 600% até 2014, para mais de 7GW, em comparação a 1 GW no fim de 2010. Para isso, uma série de desafios se apresenta.
Os leilões criaram concorrência no setor de energia elétrica, além de uma forte carteira de projetos com ênfase especialmente na eólica. No entanto, a Associação Brasileira de Energia Eólica alertou que as menores margens de retorno podem tornar os projetos vulneráveis a possíveis complicações durante a construção. Por isso, o planejamento futuro de eletricidade no Brasil precisa refletir os resultados positivos dos leilões para garantir a confiança dos investidores no longo prazo, e os investidores estarão atentos à capacidade do governo de apresentar o cenário político necessário para garantir o investimento.
Nesse contexto, o crédito representa um importante vetor de crescimento. Estima-se que os projetos outorgados tenham necessidade de financiamento de R$ 10,1 bilhões, e os que já estão em construção de R$ 2,4 bilhões, fazendo com que a demanda por crédito no curto prazo chegue a R$ 12,5 bilhões. Os parques em operação – teoricamente com financiamento equacionado – representam 20% de toda a necessidade de crédito desses primeiros anos de desenvolvimento da indústria.
O mercado de dívidas nacional ainda está em um grau inferior de desenvolvimento em relação às economias mais maduras. O desenvolvimento de mercados internacionais se deu com distintas fontes de financiamento, nas fontes bancárias tradicionais ou mesmo no mercado de capitais. No Brasil, o setor ainda tem tido seu crescimento sustentado, principalmente, pelo BNDES.
Entre os principais gargalos que dificultam o financiamento desta indústria no Brasil estão as poucas opções de financiadores a taxas compatíveis com os retornos dos projetos; baixa participação e competitividade de bancos privados em estruturas de financiamento de longo prazo; inviabilidade, em muitos casos, de um empréstimo-ponte; baixo volume de estruturas alternativas de financiamento, como títulos, IPOs etc; e descasamento entre o prazo para aprovação ou liberação dos recursos e a real necessidade de caixa do projeto.
Em um ambiente regulado de forma adequada e com um histórico de sucesso cada vez mais sólido, a tendência é que haja um mercado de crédito mais maduro no curto prazo, mas, ainda assim, restritivo. O apoio das instituições públicas de crédito é fundamental para o desenvolvimento do mercado, mas estas não devem ser as fontes únicas de toda a demanda.
Por outro lado, a utilização de algumas estruturas de financiamento existentes em outros países depende principalmente do amadurecimento do mercado local e, não necessariamente, de ações do setor eólico. Por isso, o tema crédito deve estar na agenda de planejamento do segmento no Brasil, já que é fundamental para sustentar o crescimento projetado. Uma coisa é certa: um ambiente mais adequado às necessidades dos investidores só poderá ser construído com a participação ativa de todos.
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