Com alguma supresa, soube da escolha de Pepe Vargas para o Ministério do Desenvolvimento Agrário, a convite da Presidenta Dilma Roussef, fato ocorrido na sexta feira, ao que me parece.

Conheço pessoalmente o Pepe Vargas. Já há vários anos, na verdade.

Estranhei a decisão de Dilma de chamá-lo para o MDA, uma vez que em sua trajetória, o tema da Reforma Agrária jamais esteve entre suas pautas primeiras, até por circunstâncias pessoais.

Pepe Vargas sempre foi um dos principais interlocutores do segmento das micro e pequenas empresas, sendo não apenas um excelente articulador neste campo, mas também um criativo formulador, capaz de inovar em várias políticas institucionais no setor.

Por sua condução ainda quando prefeito de Caixas do Sul, nasceram na cidade duas modalidades institucionais que tem feito história no impulso do fortalecimento do empreendedorismo e das microempresas: as organizações de microcrédito e as sociedades garantidoras de crédito.

No caso da organização de microcrédito, o modelo que Pepe apoiou em Caxias do Sul, seguiu, na verdade, o exemplo de Porto Alegre, onde fora criada pouco antes a Portosol. Trata-se, em síntese, da criação de uma associação sem fins lucrativos, constituída por sócios institucionais, do tipo Prefeitura Municipal, Sebrae, universidade, associação comercial, sindicatos, etc. A associação, nasce, portanto, de uma articulação local, valorizando o conceito de desenvolvimento local sustentável, promovendo uma concertação de atores com foco no apoio efetivo com crédito aos microempreendedores, formais ou informais. O mérito de Pepe Vargas, em Caxias, no apoio da criação da organização do microcrédito, foi dar fôlego, logo no começo, ao movimento que ainda era bastante precoce no país.

No caso da sociedade garantidora de crédito, o apoio de Pepe Vargas dirigiu-se a algo que, se similar ao aprendizado da criação da organização local de microcrédito, em Caxias do Sul, era absolutamente inovadora, em termos brasileiros, por dar origem a um modelo institucional híbrido, que reúne as qualidades tanto do modelo das associações do terceiro setor, sem fins lucrativos, quanto de um dos princípios mais ricos do cooperativismo, a participação mutualista dos beneficiários. A AGC Serra – Associação Garantidora de Crédito da Serra Gaúcha, tanto é uma Oscip quanto uma espécie de cooperativa para atender aos microempresários que buscam alternativas de financiamento para seus projetos de sustentação operacional quanto inovação na oferta de produtos ou desenvolvimento de tecnologias que agreguem valor aos seus negócios.

O modelo da sociedade garantidora de crédito ao qual Pepe Vargas deu seu estímulo decisivo não encontrava nenhuma similaridade no Brasil, tendo sido difícil encontrar apoiadores que se fiavam exclusivamente na seriedade, na ética e na capacidade operativa de Pepe Vargas para aderir à proposta. O resultado é que, hoje, passados quase 10 anos, o Sebrae analisou o desenho por todos os seus aspectos, deu-lhe aprovação, e está incentivando sua replicação em diferentes partes do país. O Banco do Brasil, cuja agência local foi atraída por Pepe Vargas, quando da criação da entidade em Caxias do Sul, também acompanhou a iniciativa local, estudou os resultados do seu funcionamento nos negócios realizados com o banco, e passou a apoiar o desenho de modelo similar de operação nacional, algo que se pode verificar na criação dos fundos garantidores de crédito instituídos pela Medida Provisória 464, encaminhada pelo governo ao Congresso como uma das alternativas de enfrentamento da crise de crédito aberta pelas falências dos bancos americanos, a partir do final de 2008.

Pepe Vargas, além disso, é uma pessoa de uma simpatia impressionante. Respeitoso, dedica-lhe a atenção, ouve e acompanha seu raciocínio, abre o diálogo com o prazer de alguém que acredita na apredizagem e no crescimento comum. Dedicado militante, empenha-se incansavelmente em agregar forças, orientar as capacidades para a ação produtiva, deixando saldos e alegria por onde passa. Conquista o reconhecimento de todos que o cercam, por sua transparência e lealdade, mesmo quando existam divergências.

O Ministério do Desenvolvimento Agrário tende a ser insuflado no próximo período por um espírito positivo, orientado para a geração de resultados, pela agregação das vontades, cativadas pela inteligência e demais qualidades de Pepe Vargas.

Parabéns à presidenta Dilma Roussef, pela excelente escolha. Demonstra extraordinária lucidez de nossa governante, mas também seu valioso espírito de liderança e de gestão. Pepe Vargas é um dos melhores quadros da política brasileira da atualidade. Demonstra, além disso, que Dilma segue obstinada para reunir qualidade ao seu redor e para dar uma feição transformadora ao seu governo. Mesmo a gigantesca crise que se abate sobre o mundo, causadora de devaneios na ordem da política e na economia internacional, como as pressões impostas à Grécia, por exemplo, que chegam a ameaçar a construção da Comunidade Européia, que já data de mais de 50 anos! ou o extremo mal humor dos partidos conservadores e da mídia brasileira contra ela, estão conseguindo conter-lhe e evitar conquistas não apenas na gestão, mas também na política brasileira.

Dilma já provou ser ótima, agora com a indicação de Pepe Vargas, mostrou ser excelente gestora e líder política. Avisem ao Paulo Teixeira, deputado federal do PT de São Paulo, para que fique alerta, porque deve ser um dos próximos grandes na mira de Dilma, ainda que seu perfil seja mais político que o de Pepe Vargas, muito mais administrador.

Votos sinceros de sucesso de alguém que se arvora tê-lo como amigo, dado o tratamento recebido nas vezes em que estivemos juntos, em reuniões, conversas pessoais e eventos.

Parabéns, Pepe Vargas!