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Reta de chegada: a definição do primeiro turno das eleições 2014

21 de setembro de 2014 / Unipress /

O eleitorado brasileiro está pronto agora para definir-se em relação às eleições 2014. Tem sido recorrente em nossa história que assim seja: as decisões dos eleitores são tomadas no período dos últimos 15 dias das eleições.

Obviamente, dada a alta exposição, os candidatos a Presidente da República já são bastante mais conhecidos pelos eleitores e bastante avaliados ao longo dos meses precedentes, mas a definição de voto de grande parte do eleitorado efetivamente coincide com os últimos dias antes do pleito. Essa informação pode ser atestada nas próprias pesquisas eleitorais dos diversos institutos, que averiguam a disposição de mudança de candidatos dos pesquisados.

Somando-se aqueles que já declaram não mudar mais seus votos de todos os candidatos, o índice final pouco ultrapassa um terço do total, ou seja, mais de 60% dos eleitores, ainda que já tenham declarado alguma preferência, ainda admitem mudar de opinião até o dia da eleição.

A semana que se inicia será marcada pela divulgação de novas rodadas de pesquisa.

A situação atual das candidaturas presidenciais confirma vantagem da candidatura petista de Dilma Roussef no primeiro turno, oscilando, por enquanto, na faixa entre 36 e 39% a depender do instituto de pesquisa, enquanto Marina Silva tem algo próximo a 30%. O terceiro colocado, Aécio Neves, do PSDB, está no patamar dos 15 a 17% dos votos declarados.

A primeira análise que precisa ser feita refere-se à hipótese de uma vitória de primeiro turno de Dilma Roussef, possível, mas que exigiria que ela alcançasse um percentual superior a 44% dos votos, considerando que algo como 12% dos eleitores votem em branco, anulem seus votos ou deixem de comparecer às urnas.

Tal cenário dependeria de crescimento eleitoral de Dilma nos estados do Sudeste do país, mas de modo muito particular em São Paulo. As regiões Norte e Nordeste do país já apresentam números de acolhimento da candidatura Dilma bastante elevados, sendo difícil considerar que eles ainda possam crescer de modo significativo até a eleição. No Sul, Dilma lidera, com algum espaço para crescer, mas com impactos poucos expressivos no índice geral do país.

No Sudeste, Dilma lidera em Minas e Rio de Janeiro, que possuem grande concentração de eleitorado, mas onde a chance de expansão de seus índices está no Rio de Janeiro e em São Paulo.

No Rio, Dilma tem percentuais abaixo dos esperados dadas as características históricas do eleitorado e seu posicionamento em pleitos anteriores.

Mas, em São Paulo, é que está o grande problema. Se Dilma alcançar o percentual dos votos tradicionalmente dados às candidaturas petistas nos três pleitos anteriores, de pouco mais de um terço dos votos totais, então terá crescido cerca de 12 pontos percentuais frentes aos últimos números divulgados, em média. Esse movimento representará o acréscimo de mais 2,5% aos índices atuais de sua candidatura, que poderá alcançar o patamar dos 40 a 42% dos votos, considerando apenas o crescimento em São Paulo.

Verifica-se que neste cenário, estará muito próxima da estimativa de vitória em primeiro turno, a se confirmar o total de brancos, nulos e abstenções de 12%.

A questão, portanto, da eleição presidencial, está muito nas mãos dos eleitores do Estado de São Paulo.

São Paulo é o estado onde está instalada a maior concentração industrial do país, segmento que está enfrentando a maior parte dos impactos da grande crise econômica internacional e que está com as maiores dificuldades para manter-se em taxas de crescimento equivalentes àquelas alcançadas nos demais segmentos econômicos e nos demais estados do país.

Em parte, esse fato pode ser considerado como explicativo para os índices relativamente baixos de adesão à candidatura Dilma no Estado, onde encontra-se oscilando na faixa dos 23% dos votos declarados até o momento.

Como não se trata de um cenário que dependa de iniciativa sob governabilidade do governo brasileiro alterar, e mesmo que dependesse, não teria resultados de curto prazo, não há expectativa de que provenha de um estímulo para a reação da indústria a melhoria de cenário para que Dilma pudesse angariar mais votos.

Entretanto, há um componente do debate político que começou a ser explorado pela candidatura Dilma que pode atrair o trabalhador da indústria paulista que é o tema dos direitos trabalhistas.

Marina Silva pontuou em seu programa de governo, coerentemente com os demais ideários expressos de teor neoliberais, que ela adotou no seu capítulo econômico do plano de governo, a necessidade de reformar os direitos trabalhistas brasileiros.

Assim como fez com a discussão em torno do pré-sal, a candidatura Dilma passou a trabalhar esta temática, assumindo a posição de defesa dos direitos conquistados, dando a entender que Marina defenda a redução das proteções legais adquiridas pelos trabalhadores brasileiros.

Se Dilma investir nessa linha de argumentação, considerando ainda a recente manifestação de Marina por uma consideração atenuada do problema do trabalho escravo, que atende aos interesses do setor agropecuário de visão retrógrada, poderá provocar uma movimentação dos trabalhadores da indústria no Estado de São Paulo que defina o quadro da eleição em primeiro turno, resgatando a identificação do PT como o partido de representação da defesa dos interesses dos trabalhadores.

Por sua vez, seria a oportunidade para que as lideranças sindicais da CUT pressionassem a candidatura Dilma a aderir à bandeira da redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, um avanço no campo dos direitos que está atrasado já por mais de 25 anos, visto que era pauta da Assembléia Constituinte, cujos trabalhos terminaram em 1988.

Assim, a força da candidatura Dilma e sua chance de vencer as eleições no primeiro turno está na defesa do desenvolvimento nacional, com a temática do pré-sal, para crescer eleitoralmente no Rio de Janeiro, e na defesa dos direitos dos trabalhadores, inclusive da expansão dos mesmos, para crescer na votação no Estado de São Paulo.