Escrito por Daniela Novais 23:01:00 25/06/2012
Para o senador Humberto Costa (PT-PE), relator do processo contra Demóstenes Torres (sem partido-GO) no Conselho de Ética do Senado ele deve ser cassado, porque tinha um mandato focado nos negócios do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Em seu voto, favorável à cassação do mandato do senador por quebra de decoro parlamentar, ele afirmou que Demóstenes mentiu sobre as relações com Cachoeira, para quem atuava como um “despachante de luxo”.
Em seu relatório, Costa classificou como curiosa a justificativa de Demóstenes para o grande número de ligações telefônicas trocadas com Cachoeira, que teriam sido para discutir o problema conjugal que culminou com a separação da atual mulher de Cachoeira, Andressa Mendonça, do suplente do senador, Wilder Morais, mas o assunto não constar nas interceptações da Polícia Federal.
Decoro – Costa sustentou que o colega mentiu ao afirmar desconhecer as atividades ilícitas de Cachoeira e afirmou que não considera possível Demóstenes não saber da “folha corrida” de Cachoeira, tendo sido secretário Segurança Pública e chefe do Ministério Público Estadual de Goiás e ironizou que Demóstenes teria dito que esqueceu de fatos recentes, portanto o senador estaria sofrendo de uma amnésia seletiva
O relator lembrou ainda que o envolvimento do bicheiro com máfias do exterior foi denunciado ainda na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos, em 2006 e da qual Demóstenes participou. “Tudo posto, é de se concluir que a vida política do senador Demóstenes Torres, desde 1999, gravita em tornos dos interesses de Carlinhos Cachoeira no ramo de jogos de azar”.
Defesa – Logo no início da sessão, a defesa teve 30 minutos para as considerações finais no processo. Demóstenes não compareceu à sessão e foi representado pelo advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay.
Ele buscou desqualificar as provas do envolvimento de Demóstenes com o grupo de Carlinhos Cachoeira. Ele negou que seu cliente tenha quebrado decoro. “Ele não praticou ato ilícito e não mentiu”, disse.
Quanto à cassação, Kakay disse que era uma atitude “desproporcional” atribuindo o julgamento ao fato dele ter recebido um telefone celular de presente.
Votação – O relatório foi aprovado por unanimidade. Agora o processo segue para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e de lá, segue para o plenário, onde o voto é secreto.
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