Quem vivenciou a experiência de participação ativa nas Comunidades Eclesiais de Base, da Igreja Católica, nas Pastorais Sociais ou na Pastoral de Juventude, lembra-se muito bem como os temas do Concílio Vaticano II (1962-65) do Povo de Deus, da inserção nas realidades humanas, da justiça social, inspirado na Conferência Episcopal de Medellin (1968) eram fontes fecundas para um engajamento vigoroso, repleto de motivação e entusiasmo, impulsionando a formação de lideranças que se comprometeram com processos sociais e políticos de transformação da realidade, fazendo-se presentes no surgimento e na estruturação de muitos movimentos sociais, nas oposições sindicais, nos novos partidos políticos que se opunham ao regime ditatorial que se espraiva pela América Latina.
Recém-eleito, o Papa João Paulo II passou a reverberar posicionamentos cada vez mais conservadores, promovendo uma luta doutrinal sobre a “adequada” interpretação do ensinamento do Concílio Vaticano II, que o levou a iniciar um processo de repressão à Teologia da Libertação e ao apoio à difusão de movimentos de cunho conservador como o Neocatecumenato e a Renovação Carismática, além da criação da Prelazia Pessoal, para sustentar canônicamente o funcionamento da Opus Dei.
Seguindo esta direção, a Igreja Católica trilhou um caminho de perda de significação social e política, deixando de ocupar um lugar proeminente nos processos decisórios, retomando para si o adjetivo de reacionária com qual fora classificada no final do século XIX, período de grande expansão da perspectiva científica e historicista.
É uma pena que assim o seja, porque a intensidade dos acontecimentos desde o início deste século XXI, marcado pela derrubada das Torres Gêmeas, em Nova York, seguido pelas guerras no Afeganistão e no Iraque, a mobilização e deslegitimação do discurso neoliberal, a partir das mobilizações do Fórum Social Mundial, a quebra dos bancos americanos e a crise da sub-prime, que instalaram a maior crise econômica e social vivida pelo mundo capitalista desde 1930, a recente onda de protestos nos países europeus contra o desemprego e as medidas contracionistas ou as “revoluções” no mundo árabe, que surpreenderam a todos, todos estes e outros mais acontecimentos, carecem da atuação de miitantes e lideranças despojadas de interesses egoísticos, como eram aquelas formadas sob a vivência de uma espiritualidade que unia fé e vida e a opção pelos pobres como valor fundamental.
01/05/2011 – 06h11 / Atualizada 01/05/2011 – 07h15
Papa João Paulo 2º é beatificado no Vaticano
Do UOL Notícias
Em São PauloO papa Bento 16 proclamou beato seu antecessor, João Paulo 2º, em uma solene cerimônia realizada na praça de São Pedro, no Vaticano, neste domingo (01). Cerca de um milhão de pessoas de todo o mundo participaram da celebração católica, informou a polícia de Roma.
João Paulo 2º foi proclamado beato às 10h38 (5h38 em Brasília), enquanto os presentes na Praça de São Pedro e nas ruas e praças adjacentes romperam em aplausos que duraram vários minutos, enquanto soava uma música sacra. A beatificação é a etapa anterior à canonização.
Delegações de 86 países, 22 delas lideradas por chefes de Estado ou de Governo, estão presentes na cerimônia. A missa solene é concelebrada por 800 religiosos, que darão a comunhão à multidão de peregrinos reunidos na praça e nas ruas próximas à Basílica de São Pedro.
A prefeitura de Roma instalou 14 telões pela cidade para que as pessoas que não conseguiram entrar na praça consigam assistir a cerimônia.
O polonês, Karol Wojtyla, que foi nomeado para liderar a Igreja Católica em 1978, morreu aos 78 anos em 2005.
A um passo da santidade
O milagre atribuído a João Paulo 2º para que se ele seja reconhecido como beato é a cura “imediata e inexplicável” da freira francesa Marie Simon-Pierre. Ela teria se curado do mal de Parkinson após orações e pedidos a João Paulo 2º.
A beatificação o deixa a um passo da santidade. “Existe a possibilidade de que sua canonização seja realizada em breve”, reconheceu neste sábado o cardeal Angelo Amato, prefeito da Congregação para a Causa dos Santos, que contou que chegaram “de todas as partes do mundo” registros de novos milagres atribuídos a João Paulo 2º.
Para ser santo é preciso ter intercedido em um segundo milagre, para o qual é aberto um novo processo, que em alguns casos pode levar séculos.
Fonte: http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/internacional/2011/05/01/papa-joao-paulo-2-e-beatificado-no-vaticano.jhtm
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