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Diagnósticos médicos ou sociais não se faz em um ou dois meses; verdadeiras construções não se fazem sem a edificação dos alicerces; democracia não se resume a voto nem a vitória, nem mesmo do fato de participar de maiorias; redes e “networking” não são produtos de tagarelices nem de divulgação de fotografias, ainda que alguns se envaideçam de verem suas fotos nas colunas sociais, nos jornais e na própria internet; velocidade não é sinônimo de desempenho, de produtividade nem de eficácia.
Agradeço a Deus pela paciência que me dá e pelo conforto que resulta sobretudo da fé, que Ele me confere como dom. Agradeço minha vida, me orgulho de minha história. Me orgulho dos amigos que tenho, de longos anos de convivência, e daqueles que, mesmo divergindo de mim, hoje me respeitam e sabem da integridade de meus passos.
Sem nenhuma presunção, sei quanto ainda tenho que aprender e, humildemente, aprendo a cada dia, atento à inteligência e à capacidade técnica dos que estão ao alcance de minha observação ou das informações que posso obter pela leitura e estudo.
Agradeço mesmo aqueles que se opuseram a mim, que não me compreenderam, ou ainda aqueles que pensavam convencer-me pelas indiretas ou pela encenações.
Mesmo quando tudo aparenta contradizer minhas motivações, confio em Deus, que Ele me propiciará discernir o melhor caminho. Não deixo de sofrer, é lógico, sou repleto de fragilidades. Mas, também possuo uma grande força, para passar pelas dificuldades com os olhos atentos no futuro, buscando fazer o bem, hoje… e amanhã… e depois de amanhã, também.
As pessoas não precisam estar mais bem vestidas, precisam ser melhores
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Algumas vezes, ontem aconteceu novamente, ele me encaminha endereços de vídeos no youtube de um determinado pastor de quem ele é admirador e que gosta de ouvir.
O vídeo de ontem tinha cerca de 15 minutos de duração e se tratava de uma longa explanação sobre a possibilidade, que o pastor defendia, da pessoa selecionar os conteúdos de seus pensamentos. Segundo o pastor, “a pessoa é seu pensamento”, de modo que escolher os conteúdos do seu pensar, conformam-lhe a identidade que possuem.
É evidente nesta linha argumentativa, e chega a ser impressionante, a presunção de força da racionalidade intelectiva que seria capaz de expelir quaisquer conteúdos “inadequados” ou “improdutivos” da mente da pessoa. A pessoa detentora plenamente da seletividade dos conteúdos de seu pensamento poderia evitar a tristeza, o abatimento, o “materialismo”, o “erotismo”, todos os demais “pensamentos” provenientes dos influxos da realidade e dos sentimentos, que representariam, nesta interpretação, uma forma de submissão da pessoa que ainda não exerceria, desse modo, sua plena capacidade seletiva sobre os conteúdos de seu pensar.
Ao contrário, a pessoa plenamente seletiva de seus pensamentos poderia, prossegue o pastor, subordinar intencionalmente os seus pensamentos ao “espírito”, de modo que assim, conformar-se-ia o homem de fé, fiel à Palavra de Deus e ao seu Espírito. Então, diz o pastor, “dize-me o que pensas, que lhe direis quem és”.
Sou absolutamente crítico desse tipo de consideração.
Considero-me alinhado filosoficamente ao materialismo, o que quer dizer que importo-me com o que acontece no mundo exterior ao intelecto humano, ou seja, preocupo-me com a organização das relações sociais firmadas no convívio humano, preocupo-me com os processos de produção e distribuição dos benefícios gerados pelo trabalho humano, preocupo-me com a ação dos indivíduos e seus impactos tanto nos demais integrantes da sociedade quanto sobre a natureza.
Respeito que os seres humanos sejamos intelectualmente complexos, que nossas consciências vivenciem dilemas e dúvidas, que nossas interioridades sejam contraditórias, em muitos momentos. E, não pretendo eliminar essas realidades do campo de nossos sentimentos ou pensamentos, porque considero infrutíferos tais anseios.
Preocupo-me, isso sim, com o modo de agir, com as atitudes, com o posicionamento das pessoas nos processos objetivos da vida, da história, da ordem social. Assim, pouco me importa se a pessoa tem fala mansa ou um discurso mais inflamado, se usa um vocabulário mais elaborado ou um discurso simplório, se veste-se com requinte ou como um “jeca tatu” (minha mãe usava bastante essa expressão).
Importa-me, isso sim, se a pessoa investe na construção do grupo, da colegialidade, da democracia e da coletividade. Importa-me se a pessoa apoia os movimentos em favor dos direitos dos pobres, dos direitos humanos, da justiça social, da força do direito aplicada às elites econômicas e políticas, da inovação dos processos de vivência da democracia.
Eis, para mim, o que distingue o joio do trigo, para usar a alegoria bíblica, como o tal pastor a que me referi acima tantas vezes faz.
Importa-me a prática da vida e das relações sociais, importam-me os posicionamentos relacionados às lutas sociais. Importa-me a grandeza de interessar-se pelos bens alheios, que efetivem a justiça, sem interesse pessoal imediato, onde identifico a generosidade e o altruísmo.
Ao contrário do referido pastor, que interessa-se pela seletividade do pensamento, minhas epistemologia e axiologia selecionam pelo posicionamento social e político, porque possuem incidência direta nas condições de vida e de sua reprodução.
Minha máxima, então, é: “dize-me o que fazes e te direis quem és!”
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