Archive for the ‘Política Internacional’ Category
Para embaixador Ricupero, Rio+20 é menos ambiciosa que a Rio-92, mas pode produzir resultados importantes
FABRÍCIO MARQUES | Edição Online 20:34 7 de março de 2012
O Brasil deveria atuar na Rio+20 como um “facilitador de consensos” em vez de defender posições particulares. “É o que se espera de um país anfitrião e é o que o Brasil fez na Rio-92, quando procurou costurar acordos com outros grupos”, afirmou o embaixador e ex-ministro do Meio Ambiente Rubens Ricupero, que fez uma conferência na quarta-feira (7) no BIOTA-BIOEN-Climate Change Joint Workshop: Science and Policy for a Greener Economy in the context of RIO+20, evento patrocinado e organizado pela FAPESP.
Os resultados da Rio+20, que ocorre em junho no Rio de Janeiro, serão forçosamente menos ambiciosos do que os da cúpula de 1992 . “Eventos que comemoram eventos anteriores são problemáticos. A comemoração nunca é igual ao evento original, apenas a memória. Por isso, já nascem um pouco esvaziados. A Rio-92 foi catalisadora de duas convenções, a do Clima e a da Biodiversidade, e teve um intenso processo de negociação”, afirmou. O ambiente agora é bem distinto, diz Ricupero.
O embaixador participa de um grupo de especialistas, políticos e intelectuais que está produzindo um documento, a ser apresentado ao governo, à opinião pública e à organização da conferência, propondo a necessidade de tornar a Rio+20 mais assertiva em relação à seriedade da crise ambiental e de tratar de temas como a perda massiva da biodiversidade e os efeitos do aquecimento global, ainda que a cúpula não tenha mandato para tomar decisões sobre tais assuntos, objetos de outras conferências. O documento também será discutido por um fórum de ex-ministros do meio ambiente, do qual o embaixador participa.
Ainda assim, a Rio+20 pode produzir alguns resultados importantes, diz Ricupero. A criação de uma agência especializada em meio ambiente na ONU, ideia acalentada pela Europa, mas criticada pelo Brasil e os Estados Unidos, poderá ocorrer, segundo Ricupero, mas terá uma engenharia bastante complexa. Já o fortalecimento do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), hoje esvaziado, é mais factível no curto prazo. “A conferência pode dar um strong mandate para o PNUMA, que poderia ser referendado rapidamente pela Assembleia Geral da ONU.” Além da oposição de alguns países, existe uma resistência velada à mudança proveniente de uma série de instâncias dentro das Nações Unidas. “Há uma fragmentação de secretariados, cada um deles especializado em uma das grandes convenções, como a da camada de ozônio, a da mudança climática, a da diversidade biológica, a sobre desertificação. Quando se fala em criar sinergias, muita gente fica com medo de perder o emprego.”
Ricupero questionou a posição brasileira de se opor à criação da agência por considerar que ela daria ênfase exagerada à questão ambiental, que é apenas um dos pilares do conceito de sustentabilidade. “O pilar ambiental tem uma importância especial – sem ele, a sustentabilidade não existe”, afirmou. “É possível, contudo, que as negociações possibilitem demonstrar que a nova organização contribuiria igualmente para reforçar os aspectos de desenvolvimento sustentável e as implicações sociais, tornando viável a criação da entidade, o que seguramente representaria um dos resultados mais importantes da conferência”, afirmou.
Ricupero se disse preocupado com o “atraso” do sistema político brasileiro em relação à questão ambiental e disse que o governo federal deveria articular suas políticas na área de forma a envolver as ações de todos os ministérios, e não somente na Pasta do Meio Ambiente. “Já fui ministro do Meio Ambiente. É uma pasta com pouca força”, afirmou. “No início do governo Dilma, o ex-ministro da Casa Civil Antonio Palocci propôs-se a coordenar políticas ambientais relacionadas a todas as esferas de governo, mas depois que ele saiu a iniciativa se esvaziou”, afirmou. Um resultado dessa desarticulação, afirmou o embaixador, pode ser visto na divulgação do ranking dos países que, para enfrentar a crise econômica, lançaram mais políticas ambientalmente corretas. “O 1º lugar coube à China, que atualmente tem o maior parque de energia solar e o 2º de energia eólica. O 2º foi a Coreia do Sul. O Brasil só tinha uma política a mostrar, que foi a redução de impostos para aparelhos da linha branca que economizam energia. E ela nem está vigorando mais.”
Fonte: http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/03/07/o-pa%C3%ADs-deve-costurar-consensos-segundo-ricupero/
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Porto Alegre estará sediando o 8º Congresso Internacional de Turismo da Rede Mercocidades, no Hotel Embaixador, nos dias 22 e 23 de março de 2012.
O Congresso Internacional de Turismo da Rede Mercocidades 2012 servirá para debater, discutir e articular propostas de parcerias entre o setor público e o privado para que o turismo possa contribuir ainda mais para o incremento da economia nos países e nas comunidades locais, com a melhoria da sua economia, aumento da geração de emprego e renda, a integração regional, dentro das diretrizes da Rede Mercocidades.
Sua pauta pretende incentivar a articulação entre os diferentes segmentos vinculados ao setor de turismo para promover a criação de novos produtos e destinos turísticos que possam oferecer cada vez mais melhores serviços e maiores condições para que o mercado possa atender as demandas do turismo, as quais exigem medidas cada vez mais inovadoras, eficientes e eficazes.
A partir dos governos locais, com a implementação de políticas voltadas para o desenvolvimento sustentável e da participação do setor empresarial, com o seu conhecimento do mercado e sua capacidade de empreendedorismo,temos a expectativa de que os resultados do Congresso estarão refletidos nas ações a serem empreendidas a curto e médio prazo, haja vista as demandas que o turismo enfrentará nos próximos anos, com o advento da Copa do Mundo 2014 e Olimpíadas 2016 que beneficiarão também – além do Brasil – os demais países do Mercosul.
Programação do 8º Congresso Internacional de Turismo da Rede Mercocidades
22-03
• 10 às 12 horas: Abertura do Congresso Internacional de Turismo:
Prefeitura Municipal de Porto Alegre, SMTUR, SMGL, Coordenação da UTT, Secretaria Executiva e STPM da Rede Mercocidades e autoridades convidadas
• 14 às 15 h: O papel da imprensa e o setor de turismo – O que é notícia no turismo e a sua vinculação com a imagem turística localROQUE BAUDEAN
Presidente del Circulo de Periodistas de Turismo del Uruguay (CIPETUR) e Coordenador Geral del FORUM DE PRENSA TURISTICA DEL MERCOSUR – Uruguai
ELENA VILLAR
Presidente Prensa de Turismo de Peru – PRENSATUR Peru
HELCIO ESTRELLA
Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo – ABRAJET Brasil
JORGE AMONZABEL –
Presidente de Círculo de Periodistas de Turismo de Bolivia – CIPTURBOL Bolivia
BASKO ASÚN
Primeiro Vice-presidente de Asociación de Periodistas de Turismo de Chile – APTUR Chile
SALVADOR ALVES DIAS
Associação Jornalistas Europeus – PortugalCOORDENAÇÃO DO PAINEL: ROQUE BAUDEAN
Presidente del Circulo de Periodistas de Turismo Del Uruguay ( CIPETUR ) e Coordenador Geral del FORUM DE PRENSA TURISTICA DEL MERCOSUR – Uruguai• 15 às 16 h: Copa do Mundo 2014 – Oportunidades, intervenções, desafios e perspectivas
JOÃO BOSCO VAZ
Secretário da SECOPA Município de Porto Alegre – Brasil
AMANDA PAIM
Coordenadora do Programa SEBRAE 2014 – Brasil
GERARDO VIÑALES
Diretor de Desportes da Intendência Departamental de Maldonado – UruguaiCOORDENAÇÃO DO PAINEL: IVANE FÁVERO
Secretária de Turismo de Bento Gonçalves – Brasil16-16:15 horas: Intervalo
• 16:15 às 17:15 h: Turismo e Cultura – Projetos integrados no Mercosul
SERGIUS GONZAGA
Secretário Municipal da Cultura de Porto Alegre – Brasil
MARCIANO DURAN
Diretor de Cultura da Intendência Departamental de Maldonado – UruguaiCOORDENAÇÃO DO PAINEL: NORMA MOESCH
Secretária Municipal de Turismo de Santa Maria – Brasil• 17:15 às 18:15 h: Potencialidades do Turismo Rural – demandas e parcerias com os países do Cone Sul
ANDREIA ROQUE
Presidente do Idestur – Instituto de Desenvolvimento de Turismo Rural – Brasil
GABRIEL ANDRADE
Diretor da Licenciatura em Turismo da Universidade Católica do Uruguai, representante do Conglomerado de Turismo de Montevideo – UruguaiCOORDENAÇÃO DO PAINEL: CLEBER QUADROS VIEIRA
Sindicato Rural de Porto Alegre
23-03• 10 às 11 h: Plataformas Educativas – apresentação de experiências e a viabilidade de parcerias internacionais
CARLOS HENRIQUE FERRAZ DE VASCONCELOS
Diretor de Planejamento da Avante Brasil Tecnologias Educacionais – Brasil
LUIS GUSTAVO PATRUCCO
Professor do Curso de Especialização em Administração Hoteleira e do Curso de Analise e Desenvolvimento de Sistemas
PAOLA LAMARCA
Agencia Nacional de Investigación e Innovación – ANII – UruguayCOORDENAÇÃO DO PAINEL: RUTE FAVERO
Professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Coordenadora da Educação à Distância da UFRGS• 11 às 12 h: Produtos e Projetos Regionais Integrados no Cone Sul – possibilidades e perspectivas de parcerias e negócios
CARLOS PEÑA GAMBETTA
Universidade da Republica do Uruguai – Uruguai
JOÃO LUIZ DOS SANTOS MOREIRA
Presidente da Confederação Brasileira de Convention & Visitors Bureaux – Brasil
CARLOS GARCÍA SANTOS
Presidente de Destino Punta del Este – Uruguai
VITOR ORTIZ
Secretário Executivo do Minisério da Cultura – BrasilCOORDENAÇÃO DO PAINEL: CEZAR BUSATTO
Secretário Municipal de Governança Solidária• 14 às 15:30 h: Turismo de Fronteiras
JORGE ARIEL RODRIGUEZ
Diretor do Projeto IN e Coordenador da Secretaria Técnica Permanente da Rede Mercocidades – Uruguai
EDUARDO NEY OLIVERA
Secretário Municipal de Turismo de Sant’Ana do Livramento – Brasil
FAISAL SALEH
Secretário de Turismo do Estado do Paraná – Brasil
PATRIC LOTTICI KRAHL
Diretor do Departamento de Relações Internacionais do Ministério do Turismo – BrasilCOORDENAÇÃO DO PAINEL: LUIZ FERNANDO MORAES
Secretário Municipal de Turismo de Porto Alegre – Brasil15:30 às 15:45 horas: Intervalo
• 15:45 às 17:15 h: Capitais Gauchas/ Rota Tche – Capitales Gauchas / Ruta Che
ÁLVARO BERTONI
Direção Geral de Turismo da Intendência Departamental de Maldonado – Uruguai
HÉCTOR DE BENEDICTIS
Presidente do Ente Turístico de Rosário – Argentina
LUIZ FERNANDO MORAES
Secretário Municipal de Turismo de Porto Alegre – BrasilCOORDENAÇÃO DO PAINEL: CLAUDIO MAGNAVITA
Jornalista, Presidente do Jornal de Turismo e membro titular do Conselho Nacional de Turismo – Brasil• 17:15 às 18:15 h: Encerramento
Prefeitura Municipal de Porto Alegre, SMTUR, SMGL, Coordenação da UTT, Secretaria Executiva e STPM da Rede Mercocidades e autoridades convidadas
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http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/arnaldo-jabor/2012/03/08/MULHER-NAO-E-UM-ENIGMA.htm
Como não poderia deixar de ser, tratando-se da Rede Globo, através da CBN, o teor do pronunciamento é assustador para todos aqueles que lêem criticamente a história e que posicionam-se favoravelmente aos avanços da democracia e dos direitos humanos. Arnaldo Jabor, com extremo requinte, embala sua peça retórica em elevada sutileza, capacidade que lhe é evidente, e conduz o argumento de tal modo que, seguindo sua lógica, fica plantada a semente da rejeição da celebração, no dia 8 de março, do Dia Internacional da Mulher.
Jamais eu havia visto, sequer nos anos do regime militar, alguém que tivesse a coragem e a disfaçatez de voltar-se contra a celebração do dia 8 de março.
Vejam a maestria sedutora dessa peça do conservadorismo social e político que só poderia resultar da esgrimia boçal de Arnaldo Jabor:
Ele começa trazendo para o discurso algo absolutamente inconteste: não existe “a” mulher, como peça de idealização abstrata do idealismo filosófico, claro, afirmação irrefutável. Existem as mulheres, cada uma com sua característica, sua trajetória, sua personalidade e seus ideais.
A essa afirmação inconteste, Jabor acrescenta uma afirmação que não encontra alicerce em nenhum estudo ou pesquisa sobre a construção do discurso acerca das mulheres: que, ao invés de referir-se às mulheres concretas, a referência à mulher “genérica” seria uma construção teórica dos “machos” para acentuar seu papel protetor!!!
Ele é realmente um gênio do marketing: começou atraindo a concordância universal dos ouvintes para nadando sobre ela inserir uma afirmação desprovida de qualquer fundamento e com isso convocar as mulheres à um sentimento subliminar de rejeição dessa suposta ardileza masculina.
Obviamente, ele não explicou quando foi que os homens reuniram-se em assembléia ultrapassando suas imensas divergências para deliberarem sobre essa estratégia de generalização da figura feminina para manter sobre as mulheres seu domínio.
Assim como ele também não explicou como foi que o dia 8 de março começou a ser celebrado, nem sua motivação. Lógico: alguém pago pela Rede Globo, utilizando-se de sua máquina de dissimulação e de difusão do conservadorismo, iria informar que a Celebração do Dia Internacional de Luta das Mulheres nasceu como decisão dos trabalhadores e das trabalhadoras de sindicatos de dezenas de países para homenagear trabalhadoras assassinadas pelos patrões no capitalismo dos Estados Unidos do século XIX?
Lógico que o Jabor não iria dizer que aquelas trabalhadoras entraram em greve dentro das fábricas para combater o regime de alta exploração do trabalho em jornadas fustigantes de 16 horas por dia de trabalho a que eram submetidas elas e seus filhos – as crianças eram usadas debaixo das pesadas máquinas por serem pequenas – no nascente capitalismo industrial americano.
Lógico que o Jabor não iria dizer que aquelas trabalhadoras foram trancadas na fábrica que depois foi incendiada por ordem dos empresários capitalistas para que, além de matar aquelas grevistas, deixar claro o tratamento que o capital daria a quem a ele se opusesse.
Omitindo a luta concreta das trabalhadoras e o sofrimento que suas mortes representou para todos os trabalhadores que desenvolviam sentimentos de solidariedade internacional de classe, Jabor pode dizer que não há o que se celebrar, uma vez que não existem mulheres “genéricas”.
Mas, para quem estuda o tema das relações sociais de produção, dos processos históricos, das conquistas dos movimentos populares e sociais, das lutas dos trabalhadores e das relações de gênero com respeito pelos acontecimentos e honestidade intelectual, não há como não se ofender com a boçalidade desse áudio de Arnaldo Jabor.
8 de março deve ser uma festa de homens e mulheres do mundo inteiro. Uma celebração do brio, da fibra e da dignidade. Do destemor ante a opressão. Não importa o nome que se lhe dêem os empresários e publicitários. É claro que eles vão tentar menosprezar a dimensão da luta anticapitalista da data. Vão acentuar a dimensão psicológica, o papel da mulher no lar, sua autonomia. Vão mostrar o espaço obtido por algumas empresárias ou executivas. Eventualmente, serão obrigados a citar a luta pelo direito ao voto.
Quando uma extraordinária mulher, Dilma Roussef, assume a Presidência da República, sucedendo a um extraordinário presidente operário, Lula, sem título universitário, estragando com a estratégia minimalista das empresas de comunicação reacionárias, serão obrigadas a reconhecer o papel das mulheres na luta contra a democracia, inclusive com o sofrimento da sevícia e da tortura, mas vão tentar fazer parecer que isso se tratou apenas de luta no campo das idéias, pura “ideologia” dos “revolucionários”, como se sua ideologia não se alimentasse dos processos de lutas sociais travadas em todos os campos da realidade do país, na discussão da posse da terra, da propriedade, do trabalho.
Jamais ouvi uma barbaridade tão grave e de tamanho desrespeito pelas trabalhadoras e pelos trabalhadores que constróem a solidariedade e gestam no seu interior todos os direitos democráticos que hoje defendemos e lutamos para implantar.
Abaixo a Globo, abaixo a CBN, abaixo o Arnaldo Jabor!
Viva o dia internacional da mulher, o dia internacional das lutas das mulheres, o dia 8 de março!
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Em sua 1ª entrevista desde a redemocratização, general que deu golpe em 1976 diz que regime militar ‘cumpriu objetivos’ e agradece ajuda da Igreja
16 de fevereiro de 2012 | 21h 24
Ariel Palacios CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES
BUENOS AIRES – “A ditadura militar cumpriu seus objetivos.” Com estas palavras o general Jorge Rafael Videla justificou o golpe militar do qual participou em 1976, dando início a um regime militar de sete anos de duração, que deixou milhares de civis torturados e mortos pela ditadura, além de centenas de milhares de exilados políticos e econômicos.
Em entrevista à revista espanhola Cambio 16 – suas primeiras declarações à imprensa desde o fim da ditadura, em 1983 – Videla, de 87 anos, que está preso há vários anos na Unidade 34 do Serviço Penitenciário do quartel de Campo de Mayo por crimes contra a humanidade, reconheceu a morte de 7 mil civis por parte da ditadura.
A declaração significa uma drástica mudança na posição de Videla, que durante as últimas três décadas, nos diversos julgamentos aos quais foi submetido, negou a existência de desaparecidos, de uma política sistemática de campos de concentração e da eliminação física dos críticos do regime.
Na entrevista, concedida à publicação madrilenha após oito meses de negociações, Videla desconsiderou o número de 30 mil desaparecidos, estatística defendida pelas organizações de direitos humanos desde 1983, além de negar os 10 mil mortos oficiais registrados pela Comissão Nacional de Desaparecidos (Conadep), dirigida nos anos 80 pelo escritor Ernesto Sábato.
O ex-ditador, que cumpre duas penas perpétuas pelo assassinato de civis, afirma que os julgamentos de ex-integrantes da ditadura – que ocorreram desde a revogação das leis do perdão em 2004 no Parlamento e a confirmação dessa medida pela Corte Suprema em 2007 – “não são justiça, mas vingança” dos governos do ex-presidente Néstor Kirchner e da presidente Cristina Kirchner. “Agora predomina o espírito de absoluta revanche. Não existe justiça.”
Videla – que até esta semana só havia falado no banco dos réus e para os escritores de uma biografia sua, O Ditador – reclamou que os militares são tratados como “os malvados” e os integrantes de grupos “terroristas” (os guerrilheiros e militantes de organizações como Montoneros e o Exército Revolucionário do Povo) são apresentados como os “bons”.
O ex-ditador sustentou que sua relação com o clero foi excelente. “Mantivemos uma relação muito cordial, sincera e aberta”, afirmou. “Capelães militares davam assistência para nós e nunca foi quebrada essa relação de colaboração e amizade.”
Avaliação. Segundo Videla, a situação institucional atual, com o governo da presidente Cristina Kirchner, é “pior” do que na época de María Estela Martínez de Perón, mais conhecida como “Isabelita”, a presidente que o general depôs em 24 de março de 1976.
As declarações do militar tiveram ampla repercussão. Taty Almeida, uma das líderes das Mães da Praça de Mayo-Linha Fundadora, afirmou que Videla e outros ex-ditadores “estavam acostumados à impunidade e nunca imaginaram que um dia chegaria a Justiça legal”. A organização Hijos, composta por filhos de desaparecidos, respondeu a Videla: “Nossa única vingança é a de ser felizes”.
Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,videla-admite-execucoes-em-ditadura-argentina,836890,0.htm
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Obviamente, este desafio tem como consequência também a instalação de novas estruturas e instituições que vão reforçando a tessitura dos laços comuns que vão sendo firmados, e este é um esforço gradativo, carente de criatividade para adequar tais instrumentos às efetivas necessidades da relações que se vão fortalecendo entre os Estados-Parte.
Assim foi com o Focem, a Unila, o Instituto Social do Mercosul, o Parlasul, dentre outros, e também é com o FAF Mercosul – Fundo de Agricultura Familiar do Mercosul, que foi aprovado há pouco tempo nas reuniões das Cúpulas do Mercosul e que agora está em fase de aprovação pelos parlamentos de cada um dos países.
Apesar dessa compreensão, ressalto que o FAF Mercosul começa com uma destinação muito pequena de recursos, apenas equivalentes a US$ 360.000,00. Esse valor é absurdamente pequeno, o que significa dizer que o FAF Mercosul tem muito mais o aspecto de uma iniciativa simbólica do que um efetivo compromisso dos países em se comprometer com a agricultura familiar integrada na comunidade do Mercosul.
Sinal preocupante.
Câmara aprova Fundo de Agricultura Familiar do Mercosul
Projeto será enviado para análise do SenadoA Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta, dia 15, o projeto de decreto legislativo (PDC) 2841/10, que regulamenta o Fundo de Agricultura Familiar do Mercosul (FAF Mercosul). O fundo foi criado em 2008 para financiar programas e projetos de estímulo a pequenos agricultores nos países membros. O projeto será enviado para análise do Senado.
O regulamento estabelece que os países integrantes do Mercosul deverão contribuir anualmente com US$ 360 mil ao fundo. Esse valor será pago de duas formas: uma contribuição fixa de US$ 15 mil de cada país membro e uma proporcional de acordo com a condição econômica de cada país. O Brasil pagará 70% dos R$ 300 mil restantes; a Argentina, 27%; o Uruguai, 2%; e o Paraguai, 1%.
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