Archive for the ‘Poesia’ Category

É impressionante como a maioria das pessoas realmente não consegue aprender uma das mais básicas das lições que ensinam os pais, a quase totalidade das religiões e, além disso, os grandes intelectuais de qualquer ramo da ciência, em seus estudos epistemológicos, ou ainda os filósofos, quando escrevem sobre a axiologia: não se deve julgar as pessoas pelas aparências.

Diagnósticos médicos ou sociais não se faz em um ou dois meses; verdadeiras construções não se fazem sem a edificação dos alicerces; democracia não se resume a voto nem a vitória, nem mesmo do fato de participar de maiorias; redes e “networking” não são produtos de tagarelices nem de divulgação de fotografias, ainda que alguns se envaideçam de verem suas fotos nas colunas sociais, nos jornais e na própria internet; velocidade não é sinônimo de desempenho, de produtividade nem de eficácia.

Agradeço a Deus pela paciência que me dá e pelo conforto que resulta sobretudo da fé, que Ele me confere como dom. Agradeço minha vida, me orgulho de minha história. Me orgulho dos amigos que tenho, de longos anos de convivência, e daqueles que, mesmo divergindo de mim, hoje me respeitam e sabem da integridade de meus passos.

Sem nenhuma presunção, sei quanto ainda tenho que aprender e, humildemente, aprendo a cada dia, atento à inteligência e à capacidade técnica dos que estão ao alcance de minha observação ou das informações que posso obter pela leitura e estudo.

Agradeço mesmo aqueles que se opuseram a mim, que não me compreenderam, ou ainda aqueles que pensavam convencer-me pelas indiretas ou pela encenações.

Mesmo quando tudo aparenta contradizer minhas motivações, confio em Deus, que Ele me propiciará discernir o melhor caminho. Não deixo de sofrer, é lógico, sou repleto de fragilidades. Mas, também possuo uma grande força, para passar pelas dificuldades com os olhos atentos no futuro, buscando fazer o bem, hoje… e amanhã… e depois de amanhã, também.

As pessoas não precisam estar mais bem vestidas, precisam ser melhores

O amor, a única coisa verdadeiramente relevante na vida

Tornar-se pessoa

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Queda Prohibido – Pablo Neruda

Queda prohibido llorar sin aprender,
levantarte un día sin saber que hacer,
tener miedo a tus recuerdos.

Queda prohibido no sonreír a los problemas,
no luchar por lo que quieres,
abandonarlo todo por miedo,
no convertir en realidad tus sueños.

Queda prohibido no demostrar tu amor,
hacer que alguien pague tus deudas y el mal humor.
Queda prohibido dejar a tus amigos,
no intentar comprender lo que vivieron juntos,
llamarles solo cuando los necesitas.

Queda prohibido no ser tú ante la gente,
fingir ante las personas que no te importan,
hacerte el gracioso con tal de que te recuerden,
olvidar a toda la gente que te quiere.

Queda prohibido no hacer las cosas por ti mismo,
tener miedo a la vida y a sus compromisos,
no vivir cada día como si fuera un ultimo suspiro.

Queda prohibido echar a alguien de menos sin
alegrarte, olvidar sus ojos, su risa,
todo porque sus caminos han dejado de abrazarse,
olvidar su pasado y pagarlo con su presente.

Queda prohibido no intentar comprender a las personas,
pensar que sus vidas valen mas que la tuya,
no saber que cada uno tiene su camino y su dicha.

Queda prohibido no crear tu historia,
no tener un momento para la gente que te necesita,
no comprender que lo que la vida te da, también te lo quita.

Queda prohibido no buscar tu felicidad,
no vivir tu vida con una actitud positiva,
no pensar en que podemos ser mejores,
no sentir que sin ti este mundo no sería igual.

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Uma dor doída,
dói minha cabeça,
minh’alma,
meu coração

Quanta dor e medo?
quanta angústia?
quanto tempo sob a tensão?
pode o homem suportar?

A quantas armadilhas
podemos resistir,
se elas estão postas no caminho
que fazemos,
como que na escuridão?

Dor, que me persegue,
afasta-te de mim,
deixa livre minh’alma,
que só quer sorrir
que a paz, apenas, anseia
sem outra ambição,
afasta-te de mim,
deixa-me sorrir.

Edmar Roberto Prandini, 6 de março de 2012

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Tenho um amigo que conheci aqui, em Cuiabá, por ocasião do curso de formação do concurso de gestores governamentais do Estado do Mato Grosso. É um rapaz bastante bacana, possui formação evangélica e procura vivenciar sua religiosidade com a máxima dedicação.

Algumas vezes, ontem aconteceu novamente, ele me encaminha endereços de vídeos no youtube de um determinado pastor de quem ele é admirador e que gosta de ouvir.

O vídeo de ontem tinha cerca de 15 minutos de duração e se tratava de uma longa explanação sobre a possibilidade, que o pastor defendia, da pessoa selecionar os conteúdos de seus pensamentos. Segundo o pastor, “a pessoa é seu pensamento”, de modo que escolher os conteúdos do seu pensar, conformam-lhe a identidade que possuem.

É evidente nesta linha argumentativa, e chega a ser impressionante, a presunção de força da racionalidade intelectiva que seria capaz de expelir quaisquer conteúdos “inadequados” ou “improdutivos” da mente da pessoa. A pessoa detentora plenamente da seletividade dos conteúdos de seu pensamento poderia evitar a tristeza, o abatimento, o “materialismo”, o “erotismo”, todos os demais “pensamentos” provenientes dos influxos da realidade e dos sentimentos, que representariam, nesta interpretação, uma forma de submissão da pessoa que ainda não exerceria, desse modo, sua plena capacidade seletiva sobre os conteúdos de seu pensar.

Ao contrário, a pessoa plenamente seletiva de seus pensamentos poderia, prossegue o pastor, subordinar intencionalmente os seus pensamentos ao “espírito”, de modo que assim, conformar-se-ia o homem de fé, fiel à Palavra de Deus e ao seu Espírito. Então, diz o pastor, “dize-me o que pensas, que lhe direis quem és”.

Manifestacion - Antonio Berni

Sou absolutamente crítico desse tipo de consideração.

Considero-me alinhado filosoficamente ao materialismo, o que quer dizer que importo-me com o que acontece no mundo exterior ao intelecto humano, ou seja, preocupo-me com a organização das relações sociais firmadas no convívio humano, preocupo-me com os processos de produção e distribuição dos benefícios gerados pelo trabalho humano, preocupo-me com a ação dos indivíduos e seus impactos tanto nos demais integrantes da sociedade quanto sobre a natureza.

Respeito que os seres humanos sejamos intelectualmente complexos, que nossas consciências vivenciem dilemas e dúvidas, que nossas interioridades sejam contraditórias, em muitos momentos. E, não pretendo eliminar essas realidades do campo de nossos sentimentos ou pensamentos, porque considero infrutíferos tais anseios.

Preocupo-me, isso sim, com o modo de agir, com as atitudes, com o posicionamento das pessoas nos processos objetivos da vida, da história, da ordem social. Assim, pouco me importa se a pessoa tem fala mansa ou um discurso mais inflamado, se usa um vocabulário mais elaborado ou um discurso simplório, se veste-se com requinte ou como um “jeca tatu” (minha mãe usava bastante essa expressão).

Importa-me, isso sim, se a pessoa investe na construção do grupo, da colegialidade, da democracia e da coletividade. Importa-me se a pessoa apoia os movimentos em favor dos direitos dos pobres, dos direitos humanos, da justiça social, da força do direito aplicada às elites econômicas e políticas, da inovação dos processos de vivência da democracia.

Eis, para mim, o que distingue o joio do trigo, para usar a alegoria bíblica, como o tal pastor a que me referi acima tantas vezes faz.

Importa-me a prática da vida e das relações sociais, importam-me os posicionamentos relacionados às lutas sociais. Importa-me a grandeza de interessar-se pelos bens alheios, que efetivem a justiça, sem interesse pessoal imediato, onde identifico a generosidade e o altruísmo.

Ao contrário do referido pastor, que interessa-se pela seletividade do pensamento, minhas epistemologia e axiologia selecionam pelo posicionamento social e político, porque possuem incidência direta nas condições de vida e de sua reprodução.

Minha máxima, então, é: “dize-me o que fazes e te direis quem és!”

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Fim das “férias”… restritas, sem viagem, sem descanso, buscando construir caminhos, alternativas, quase sem nenhuma ferramenta, só o anseio de viver o bem, de agir com retidão, sustentando a esperança na distante utopia, que, por vezes, parece não encontrar mediações que visibilize sua concretude. Tantos obstáculos, percalços, resta seguir, acreditar, lutar, vencer. Nada de abatimento, é hora de decisão, espírito aguerrido. Afinal, lembrar Pinheirinho, comemorar a Ficha Limpa, revigorar a moral no exemplo do Pedro Leão. Confiar, vencer.

Edmar, 29/02/2012

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