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A mudança no cenário eleitoral depois da lamentável morte de Eduardo Campos

18 de agosto de 2014 / Unipress /

Não há dúvidas: mudou o tom do cenário eleitoral presidencial depois da lamentável morte de Eduardo Campos.

Circulam algumas informações de que a candidatura de Eduardo Campos estava crescendo e começava a ameaçar o nome de Aécio Neves num suposto segundo turno. Obviamente, não tenho acesso a pesquisas de bastidores para confirmar esse comentário.

Mas, o fato mais importante é o levantamento do Datafolha, com publicação hoje, que aponta para um empate técnico entre Marina Silva e Aécio Neves, já, quando a candidatura de Marina, em substituição de Eduardo Campos, sequer está confirmada, e quando o horário eleitoral em Tv não começou.

Os efeitos da circulação inicial destas notícias é visível nos mercados financeiros: a elevação tanto da comercialização quanto do preço das ações da Petrobrás, por exemplo, é um indício bastante forte da existência de uma espécie de euforia com a hipótese de que Marina Silva represente risco à candidatura Dilma. Já na sexta feira os preços das ações da Petrobrás subiram fortemente. E é provável que mantenham a alta dos preços com a divulgação da pesquisa Datafolha.

Também no Facebook observa-se a reação daqueles que apoiam Dilma Roussef e que não perdoam o fato de Marina Silva ter se afastado de Lula e Dilma anos atrás. A rejeição a Marina Silva é muito maior e mais aguerrida por parte destes do que era contra Eduardo Campos, por exemplo, talvez pelo fato de que Marina era considerada integrante do PT, devedora ao partido de sua formação e projeção política. Nesta lógica, Marina aparentemente é considerada uma traidora, como se tivesse rompido com um casamento feliz.

Uma análise mais cuidadosa dos fatos demonstra que a escolha por Dilma Roussef, feita por Lula, naquela época, representou não apenas uma opção eleitoral, mas uma análise mais acurada de estratégia de futuro para a política e para a economia brasileira. Uma estratégia de que Marina discordou e que ousou enfrentar.

Assim, o que temos agora, se descortinando diante de nós, após a morte de Eduardo Campos, com a confirmação de Marina Silva à frente da candidatura presidencial no lugar do ex-governador pernambucano, é a visibilização de uma contestação à estratégia política e econômica desenhada por Lula, não numa opção conservadora, como a representada por Aécio Neves, mas num paradigma diferente de leitura da realidade brasileira.

Por outro lado, duas outras consequências se apresentam:

1. O PSB enquanto partido vinha se consolidando gradativamente mas numa trajetória repleta de incoerências internas, que vinham se mantendo calmas na perspectiva de crescimento de médio prazo representada por Eduardo Campos. Marina Silva foi uma surpresa para dentro do PSB já quando da sua filiação, à época da negativa de registro de seu partido, Rede, porque alterava os equilíbrios que se alcançaram até aquele momento. Agora, mais ainda. Há setores do PSB que não devem conviver pacificamente com Marina e os próprios acordos eleitorais firmados por estes setores nos Estados podem não obter de Marina a aprovação e apoio.

2. A situação do PSDB começa a apontar para uma tragédia de médio prazo. Se Aécio Neves tiver o segundo lugar na disputa presidencial colocado em risco efetivo pela confirmação de que Marina Silva ocuparia este espaço, o PSDB tende a implosão eleitoral, com um futuro ameaçador para os próximos anos, talvez apontando para um movimento semelhante àquele vivido pelo DEM, cujo enfraquecimento levou ao surgimento do PSD, também bastante fragilizado do ponto de vista da representação de um ideário reconhecido pela população.