Paulo Freire inaugurou um método educacional que ultrapassou o limite da concepção meramente didática.

Sua proposta expressa em Pedagogia do Oprimido representou o resgate de um método educativo capaz de conectar o processo da aprendizagem à experiência vivencial concreta das pessoas, estabelecendo relações entre a prática social e o conhecimento.

Em sua concepção, o processo de conhecimento resulta de um conjunto de interações sociais e a educação consiste em explicitar o sentido dessas relações, permitindo que as pessoas compreendam-se no mundo e compreendam sua condição de inserção na realidade sócio-política.

Neste sentido, o educador não esgota sua tarefa numa prática de transmissão de informações.

Cabe a ele viabilizar um processo por meio de qual o educando possa explicitar suas vivências, analisá-la, considerar suas motivações e compreender as possibilidades de sua mudança.

O educador, portanto, não pode atuar sem a interação intensamente ativa do educando, razão pelo qual um método educativo baseado numa metodologia tradicional não dá conta de representar verdadeira pedagogia, quiçá verdadeira educação.

A educação, em sua visão, é um processo, mais que um ato, politicamente engajado, necessariamente emancipatório e capaz de impulsionar movimentos comunitários de sentido libertários.