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Mulheres: Bispo de Assis agride Ministra Eleonora Menicucci com baixeza e vulgaridade

11 de fevereiro de 2012 / Edmar Roberto Prandini /

É inacreditável que uma autoridade eclesiástica como um bispo, com responsabilidade e atribuições que ultrapassam os limites de sua diocese, na medida em que exerce temporariamente um cargo na Regional da CNBB, em São Paulo, não tenha noção das funções que exerce e seja capaz de se expressar publicamente com um vocabulário tão baixo e tão vulgar.

Refiro-me ao Bispo de Assis, Dom José Benedito Simão, que aproveitou uma entrevista não apenas para posicionar-se contra a Ministra da Secretaria de Política para Mulheres, Eleonora Menicucci, mas para insultá-la, desprezando quaisquer regras de tratamento que se espera conhecidas pelas autoridades com funções e responsabilidades públicas. O bispo tem direito de opor-se à Ministra, obviamente. Tem direito de opor-se a alguma política que o governo venha a adotar ou mesmo ao pensamento que a Ministra expresse. Mas, ele não pode transformar sua divergência em insultos pessoais. Ele até pode mobilizar enfrentamentos contra a posição da ministra, mas agredí-la com baixeza e vulgaridade não!

Mas, o caso é pior. Um bispo como esse não pode sair por aí emitindo declarações nojentas e esdrúxulas sem que essas formulações tenham sido objeto de nenhum documento doutrinal nem de qualquer consenso pastoral da Igreja. Por mais que ele tenha sido consagrado bispo de uma diocese, ele não é dono das palavras que emite e das verdades de fé que lhe compete ensinar.

Ao agir como o fez, ele se arroga o direito de ser, no espaço da mídia, um títere, que não respeita sequer a liturgia do cargo e da função ministerial que lhe foi concedida institucionalmente.

Dúvido que estas afirmações, contra Eleonora Menicucci ou contra qualquer outra mulher, possam ser encontradas expressas nestes termos em algum documento doutrinal ou mesmo em uma carta pastoral, ainda que fosse emitida por ele mesmo, em sua própria diocese.

A consequência dessa manifestação desastrosa é gerar repulsa não apenas à pessoa do bispo, mas a toda a Igreja, como se ela fosse responsável por essa afronta à dignidade feminina.

A Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres do governo federal deveria se manifestar formalmente junto à CNBB, ao Vaticano, por meio da Nunciatura Apostólica, ao Tribunal Eclesiástico e à própria diocese dele, pedindo a retratação pública.

A própria ministra deveria mover judicialmente uma ação por injúria e difamação, exigindo indenização por danos morais.

Gostaria muito de ver esse tonto desse bispo sustentar seu argumento asqueroso numa Assembléia da CNBB ou no judiciário.

Ouvir isso poucos dias após a celebração do 8 de março, o Dia Internacional da Mulher, é demais!

Para bispo, ministra da Secretaria das Mulheres é ‘mal-amada e irresponsável’
Presidente da Comissão da Vida da CNBB em SP, d. Simão ataca Eleonora
10 de fevereiro de 2012 | 22h 16

Chico Siqueira, especial para o Estado

ARAÇATUBA – O bispo de Assis (SP), d. José Benedito Simão, presidente da Comissão pela Vida da regional Sul 1 (Estado de São Paulo) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), disse ao Estado que a nova ministra da Secretaria de Política para as Mulheres, Eleonora Menicucci, “é uma pessoa infeliz, mal-amada e irresponsável”, que “adotou uma postura contra o povo e em favor da morte” ao defender o aborto em declarações dadas à imprensa. Informada, a ministra não quis comentar as críticas feitas pelo bispo.

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“Recebo com muita indignação as palavras da nova ministra, cuja pasta tem uma grande responsabilidade em favor da vida da mulher”, afirmou d. José – para quem a ministra abriu uma polêmicas que pode criar um confronto entre Igreja e governo. “Ela é infeliz, mas ninguém precisa ficar sabendo. Seu discurso mostra que ela pode estar reabrindo feridas que estavam cicatrizando”, disse ainda o bispo, referindo-se aos debates ocorridas no fim do governo Lula sobre aborto no Programa Nacional de Direitos Humanos 3 (PNDH-3). “Ela tem obrigação de apresentar programas que gerem vida, e não morte. Deve falar em defesa da mulher, em defesa da vida, mas se posicionou a favor do homicídio, ao defender o aborto”, protestou.

O bispo também reclamou das declarações da ministra sobre as preferências sexuais de sua filha, afirmando que ela “deveria tomar mais cuidado para não dar mau exemplo para nossos adolescentes”.

Panfletos. D. José, de 61 anos, ficou conhecido em janeiro de 2010, quando divulgou panfletos chamando Lula de “novo Herodes”, por levar adiante o PNDH 3. Os panfletos voltaram a circular em outubro, em plena campanha presidencial de segundo turno, mas foram apreendidos em uma gráfica do Cambuci, em SãoPaulo. A gráfica informou que a encomenda lhe fora feita pela diocese de Guarulhos.

Em outro trecho da entrevista de ontem, o bispo de Assis disse que vai seguir de perto os pronunciamentos da ministra. “Vamos acompanhar seu trabalho. Se os discursos forem nessa mesma linha (de defesa do aborto), vamos tomar algumas medidas de protesto, que podem ser panfletos ou manifesto público”, acrescentou. E concluiu dizendo que “foi uma escolha infeliz do governo de Dilma”, que poderia ter escolhido “uma pessoa mais responsável e equilibrada, mas colocaram essa pessoa para reacender temas polêmicos e complexos e reabrir feridas que estavam se fechando”.