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O jogo de xadrez das manifestações, por Weden Alves

16 de junho de 2013 / Unipress /

O JOGO DE XADREZ DAS MANIFESTAÇÕES

Amanhã será um novo dia? Possivelmente. Há pelo menos cinco pontos a serem notados

1. O movimento MPL não dita mais as regras das passeatas. Haverá sim o pedido pelo passe livre ou pela redução das tarifas. Mas há outras diversas manifestações que buscaram preencher de sentidos o enunciado lacunar “Não são só 20 centavos”.

2. Deve-se observar se estas outras manifestações, que também têm Dilma como alvo, vão vingar. É mais provável que não (ao contrário da forçação de barra da mídia, não existem fatos objetivos na economia capazes de promover mobilização popular massiva – desemprego em alta, hiperinflação etc). Mas tudo depende dos lances a seguir

3. O PSDB paulista entendeu o recado das ruas e a mídia que o apóia também. Recuaram. Deve ter repercutido forte a atuação da PM mineira ontem. Até fotos com manifestantes a comandante tirou. Puro marketing. É possível que PSDB e mídia tentem capitalizar o movimento, mesmo odiando protestos populares. A polícia tucana deve evitar a todo custo os confrontos. Dirá que “como os manifestantes se comportaram” tudo correu bem. Portanto, a polícia não porá infiltrados nem provocará os manifestantes.

4. Haddad (e muitos petistas) dormiu de touca. Ficou na defensiva e optou por marcar posição contrária ao movimento. Ele já percebeu. Marcou uma reunião para terça. Alckimin marcou para segunda. Levou vantagem. A ação da PM de Alckimin e a não ação de Haddad federalizaram os protestos. Tinha tudo na mão para se diferenciar do governo tucano. Uma hesitação que poderia lhe custar muito caro. Ou talvez custe. Ao PT e a Dilma também. Que aprendam a lição.

5. Jornais já começam alimentar os protestos. “Clima de insatisfação geral”, dirão. E tentarão manter “a chama das ruas acesa”. Divulgando o que interessa. Escondendo todo o resto.

Postado por Weden Alves no seu perfil do Facebook