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A indústria de perfumes tem sido objeto de muitos estudos e pesquisas tanto na área acadêmica quanto por parte das consultorias. Isto se justifica pelo fato de ter sido nos anos recentes um dos segmentos da economia brasileira que experimentou uma das mais altas taxas de crescimento, em geral bem acima da média dos demais segmentos.
O interessante a se observar neste fenômeno é que ele vem embalando não apenas as marcas já mais consagradas no mercado, mas uma gama bem grande de micro e pequenas empresas em vários pontos do país.
Um dos ingredientes mais efetivos do sucesso deste ramo de negócios dos perfumes, como de muitos outros na economia brasileira desde o começo da década passada, obviamente é o crescimento geral do mercado consumidor interno, em função da elevação dos salários médios dos trabalhadores.
Mas, este fato por si só não explica por completo esse fenômeno, uma vez que os incrementos na massa salarial do país poderiam ser destinados a outros itens de consumo pela população.
Então, vale a pena analisar outras vertentes explicativas que talvez sejam até mais determinantes para compreender o que ocorreu e ainda prossegue acontecendo neste segmento empresarial.
Particularmente, considero que grande parte do sucesso seja determinado pela inteligente diversificação dos canais de distribuição que o setor conseguiu estruturar.
Vejamos as opções de que dispõe atualmente a indústria de perfumes:
a) Comércio multissetorial
Neste caso, penso nos pontos comerciais de modelo mais tradicional, em que os produtos da perfumaria são encontrados em concorrência com outras linhas de produtos. Podem ser, por exemplo, as drogarias, mas também os supermercados, que já ilustram bem o modelo.
b) Comércio Especializado
Aqui, temos lojas de redes especializadas em comercialização das linhas de perfumaria, que trabalham com produtos de fornecimento de várias empresas diferentes, diria multimarcas.
c) Lojas de Marca Única
Neste caso, encontramos tanto lojas de propriedade da própria indústria, que assim alcança diretamente o mercado consumidor, eliminando intermediações, o que pode representar uma boa alternativa para a rentabilidade, mas também as franquias, que agregam micro e pequenos empresários locais e que possibilitam a expansão mais acelerada da marca, sem que a indústria seja a única responsável pelos investimentos em marketing.
d) As vendas diretas
Este é o canal de maior identidade com a população. Estruturado mediante a construção de uma base enorme de consultoras e representantes, que ultrapassa a casa de milhão de pessoas, alcança o consumidor diretamente onde ele se encontra, tendo uma capacidade de efetuar as vendas mesmo que o comprador não tivesse tido previamente a iniciativa da busca do produto.
e) O comércio eletrônico
Além do caso de criação de lojas virtuais pelas próprias indústrias, pelas redes comerciais multissetoriais, pelas redes especializadas no ramo do perfume, há o surgimento de novas marcas de comércio eletrônico focadas no segmento do perfume.
Meses atrás, publiquei um artigo tratando da personalização das vendas, por meio do comércio eletrônico, em que me referi, a título de exemplo, à loja dos Perfumes Levata.
É interessante observar a dimensão da oportunidade que se abre neste segmento do perfume com o surgimento do comércio eletrônico. A própria Levata é um exemplo, na medida em que já começa a trabalhar inclusive com a oferta de produtos em idiomas estrangeiros, o que indica estar buscando consumidores fora do Brasil.
Uma de suas campanhas, por exemplo, trabalha em inglês, e tem como slogan a expressão “my girlfriend wears this” (minha namorada usa esse).
Concluo este artigo, tendo claro que é estruturação de múltiplos canais de distribuição é essencial para o fortalecimento de qualquer ramo de negócio e que o comércio eletrônico abre inúmeras e extraordinárias oportunidades para o ingresso de novos empreendedores no mercado. Até mesmo os blogs, especialmente aqueles desenvolvidos com ferramentas em software livre, podem ser usados para a criação de lojas eletrônicas atualmente.
O que você pensa a este respeito? Você já tem seu blog ou sua loja eletrônica? Deixe seu comentário aqui no blog ou, se quiser, mande-me uma mensagem pelo formulário de contato que podemos conversar mais a este respeito.
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Em consequência, inúmeros blogs e comentaristas passaram a acusar uma espécie de traição ou de capitulação da presidenta, considerando os acontecimentos e posicionamentos da mídia na campanha eleitoral do ano passado. Para estas pessoas, o clima de conflagração deve ser mantido e Dilma tem uma espécie de obrigação de vingar-se daqueles que tentaram usar de artimanhas completamente desleais no decorrer da campanha que ela venceu.
Alguns já estão tentando realizar “balanços” do governo, no campo econômico e político, identificando ou um alinhamento “à direita” ou, no mínimo, um movimento em direção ao centro, que não corresponderia aos compromissos selados durante a campanha e nas entranhas do processo pelos quais ela se elegeu.
Minha avaliação é de que tais posicionamentos equivocam-se por duas razões:
a) revelam enorme precipitação na tentativa de produzir avaliações de um governo que sequer completou 60 dias de mandato;
b) baseiam-se numa espécie de interpretação da realidade que exagera a relevância da imprensa e da mídia em geral na estruturação das relações sociais e políticas.
Se fosse para se admitir tamanha importância relativa à mídia, não se poderia compreender como foi possível que Lula se elegesse presidente em 2002. Muito menos, como ele pode se reeleger, em 2006, após a extraordinária campanha de difamação que se verificou em 2005, na chamada crise do “mensalão”, expressão que a meu ver não passa de um artefato retórico, sem conteúdo efetivo. Na mesma linha, não seria compreensível a própria eleição de Dilma.
Além disso, se já não bastassem os próprios processos eleitorais brasileiros, os recentes acontecimentos nos vários países muçulmanos (Tunísia, Egito, Líbia, Emirados Árabes, Iêmen, Marrocos, etc.) estão a demonstrar que a sociedade pulsa vibrantes energias em esferas que não se pautam pela pauta da imprensa, sendo ela “livre” ou “controlada”.
Qual a sua opinião a respeito? Deixe registrada nos comentários.
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Primeiro, há que se entender as plataformas Blogger e WordPress, as duas principais, analisar as vantagens e desvantagens de cada uma e fazer sua escolha. Depois, é preciso ter algumas informações sobre as linguagens de programação e, no caso dos usuários do WordPress, saber que ele é todo desenvolvido em PHP, tendo por suporte um banco de dados em MySQL. Finalmente, é preciso aprender sobre as técnicas para a maior adequação de seu blog aos mecanismos de busca, chamadas de SEO – Search Engine Optimization.
Para quem já chegou a este estágio, já está evidente que uma das técnicas SEO mais poderosa é a chamada “backlinks”, ou seja, aquela que valoriza seu blog por meio da quantidade de links que os mecanismos de busca podem encontrar em outros endereços na internet apontando para páginas e artigos de seu blog.
Um dos mecanismos para fortalecer os backlinks é através do uso dos bookmarkings, ou seja, diretórios em que as pessoas fazem o registro das páginas que consideram importantes, como os “favoritos” encontrados nos navegadores, mas com a diferença de que funcionam na própria internet.
Para fazer uso dos bookmarks, o blogueiro deve constantemente visitar sites que prestam esse serviço e registrar links de suas páginas e artigos, um trabalho não muito agradável e, em geral, bem demorado.
Para reduzir esse trabalho, surgiram alguns softwares, que automatizam o processo de inserção de links nos bookmarks, mas quase todos são relativamente caros, desestimulando o seu uso.
Mas, recentemente surgiu uma alternativa, na forma de uma rede social, chamada Socialadr. Trata-se de um serviço gratuito e automatizado de inserção de links em sites de bookmarking, que pode ajudar muito aos blogueiros e a todos aqueles que gostam de ajudar a divulgar os bons artigos publicados nos seus blogs de preferência.
O Socialadr funciona do seguinte modo: a pessoa inscrita indica algum endereço de página ou artigo para o bookmark e todos os membros da rede, quando entram no site, tem a opção de compartilhar aquele endereço, clicando na opção “share”. Ao fazer isso, o link é automaticamente inserido em todos os sites de bookmarking em que aquela pessoa tem suas próprias contas.
Estou começando a usar esse serviço do Socialadr e te convido a conhecer e me ajudar a divulgar os links daqui do Unipress e do Blog do Microcrédito. Isso é importante porque quase todos os usuários atuais do Socialadr usam o idioma inglês, então levo alguma desvantagem. Mas, se mais brasileiros começarem a usar o serviço, logo teremos uma ferramenta muito útil para nosso trabalho com os blogs.
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Vamos retroceder pouco mais de vinte anos, para resgatar a constituição do “Plenário Pró-Participação Popular na Constituinte”. Já citei, em outra ocasião, aqui mesmo no seu blog, minha admiração por Francisco Whitaker. Em 1985, o “Chico” foi um dos formuladores do modelo de organização quase “anárquico” do “Plenário”: um modelo de participação espontânea dos interessados, sem exigência de “identidades” padrões, sem comando uniforme acerca das iniciativas, sem datas únicas, sem “coordenação”, no sentido mais hierárquico do conceito. O “Plenário Pró-Participação Popular” era uma coalizão em que um “ideário” comum insuflava a criatividade e a iniciativa de todos os seus participantes em qualquer lugar onde se encontrassem. Essa característica determinou uma capacidade extraordinária de multiplicar iniciativas que acabou ecoando fortemente na Constituinte. O conceito chave do Chico era a “rede”.
Os estudos sobre as redes de movimentos sociais já possuem algum acúmulo, na sociologia. No Brasil, por exemplo, na Universidade Federal de Santa Catarina, a profa. Ilse Scherer-Warren, publicou um livro com essa denominação, em 1993. Discutindo as teoria dos movimentos sociais na América Latina, ela observa que após os debates sobre as distinções entre os movimentos “tradicionais” e os “novos movimentos sociais”, abre-se uma nova abordagem, segundo qual “trata-se de passar da análise das organizações sociais específicas, fragmentadas, para a compreensão do movimento real que ocorre na articulação destas organizações, nas redes de movimentos (i.é, from grassroots to networks)” (Scherer-Warren, 1993: 23). É muito interessante outra observação que ela faz:
“(…) creio que as perspectivas de análises dos movimentos sociais para os anos 90 devem considerar o papel das tecnologias de informação e dos meios de comunicação de massa nas formas de organização da sociedade civil, mesmo porque este campo teve um desenvolvimento notável nos últimos anos. Resta verificar em maiores detalhes, tanto nos meios de comunicação de massa como na imprensa alternativa, os espaços de massificação, de uniformização, de consolidação de ideologias dominantes versus espaços de contestação das formas de dominação ou discriminação, de difusão de propostas alternativas de vida social, de novos valores universalizáveis de acordo com os interesses dos novos atores coletivos mencionados, bem como o espaço para a formação e comunicação das redes de movimentos…” (Scherer-Warren, 1993: 25).
O ex-deputado do PT-RJ, Lizst Vieira, em Argonautas da Cidadania: a sociedade civil e a globalização, publicado em 2001, pela editora Record, observa também a importância que o desenvolvimento das tecnologias de informação tem no campos dos enfrentamentos políticos e ideológicos, mesmo em âmbito internacional, em que a arena de disputa é muito maior e mais complexa:
“A tecnologia das comunicações é fundamental para a atuação das ONGs. Um bom exemplo foi a revolta de Chiapas, no México, em janeiro de 1994, que se tornou uma ‘guerra na Internet’, segundo expressão do ministro do Exterior mexicano, após dez dias de conflito armado. O fácil acesso a ONGs além de fronteiras força os governos a considerar a opinião pública dos países com os quais estão lidando, mesmo em assuntos que tradicionalmente eram tratados nos limites estritos dos governos. Ao mesmo tempo, as redes de ONGs oferecem aos grupos civis canais de influência sem precedentes, uma vez que estes grupos podem acionar outros mais poderosos, que acionam a mídia global e seus governos, de modo a que pressionem outros governos, criando um círculo de influência”. (Vieira, 2001: 205).
Finalizo, com a anotação que fiz na minha dissertação de mestrado (2002), comentando o artigo Direitos Sociais: Conflitos e Negociações no Brasil Contemporâneo, do ano 2000, de Maria Célia Paoli e Vera da Silva Telles:
“Durante o período da Constituinte, emergiu o que Maria Celia Paoli e Vera da Silva Telles (2000) denominam de “espaço público informal, descontínuo e plural”:
“…espaço público informal, descontínuo e plural por onde circularam reivindicações diversas. Espaço público no qual se elaborou e se difundiu uma ‘consciência do direito a ter direitos’, conformando os termos de uma experiência inédita na história brasileira, em que a cidadania é buscada como luta e conquista e a reivindicação de direitos interpela a sociedade enquanto exigência de uma negociação possível, aberta ao reconhecimento dos interesses e das razões que dão plausibilidade às aspirações por um trabalho mais digno, por uma vida mais decente, por uma sociedade mais justa” (Paoli & Telles, 2000: 105).
São verdadeiras “arenas públicas”,
“…nas quais os conflitos ganham visibilidade, como acontecimentos nos quais os sujeitos coletivos se constituem como interlocutores válidos e nas quais os direitos estruturam uma linguagem pública que baliza os critérios pelos quais demandas coletivas são problematizadas e avaliadas nas suas exigências de equidade e justiça” (Paoli & Telles, 2000: 106).
A blogsfera avança no fortalecimento, na multiplicação e na consolidação de tais arenas públicas informais, descontínuas e plurais.
Publicado originalmente no Portal Luis Nassif, em 01/05/2009
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