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Existem golpistas mas não há risco de Golpe de Estado no Brasil hoje

25 de setembro de 2012 / Edmar Roberto Prandini /

Hoje, o jornalista Luis Nassif publicou em seu blog a sua habitual “Coluna Econômica”. Apesar do nome, a coluna hoje dedicou-se completamente à política, identificando no cenário político brasileiro atual as semelhanças com os cenários que antecederam a morte de Getúlio Vargas em 1954 e depois o Golpe Militar de 1964.

Segundo Nassif, o papel insistente da mídia e dos grupos políticos conservadores que não cedem em sua recorrente acusação de corrupção no governo é o principal elemento de identidade entre os três períodos diferentes da história.

Ao ler a Coluna, manifestei-me rechaçando a interpretação de Luis Nassif, com o texto que se segue. Após a leitura, gostaria de saber sua opinião sobre o assunto.

O que você acha? O Brasil de 2012 parece estar diante de um Golpe de Estado?

Prezado Nassif,

Discordo de sua argumentação na Coluna Econômica de hoje.

A primeira motivação para minha discordância é o fato de que há um processo forte de negociação entre o governo e setores expressivos do empresariado que vêem no PAC 1 e 2, no programa Brasil Maior, no Minha Casa Minha Vida e nas recentes medidas governamentais de estímulo ao investimento em logística e infraestrutura oportunidades estupendas de ganhos.

Não há suporte para a ruptura política exatamente por haver esse pacto de estímulo à economia que em nada arrisca o modelo de desenvolvimento capitalista. A própria expansão do crédito somada à recuperação salarial reforçam a dinâmica da expansão do mercado para assegurar o desenvolvimento capitalista, de modo que não há sentimento no empresariado de riscos ideológicos pairando sobre seus ganhos.

Em segundo lugar, o modelo político vigente é bastante diferente do modelo pré-64. Temos muitos partidos políticos atuando e além dos partidos, temos milhões de outras formas de organização da participação social, organizadas nas ONGs de toda natureza, discutindo, sob várias matrizes políticas e ideológicas, a estrutura de nossa organização social. Além disso, há uma enorme legião de pessoas envolvidas com as formas participativas de interlocução entre o governo e a sociedade que são os conselhos criados para a discussão das políticas e diretrizes setoriais. Toda essa movimentação contínua de representação social serve de escudo contra movimentos de ruptura que imponha riscos à continuidade de sua existência.

Considero estes dois aspectos determinantes para a minha avaliação de que o movimento golpista, ainda que hajam setores que o defendam, não terá fôlego para impor-se e hegemonizar a orientação da política nacional. Aliás, é o que se evidencia nos próprios números das pesquisas eleitorais.

Abraços!

Fonte: http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-repeticao-da-historia