Publicações Recentes

Siga o dinheiro: a Auditoria Cidadã da Dívida e a democracia no Brasil

7 de julho de 2013 / Unipress /

Segue uma palestra de cerca de 1 hora e meia de uma das professoras que participa da Auditoria Cidadã da dívida, Maria Lúcia Fatorelli.

A exposição é excelente e demonstra cabalmente qual é o grande problema das finanças públicas dos países, inclusive do Brasil: a drenagem violenta de recursos pelos grandes bancos internacionais e nacionais.

Esta sim é a verdadeira corrupção que deveria motivar a luta social consciente e é onde se trava a verdadeira guerra entre a ditadura e a democracia.

A corrupção é essencialmente um problema macroeconômico e não moral. A mídia e os verdadeiros ganhadores desta violência preferem tratá-lo como problema moral personalizando os responsáveis para manter encobertos os inimigos da população: os bancos. Além disso, adoram atacar as políticas sociais que buscam a inclusão dos pobres. Se estas políticas não são suficientes para que vivamos conforme os direitos cidadãos, não é pelo ataque a elas que os efetivaremos.

A exposição também elucida o verdadeiro caráter da Lei de Responsabilidade Fiscal, aprovada no governo Fernando Henrique Cardoso, que está vigente e funciona quase como uma verdadeira constituição: enquanto impõe limites aos gastos públicos que são de interesse da sociedade, autoriza a sangria ilimitada de dinheiro para que o Estado transfira dinheiro da sociedade para os bancos.

Enfrentar esse sistema sanguinário não se fará pelos caminhos superficiais, mas pelo conhecimento de seus mecanismos e por medidas que os combatam.

Quem defende o atual governo federal e sua linha política, como faço, não o faz por ingenuidade, mas por compreender que nossa capacidade de luta ainda não está dada para que tenhamos força suficiente para a mudança que precisamos efetivar. E por considerar que enquanto não conseguimos enfrentar o monstro, não podemos abandonar os cidadãos das camadas empobrecidas, até porque somos parte desta camada.

Pessoalmente, sempre estudei os temas do orçamento público, da dívida externa e da dívida pública. Mais que isso, sempre militei politicamente pela implantação do OP no município de Ribeirão Preto, onde morava, e contra as dívidas internas e externa, tendo sido um dos organizadores do plebiscito popular da dívida na região de Ribeirão Preto, quando coletamos mais de 40 mil votos em várias cidades. Posteriormente, atuei diretamente na criação de uma organização de microcrédito, que tinha como intuito enfrentar a exclusão social no campo diretamente econômico, ingressando na seara da luta mais acirrada do sistema atual. Em termos acadêmicos, meu empenho esteve em tentar compreender a construção participativa e democrática dos orçamentos públicos, no meu mestrado, sobre o Orçamento Participativo, e as formas de construção de finanças solidárias, que representem ruptura revolucionária frente às finanças depredatórias que o capitalismo atual estruturou, contra as populações, contra as demais espécies e contra a natureza e, pior, contra o futuro. Era o tema do meu doutorado, que infelizmente não consegui concluir. Mas, que segue norteando minha lógica de ação e análise política e científica.

Por tudo isso, reforço o convite: assista ao vídeo todo. É imperdível e muito esclarecedor.