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Por que retornar ao trabalho com o blog?

3 de janeiro de 2016 / Edmar Roberto Prandini /

No decorrer de 2015, durante muitos meses, deixei de produzir textos, de selecionar e compartilhar notícias, de publicar qualquer tipo de informação através dos blogs. Aqui, no blog Unipress, foram mais de seis meses de interrupção.

Várias são as motivações que levam as pessoas a organizarem um blog. Algumas fazem para divulgarem sua produção teórica mais consistente documentada em publicações científicas e livros. Outras, para ganhar dinheiro, tendo o blog como uma ferramenta de web marketing. Outras, adotam os blogs como canais de expressão num ambiente de mídia oligopolizada e em que a expressão ideológica ou política não encontra canal de ressonância, exceto se a pessoa se submete aos interesses imediatos da empresa de comunicação.

Eu montei meus blogs porque queria reunir informações, ajudar a organizar as idéias e compartilhar reflexões sobre o processo de mudanças pelas quais está passando a sociedade brasileira.

Em alguns casos, radicalizando pontos de vista em questões que considero de grande importância e para qual a média das pessoas pouco dedicavam atenção. Em outros casos, moderando posicionamentos, contrapondo reflexões e argumentos a posturas que, do meu ponto de vista, pareciam excessivamente radicalizadas.

Os blogs eram, para mim, portanto, um espaço de reflexão, de análise, de diálogo e de crítica.

Preciso admitir, entretanto, que a reação das pessoas ao meu modo de pensar e de agir, causaram-me grande decepção. Porque quando eu concordava com algumas posições teóricas, políticas ou até mesmo comportamentais, ou quando discordava de outras, em momento algum pretendi que houvesse qualquer ofensa a quem quer que seja. Meu objetivo era, de verdade, processar, no âmbito da reflexão e do diálogo, aos temas, com proposições e argumentos que tornassem menos árido o ambiente de convivência em que estamos todos envolvidos.

Sem que eu tenha qualquer outro poder ou qualquer outro instrumento para fazê-lo, fazia-o pelos meus próprios blogs, por comentários em publicações alheias ou por manifestações e diálogos nas redes sociais.

Disso resultaram, entretanto, situações de bastante constrangimento, de humilhação, de pressão e de zombaria, que me trouxeram bastante tristeza. Afastei-me, interrompi as publicações, deixei de comentar e de publicar nas redes sociais. Mas não apenas. Também no meu cotidiano, inibi minha participação.

Com preocupação observei o cenário de deterioração política pelo qual o Brasil passou neste ano de 2015, com a insistente campanha contra a Presidenta Dilma, por sua renúncia ou por seu impeachment, pensando que minha expressão de nada valeria. Mas, não foi por falta de vontade de expressar-me contra a campanha que do meu ponto de vista sordidamente foi e prossegue contra ela.

Se já existiam dificuldades de ordem econômica a enfrentar, a ardileza anti-democrática da campanha pelo impeachment da Dilma agravou os problemas e tensionou desnecessariamente o país, até que o cenário começou a melhorar com as manifestações de 16 de dezembro e com a decisão do STF contrapondo-se ao rito processual elaborado pelo deputado Eduardo Cunha, na condição de presidente da Câmara dos Deputados.

Aos poucos, senti que se eu usar o blog para manifestar minhas preocupações ou se não fizer, nem isso vai ter força para mudar nem o país nem a atitude dos que agiram para criar-me constrangimento e dor.

Então, importa que, independentemente de eu beneficiar-me ou prejudicar-me com os textos que publico ou que divulgo, independentemente de representar posturas a serem seguidas ou rechaçadas, o que importa mesmo é que gosto de estar aqui, escrever e publicar.

E, se não me cabe ter a responsabilidade por maiores mudanças no mundo ou na conduta das pessoas, porque não é minha e nem a quero, além de que não me foi por ninguém delegada, escrever ou divulgar informações e análises pelo meu blog, me traz algum conforto, alguma alegria e alguma satisfação, o que se não para outrém, mas para mim, é importante.