Posts Tagged ‘Analista de Planejamento’
Irma Passoni elegeu-se, compondo a pequena bancada paulista do PT-SP, de seis membros, entre eles Plínio de Arruda Sampaio, Djalma Bom, Airton Soares e José Genoíno. Talvez o sexto nome seja o de Bete Mendes, a atriz, mas não tenho segurança.
Irma prosseguiu continuamente, durante todo seu mandato, visitando aquele grupo de mulheres, como muitos outros em cidades da região, animando à participação social e política, à formação de uma nova consciência acerca dos direitos da mulher e das transformações que o ciclo de final do período da ditadura militar estava representando.
Eleita, em 1986, para participar da Constituinte, impulsionou quanto pode na motivação daqueles grupos de mulheres que mais de uma vez dirigiram-se ao Congresso Nacional para discutir o capítulo ou sub-capítulo da Constituição que trataria dos direitos da mulher.
Uma de suas aliadas nestas discussões dos direitos da mulher e dos problemas na periferia de Sâo Paulo, a assistente social e deputada estadual Luiza Erundina, elegeu-se prefeita de São Paulo, em 1988, quando ainda não valia a regra da eleição em dois turnos.
Aprovada a Constituição, veio a eleição de Lula, o descalabro do governo Collor e o seu impeachment, que resultou na posse de Itamar Franco. Irma, divergindo da maioria do PT, posicionou-se pela participação no governo Itamar, assumindo um cargo no campo da ciência e tecnologia, sendo suspensa do PT por essa atitude.
A esta altura, perdemos contato mais direto, mas à medida em que passei a trabalhar com microcrédito, novamente voltei a ter notícias dela, porque o ITS – Instituto de Tecnologia Social que ela fundara compunha-se de pessoas que apoiavam ou integravam iniciativas nascentes no campo do microcrédito em São Paulo.
Em 2008, enquanto eu trabalhava como Analista de Planejamento do Programa Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado, do Ministério do Trabalho e Emprego, fui contactado pela Irma, por e-mail, convidando-me para uma conversa, que fizemos poucos dias após, em que ela me convidou a assumir a coordenação de um escritório do ITS em Brasília, com a responsabilidade tanto pela administração inclusive documental quanto pela organização de um trabalho nas cidades-satélites da capital, na linha da implantação de projetos de disseminação de tecnologias sociais. Não aceitei o convite, pelo fato de que minha remuneração à época era maior do que a proposta que ela podia me apresentar, mas vibrei com o fato de que, passados quase 30 anos, aquela mulher idealista e sinceramente dedicada à melhoria das condições de vida dos mais pobres se mantinha fiel aos seus princípios, ideais e método de trabalho, que sempre resultaram na formação de lideranças íntegras e verdadeiramente identificadas com as utopias de um mundo mais justo e fraterno.
Sinto-me enojado quando vejo a disfaçatez de uma publicação como a Época, de propriedade da Globo, tentar sujar a imagem de Irma Passoni, construída por uma trajetória das mais dignas, em função de enviesar-se pelos podres caminhos da Veja na tentativa de criar crises políticas fajutas contra o governo e seu relacionamento com as organizações da sociedade civil.
Lamento que hajam jornalistas que prestam-se a esse odioso papel, ainda que sob mando de seus patrões despóticos.
Não é mais possível imaginar que essa covardia seja cometida contra as pessoas sem que elas tenham a menor chance de defender-se e desse modo preservar-se da humilhação que se lhes causam em nome de um jogo político vil.
Força, Irma Passoni. Todos sabemos que se trata de mais um crime indecente dessa mídia porca que se esconde por trás de uma suposta liberdade de expressão que, entretanto, falsa que é, não lhe vão assegurar.
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