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Hervé Falciani, do caso HSBC Swissleaks: por que não investigam os bancos?

8 de março de 2015 / Unipress /

Quando a sociedade toda está discutindo casos de corrupção e de mecanismos de lavagem de dinheiro que organizam a estrutura de poder econômico e político, surgem os dados de centenas de milhares de contas bancárias numeradas, com clientes de mais de duzentos países, no escândalo do Swissleaks, por maõs do ex-funcionário do HSBC, Hervé Falciani, que resolve denunciar a máquina de sonegação fiscal, de pilhagem de dinheiro público, de fortunas acumuladas por meio dos crimes de tráfico de drogas ou de pessoas, além de muita corrupção, em todo o planeta.

Em entrevista para o jornal Estado de São Paulo, o Estadão, Falciani lança a questão mais desafiadora:

Por que não se investigam os bancos?

A falência dos gigantes americanos Lehmann Brothers e outros, no final de 2008, abriu a principal crise econômica mundial desde a bancarrota de 1929. A dimensão do estrago colocou os Estados Unidos em recessão por vários anos e a Europa em pânico ou caos, além de reduzir as taxas de crescimento no mundo todos. Durante anos o governo dos Estados Unidos precisou injetar dinheiro na veia da economia para tentar evitar uma absurda catástrofe econômica e social que só agora começa dar sinais de reversão. A União Européia está iniciando um grandioso plano semelhante ao americano, dado que todas as demais medidas anteriormente tentadas não foram suficientes para reerguer a economia dos países integrantes.

Os impactos sociais dessa crise foram extraordinários, com impressionante expansão do desemprego (índices extravagentes, de até 25%, em países como a Espanha), do número de falências e de despejos de cidadãos de suas casas. Em alguns países, os salários foram reduzidos ou os benefícios sociais foram parcialmente revertidos.

Sabe-se e a crise internacional comprova que os bancos estão no centro do sistema econômico internacional na atualidade. Então, surgem os dados de clientes, mais de 200 mil, em 200 países do mundo. No Brasil, mais de 8600 clientes, que chegaram a manter mais de 7 bilhões de dólares nestas contas numeradas, entre 2006 e 2007, de quando são os dados. O equivalente a mais de 20 bilhões de reais.

Então Falciani, nesta entrevista do Estadão, aponta o fato de que os bancos não são apenas usados pelos clientes para fazer a guarda do dinheiro, mas que estruturam sistemas de incentivos e estratégias de orientação para que os clientes ingressem no submundo do dinheiro oculto, do gigantesco caixa dois da falta de transparência das finanças internacionais.

E, sua pergunta, que não quer calar, por força de sua eloquência, é: por que não se investigam os bancos?

Segue o link para o artigo do Estadão: http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,brasil-e-o-principal-alvo-de-bancos-que-lavam-dinheiro,1646528