Nos últimos dias, observei aqui no blog Unipress, que houve um movimento significativo de leitores, especificamente no tópico que postei com o título Avanços da Democracia Participativa no Brasil.

Perguntei-me sobre qual teria sido a razão para que aquele tópico tivesse chamado a atenção dos leitores. Afinal, o texto que escrevi tinha por objetivo introduzir uma matéria jornalística que tratava das conferências que o governo federal tem promovido e dos impactos do processo participativo, vivido no decorrer das conferências municipais ou regionais, estaduais e finalmente federais, no desenho e concepção das diversas políticas públicas, inclusive na definição de sua agenda.

De qualquer modo, e por quaisquer que sejam as razões que motivaram o interesse dos leitores, julguei, após constatar que existe tal interesse, tratar novamente da discussão sobre a democracia, até porque estamos em ano eleitoral. Diga-se de passagem, estamos num momento político dos mais importantes desde o fim do regime militar, no intervalo entre 1985 e 1988.

Alguns aspectos tornam esse momento atual da vida política nacional um momento especial.

Chamo a atenção para o fato de que encerra-se um ciclo, iniciado em 1989, em que Lula esteve sempre presente, disputando as eleições presidenciais, como expressão do eleitorado de “esquerda” e de “centro-esquerda”.

Hoje, é óbvio que Lula pretende canalizar sua popularidade para induzir o eleitorado a apoiar a candidatura de Dilma Roussef, do PT o que pelos rumos que as coisas estão tomando, parece que vai acontecer.

Obviamente, não é possível fazer nenhuma afirmação definitiva, quando se trata de eleição, porque eleição é como cartola de mágico: sempre pode conter surpresas, algumas delas nem sempre agradáveis.

Imaginemos, entretanto, que as tendências que estão sendo observadas sejam mantidas e Dilma vença a eleição presidencial. É certo que ela esteve com Lula nos oito anos de seus dois mandatos, mas uma preocupação deve objeto de uma clara diretriz política do novo governo, caso se confirme a eleição de Dilma: a interlocução política com os atores dos movimentos sociais, organizações da sociedade civil e sindicatos.

Ou seja, o calendário das conferências participativas tem de ser mantido e os conselhos de políticas públicas devem ser estimulados. Além disso, é importante que as lideranças dos movimentos populares, de qualquer natureza, compreendam a importância de intensificar a mobilização da sociedade civil, para que o exercício ativo da cidadania possa resultar em aprimoramento da democracia brasileira, a valorização dos direitos humanos e o combate às desigualdades sociais.