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E os ratos deram o ar da graça na CPI da Lava Jato

9 de abril de 2015 / Unipress /

Há cerca de uma semana, comentei aqui no blog Unipress que o cenário político começava a se acalmar um pouco e que o grau de tensão estava baixando.

Passada essa semana, observamos que isso foi ficando cada vez mais evidente. É verdade que o projeto de lei que autoriza as terceirizações de modo muito amplo na contratação de mão de obra pelas empresas foi aprovado na Câmara, contra o governo, o PT, o PSOL, o PC do B e a CUT. Mas, o ciclo de tramitação do projeto não está finalizado e ainda pode haver reversão desse resultado. De qualquer modo, como bons indicativos da temperatura da política, temos o termômetro do câmbio, por exemplo, que no decorrer destes dias apresentou uma significativa melhora, com o dólar baixando de R$ 3,25 para R$ 3,05 hoje. Para confirmar isso, as próprias ações da Petrobrás, em que pese o fato da CPI da Lava Jato estar começando, subiram bastante nestes dias, passando de pouco mais de R$ 9,00 para mais de R$ 11,00, com a empresa recuperando um pouco de seu valor de mercado, perdido em função da queda do valor do petróleo no mercado internacional e da crise causada pelo processo de investigação da Lava Jato.

Aliás, nenhuma nova informação foi divulgada desde que o indiciamento dos políticos investigados chegou ao STF. Agora a coisa é séria e o processo deve seguir com rigor. Não dá mais para o tratamento seletivo anti-PT que se viu durante o processo de apurações no Paraná continuar, porque o processo agora está sob a condução de um juiz digno do cargo: Teori Zavascki.

Aliás, é devastador o artigo do reconhecido jurista Luiz Flávio Gomes denunciando os absurdos do posicionamento do pensamento do juiz Sérgio Moro, que está à frente do processo no Paraná contra os acusados sem cargo político. Chega a aterrorizar a ideia de que o pensamento justiceiro de Moro possa ter prejudicado a apuração, de modo que venha a produzir, mais tarde, a absolvição por erros processuais, como alerta Luiz Flávio Gomes.

No artigo da semana passada, comentei que a manifestação ocorrida no dia 15 de março continha sinais de irracionalidade, ao vocalizar o apelo por uma intervenção militar, por dar voz a um torturador da ditadura de 1964, por proibir o uso da cor vermelha, além de criar clima para explodirem coquetéis Molotov em sedes do PT no Estado de São Paulo.

O que se viu hoje na Câmara dos Deputados foi mais uma prova de quão irracional e descabido tem sido o comportamento de grande parte dos que estão se opondo ao governo Dilma e atacando Lula e o PT.

A afronta às instituições chegou à desmoralização do Parlamento quando um assessor parlamentar de um dos vice-presidentes da Câmara, destes que assumiu o cargo na Mesa Diretora com a posse de Eduardo Cunha, na Sala onde foi a Sessão da CPI da Lava Jato que ouviu o tesoureiro do PT, soltou ratos pouco antes do início do depoimento de Vaccari.

Se o que ele pretendia era criar um ato político contra o PT pelo fato de seu tesoureiro ser chamado a depor, ele conseguiu evidenciar o ridículo dos comportamento oposicionista de tal modo que sua exoneração não demorou sequer um dia.

Todos tem direito à livre expressão de seu pensamento, mas não à agressão, não à intimidação, não à tentativa de humilhar ou macular aqueles contra quais discorda ou a quem acusa. A repulsa ao ato do assessor oposicionista foi imediata porque tornou explícito que os oposicionistas não compreendem a importância das instituições democráticas.

O ápice do absurdo não está nem naqueles que irresponsavelmente defendem o impeachment sem que haja nenhum dado fático e objetivo para sequer iniciar um processo contra a Presidenta Dilma. Está naqueles que defendem a impensável “intervenção militar constitucional”, como se a Constituição previsse algum dispositivo que autorizasse isso. Uma invenção dos que se deixaram alucinar pelo ódio que só conseguem mostrar-se completamente quando entram no Parlamento como ratos.

Será que veremos uma multidão de ratos na manifestação convocada para o dia 12 de abril? Ou será que a demissão do assessor parlamentar vai servir para atrair um pouco de retorno ao equilíbrio dos que se pretendem manifestantes?