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Corrupção: doença ou sintoma?

25 de abril de 2015 / Unipress /

Por que um empresário paga propina para um político?

Por que paga para servidores públicos?

Esta é a pergunta simples que as pessoas que tanto falam sobre a corrupção não se fazem.

Paga porque não quer concorrer com outros empresários em igualdade de condições. Paga para ter o privilégio da vitória assegurada. Paga para ter abatimento privilegiado de impostos, vide o caso da CARF, com cerca de apenas 70 processos perfazendo mais de R$ 19 bilhões, enquanto o caso da Lavajato chega a R$ 6,5 bilhões, como o Balanço da Petrobrás. Vejam o caso do Itaú, que tem um processo contra ele de R$ 18 bilhões de sonegação.

Mas, tais empresários, com raríssimas exceções, não sofrem execração pública da imprensa. Por que será?

Será que a imprensa também está corrompida e só ataca aqueles que a querem submeter a uma regra universal de vida em sociedade, sem privilégios?

A corrupção existe, é um problema grave, precisa ser combatida, mas, é necessário que se diga, a sua origem está nas condições desiguais da sociedade.

É para manter a desigualdade que os empresários pagam políticos, servidores públicos, juízes e imprensa. É para usufruir de condições privilegiadas que pagam corrupção. A corrupção é um sintoma da doença desigualdade. Enquanto as pessoas não compreenderem que esta é a doença a ser atacada, vão enxugar gelo.

Por que microempresário não paga corrupção? Pela simples razão de não que não dispõe de capital acumulado para isso e por isso se subordina ao tratamento igual imposto pela lei. Mas o grande empresário, este nunca sentiu-se igual aos demais: sempre teve o melhor e não quer perder a condição de privilégio de toda a sua vida. Então, ele paga corrupção, para reproduzir a condição preferencial que sempre teve.

Quem combate as desigualdades, por consequência, combate a corrupção, em sua origem, e, como castigo, sofrerá nas mãos dos empresários corruptos e da sua mídia serviçal.

O mal a combater é a super acumulação de riquezas nas mãos de poucos.

No Japão, as heranças de pai para filho são tributadas, sabe a que taxa? 50%. Ou seja, metade da riqueza que um pai quer transmitir ao filho na forma de herança é recolhida pelo Estado na forma de imposto e vai se tornar riqueza de toda a sociedade. Jà imagina se algo desse tipo for pensado no Brasil? Mas, o Japão não é um país desenvolvido?

E pensa que nos Estados Unidos é diferente? Por que os ricos americanos financiam Universidades, instituições sociais, centros de pesquisa? Porque se tentarem transferir isso para suas gerações futuras na forma de herança, perderão muito mais dinheiro do que se aplicarem nestas ações e projetos sociais.

Mas, no Brasil, questionam o Bolsa Família. Tentaram até ação de inconstitucionalidade contra o Prouni. Imagine taxar as grandes fortunas, aumentar os impostos sobre heranças, cobrar impostos de iates e aviões particulares. Inaceitável, dizem.

Então, continuemos falando mal do sintoma da corrupção, sem prestar atenção no problema real da doença, a desigualdade.

124 super ricos brasileiros possuem patrimônio de mais de R$ 544 bilhões