Archive for the ‘Mídia’ Category
O atual presidente nacional do PT, deputado Rui Falcão, fez um discurso bastante interessante, em que destacam-se dois temas centrais: a questão da Regulação da Mídia e da Reforma Política. No artigo que publiquei dias atrás, sobre o aniversário de 33 anos do PT, apontei a importância destes dois temas, dentre outros que destaquei.
Segue, abaixo, o discurso de Rui Falcão.
Quero dizer a vocês que neste momento em que realizamos esta reunião, estou completando 50 anos de militância, desde que, em 1963, ingressei no antigo PCB atraído pelos sonhos de concretizar as reformas de base no Brasil. Reformas que continuam atuais e pelas quais nós lutamos em outra conjuntura e alguns aqui estiveram naquele período também.
Esses sonhos logo se transformaram em pesadelo com o golpe de 64, que trouxe com ele mortes, torturas, exílios, prisões e muitas lições também. De lá para cá, aprendi a cultivar alguns valores, virtudes, que se não são exatamente universais, são perenes, são permanentes e valem sempre ser mencionados.
Quero me referir aqui à lealdade, ao companheirismo, à solidariedade, à camaradagem, que são, para mim, componentes de qualquer militante. São valores e virtudes que foram muito bem sintetizados por um militante negro, Eldridge Cliver que em seu livro “Alma no Gelo”, resultante de um relato de experiência na prisão, dizia que para ele um militante tinha de ser um alvo fácil. Ou seja, para além da identidade política fundamental da nossa atuação partidária, que a gente estendesse essa identidade política para os laços de confiança inclusive pessoais, das amizades, das relações pessoais, naquilo que modernamente hoje se chama de subjetividade.
Estou falando isso porque encontrei, em cada um e em cada uma de vocês, momentos de cada uma dessas virtudes, e foram essas virtudes de lealdade, de companheirismo, de confiança que fizeram vocês, há pouco menos de 2 anos, me delegarem essa missão honrosa, mas também muito difícil, de presidir o PT.
Por essa confiança que vocês depositaram em mim, faço aqui um reconhecimento público, um tributo de agradecimento e também de compromisso porque a partir dessa indicação aqui, estou me comprometendo a me empenhar cada vez mais para que nossos objetivos, nossos programas e nossos sonhos de transformação da sociedade brasileira possam ser alcançados como obra coletiva. Porque a ação dos partidos políticos é organizar o povo para fazer política coletivamente, organizar a política com o povo para fazer a transformação social.
É importante que eu faça esse reconhecimento aqui porque não foram só os companheiros da Executiva ou da Direção Nacional, mas em cada Estado, em cada cidade que eu palmilhei, antes e ao longo da campanha eleitoral, encontrei companheiros e companheiras que me fizeram este gesto e que, portanto, me encorajaram, me fortaleceram e ajudaram para que a gente pudesse chegar aonde chegamos.Há outras lideranças que foram referência para nós neste começo de militância, como o Che Guevara que dizia que era preciso endurecer sem perder a ternura jamais. Já que tive muita ternura entre vocês, é bom saber que, agora, vamos viver um período de muita dureza. Não dureza dos comportamentos e relações, dureza para o enfrentamento da luta de classes que, embora muitos entendam que ela desapareceu, ela existe a despeito de nossa vontade.
Como bem lembrou Warren Buffett, um dos homens mais ricos do mundo, citado num livro do geógrafo marxista David Harvey, “O Enigma do Capital”. Diz ele: “A luta de classes está aí, e viva, presente. E ainda bem que nós estamos ganhando É importante que nós acumulemos forças para ganhar esta luta. Não apenas do Warren Buffet, mas para que o PT, como referência internacional que é, também, possa ao longo do 5º. Congresso construir uma plataforma de luta anticapitalista nesta fase chamada pós-neoliberal, porque o PT tem contribuições na sua experiência de lutas, nas suas formulações, de construção de uma sociedade democrática. E acho que esta é uma das principais tarefas do nosso 5º. Congresso.
Até porque o PT não pode ser apenas um partido que se mobiliza a cada 2 anos para disputar as eleições, muito embora a disputa das eleições seja igualmente relevante porque nós nos dispusemos a construir uma sociedade nova pela via democrática, da disputa do voto, mas também da disputa da hegemonia e de idéias na sociedade.
Nesta conjuntura que se abre, está sendo precipitada uma campanha feroz pelos nossos adversários contra o PT e o nosso governo. O pronunciamento de Dilma, dia 23 de dezembro, identificou claramente que há nós e eles. E eles não são apenas o DEM, o PSDB e PPS, eles são uma oposição extrapartidária, que reúne um grande bloco com grandes capitalistas com peso dominante do capital financeiro, que agrega a mídia monopolizada, setores do aparelho do Estado, grandes funcionários do aparelho do Estado, do Judiciário e do Ministério Público. Esta é a verdadeira oposição no país, que se vocaliza no jogo político parlamentar através desses 3 partidos a quem ainda subordina na sua orientação e com vínculos, inclusive, em áreas internacionais. Um exemplo dessa junção está presente no chamado Instituto Milenium que se ainda não tem o peso, não está na conformação, metido no golpismo, mas está próximo disso, precisa ser combatido de frente por nós.
Estes setores tentam interditar a política. Ao fazerem a critica generalizada à classe política, fazem também uma desqualificação da política. E toda vez que a política é desqualificada, se abre o campo para a aventura e o fascismo. Esta interdição da política é realizada hoje pelos meios de comunicação monopolizados e pelo judiciário. É por isso que uma luta importante a travar, quer queiram alguns, ou não, o PT tem obrigação de travar a luta pela democratização dos meios de comunicação e tem inclusive base legal com a regulamentação dos artigos 220, 221 e 222 da Constituição Federal para desconcentrar o mercado (monopólios e oligopólios), promover as culturas regionais e nacional, valorizar a produção independente, para estabelecer cotas nacionais em todas as plataformas, para fazer a diferenciação entre a produção e distribuição de conteúdos, para universalizar a banda larga e proteger a radiodifusão, principalmente as emissoras comunitárias e para que a gente estabeleça uma Lei do direito de resposta.
Tem todo um apanhado de bandeiras que devem ser empunhadas pelo PT numa grande campanha pela regulação da mídia para que tenhamos a liberdade de expressão que, de um direito individual sob o liberalismo, já há muito tempo ganhou a expressão de direito coletivo, social e hoje inclusive interativo. É inadmissível — num país governado há 10 anos por nós, que, apesar da crise mundial, sustenta uma taxa de desemprego de 5%, evolução real da massa dos salários e do poder aquisitivo dos salários, que garante a erradicação quase total da miséria absoluta, que mantém a geração de empregos e a distribuição de renda, — que a gente não tenha correlação de forças e ofensividade para impor outra agenda ao país. Estas são tarefas que o PT ao longo desse ano precisa ter condições de realizar.
O outro movimento conjunto de interdição da política é a judicialização da política e a politização do judiciário. O processo político criminoso do julgamento da AP 470 e que uma pressão dos meios de comunicação e das elites dirigentes obriga a Suprema Corte a violentar todas as garantias constitucionais e a condenar companheiros sem provas materiais. É preciso que o parlamento possa estabelecer limites para isso. A idéia de que as decisões do Supremo não se discutem, se discutem sim, porque se há uma organização horizontal dos poderes na divisão clássica, do legislativo, do executivo e judiciário, é preciso também ter um corte vertical que é o da soberania popular garantida pelo voto.
O STF é passível de controle pelo voto, através da representação de deputados e senadores. Há sugestões, por exemplo, de fazer com que as decisões de suspensão total ou parcial por declaração de inconstitucionalidade de atos do executivo possam passar pelo Congresso Nacional ou Senado Federal para ter eficácia. Isso existe em muitos países, e o Congresso Nacional pode, regulamentando o art. 60, Inciso 10 da Constituição Federal, estabelecer limites constitucionais e legítimos à ação descontrolada do STF.Da mesma maneira, nosso líder colocará para discussão na bancada o tema da Reforma do Estado, e essas questões passam pela discussão com também a questão da Justiça Eleitoral que, além de normative, ela julga. Era preciso outro organismo eleitoral que cuidasse dessas questões.
Com nossa leniência e muitas vezes com nossa omissão eles vão invadindo áreas que são da soberania popular e isso está sendo um fenômeno mundial hoje. Nós que temos uma concepção mais avançada do Estado, da luta de classes, precisamos ter este tipo de iniciativa, aproveitar este momento de grande mobilização do partido com o PED e o 5º. Congresso, para levar nossa militância a se apropriar dessas questões e fazer a disputa na sociedade.
Sobre o pronunciamento da nossa Presidenta, a ofensiva de Dilma deve ser mantida e acelerada e ter ação de resposta permanente através de nossos parlamentares e ministros para fazer esta agenda avançar. Não temos porque ficar na defensiva, porque eles estão mudando a tática de ataque, que é sair da questão do mensalão, que não produziu os resultados esperados eleitoralmente, e passaram para uma desqualificação de vários pontos da nossa presidenta e do nosso governo.Qual a temática hoje? Houve uma fase que vivenciamos de jogar o Lula contra Dilma. Agora, a presidente virou má gestora, maquiou as contas públicas, a inflação está saindo do controle, as obras de infra estrutura não se realizam, não há investimentos, haverá racionamento de energia… Enfim, há toda uma pauta de desqualificação que não será interrompida. A escolha foi feita: agora, resolveram bater permanentemente para tentar desqualificar nossa presidenta. Precisamos ter uma ação partidária de celebrar publicamente e fazer a disputa permanente, com subsídios nas mãos da militância, sobre os nossos 10 anos de governos liderados pelo PT e alianças que mudaram a face do país. Em qualquer indicador que escolhermos, ganhamos deles, principalmente no combate à corrupção que virou uma bandeira. Se eles acham que vão nos impingir a pecha de corruptos, estão enganados. Qualquer dos indicadores dos 10 anos de governos Lula/Dilma ganha dos governos anteriores.
Vamos transformar a celebração dos 10 anos em debates regionais, chamando figuras da sociedade, aliados, para debates nas regiões. Temos marcos para celebrar nos 10 anos e na história dos 33 anos do PT. Isso nos dá discurso e condição de mobilização e precisamos defender os programas de nosso governo que são melhores que os anteriores.
Outra pauta é a reforma política. Vamos discutir no DN as assinaturas pela reforma política, uma pauta que passe pelo financiamento público de campanha, pela ampliação da participação popular, mas não é possível colocar num projeto de iniciativa popular, todo o trecho da emenda Fontana que seria impossível dialogar com a população em torno de todos os pontos, até porque muitos não são consensuais mesmo entre nós. Mas creio que o financiamento público exclusivo, com a lista e com a ampliação da participação popular, simplificando iniciativa popular, referendo e plebiscito, pode dar margem a fazer uma grande campanha de assinaturas, que coloque a militância na rua.
O 5º. Congresso será de atualização programática. Temos a idéia de convidar 2 companheiros, Ricardo Berzoini e Marco Aurélio Garcia, que são 2 ex-presidentes que conduziram muito bem e coordenaram 2 congressos nossos e a eles se juntará uma equipe de 1 representante de cada força política do PT, para que possamos, depois de debates aprofundados ao longo do ano, trazendo gente que se afastou temporariamente do PT, intelectuais, lideranças, etc, para contribuírem e para chegarmos em fevereiro de 2014 com uma tese que seja referência não só de balanço e de atualização, mas de passos futuros para nosso partido e nosso país. Listei pontos para debate como a questão da revitalização do PT, combate a indícios de burocratização, pragmatismo excessivo, necessidade de formação de novos quadros e quadros novos, reflexão teórica sobre a política destes 33 anos (praticamos e não temos elaboração teórica e reflexão sobre o que fizemos), o PT e a questão da solidariedade internacional (nossa dimensão do internacionalismo e o PT pode cumprir este papel inclusive com a referência do ex-presidente Lula), um conhecimento aprofundado da nova estrutura social brasileira, nossa analise de classes desde os anos 80 e muita coisa mudou neste período, se a gente não conhece a estrutura de classes, não divisa bem quem são os aliados, os adversários. A produção de conhecimento de forma mais permanente que possa ser apropriada socialmente e aí a FPA está se preparando para isso, a própria modernização de nosso partido, informatização de reduzir papel, comunicação mais ágil. Vinculação mais estreita e uma ação mais efetiva com os movimentos sociais, funcionamento mais ágil e programático de nossos setoriais preparando 2014, o partido precisa se alimentar dos setoriais. Nosso vínculo mais direto com a sociedade se dá através dos setoriais e é preciso ter outra dimensão da atuação dos setoriais. Debater a pauta de 2013 para que os companheiros setoriais comecem a adequar seus calendários e suas iniciativas a este programa mais geral para que a ação dos setoriais seja mais efetiva.
Deve haver a busca de novas linguagens para nosso partido e nosso governo. É preciso haver uma adequação de linguagem, de discurso e este é um trabalho que o PT precisa fazer na sua disputa de hegemonia.
A questão do governo democrático e popular, na ultima reunião do DN teve o começo de grande polemica se podemos chamar o governo Lula e Dilma de governo democrático e popular e o que é o governo democrático e popular abrindo campo para uma transição rumo a uma sociedade socialista e mesmo nosso compromisso de atualizar nossas idéias sobre o socialismo democrático que a onde neoliberal criou um pensamento único durante muito tempo e é preciso fazer renascer o pensamento critico, e o PT é referencia internacional e todos esperam de nós que ajudemos nesta tarefa. Em outros países, para além da devastação neoliberal, atingiu também a social democracia hoje liberal, se assim pode-se dizer.
Há um volume de tarefas que nos anima porque quando o desafio é grande o PT responde bem. Quem tem condições de liderar e movimentar o partido nessa direção está aqui nesta sala, que são as principais lideranças da CNB e do partido que tem o dever político, a tarefa e condição de, em conjunto com outras forças, mas liderando e tomando iniciativas, cumprir estas tarefas.
Há a preparação das eleições 2014, a direita e nossos adversários estão antecipando as eleições embora não tenham candidato ainda no PSDB e temos a incógnita do companheiro do PSB.
Não teremos condições de governar todos os estados e a política de alianças precisa ser bem debatida a partir de agora, devemos ter como meta reeleger todos os deputados e colocar novos e novas lá, um desafio, é importante também eleger novos senadores e senadoras até porque o jogo atual da política eleitoral é preciso ter um acumulo de forças no parlamento não só quantitativo mas qualitativo também.
As candidaturas estaduais deverão ser formalizadas na direção nacional para compor a campanha nacional e isso deverá ser aprovado no DN.
Essas questões devem ser debatidas e aprofundadas. A idéia da reforma política com coleta de assinaturas é uma diretriz que mostra a urgência de o PT tomar as ruas com mobilização e fazer a disputa de idéias e a conjuntura está favorável. Nossos adversários estão desarvorados na falta de um programa e na falta de candidatos que possam ganhar a eleição. Se eles não ganham eleição nas urnas não vamos permitir que nos derrotem por outros meios. Temos um partido determinado, mobilizado, forte e corajoso para fazer a disputa em qualquer patamar que ela seja colocada. Se é na eleição vamos para a urna; se é na rua, vamos para a rua!
Fonte: http://luizmullerpt.wordpress.com/2013/02/16/em-discurso-rui-falcao-presidente-do-pt-fala-da-luta-de-classes-da-reforma-politica-e-da-regulacao-da-midia/
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Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente do governo Lula, é uma militante aguerrida, oriunda das lutas sociais e ambientais do Acre dos anos 80, que construiu uma trajetória política importante no campo político, como vereadora, deputada e depois senadora, pelo PT. Foi uma das companheiras de Chico Mendes, que depois transformou-se em ícone mundial da luta ambientalista, quando assassinado, em função de seu forte posicionamento na defesa dos trabalhadores seringueiros, dos povos da floresta e da Amazônia. Se Marina Silva já possuía uma trajetória valiosa de significado até aquele momento, com este fato, ganhou muito maior projeção e reconhecimento internacional, inclusive.
De fato, sua trajetória pessoal é também a reunião de extraordinárias vitórias pessoais ao longo de sua vida. Marina, como se sabe, era analfabeta até a juventude, filha de seringueiros, trabalhou com empregada doméstica. Decidida a estudar, já em Rio Branco, capital do Acre, após deixar a família para dedicar-se a construir novas possibilidades para sua vida, passou a participar da caminhada pastoral da Igreja liderada por Dom Thomas Balduíno, outro bispo que sempre foi um expoente da Teologia da Libertação. Posteriormente, Marina abandonou o catolicismo e identificou-se com práticas religiosas evangélicas.
A ruptura com o PT mesclou o desgaste que Marina enfrentou no interior do governo Lula para manter a pauta da questão da sustentabilidade ambiental como uma das bandeiras principais da política, no preciso momento em que, o PT, fortemente atacado na crise de 2005, viu-se desafiado a mudar a agenda do governo, para assegurar a continuidade do governo Lula e de seua agenda, em que se havia o tema da inclusão social, tornou-se crucial a discussão do novo desenvolvimentismo.
O novo desenvolvimentismo ganhou corpo com a estréia do PAC, a partir de 2007, em que alinhavam-se as políticas de investimento em infraestrutura, elencando um vultoso programa de obras que obviamente mobilizariam bilhões de reais de investimento público e, com isso, atrairiam amplíssimos setores dos pesos pesados do empresariado brasileiro, sempre interessados em oportunidades oferecidas pelos governos para a realização de obras e a prestação de serviços para os governos. Assim, se os programas sociais fortaleciam o governo Lula no quesito popularidade, por beneficiar efetivamente aos mais pobres e ganhar deles reconhecimento, o PAC alinhavava o apoio ao governo no seio dos detentores do capital, ao menos de expressão muito significativa do PIB nacional. De tabela, obtinha reforço nos movimentos sindicais porque um forte programa de investimentos teria como consequência óbvia a necessidade de contratação de trabalhadores, reduzindo as taxas de desmprego.
O estouro da crise internacional, em outubro de 2010, gerou mais um grande programa de investimentos governamentais numa política que alinhavava tanto os benefícios sociais quanto os ganhos empresariais, além de induzir novo impulso para a redução do desemprego, que foi o Minha Casa Minha Vida, com a contratação inicial de 1 milhão de novas moradias, mediante amplos subsídios concedidos aos mais pobres para que adquirissem sua casa própria.
Nesta conjuntura, a temática ambiental, exposada por Marina Silva, passou a sofrer ataques, como se a restrição aos licenciamentos de obras e as demais exigências de políticas ambientalmente responsáveis representassem o conservadorismo e o empecilho para a velocidade requerida para o desenvolvimento nacional.
Se Dilma Roussef foi escolhida por Lula para coordenar o PAC, com a utilização de padrões de gestão, Marina acabou identificada, por defender os valores da sustentabilidade, com a ilusão das utopias inexequíveis. Dilma representava o país da inclusão social, do crescimento econômico e do emprego enquanto Marina simbolizava o sonho de um modelo de desenvolvimento com resultados pífios.
Foi neste contexto que Marina Silva renunciou ao cargo de Ministra do Meio Ambiente e depois optou por sair do PT. Àquela altura, Marina Silva já tinha clareza de que Dilma Roussef contaria com a escolha do PT para a candidatura presidencial de sucessão de Lula e que a temática da sustentabilidade ambiental acabaria tratada marginalmente nos debates sucessórios e da política oficial. Deixar o PT e empunhar tais bandeiras em uma candidatura presidencial pareceu-lhe o caminho para manter a discussão viva na sociedade e para opor-se a um padrão de desenvolvimento capitalista que a seu ver parecia reproduzir os planos nacionais de desenvolvimento dos governos militares, em que a sustentabilidade ambiental simplesmente inexistia.
Marina Silva foi tratada por grupos de militantes petistas como uma traidora. Talvez uma oportunista, interesseira, que se aliara a setores do conservadorismo evangélico para ganhar votos, simplesmente. Como uma iludida, que pensava que opondo-se a Lula, com o apoio da mídia, se “faria”, enquanto liderança nacional, enquanto uma figura que cederia à tentação de se deixar manipular para obter resultados.
Particularmente, eu compreendi diferentemente as posturas de Marina Silva e respeitei, tentando compreender seus movimentos, ainda que discordasse da sua estratégia de deixar o PT. Mas, reconheci que eram legítimas suas escolhas e que mesmo sem serem exitosas, marcavam a luta política no país.
Marina Silva passou rapidamente pelo PV, para viabilizar sua candidatura à presidência da República. Mesmo com as desvantagens políticas que possuía, naquela cenário, talvez sim inflada por votos conservadores do campo religioso e por votos dispersos da classe média antipetista que não se identificou com a candidatura Serra, Marina alcançou uma votação excepcional, superior a 20 milhões de votos.
Não são os votos que legitimam uma liderança política. Eles exprimem outras coisas, tais como o acerto da estratégia, o esgotamento das propostas adversárias, movimentos não acolhidos pelas opções predominantes, uma outra série de elementos. Mas, o fato é que com seus votos e com a construção da sua candidatura presidencial, Marina alcançou expressão política muito mais ampla do que a que detinha na etapa anterior.
É com base nisso que ela lidera agora o grupo dos que pretendem dar vida a um novo partido político, que chamarão de Rede Sustentabilidade. Se alcançarão êxito na obtenção das 500 mil assinaturas necessárias para apresentar-se eleitoralmente em 2014 é outra discussão. Se o cenário é propício para o crescimento dessa nova força política, é uma discussão dos estrategistas. O fato é que há legitimidade na pretensão dos que se agruparam. O fato é que o tema da sustentabilidade ambiental não pode ser reduzido a uma espécie de fantasia juvenil frente ao padrão de desenvolvimento que se considera o detentor das possibilidades totais de êxito. O fato é que há sim necessidade de discutir o modelo de produção vigente da economia e que pautar esse debate é politicamente relevante, ainda que para muitos possa parecer inoportuno.
É valioso que o debate proposto pela constituição de uma nova agremiação política em que Marina Silva ocupa um espaço relevante venha abrir a chance para discutirmos o que é oportuno e quais são os aspectos positivos de aproveitarmos as oportunidades. Quais as oportunidades às quais devemos nos dedicar e aproveitar? E quais as oportunidades que devemos rejeitar?
Penso que o PT ainda cumpre papel extraordinariamente relevante na trajetória política brasileira presente e futura.
Mas, ressurge o espaço para a pergunta sobre qual é o futuro que pretendemos construir.
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Com mais trabalho após nova lei, produtoras preveem falta de mão de obra
Exigência de conteúdo local em horário nobre da TV paga aquece setor, que já se queixa da carência de bons profissionais
Vinícius Oliveira – iG São Paulo | 23/01/2013 06:00:00
A nova lei da TV paga, que obriga canais a exibirem conteúdo nacional em horário nobre, faz produtoras independentes esperarem um ano de euforia para o setor em 2013. Mas, num regime progressivo que até 2014 estabelece a exibição de 3 horas e 30 minutos de conteúdo nacional por semana, a falta de mão de obra qualificada também pode aparecer como entrave.
“Encabeçando a lista (de profissionais em falta), teremos roteiristas”, acredita Andréia Barata Ribeiro, sócia da O2, de Fernando Meirelles. “Em segundo, um produtor experiente que saiba o que fazer com um projeto de R$ 10 milhões nas mãos. Em seguida, profissionais de fotografia e direção de arte”, afirma.
Responsável por séries do canal HBO com “Filhos do Carnaval” e, mais recentemente, “Destino São Paulo”, a produtora projeta rodar de cinco a oito séries no ano. “Era um setor (as séries) que não existia e só uma ou outra produtora faziam. Com a garantia de absorção deste conteúdo, quem estiver preparado vai crescer mais”, diz.
“Tem espaço para todo tipo de conteúdo e vai faltar produtora”, diz José Henrique Caldas, da Dogs Can Fly, que atende Discovery Networks e os grupos FOX, Viacom (VH1, Nickelodeon, Comedy Central) e Turner (Cartoon Network, CNN, Glitz, TNT).
Para dele, a formação de mão de obra não é simples e pode ser um gargalo. “Recém-formados saem com um perfil muito júnior das faculdades e, para se desenvolver, precisam estar dentro de produtoras”, afirma.
Para o presidente da ABPITV (Associação Brasileira de Produtores Independentes de TV), a TV paga passa por uma grande transformação. Num setor que, segundo a Anatel, até novembro crescia 28,3% na relação anual, os canais internacionais perceberam que o conteúdo nacional ajuda na fidelização do telespectador, num plano semelhante ao adotado pela líder de audiência, Globo, na TV aberta.
“A classe C exige identificação e precisa se reconhecer na tela. É essa coisa também da Globo se refletir na classe popular. E uma estratégia de marketing. Não é por causa de uma obrigatoriedade: estou fazendo isso porque é bom para mim e para o meu canal”, explica.
Publicidade x Conteúdo
A movimentação em torno da nova lei também mexe com a dinâmica dentro das próprias produtoras. Vencedora em 2012 do principal prêmio do Festival Brasileiro de Publicidade, a Sentimental criou a Sentimental eTAL há cerca de um ano e atualmente negocia com canais de séries e documentários.
A empresa se vê diante de uma nova dinâmica em relação ao material publicitário, considerado de resultado mais rápido. “Nossa proposta é ter relação de longo prazo com o canal e com o conteúdo. No Brasil, há uma escassez de séries que criem ídolos e licenciamentos e esperamos sedimentar isso ao longo de 2013 e 2014”, afirma Rodrigo Terra, sócio-diretor da eTAL.
“A partir dos filmes do “Centenário do FlaxFlu” e do “Surfar é Coisa de Rico”, da história de Rico de Souza, a gente captou mais material do que precisava para fazer do longa uma série”, explica.
Mario Peixoto, produtor executivo da Delicatessen Filmes, que assina o reality show Breakout Brasil para o canal Sony Spin, considera produção de conteúdo um “caminho natural para quem quer se expandir”.
Até por conta por conta do surto recente trazido pela nova lei, 90% das receitas ainda estão atreladas aos anúncios, mas ele vê um equilíbrio maior no horizonte. “Acho que 2012 foi um ano de preparação. Por mais que economia esteja parada, nosso segmento parece em ebulição”, diz.
Fonte: http://economia.ig.com.br/empresas/2013-01-23/com-mais-trabalho-apos-nova-lei-produtoras-preveem-falta-de-mao-de-obra.html
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EMPRESÁRIAS DIGITAIS
EMPREENDEDORAS.COM
Autor(es): João VARELLA
Isto é Dinheiro – 14/01/2013
Elas invadiram um setor dominado por homens. Conheça as empresárias digitais que estão conquistando os milhões de dólares dos fundos de investimentos internacionais.
Aos 15 anos de idade, a paulistana Mariana Medeiros circulava pelos corredores do shopping Iguatemi, em São Paulo. Era comum para ela carregar sacolas recheadas de produtos cujos valores iam muito além do que suas economias poderiam bancar. O dinheiro vinha de seu trabalho como braço direito do pai, dono de um escritório de arquitetura em Itu, no interior de São Paulo, como responsável por transações bancárias que envolviam o pagamento dos fornecedores. “Eu conversava com o gerente do banco, que me conhecia, perguntava o saldo da conta e verificava os compromissos a pagar do meu pai”, lembra Mariana.
“Então, pegava o telefone e dizia para o vendedor de areia: “Posso pagar daqui a uma semana?”" Mariana aproveitava os dias extras no prazo para aplicar no overnight, investimento que, na época da hiperinflação, nos anos 1980, proporcionava retornos vultosos diariamente, com o qual reforçava seu orçamento pessoal. A negociadora surfou nessa onda por três anos. “Depois vi que teria de trabalhar.” Esse tino para a negociação, descoberto na adolescência, mais do que garantir a ela o acesso às marcas e grifes de sua preferência, acabou revelando-se de extrema utilidade para os passos futuros de Mariana.
Formada em direito, hoje com 38 anos de idade, ela trabalhou em um escritório especializado em fusões e hoje é uma empresária bem-sucedida do mercado digital. Ela é sócia da loja virtual de moda OQVestir, fundada em 2008, em parceria com a amiga Rosana Sperandéo, que logo em seguida passou a contar com Isabel Humberg na sociedade. A ousadia marcou o nascimento da OQVestir. Em plena crise financeira internacional, deflagrada pela quebra do banco Lehman Brothers, nos Estados Unidos, as três sócias investiram mais de R$ 1 milhão no negócio. Uma das apostas do serviço foi comercializar roupas já com dicas para a combinação ideal – o “look”, como se diz no jargão da moda.
“Queria fazer uma loja virtual que se parecesse com o Iguatemi, que conheço bem”, afirma Mariana. A sacada deu certo. A OQVestir já recebeu três rodadas de investimentos do fundo americano Tiger Global, a última delas realizada em outubro do ano passado. O mesmo fundo, que administra recursos da ordem de US$ 8,2 bilhões, também injetou recursos em empresas como Facebook, Netshoes e Linkedin. A OQVestir é apenas um exemplo de sucesso de uma onda recente de mulheres no comando de negócios digitais, campo que até há pouco tempo era ocupado quase exclusivamente por homens.
Ao que tudo indica, o avanço delas vai ser ainda mais rápido do que o de seus pares masculinos, pois as empresárias pontocom estão chamando a atenção de alguns dos principais fundos de investimento do mundo, como o Redpoint eVentures, IG Expansión e o 500 Start-ups, além do Tiger, dispostos a aplicar seus recursos em seus negócios. O momento não poderia ser mais propício. Em primeiro lugar, porque a internet está se popularizando rapidamente e o avanço da telefonia móvel estimula uma série de novos empreendimentos no mundo digital. Além disso, os produtos ligados a moda e acessórios – segmento no qual atuam muitas das empreendedoras – estão se consolidando como um dos maiores mercados para o comércio eletrônico.
Essa categoria de produtos foi responsável por 11% dos R$ 10,2 bilhões faturados pelo varejo virtual brasileiro no primeiro semestre de 2012. É o terceiro segmento com maior faturamento no ranking do comércio eletrônico, liderado pelos produtos eletrodomésticos, com 13% das vendas, e logo atrás do segundo colocado, “saúde e beleza”, que obteve uma fatia de 13%, segundo dados da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (câmara-e.net). A estimativa é que o varejo virtual tenha registrado no ano passado uma receita de R$ 22,5 bilhões. E, conforme mais lojas físicas de roupas e acessórios migrem para os negócios virtuais, a participação de produtos de moda no faturamento total do mercado deve crescer ainda mais.
O potencial é enorme. No ano passado, o setor têxtil faturou R$ 140 bilhões no Brasil, segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), e o de cosméticos R$ 89,3 bilhões, de acordo com o Instituto Euromonitor. Promissor, esse cenário, que vinha se desenhando nos últimos anos, abriu espaço para que mulheres como Karen Sanchez, 28 anos, montassem suas empresas. Ela fundou no ano passado na capital paulista o Lets, site de moda que atua com o conceito de fast fashion. O termo é usado para descrever os varejistas que rapidamente adaptam conceitos das passarelas para seu acervo. O Lets começou a operar com investimento de US$ 15 milhões recebido do A5 Internet Investments, fundo nacional de investimento para projetos digitais.
Para ter uma ideia do que representa esse valor, o primeiro aporte do Facebook foi de US$ 1 mil, dado pelo brasileiro Eduardo Saverin. Para Karen, o mercado está aberto à agilidade feminina. “A cabeça da mulher é dinâmica”, afirma. “Isso é muito útil no mundo das start-ups, que está sempre em transformação.” O atrativo para estimular as vendas é o uso de vídeos para mostrar melhor como é o caimento das roupas. A empresa deve lançar em breve a Lets TV, uma série de programas de sugestões e entrevistas com a apresentadora Gianne Albertoni, ex-TV Record. Obter sucesso no mundo digital pode significar para elas ter de vencer sozinhas os desafios da tecnologia, tais como programar um site, uma função na qual os homens costumam ter maior desenvoltura.
Para fundar o shopping virtual I Love E-Commerce, por exemplo, a publicitária Mariana Villela, 26 anos, aprendeu programação como autodidata. Não foi fácil. “É um grande desafio”, afirma Mariana. “Você entra em desespero por não entender nada.” O esforço trouxe bons resultados. “Hoje, consigo manter uma conversa de programação de bom nível, o que é essencial para um site que tem mais de 30 mil produtos”, diz Mariana. Atualmente, a empresa oferece sua vitrine para 25 lojas e age como uma seleção das melhores prateleiras virtuais. O site obtém sua receita ao cobrar das empresas uma taxa por usuário que acessa a loja por meio do I Love E-commerce.
CLIQUE A CLIQUE Enquanto a aposta do I Love E-Commerce é na curadoria, o site Sophie & Juliete adaptou ao digital o modelo de venda porta a porta adotado por companhias como Avon e Natura. A empresa foi fundada em 2012 por Camila Souza, 30 anos. Com aporte de cerca de US$ 7 milhões dos fundos Redpoint eVentures, dos Estados Unidos, e IG Expansión, da Espanha, o site oferece a cada revendedora uma vitrine virtual e facilidade para fazer as transações. As consultoras encomendam os pedidos das clientes pela web e não precisam se preocupar com a entrega. Com a loja virtual própria abrigada no Sophie & Juliete, em vez de bater perna atrás das clientes, as promotoras podem navegar pelos perfis virtuais das amigas e de contatos para indicar seus produtos.
“Transformamos a venda de porta a porta em clique a clique”, diz Camila. Para se tornar uma representante da empresa, basta um investimento inicial de R$ 199. Mas não é só às áreas de moda e beleza que as empreendedoras digitais brasileiras se dedicam. A publicitária Lalai Luna, 39 anos, trabalha com internet desde 1995 e fundou a agência digital Remix, em 2009, em parceria com Ana Laura Mello. Entre os focos do negócio estão as estratégias para redes sociais, embora também desenvolva projetos para diversas plataformas. Por lidar com ações na rede, a habilidade feminina para estabelecer diálogos pode ser um diferencial.
Mas, segundo Lalai, a vantagem e a desvantagem das mulheres no comando de empresas é a mistura emocional nas decisões tomadas. “Embora os projetos fiquem mais especiais, há decisões difíceis que exigem mais”, afirma. “Nem sempre conseguimos contar com o aspecto racional.” Outro exemplo de start-up de fora do setor de moda é a JáComparou, criada em 2012 pela administradora Mariella Pollo, 29 anos. Sediada em Orlândia (SP), o site compara preços de serviços de telefonia, tevê a cabo e internet. O usuário pode utilizar diversos critérios para encontrar o serviço ideal. A ideia para montar o negócio partiu de sua experiência pessoal, pois Mariella sentiu falta desse serviço ao retornar ao Brasil, em 2011, depois de dez anos viajando por 52 países – nesse período, ela se formou em negócios e marketing em Londres.
Ter uma boa ideia, no entanto, não foi suficiente para que pudesse lançar-se como empreendedora. Sacrifícios também foram necessários. “Investi todas as minhas economias”, diz. “Passei um aperto. Para honrar o pagamento dos funcionários, Mariella teve de vender o carro, um apartamento e pedir empréstimo no banco. “Sempre acreditei no projeto.” Sua perseverança comoveu Pedro Waengertner, fundador da Aceleratech, empresa que investe em projetos digitais. “Quando vi o comprometimento de Mariella, tive certeza de que ela merecia um investimento”, diz Waengertner, que a conheceu durante um evento. Hoje, a JáComparou se prepara para alçar voos mais altos. Para chegar à meta de R$ 8 milhões de faturamento anual até 2015, o portal também efetuará vendas. “O serviço de comércio eletrônico ficará pronto no começo deste ano”, diz Mariella.
VALE DO SILÍCIO A incursão das empreendedoras brasileiras pelo universo das start-ups já chegou aoExterior. É o caso da carioca Tahiana D”Egmont, 27 anos. Ela é sócia da Unipay, um site de meio de pagamento para celular que está em fase embrionária no Vale do Silício, na Califórnia. O projeto já recebeu um investimento inicial de US$ 50 mil feito pelo 500 Start-ups, fundo americano que investe em empresas iniciantes. O primeiro serviço deve ser lançado em fevereiro. “Queremos ser uma solução de pagamento móvel que faça sentido para a realidade brasileira”, diz Tahiana. Para viabilizar seu projeto, Tahiana contou com a ajuda da Brazil Innovators, de São Paulo, uma empresa especializada em eventos de networking entre start-ups brasileiras e fundos de investimento internacionais.
De acordo com a fundadora da Brazil Innovators, Bedy Yang, que reside em São Franscisco embora a proporção de mulheres à frente de start-ups ainda seja reduzida em termos globais, seu número está crescendo. “Há grupos de investidores-anjo nos EUA que se comprometeram a investir em empreendedoras digitais”, afirma Bedy. Na outra costa dos EUA também há brasileiras na liderança de start-ups. A publicitária Fernanda Romano, que no Brasil é sócia-fundadora da agência de comunicação Naked, é uma das idealizadoras da agência Malagueta, em Nova York, voltada para a criação de conteúdo para marcas. Em sua nova empreitada, Fernanda busca uma equipe que conte com uma proporção equilibrada de homens e mulheres. “Assim, a riqueza de talentos é maior”, afirma.
O surgimento de mais empresas digitais nas mãos de mulheres, como Fernanda e suas colegas, ainda não foi capaz de igualar a balança de gêneros. Visível em praticamente todos os ramos de atividades e nos diferentes países – das 500 maiores empresas americanas listadas pela revista Fortune, por exemplo, apenas 20 são comandadas por elas – essa posição minoritária é mais acentuada no mercado de tecnologia. Em todo caso, o quadro vai se alterando gradativamente, segundo a consultora de gestão Betânia Tanure, professora da PUC-MG e diretora da Betânia Tanure Associados, de Belo Horizonte. “O filme da história das mulheres está cada vez mais positivo, mas a foto ainda mostra diferenças”, diz Betânia. “Talvez, com os negócios digitais, essas mudanças sejam aceleradas.”
A menina do Vale
A paulistana Isabel Pesce, 24 anos, é autora de A menina do vale (editora Casa da Palavra), livro que vem inspirando novas empreendedoras digitais Brasil afora. Depois de trabalhar na Microsoft e no Google e estudar no Massachusetts Institute of Technology (MIT), ela atualmente vive no Vale do Silício cuidando de um novo projeto: a empresa digital Lemon. Leia a entrevista que ela concedeu à DINHEIRO.
O número de mulheres no mercado de tecnologia no Brasil está aumentando, mas nem sempre foi assim. Por quê?
É uma questão que vem da base. Há poucas empreendedoras no mundo da tecnologia porque poucas estudam e se interessam por coisas relacionadas a essa área. Por isso é importante criar programas que mostrem como o mundo tecnológico pode ser mágico. Também é necessário mostrar que há executivas bem-sucedidas nesse circuito.
Qual o obstáculo e qual a vantagem de haver mulheres no comando de start-ups?
Ainda precisamos de mais exemplos de mulheres de sucesso, mas isso é apenas questão de tempo. Há uma vantagem em ser minoria: é mais fácil se destacar se você é muito boa no que faz.
Como é a sua empresa, a Lemon?
É a desenvolvedora de um aplicativo para iPhone, Android e Windows Phone que viabiliza a criação de uma réplica da sua carteira em forma digital. Lançamos em outubro de 2011 e contamos com mais de 2,5 milhões de downloads. Já somos mais de 20 pessoas trabalhando na Lemon.
Colaborou: Clayton Melo
Fonte: http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2013/1/14/empresarias-digitais
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