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É hora das apostas: Dilma vencerá em primeiro turno ou não?

28 de setembro de 2014 / Unipress /

A publicação, na última sexta feira, da pesquisa Datafolha, sobre as eleições presidenciais, realizada com mais de 11 mil entrevistados, demonstrou o acerto da avaliação daqueles que, como eu, entenderam que a candidatura Marina começava a ruir.

Na verdade, já manifestei minha opinião sobre essa hipótese, agora confirmada, no artigo que publiquei aqui no blog, com o título Ataques a Marina Silva começam a derrubar sua candidatura,já no dia 3 de setembro, quando a sua curva ascendente se estancou.

Portanto, já há 25 dias desde o momento em que considerei que a candidatura de Marina não tinha consistência para enfrentar a disputa contra Dilma Roussef pela Presidência da República.

Os fatos que se seguiram posteriormente, com a publicação do inacreditável Plano de Governo de Marina, onde ela assume um ultraconservador neoliberalismo ultrapassado para a sua proposta econômica, apenas ajudaram a tornar ainda mais vulnerável sua candidatura.

Eis aqui, entretanto, a melhor contribuição de Marina à disputa eleitoral de 2014: com a publicação do seu plano de governo, Marina propiciou que o debate eleitoral tivesse uma agenda mais qualificada de discussão, tratando das questões centrais da economia política da atualidade.

Vieram ao debate os temas da autonomia/independência do Banco Central, dos direitos trabalhistas e de sua flexibilização, da importância do pré-sal e da defesa da produção nacional de equipamentos para viabilizar sua produção, do papel dos bancos públicos do financiamento da produção agrícola, do financiamento da infraestrutura e das políticas sociais, especialmente do programa Minha Casa Minha Vida, dentre outros.

Ao contrário do debate conduzido por José Serra, na eleição anterior, não aconteceu a baixaria do debate sobre o aborto, enviesado por uma visão conservadora e tradicionalista, por exemplo, nesta campanha eleitoral.

Por outro lado, a campanha eleitoral trouxe a oportunidade de evidenciar com maior clareza o fato de que o aumento da liberdade de investigação propiciada à Polícia Federal e aos órgãos de controle interno e externo estão sendo essenciais para desmascarar o crônico problema da corrupção no país e, deste modo, combatê-la, pelas vias oficiais e legalmente instituídas para tanto.

Além disso, outras duas contribuições a atual campanha eleitoral trouxe para a agenda política nacional:

1) a discussão da necessidade de se repensar o marco constitucional da segurança pública, proposta formulada claramente por Dilma Roussef, inclusive de uma mudança no texto da Constituição para viabilizar um papel para o Governo Federal neste campo;

2) a discussão sobre a relevância de que se avance no sentido da regulação econômica da mídia, combatendo o oligopólio no setor da comunicação social no país, um dos segmentos em que menos a democracia brasileira avançou desde a Constituição de 1988.

O tema ausente, por outro lado, foi o da Reforma Política. Depois das grandes manifestações de 2013, da proposta de plebiscito e de Constituinte exclusiva, seria de se esperar que o tema da Reforma Política ocupasse parte do tempo das discussões desta campanha eleitoral. Isto pouco ocorreu, muito pouco.

É verdade que a campanha foi marcada pela plena vigência da Lei da Ficha Limpa, retirando da campanha mais de 310 candidaturas, inclusive de diversos candidatos a governadores. Também é verdade que houve maiores dificuldades para a arrecadação financeira não declarada ou não contabilizada, permitindo saber, por exemplo, que muitos candidatos desistiram da campanha por não conseguirem viabilizar ganhos com sua candidaturas, especialmente em alguns “partidos de aluguel”. Ou ainda que o tema dos doadores adentrou a disputa, como aqui no caso do Mato Grosso, onde a discussão tornou-se uma das principais causas de polêmica na eleição estadual: de um lado, o candidato do PT, Lúdio Cabral, acusa o candidato do PDT, Pedro Taques, de ser o “candidato dos bilionários”, dadas as vultosas contribuições de expoentes do agronegócio para a candidatura dele, e de outro, no revide, Pedro Taques acusa Lúdio Cabral de ter recebido contribuições não declaradas na campanha para a prefeitura de Cuiabá, em 2012.

Mas, a formulação das propostas sobre o modo do financiamento público das campanhas, sobre a cláusula de barreira, sobre a fidelidade partidária, sobre o fim das coligações proporcionais, sobre a proibição de repasses financeiros entre os partidos, sobre a composição mais proporcional ao eleitorado do Congresso Nacional, nada disso foi explicitamente tratado, mesmo considerando o fato de que os movimentos populares realizaram o grande plebiscito popular sobre a Constituinte para a Reforma Política, que recebeu mais de 7 milhões de adesões.

Agora, poucos dias faltando para a definição do primeiro turno, a discussão que se apresenta é sobre a hipótese da vitória em primeiro turno ou não de Dilma Roussef. Há uma semana, no artigo Reta de chegada: a definição do primeiro turno das eleições 2014, argumentei que Dilma Roussef precisaria alcançar um percentual de cerca de 44% dos votos para assegurar a vitória em primeiro turno. E que isto dependia de crescer especialmente na votação junto aos eleitorados do Rio e de São Paulo.

Pois bem, no decorrer da semana houve parte deste movimento ocorrendo e o resultado foi que Dilma alcançou o patamar dos 40% das indicações de voto na pesquisa Datafolha, ao mesmo tempo em que Marina teve retrocesso das indicações e em que Aécio cresceu, mas pouco para credenciar-se ao segundo lugar na disputa, por enquanto.

O resultado é que a vitória em primeiro turno para Dilma tornou-se uma possibilidade bastante plausível, o que torna os lances desta próxima semana dramáticos para as candidaturas de Marina e Aécio.

Façam suas apostas: o jogo promete muita emoção!