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Privataria e o abraço dos afogados: PIG quer vingar Serra e começa a atacar Aécio

9 de janeiro de 2012 / Edmar Roberto Prandini /

Depois da publicação do livro A Privataria Tucana, pelo jornalista Amaury Ribeiro Jr., a situação política de José Serra, que se pretende eterno candidato a presidente da República, pelo PSDB, tornou-se insustentável. O sucesso do livro, que já vendeu cerca de 120 mil exemplares, em poucos dias, faz ver que o futuro político de Serra é definhar para o isolamento, de onde terá, ainda, que ocupar-se em defender-se nos processos judiciais que provavelmente surgirão contra ele.

Mas os setores da mídia que viam em Serra sua vocalização no campo político não se conformam com a publicidade dos fatos divulgados pelo livro e procuram caminhos para recriar as condições políticas para a atuação política de Serra.

Duas notícias divulgadas hoje apontam para essa tentativa de ressuscitar o nome de José Serra:

a) a primeira notícia divulga que o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, do PSD, estaria costurando uma aliança com o PT, o que obviamente tem como intenção derrubar as condições de crescimento da futura candidatura do atual Minstro da Educação, Fernando Haddad;

b) a segunda notícia sequer trata-se de notícia, mas de um relato de Josias de Souza, da Folha de São Paulo e do UOL, de que haveriam diversos nomes importantes dos partidos de oposição informando-o de que não acreditam mais que Aécio possa converter-se em líder oposicionista e, deste modo, representar estes segmentos na campanha presidencial de 2014.

É claro que Aécio Neves representa um retrocesso político que deve ser evitado, mas não é esta a razão pela qual o articulista da Folha de São Paulo as críticas que lhe teriam chegado de nomes que não podem ser revelados. O que o motiva é, com certeza, o desejo de vingança pelo fato de entenderem que o livro A Privataria Tucana seria uma encomenda de Aécio Neves ao jornalista Amaury Ribeiro Jr., por mais que este desminta esta hipótese.

É de se esperar, para os próximos dias, especialmente para o começo de fevereiro e março, com o processo de tramitação da convocação da CPI da Privataria, a partir do pedido do deputado federal Delegado Protógenes Queiroz, que surjam mais críticas e denúncias tendo por alvo o ex-governador mineiro, Aécio Neves.

A se confirmar, no prelo, o abraço dos afogados, da oposição brasileira e do PIG.

09.01.2012 – 6:04
2014: decepção com Aécio desnorteia oposição
Josias de Souza

Há um ano, Aécio Neves era celebrado como grande promessa da oposição. Hoje, tornou-se um nome duro de roer. Tucanos e aliados viam nele a melhor opção presidencial. Passaram a enxergá-lo como a pior decepção da temporada.

Em qualquer roda de políticos ficou fácil reconhecer um oposicionista: é o que está lamentando a popularidade de Dilma Rousseff e falando mal de Aécio Neves. Nas discussões sobre 2014, o senador mineiro é personagem indefeso.

Para perscrutar as razões do desencantamento com Aécio, o blog ouviu cinco lideranças da oposição. Gente do PSDB, do DEM e do PPS. Um dissidente de legenda governista. O compromisso do anonimato destravou-lhes a língua.

Espremendo-se as opiniões e peneirando-se os exageros, obtem-se um sumo uniforme. A desilusão dos oposicionistas assenta-se em três avaliações comuns:

1. A atuação de Aécio em seu primeiro ano de Senado foi apagada. Algo incompatível com a biografia de um ex-presidente da Câmara. Ele não aconteceu, disse um dos entrevistados, no melhor resumo do sentimento que se generaliza.

Como assim? Quando Itamar Franco era vivo, a voz de Minas no Senado era a dele, não a de Aécio. O grande feito de Aécio no Senado foi a relatoria do projeto que redefine o rito das medidas provisórias. Proposta do Sarney, não dele. É pouco.

2. Dono de estilo acomodatício, Aécio é uma espécie de compositor da política. Compõe com todo mundo. Governou Minas com o apoio de partidos que, no Congresso, davam suporte a Lula. Em Brasília, o espírito conciliador, por excessivo, foi tomado como defeito.

Aécio exagerou, queixou-se um ex-entusiasta do senador. Esmiuçou o raciocínio: no afã de atrair para o seu projeto pedaços insatisfeitos do bloco pró-Dilma, Aécio esquece que a oposição deve se opor. É improvável que ganhe aliados novos. E está perdendo os antigos.

3. Imaginou-se que, livre dos afazeres de governador, que o prendiam a Minas, Aécio viraria rapidamente um personagem nacional. Por ora, nada. Por quê? A projeção exigiria dedicação e ampliação do horizonte temático, palpita um dos queixosos.

Mas Aécio não é um obcecado pelo Planalto? Sim, mas revelou-se pouco aplicado. Viajou pouco. No Senado, não foi dos mais assíduos em plenário. Subiu à tribuna só de raro em raro. No geral, esquivou-se das polêmicas.

O crítico citou um exemplo: PSDB e DEM decidiram quebrar lanças contra a DRU, o mecanismo que permite ao governo dispor livremente de 20% do Orçamento. Entre os tucanos, apenas cinco votaram contra. Aécio não estava entre eles.

Ninguém vira alternativa presidencial fugindo dos temas espinhosos, lamuriou-se um expoente do próprio PSDB. Aécio continua sendo alternativa graças à vontade pessoal e à ausência de um sucedâneo. A sorte dele é que a maioria do partido não suporta o José Serra.

Parte da cúpula do PSDB tenta antecipar para depois da eleição municipal de outubro a definição do nome do presidenciável da legenda. Em âmbito interno, a aversão a Serra faz de Aécio um favorito.

Fora daí, é visto pela própria oposição como uma ex-promessa. Uma liderança que se absteve de acontecer. Um candidato que depende do fortuito para livrar-se da condição de favorito a fazer de Dilma uma presidente reeleita.