Observação: dividimos o artigo de Marcos em três partes, para facilitar a leitura e a assimilação. A cada dia, publicaremos uma parte.
1) Por que elaborar projeto?
O termo projeto carrega o sentido de organizar idéias, pesquisar, analisar a realidade e desenhar uma proposta articulada com intencionalidade.
Os projetos sociais seguem esta lógica. São construções para prever o que um grupo de pessoas quer realizar para transformar boas idéias em boas práticas. Colocados em seu devido lugar, tais projetos podem se transformar em ações exemplares que modificarão a realidade local.
Se, além de se constituir de ações exemplares, o projeto se integrar a governos locais, municipais, estadual e federal, poderá ser replicado em escala maior, gerando, assim, políticas públicas de qualidade na área social, cujo impacto para a coletividade é maior que o do projeto apenas local.
Nos programas de governo, muitas vezes expostos em períodos de eleição, ouvimos candidatos e governantes dizerem que têm projetos para solucionar os problemas do desemprego, da saúde, da educação. Em parte, isso é possível. Havendo um bom projeto, com recursos suficientes, bem monitorado e avaliado, se chegará aos objetivos preestabelecidos.
Nestas situações em que desejamos transformar insatisfação em solução; idéias em ações; boas intenções em propostas efetivas; um conjunto de tarefas em ações concretas, sem o desperdício de tempo e recursos, faz-se necessário elaborar um projeto que descreva o caminho a seguir, com lógica e paixão que nos conduzam na direção do que queremos.
2) Cuidados e recomendações
Durante o processo de elaboração de projetos, pode-se correr dois grandes riscos: o da onipotência ou o da impotência.
Um grupo pode sentir-se onipotente quando considerar que tem a possibilidade de transformar, sozinho, os problemas sociais existentes em um bairro ou cidade. É o perigo do voluntarismo.
Seu oposto é a impotência. Sabendo ser difícil ou mesmo impossível resolver, isoladamente, os problemas encontrados, o grupo julga não poder fazer nada e desiste de buscar soluções criativas.
Esses dois grandes riscos, freqüentemente, têm como raiz pelo menos três fatores. O primeiro deles é o diagnóstico superficial sobre o espaço e o contexto em que o grupo atua. O segundo reside na análise inconsistente da viabilidade social, política, técnica, financeira, ambiental, étnico-racial e cultural do projeto. O último é a distribuição de papéis e das responsabilidades, de modo a centralizar o poder em uma única pessoa ou a diluí-lo, de modo a dificultar a constituição de líderes.
Na prática, existem dificuldades em estabelecer resultados concretos e custos efetivos de modo preciso nos projetos sociais que lidam com processos de melhoria das condições de vida e com a promoção dos direitos humanos.
Ainda assim, para superar essa dificuldade e realizar algo de efetivo, é necessário construir um caminho baseado em resultados ou metas, organizado no tempo, planejado, executado e monitorado. Sobretudo, não parar nas boas intenções. Transformá-las em obras, isto sim.
Você já trabalhou na formulação de algum projeto social? Já participou de algum projeto social conduzido por alguma ONG ou governo local? Deixe sua opinião sobre essa experiência em nosso formulário de comentários do blog.
Caso você precise de alguma orientação ou de apoio na elaboração de um projeto social, entre em contato comigo pelo formulário de contato aqui do blog. Vamos estruturar um plano de trabalho e ajudá-lo a alcançar melhores resultados em sua ação.
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