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Preferências partidárias: PT, PSDB e PMDB perdem eleitores

22 de fevereiro de 2016 / Edmar Roberto Prandini /

Pesquisa sobre preferências partidárias no Brasil, comparando dados de 1997, 2006 e 2014, mostra que os três maiores partidos brasileiros perderam apoio de eleitores nos dados mais recentes. A informação consta de uma matéria veículada no portal UOL.

Entretanto, com o permanente viés de perseguição ao PT típico da grande mídia conservadora, a manchete da matéria acusa apenas o crescimento de eleitores anti-petistas, desprezando o fato mais importante, que é a queda verificada contra os três partidos na preferência dos eleitores.

Destaque-se o fato de que uma das marcas dos protestos de 2013 foi exatamente a afirmação de que os partidos brasileiros não estavam cumprindo com seu papel de orientar as mudanças sociais requeridas pela população.

Também vale a pena indicar que apesar da redução das preferências dos três principais partidos, foram eles que chegaram ao final do pleito eleitoral de 2014, em que os eleitores decidiram-se pela vitória de Dilma, do PT, com um vice presidente do PMDB, contra o Aécio, candidato do PSDB.

O que implica dizer que este tipo de pesquisa reflete apenas o comportamento de grupos reduzidos da sociedade, que possui maior identificação ideológica, mas que a decisão eleitoral envolve todos os eleitores, de modo que a forma como são conduzidas as campanhas eleitorais possuem maior incidência sobre os resultados do que a preferência partidária.

Fato que só se reforça com o esvaziamento dos partidos pela ausência de regras mais rígidas de fidelidade partidária e de verticalização eleitoral. Enquanto o Brasil não dedicar-se ao fortalecimento das instituições partidárias, teremos uma democracia em que a coordenação política será débil e as coalizões necessárias para a composição governamental serão sempre exóticas e repletas de contradições.

Infelizmente ciclos como o recém autorizado de migração de parlamentares de partidos sem perda de mandatos por infidelidade partidária é um retrocesso que só prejudica a democracia brasileira no médio e longo prazos. Tal tipo de “janela” de mudanças partidárias não deveria mais existir no país.

Número de eleitores anti-PT cresce no país, aponta estudo

Está crescendo no Brasil o número de eleitores que não toleram o PT e, ao mesmo tempo, não manifestam preferência por nenhum outro partido político.

Os “antipetistas puros” saltaram de 7,49% do eleitorado em 1997 para 11,44% em 2014 e já representam um grupo proporcionalmente maior que a soma de pessoas que declaram preferência por PSDB e PMDB.

As conclusões são do cientista político David Samuels, professor da Universidade do Minnesota (EUA), em pesquisa feita em parceria com o colega Cesar Zucco Jr., da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro.

Eles estão escrevendo um livro a respeito das simpatias e antipatias partidárias no Brasil. O estudo chama-se “Partidarismo, Antipartidarismo e Comportamento do Voto no Brasil”.

Segundo o estudo, o PT segue sendo o partido mais querido e odiado do Brasil.

O número dos que dizem preferir a legenda de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff despencou nos últimos oito anos, mas ainda é maior que o registrado na década de 1990.

Cerca de 14% do eleitorado declarava simpatia pelo PT em 1997.

Esse número pulou para 23,28% em 2006 e recuou para 15,95% em 2014.

PMDB e PSDB também perderam fatias de seus partidários nos últimos anos.

DESILUDIDOS

Na tentativa de identificar quem são os que declaram aversão ao PT, os dois professores usaram como base pesquisas da Fundação Perseu Abramo, ligada ao próprio partido, para os anos de 1997 e 2006.

Os dados de 2014 foram coletados pela Brazilian Electoral Panel Survey, do Banco Interamericano de Desenvolvimento.

Foram entrevistadas para essas pesquisas 2.469 pessoas em 1997, 2.379 em 2006 e 3.120 em 2014.

David Samuels acredita que os antipetistas puros são “desiludidos com a democracia, verdadeiros herdeiros do regime militar”.

Em 2014, a maioria deles defendia os militares no poder e não via tanta utilidade no voto.

De um modo geral, eles se declaram brancos, têm renda mais elevada que os demais simpatizantes de partidos políticos e média de 40 anos de idade.

Mas eles não podem ser classificados como conservadores convencionais, alerta o professor.

Em 2014, os antipetistas puros declararam-se pró-aborto e pelos direitos de homossexuais em número proporcionalmente maior até do que entre os que dizem gostar do PT.

Ao mesmo tempo em que são contra as políticas sociais que ganharam força ou foram elaboradas com o PT à frente do Executivo federal, como o Bolsa Família e cotas para negros em universidades públicas, eles se dizem a favor de que o governo atue para reduzir os índices de desigualdade social.

Toleram mais impostos para saúde e educação e, em proporção similar aos outros grupos que declaram simpatia a partidos políticos, também acham que ricos deveriam pagar mais tributos.

O professor David Samuels diz ainda que não há um único motivo para não se gostar do PT.

Pode ser em razão do ex-presidente Lula, da presidente Dilma, por ideologia, desilusão, por valores como lei e ordem ou mesmo por um sentimento de preconceito contra o partido.

QUEM SÃO OS ANTIPETISTAS

As características traçadas pelo estudo

Idade
Média de 40 anos

Raça e renda
Declaram-se brancos e com renda mais alta

Liberdades individuais
Pró-direito homoafetivo e aborto

Democracia
Defendem os militares no poder e veem menos utilidade no voto que os demais grupos

Intervenção
Favoráveis à ação direta do governo para reduzir desigualdade

Carga tributária
Pagariam mais impostos para saúde e educação. Defendem a cobrança de mais impostos sobre os mais ricos

Visão do PT
Nutrem aversão ao PT, Lula e Dilma e a todas políticas sociais que viraram marca da gestão petista. Têm visões mais radicais que os simpáticos ao PSDB

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2016/02/1741508-numero-de-eleitores-anti-pt-cresce-no-pais-aponta-estudo.shtml