Me vieram à lembrança meus primeiros passos como um jovem militante das causas sociais, em 1982, quando ainda sem poder votar, por não ter a idade mínima exigida pela legislação da época, já me engajei com entusiasmo na campanha daquele líder operário que se candidatava a governador do Estado de São Paulo. Depois, os mais diversos movimentos de que participei: pastoral da juventude, Comissão Pastoral da Terra, o Congresso de fundação do MST, as oposições sindicais, as lutas pela moradia, por fortalecer as associações de moradores, pelas eleições diretas, pela participação popular na Constituinte, em defesa dos direitos humanos, em apoio à proteção integral da criança e adolescente, de apoio aos direitos da mulher, pela implantação de iniciativas de economia solidária, pelo desenvolvimento das instituições e das políticas de concessão do microcrédito, de apoio às causas do movimento negro, pelo fortalecimento dos processos participativos na formulação das políticas públicas, os plebiscitos contra a dívida externa e contra a Alca, os Fóruns Sociais Mundiais, etc…
Nesta trajetória, jamais idolatrei a figura do Lula. Para mim, ele era um militante, como eu, que se dedicava com afinco às causas do povo brasileiro, em alguns momentos vivendo a experiência do sucesso e em outros a experiência do fracasso. Naquela época, participar de movimentos como o que participávamos era visto com enorme preconceito: “idealismo ingênuo”, “voluntarismo sem consequência”, “falta do que fazer”, “se deixar ser enganado”, eram algumas das acusações que sofríamos dos que se diziam nossos amigos. Os que se opunham aos nossos compromissos e pleitos, então, falavam coisas muito piores, que não vou repetir aqui, por respeito aos que me leem.
A vitória de Lula, em 2002, abria um novo período: agora, era necessário provar que nossas utopias e ideais não eram meros devaneios, que sim, eram movidos por um compromisso sincero com o povo e iluminados por uma inteligência que unia a racionalidade com a capacidade de sentir, pelo diálogo, os desejos e valorizar as razões alheias. Alguns militantes foram convidados a ajudar nesta tarefa de dentro do governo. Outros, como eu, nos mantivemos atuando no meio da sociedade (acabei participando dois anos, de julho de 2007 a setembro de 2009, do Programa Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado, no Ministério do Trabalho e Emprego).
Agora, Lula se despede da Presidência, com elevadíssimas taxas de aceitação popular, superiores aos 85%, tendo conseguido promover mudanças significativas no governo e na sociedade brasileira, tendo dinamizado a economia nacional.
Nossas lutas, militantes que somos, não se encerraram, mas mudaram de perfil e de patamar. Prosseguiremos, está em nossos corações, agora impulsionados, porque, olhando para os resultados do governo Lula, jamais as pessoas ousarão duvidar de que os motivos pelos quais lutamos não possam se concretizar.
Obrigado, Presidente Lula.
Leia também:
Gostou deste Artigo?
Inscreva-se para acompanhar o nosso RSS feed!





Pingback: Tweets that mention Lula se despede em pronunciamento de Natal | Unipress -- Topsy.com