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Folha de São Paulo: o desprezo pela democracia

19 de outubro de 2012 / Edmar Roberto Prandini /

O editorial da Folha de São Paulo de hoje sobre a eleição de São Paulo é o mais completo atentado da Folha contra si mesma.

Depois de reconhecer que a eleição está perdida na capital paulista e que Fernando Haddad, do PT, sairá vitorioso das urnas, de modo inapelável, a Folha começa a embalar o seu mantra venenoso.

Primeiro, porque se é evidente que Lula é importante na disputa, assim como Dilma, Fernando Hadda não pode ser pensado como um fantoche desqualificado e inerte. Nem o PT. A Folha não aceita dar crédito algum nem a Haddad nem ao PT paulistano pela vitória estupenda que eles vão alcançar no dia 28 de outubro.

Ora, Haddad é um excelente quadro político, militante partidário desde sempre, vigoroso enquanto intelectual mas mais ainda, dado seu trabalho intenso nos governos petistas, um formulador e administrador das políticas públicas elaboradas no seio do partido, tanto na esfera municipal quanto federal.

A maciça votação da Haddad nas regiões tradicionalmente eleitoras do PT foi que o levou ao segundo turno, no patamar historicamente atribuído ao partido nas votações da cidade de São Paulo, o que significa dizer que o PT levou seu “desconhecido” candidato ao potencial de votos habituais do partido. Logo, um candidato do PT.

Depois disso, então a Folha completa sua argumentação em que revela o absoluto desprezo à democracia.

Perdido por perdido, admite ela, opta por começar a dedicar-se a conhecer esse “desconhecido” que vai governar a cidade. Ora, Ministro da Educação por mais de 6 anos, o ministério que detém mais de 18% de todo o orçamento federal, que inaugurou mais de 200 instituições federais de ensino técnico e várias universidades novas e campus universitários, dentre tantíssimas outras realizações, como o Prouni. Um “desconhecido”?

Por fim, como esse futuro prefeito da maior cidade do país, com cerca de 60% dos votos válidos da eleição, segundo as atuais estimativas, da própria Folha (Datafolha) é um “desconhecido”, a Folha nega-se a “passar-lhe um cheque em branco”.

Quem a Folha pensa que é?

Milhões de eleitores decidindo o voto após meses e meses de campanha intensa e é a Folha que deve dar aval ou não ao futuro prefeito eleito?

É o aval dela, Folha de São Paulo, que legitima ou deslegitima um candidato eleito segundo as regras eleitorais, aprovadas pelo Congresso Nacional e vigentes sob estrita organização da justiça eleitoral, com o voto soberano dos eleitores?

Mas, é evidente que o veneno destilado visa opor o jornal à Lula: a alegoria do cheque em branco foi usada por ele, em favor de Roberto Jefferson, que depois revelou-se o mentiroso e corrupto envolvido nos crimes do episódio julgado na Ação Penal 470, do mensalão.

Além da prepotência e do autoritarismo total, da Folha arvorar-se em juíza da legitimidade política da eleição, há um ódio irracional contra Lula, que segue incólume a isso, ajudando, como verdadeiro militante e líder, o PT a crescer em todo o Brasil. Eis o que a Folha não tolera.