As Semanas Sociais começaram a ser realizadas ainda no decorrer da década de 1990, quando a influência do neoliberalismo tinha fortíssima incidência sobre os governos brasileiros, tanto em nível federal quanto nos estados e municípios.
O conceito que deu origem às Semanas Sociais era muito próximo daquele da democracia participativa. Ou seja, em todas as dioceses do país, grupos, pastorais sociais, movimentos sociais, deveriam reunir-se sem que se impusesse a necessidade de disputar espaços políticos, mas com o objetivo de dialogar e aprofundar, o máximo possível, a análise das causas da injustiça vigente na sociedade brasileira e, a partir destas causas, propor tanto novos modelos de democracia quanto de organização social. E, sempre que possível, identificar formas de ação coletiva, de mobilização comunitária, de articulação das forças políticas locais e das instituições para que se dessem encaminhamentos a projetos sociais capazes de produzir alteração na realidade.
Alguns temas sempre estiveram presentes nestas discussões, tais como a própria discussão da democracia brasileira e especificamente da democracia participativa, o fortalecimento dos conselhos e da cidadania, a proteção dos direitos humanos, a defesa das crianças, os direitos das mulheres e das minorias, o combate à discriminação racial contra negros e índios, a inclusão produtiva, a importância da redescoberta da questão ambiental, etc.
Mesmo que, sob a liderança do Papa João Paulo II e depois de Bento XVI, tenha havido uma redução no dinamismo das pastorais sociais, pela falta de apoio do episcopado, a temática social não deixou de ser importante enquanto dimensão da ação pastoral da Igreja Católica, e a própria continuidade da realização das Semanas Sociais Brasileiras é uma expressão disso.
Obviamente, com a chegada de Lula ao poder, em 2003, seus dois mandatos, agora seguido da eleição de Dilma, que se aproxima da metade de seu primeiro governo, muitas das discussões e das demandas provenientes das Semanas Sociais Brasileiras encontraram eco no interior do governo federal.
Também é verdade, entretanto, que apesar disso, o governo petista não conseguiu ainda romper com o padrão de reprodução social do país que ainda se caracteriza por uma alta concentração de riqueza e por extrema desigualdade social.
Os números colhidos pelo IBGE e pelos demais institutos de pesquisa revelam melhorias importantes, há que se reconhecer. Mas, se é verdade que houve uma recuperação dos salários, também é verdade que pouco cresceram as experiências de apropriação solidária do capital das empresas, tais como propõem os modelos da economia solidária, mediante a autogestão e o cooperativismo, por exemplo. Pouco se evoluiu, também, na discussão do modelo de política tributária no país, que favorece a desigualdade ao invés de combatê-la. Pouco se evoluiu na própria discussão da democracia, que ainda favorece o personalismo, a corrupção e a centralização de poder.
O desafio da 5a. Semana Social Brasileira consiste em ler o novo cenário brasileiro, em que se fala da “emergência de uma nova classe média”, que na verdade continua sendo uma enorme massa populacional bastante pobre, eliminar este tipo de ilusão e estruturar um novo campo de demandas de transformação que aponte para sim, radicalizar as transformações sociais e a democracia.
Há muito que se lutar.
Coordenadores da 5ª Semana Social Brasileira se reúnem na CNBB
Reuniu-se na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a equipe de coordenação da 5ª SSB. O objetivo do encontro foi preparar o terceiro seminário que será realizado entre os dias 21 a 23 de agosto, no Instituto São Boaventura. Na ocasião, será feira uma avaliação da Conferência Rio + 20 e Cúpula dos Povos e os desafios postos para os movimentos sociais e as igrejas.
Temas como: Estado, governo, poder, sociedade civil, poder local, consulta popular, plebiscito, democracia representativa e participativa serão discutidos com os participantes. De acordo com secretário executivo do Mutirão pela Superação da Miséria e da Fome da CNBB, padre Nelito Dornelas, a perspectiva principal do evento é colocar o Estado a serviço da sociedade civil e dos cidadãos e não acima destes. “Vamos trabalhar na superação desse Estado que está mais a serviço da ‘Casa Grande’ do que da ‘Senzala’, colocando-o em movimento, e em direção contrária”, disse.
Como este ano haverá disputas eleitorais, o seminário aposta na construção de um Estado a serviço do bem comum em suas políticas internas e externas. “Queremos colaborar no fortalecimento da democracia e na constituição de instituições jurídicas sólidas, garantindo os direitos econômicos, sociais, políticos, culturais e ambientais para todos, começando pelos pobres e excluídos. Eles são a medida da ordem democrática de uma nação e o critério de fidelidade e comunhão com Deus”, afirmou Nelito, citando cf Mt 25, 31-46.
Fonte: http://www.cnbb.org.br/site/imprensa/noticias/9961-coordenadores-da-5o-semana-social-brasileira-se-reunem-na-cnbb
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