Archive for the ‘Mercosul’ Category

Entrada de turistas estrangeiros no Brasil cresce 5,3%
País teve 271.975 visitantes internacionais a mais circulando nos destinos brasileiros em 2011

04/05/2012

Brasília, DF – O número de visitantes internacionais no Brasil subiu 5,3% em 2011, comparado com 2010. No ano passado, 5.433.354 turistas entraram no país. Foram 5.161.379 em 2010. O volume representa 271.975 visitantes a mais nos destinos turísticos brasileiros. O levantamento é realizado pelo Ministério do Turismo em parceria com a Embratur (Instituto Brasileiro de Turismo).

A alta foi impulsionada pelo crescimento de 10,3% no número de sulamericanos que chegaram ao Brasil — de 2.384.186, em 2010, para 2.628.957 em 2011. Os países que formam o bloco econômico dos BRICs também registraram importantes índices de crescimento do turismo emissivo para o Brasil: Rússia (40,9%), China (47,9%), Índia (14,3%) e África do Sul (6,8%).

A Argentina continua no topo do ranking de países que mais visitam o Brasil. No ano passado, 1.593.775 argentinos estiveram em território brasileiro, 13,9% superior que os 1.399.592 de 2010. Com isso, a participação do país vizinho no fluxo internacional de turistas para o Brasil chega a 29,3%. Estados Unidos (10,9%) e Uruguai (4,8%) ocupam a segunda e terceira posições, respectivamente.

A Europa enviou quase 30% do total dos visitantes estrangeiros do Brasil no ano passado. Foram 1.621.183 europeus, número 0,4% superior ao volume registrado no ano anterior. Segundo o ministro do Turismo, Gastão Vieira, a estabilidade é positiva, considerando as adversidades econômicas do continente em 2011. “Não ter perdido turistas é um resultado muito bom diante de um cenário desfavorável”, afirmou Vieira.

A Ásia também está mais interessada no Brasil. Enquanto em 2010, 220.085 asiáticos visitaram os destinos brasileiros, em 2011 o número subiu para 279.161. A alta foi de 26,8%. “Os índices mostram que retomamos o ritmo de crescimento do turismo internacional atingindo um recorde histórico de 5,4 milhões de pessoas visitando o nosso país”, afirmou Vieira.

“O resultado mostra o acerto da aposta da Embratur em intensificar a promoção nos países vizinhos”, avalia Flávio Dino, presidente da Embratur. Com o resultado, o Brasil ficou mais próximo da tendência mundial, que é a prática do turismo intrarregional. “Na Europa e Ásia, 80% do turismo é feito dentro do próprio continente”. O resultado ajudou a compensar o crescimento menor ou queda de alguns países europeus e norte-americanos, mais afetados pela crise econômica.

Para chegarem ao Brasil, os 3.808.341 turistas usaram aviões, enquanto 1.442.865 vieram por estradas. Os números correspondem a 70% e 26% das entradas, respectivamente. Por via marítima chegaram 127.853 turistas ao país, enquanto por via fluvial foram registradas 54.295 chegadas.

ASCOM

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Porto Alegre estará sediando o 8º Congresso Internacional de Turismo da Rede Mercocidades, no Hotel Embaixador, nos dias 22 e 23 de março de 2012.

O Congresso Internacional de Turismo da Rede Mercocidades 2012 servirá para debater, discutir e articular propostas de parcerias entre o setor público e o privado para que o turismo possa contribuir ainda mais para o incremento da economia nos países e nas comunidades locais, com a melhoria da sua economia, aumento da geração de emprego e renda, a integração regional, dentro das diretrizes da Rede Mercocidades.

Sua pauta pretende incentivar a articulação entre os diferentes segmentos vinculados ao setor de turismo para promover a criação de novos produtos e destinos turísticos que possam oferecer cada vez mais melhores serviços e maiores condições para que o mercado possa atender as demandas do turismo, as quais exigem medidas cada vez mais inovadoras, eficientes e eficazes.

A partir dos governos locais, com a implementação de políticas voltadas para o desenvolvimento sustentável e da participação do setor empresarial, com o seu conhecimento do mercado e sua capacidade de empreendedorismo,temos a expectativa de que os resultados do Congresso estarão refletidos nas ações a serem empreendidas a curto e médio prazo, haja vista as demandas que o turismo enfrentará nos próximos anos, com o advento da Copa do Mundo 2014 e Olimpíadas 2016 que beneficiarão também – além do Brasil – os demais países do Mercosul.

Programação do 8º Congresso Internacional de Turismo da Rede Mercocidades

22-03

• 10 às 12 horas: Abertura do Congresso Internacional de Turismo:
Prefeitura Municipal de Porto Alegre, SMTUR, SMGL, Coordenação da UTT, Secretaria Executiva e STPM da Rede Mercocidades e autoridades convidadas
• 14 às 15 h: O papel da imprensa e o setor de turismo – O que é notícia no turismo e a sua vinculação com a imagem turística local

ROQUE BAUDEAN
Presidente del Circulo de Periodistas de Turismo del Uruguay (CIPETUR) e Coordenador Geral del FORUM DE PRENSA TURISTICA DEL MERCOSUR – Uruguai
ELENA VILLAR
Presidente Prensa de Turismo de Peru – PRENSATUR Peru
HELCIO ESTRELLA
Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo – ABRAJET Brasil
JORGE AMONZABEL –
Presidente de Círculo de Periodistas de Turismo de Bolivia – CIPTURBOL Bolivia
BASKO ASÚN
Primeiro Vice-presidente de Asociación de Periodistas de Turismo de Chile – APTUR Chile
SALVADOR ALVES DIAS
Associação Jornalistas Europeus – Portugal

COORDENAÇÃO DO PAINEL: ROQUE BAUDEAN
Presidente del Circulo de Periodistas de Turismo Del Uruguay ( CIPETUR ) e Coordenador Geral del FORUM DE PRENSA TURISTICA DEL MERCOSUR – Uruguai

• 15 às 16 h: Copa do Mundo 2014 – Oportunidades, intervenções, desafios e perspectivas

JOÃO BOSCO VAZ
Secretário da SECOPA Município de Porto Alegre – Brasil
AMANDA PAIM
Coordenadora do Programa SEBRAE 2014 – Brasil
GERARDO VIÑALES
Diretor de Desportes da Intendência Departamental de Maldonado – Uruguai

COORDENAÇÃO DO PAINEL: IVANE FÁVERO
Secretária de Turismo de Bento Gonçalves – Brasil

16-16:15 horas: Intervalo

• 16:15 às 17:15 h: Turismo e Cultura – Projetos integrados no Mercosul

SERGIUS GONZAGA
Secretário Municipal da Cultura de Porto Alegre – Brasil
MARCIANO DURAN
Diretor de Cultura da Intendência Departamental de Maldonado – Uruguai

COORDENAÇÃO DO PAINEL: NORMA MOESCH
Secretária Municipal de Turismo de Santa Maria – Brasil

• 17:15 às 18:15 h: Potencialidades do Turismo Rural – demandas e parcerias com os países do Cone Sul

ANDREIA ROQUE
Presidente do Idestur – Instituto de Desenvolvimento de Turismo Rural – Brasil
GABRIEL ANDRADE
Diretor da Licenciatura em Turismo da Universidade Católica do Uruguai, representante do Conglomerado de Turismo de Montevideo – Uruguai

COORDENAÇÃO DO PAINEL: CLEBER QUADROS VIEIRA
Sindicato Rural de Porto Alegre
23-03

• 10 às 11 h: Plataformas Educativas – apresentação de experiências e a viabilidade de parcerias internacionais

CARLOS HENRIQUE FERRAZ DE VASCONCELOS
Diretor de Planejamento da Avante Brasil Tecnologias Educacionais – Brasil
LUIS GUSTAVO PATRUCCO
Professor do Curso de Especialização em Administração Hoteleira e do Curso de Analise e Desenvolvimento de Sistemas
PAOLA LAMARCA
Agencia Nacional de Investigación e Innovación – ANII – Uruguay

COORDENAÇÃO DO PAINEL: RUTE FAVERO
Professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Coordenadora da Educação à Distância da UFRGS

• 11 às 12 h: Produtos e Projetos Regionais Integrados no Cone Sul – possibilidades e perspectivas de parcerias e negócios

CARLOS PEÑA GAMBETTA
Universidade da Republica do Uruguai – Uruguai
JOÃO LUIZ DOS SANTOS MOREIRA
Presidente da Confederação Brasileira de Convention & Visitors Bureaux – Brasil
CARLOS GARCÍA SANTOS
Presidente de Destino Punta del Este – Uruguai
VITOR ORTIZ
Secretário Executivo do Minisério da Cultura – Brasil

COORDENAÇÃO DO PAINEL: CEZAR BUSATTO
Secretário Municipal de Governança Solidária

• 14 às 15:30 h: Turismo de Fronteiras

JORGE ARIEL RODRIGUEZ
Diretor do Projeto IN e Coordenador da Secretaria Técnica Permanente da Rede Mercocidades – Uruguai
EDUARDO NEY OLIVERA
Secretário Municipal de Turismo de Sant’Ana do Livramento – Brasil
FAISAL SALEH
Secretário de Turismo do Estado do Paraná – Brasil
PATRIC LOTTICI KRAHL
Diretor do Departamento de Relações Internacionais do Ministério do Turismo – Brasil

COORDENAÇÃO DO PAINEL: LUIZ FERNANDO MORAES
Secretário Municipal de Turismo de Porto Alegre – Brasil

15:30 às 15:45 horas: Intervalo

• 15:45 às 17:15 h: Capitais Gauchas/ Rota Tche – Capitales Gauchas / Ruta Che

ÁLVARO BERTONI
Direção Geral de Turismo da Intendência Departamental de Maldonado – Uruguai
HÉCTOR DE BENEDICTIS
Presidente do Ente Turístico de Rosário – Argentina
LUIZ FERNANDO MORAES
Secretário Municipal de Turismo de Porto Alegre – Brasil

COORDENAÇÃO DO PAINEL: CLAUDIO MAGNAVITA
Jornalista, Presidente do Jornal de Turismo e membro titular do Conselho Nacional de Turismo – Brasil

• 17:15 às 18:15 h: Encerramento
Prefeitura Municipal de Porto Alegre, SMTUR, SMGL, Coordenação da UTT, Secretaria Executiva e STPM da Rede Mercocidades e autoridades convidadas

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Tenho um amigo que conheci aqui, em Cuiabá, por ocasião do curso de formação do concurso de gestores governamentais do Estado do Mato Grosso. É um rapaz bastante bacana, possui formação evangélica e procura vivenciar sua religiosidade com a máxima dedicação.

Algumas vezes, ontem aconteceu novamente, ele me encaminha endereços de vídeos no youtube de um determinado pastor de quem ele é admirador e que gosta de ouvir.

O vídeo de ontem tinha cerca de 15 minutos de duração e se tratava de uma longa explanação sobre a possibilidade, que o pastor defendia, da pessoa selecionar os conteúdos de seus pensamentos. Segundo o pastor, “a pessoa é seu pensamento”, de modo que escolher os conteúdos do seu pensar, conformam-lhe a identidade que possuem.

É evidente nesta linha argumentativa, e chega a ser impressionante, a presunção de força da racionalidade intelectiva que seria capaz de expelir quaisquer conteúdos “inadequados” ou “improdutivos” da mente da pessoa. A pessoa detentora plenamente da seletividade dos conteúdos de seu pensamento poderia evitar a tristeza, o abatimento, o “materialismo”, o “erotismo”, todos os demais “pensamentos” provenientes dos influxos da realidade e dos sentimentos, que representariam, nesta interpretação, uma forma de submissão da pessoa que ainda não exerceria, desse modo, sua plena capacidade seletiva sobre os conteúdos de seu pensar.

Ao contrário, a pessoa plenamente seletiva de seus pensamentos poderia, prossegue o pastor, subordinar intencionalmente os seus pensamentos ao “espírito”, de modo que assim, conformar-se-ia o homem de fé, fiel à Palavra de Deus e ao seu Espírito. Então, diz o pastor, “dize-me o que pensas, que lhe direis quem és”.

Manifestacion - Antonio Berni

Sou absolutamente crítico desse tipo de consideração.

Considero-me alinhado filosoficamente ao materialismo, o que quer dizer que importo-me com o que acontece no mundo exterior ao intelecto humano, ou seja, preocupo-me com a organização das relações sociais firmadas no convívio humano, preocupo-me com os processos de produção e distribuição dos benefícios gerados pelo trabalho humano, preocupo-me com a ação dos indivíduos e seus impactos tanto nos demais integrantes da sociedade quanto sobre a natureza.

Respeito que os seres humanos sejamos intelectualmente complexos, que nossas consciências vivenciem dilemas e dúvidas, que nossas interioridades sejam contraditórias, em muitos momentos. E, não pretendo eliminar essas realidades do campo de nossos sentimentos ou pensamentos, porque considero infrutíferos tais anseios.

Preocupo-me, isso sim, com o modo de agir, com as atitudes, com o posicionamento das pessoas nos processos objetivos da vida, da história, da ordem social. Assim, pouco me importa se a pessoa tem fala mansa ou um discurso mais inflamado, se usa um vocabulário mais elaborado ou um discurso simplório, se veste-se com requinte ou como um “jeca tatu” (minha mãe usava bastante essa expressão).

Importa-me, isso sim, se a pessoa investe na construção do grupo, da colegialidade, da democracia e da coletividade. Importa-me se a pessoa apoia os movimentos em favor dos direitos dos pobres, dos direitos humanos, da justiça social, da força do direito aplicada às elites econômicas e políticas, da inovação dos processos de vivência da democracia.

Eis, para mim, o que distingue o joio do trigo, para usar a alegoria bíblica, como o tal pastor a que me referi acima tantas vezes faz.

Importa-me a prática da vida e das relações sociais, importam-me os posicionamentos relacionados às lutas sociais. Importa-me a grandeza de interessar-se pelos bens alheios, que efetivem a justiça, sem interesse pessoal imediato, onde identifico a generosidade e o altruísmo.

Ao contrário do referido pastor, que interessa-se pela seletividade do pensamento, minhas epistemologia e axiologia selecionam pelo posicionamento social e político, porque possuem incidência direta nas condições de vida e de sua reprodução.

Minha máxima, então, é: “dize-me o que fazes e te direis quem és!”

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O desafio de promover a integração social, política, cultural e econômica dos países para que formem uma verdadeira comunidade de nações, como se deseja que seja o Mercosul, implica em um amplo conjunto de tarefas, que vão desde a harmonização de normas técnica e legais, pela ampliação das conexões de transporte e logística e pelo desenho, formatação e implantação de políticas públicas comuns nas diversas áreas da vivência social.

Obviamente, este desafio tem como consequência também a instalação de novas estruturas e instituições que vão reforçando a tessitura dos laços comuns que vão sendo firmados, e este é um esforço gradativo, carente de criatividade para adequar tais instrumentos às efetivas necessidades da relações que se vão fortalecendo entre os Estados-Parte.

Assim foi com o Focem, a Unila, o Instituto Social do Mercosul, o Parlasul, dentre outros, e também é com o FAF Mercosul – Fundo de Agricultura Familiar do Mercosul, que foi aprovado há pouco tempo nas reuniões das Cúpulas do Mercosul e que agora está em fase de aprovação pelos parlamentos de cada um dos países.

Apesar dessa compreensão, ressalto que o FAF Mercosul começa com uma destinação muito pequena de recursos, apenas equivalentes a US$ 360.000,00. Esse valor é absurdamente pequeno, o que significa dizer que o FAF Mercosul tem muito mais o aspecto de uma iniciativa simbólica do que um efetivo compromisso dos países em se comprometer com a agricultura familiar integrada na comunidade do Mercosul.

Sinal preocupante.

Câmara aprova Fundo de Agricultura Familiar do Mercosul
Projeto será enviado para análise do Senado

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta, dia 15, o projeto de decreto legislativo (PDC) 2841/10, que regulamenta o Fundo de Agricultura Familiar do Mercosul (FAF Mercosul). O fundo foi criado em 2008 para financiar programas e projetos de estímulo a pequenos agricultores nos países membros. O projeto será enviado para análise do Senado.

O regulamento estabelece que os países integrantes do Mercosul deverão contribuir anualmente com US$ 360 mil ao fundo. Esse valor será pago de duas formas: uma contribuição fixa de US$ 15 mil de cada país membro e uma proporcional de acordo com a condição econômica de cada país. O Brasil pagará 70% dos R$ 300 mil restantes; a Argentina, 27%; o Uruguai, 2%; e o Paraguai, 1%.

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Acompanhar os processos da integração do Mercosul não é simples, especialmente no Brasil, dado os fatos de que nosso país é imenso e de que todos os demais países sócios do Mercosul são menores do que o nosso, menos complexos e, também, mais pobres que o Brasil.

Olhar para outras dimensões além da econômica, entretanto, é importante, para compreender que este é um processo de construção de cidadania, implicando, portanto, as diversas relações sociais e culturais que constituem as nossas sociedades.

Na entrevista que publico abaixo, encontramos um documento de 2007, anunciando as preocupações com a integração no campo da educação superior, ainda antes da constituição da UNILA, a Universidade Latino-Americana, implantada em Foz do Iguaçu, com alunos dos quatro países partes do Mercosul.

Ensino superior pode fortalecer Mercosul

Julia Dietrich

Diante da importância e do desenvolvimento do Mercado Comum do Sul (Mercosul) e a crescente demanda pela internacionalização do ensino superior, o governo federal brasileiro anuncia uma série de programas universitários que busca intensificar o intercâmbio de estudantes, professores e pesquisadores da América do Sul, além de promover uma maior integração da região.

Segundo o chefe da assessoria internacional do Ministério da Educação (MEC), Alessandro Candeas, até o final do governo do presidente Luís Inácio Lula da Silva serão criadas três novas instituições que respondem às necessidades do Brasil no plano internacional.

A entrevista foi concedida em Brasília (DF) durante o Encontro Internacional de Reitores Universia.

Aprendiz: O governo federal vem lançando continuamente novas ações para a integração do Mercosul. Quais são os planos nessa questão para o ensino superior brasileiro?

Alessandro Candeas: O Brasil largou na frente. A idéia de um espaço de educação superior do Mercosul é nossa. Lançada em novembro de 2006 pelo ministro Fernando Haddad, o plano foi aprovado prontamente pelos outros ministros. Mas, primeiro, o Brasil começou fazendo o dever de casa com o lançamento do Instituto Mercosul de Estudos Avançados (Imea), no Parque Tecnológico de Itaipu, em Foz do Iguaçu (PR).

No primeiro semestre de 2008 começaremos a estipular o funcionamento do Espaço Comum de Educação Superior do Mercosul que abrangerá diversas universidades que fazem parte do Mercosul. Posteriormente, discutiremos a criação da Universidade Latino-Americana (Unila).

Aprendiz: Como funcionará o Imea?

Candeas: Será uma universidade brasileira que receberá professores e alunos do Mercosul com um projeto de ensino, pesquisa e extensão voltado para a integração dos países do bloco.

Aprendiz: O conteúdo apresentado nas disciplinas também responderá à questão do Mercosul?

Candeas: A idéia é manter e fomentar a integração dos países. No futuro buscaremos abarcar todas as áreas do saber, mas no caso do Imea, são as de interesse da região, como, por exemplo, ciências ambientais, energia, agricultura e ciências sociais.

Acredito que agora, em 2008, abriremos os editais para contratação de funcionários e professores e depois abriremos para o processo seletivo dos alunos. A seleção será feita com base em critérios regionais e teremos que ter professores da Argentina, do Uruguai e Paraguai. E, mais tarde, se ampliarmos o projeto para toda América do Sul, teremos que ter um quadro docente que inclue Chile, Venezuela, Bolívia etc. Mas, a idéia é começar com a região de Foz do Iguaçu, onde se instalará o Imea.

Aprendiz: Qual será o idioma utilizado na universidade?

Candeas: Esse é um ponto fundamental. Isso vale também para o Espaço Comum de Educação Superior do Mercosul. Já que as instituições trabalharão com professores e alunos da região, as aulas serão ministradas e os trabalhos serão feitos em português e espanhol.

Aprendiz: Quando Espaço Comum de Educação Superior do Mercosul passará a funcionar?

Candeas: Para o Espaço Comum de Educação Superior do Mercosul nós criamos um grupo de trabalho que começará a se encontrar agora no primeiro semestre de 2008 e espero que até o segundo semestre já tenhamos fechado o desenho desse espaço. Mas o conceito geral é ter um projeto pedagógico de integração. Ou seja, se for ensinar direito ou sociologia, por exemplo, o trabalho sempre buscará a integração. Não é conteúdo geral ou abstrato. É operacional e com foco bastante específico nas necessidades do Mercosul.

Haverá professores e alunos dos países que compreendem o Mercosul, seguindo o bilingüismo e graduação e pós-graduação nas diferentes disciplinas. Esse espaço será formado tanto por novas instituições, como o Imea, quanto por instituições antigas, como a Universidade de Brasília (UnB), por exemplo, que reservem espaços, salas, cursos, faculdades ou departamentos para fazer parte desse trabalho.

Por exemplo, a UnB pode determinar que o Instituto de Relações Internacionais faça parte do Espaço Comum de Educação Superior do Mercosul. Sendo assim, é importante que todo o diploma e créditos sejam válidos em todas as entidades que fazem parte deste espaço. Se um estudante se forma em Jornalismo na UnB, o seu diploma também será válido, por exemplo, na Universidade de Buenos Aires.

Aprendiz: A idéia então é facilitar o intercâmbio entre as universidades?

Candeas: Exatamente. Aí está o outro ponto de grande importância no Espaço. O intercâmbio de estudantes, professores e pesquisadores. O intercâmbio pode ser feito tanto no curso completo, durante toda a graduação ou pós-graduação, quanto poderá abranger segmentos do curso. Graduação, mestrado e doutorado sanduíche. O estudante matriculado na UnB pode, por exemplo, fazer um ano na Universidade de Montevidéu e seus créditos cursados automaticamente serão computados nas duas universidades.

Aprendiz: Quem é o responsável por desenvolver esse novo modelo no Brasil? Como e quando se darão as discussões?

Candeas: Montamos um grupo de alto nível que se reunirá no Encontro de Buenos Aires para desenhar esse espaço comum de educação superior. Cada país indicou seus representantes. O Brasil indicou o professor Élgio Trindade, ex-reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Designado pelo ministro, o professor é o responsável por definir o posicionamento do Brasil no processo.

Aprendiz: E a Unila, qual o projeto e quais os planos?

Candeas: A Unila é para o futuro e seu projeto ainda está sendo rascunhado. Em primeiro lugar, ela não tem um lugar físico para existir. Ela será uma rede parecida com o modelo da Universidade das Nações Unidas. O Espaço Comum também é uma rede, mas o Imea tem seu espaço físico delimitado. A Unila será caracteristicamente brasileira e o espaço responderá aos interesses do Mercosul.

Aprendiz: Já existem universidades interessadas em compor a Unila?

Candeas: Em primeiro lugar, a previsão é que todas as universidades federais façam parte deste consórcio. Porém, é um projeto ainda para o futuro.

Aprendiz: Mas a Unila congregará apenas as universidades federais?

Candeas: Não. Inicialmente ela nasce nas federais, mas certamente as estaduais e depois as particulares de boa qualidade devem participar dessa rede.

Aprendiz: Então, quais as datas aproximadas para a realização destes três projetos diferentes?

Candeas: O Espaço Comum de Educação Superior do Mercosul é para já. Ainda no primeiro semestre de 2008 suas atividades estarão decididas. O Imea deve seguir no mesmo tempo. O edital de publicação e de seleção deve sair também agora no começo do ano. E a Unila virá depois. Teremos primeiro essas experiências para depois desenvolvermos a Unila. Agora, certamente, tudo isto estará muito bem desenvolvido até o final do governo Lula.

Aprendiz: A graduação dessas novas universidades já começará atendendo ao modelo do Ciclo Básico?

Candeas: Provavelmente sim, porque esta é uma tendência do ensino superior mundial. As universidades norte-americanas e várias européias já o fazem, porque nos dois primeiros anos o estudante ainda não tem a obrigação de definir seu curso, sua diplomação. No Brasil, ainda vivemos no sistema antigo de escolher aos 17 anos a profissão que deverá seguir na vida. Aqui você já entra no curso fechado, aumentando as chances de desistência. Acredito que a Imea e a Unila já devem seguir essa tendência, mas é algo que está sendo desenhado.

Aprendiz: Como estão as discussões sobre o ensino de espanhol?

Candeas: Nossa idéia é buscar estimular com as universidades a formação de professores de espanhol e português. No Brasil, já existe a Lei de Ensino do Espanhol, de 2005, que prevê até 2010 a obrigatoriedade de oferecer espanhol aos alunos do Ensino Médio de todas as escolas do país. Porém, faltam professores. E por isso, várias universidades brasileiras e outras da América Latina buscam a especialização da formação em espanhol e português. A idéia é que troquemos informações para discutir como aumentar o número de professores e a qualidade de ensino do idioma.

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