Archive for the ‘Internet’ Category
Recentemente, estruturei uma exposição para um grupo de consultores que entitulei de Filosofia e Mundo Corporativo: da livre iniciativa à responsabilidade sócio-ambiental.
Antes disso, por ocasião do falecimento de Steve Jobs, o mago da Apple, já havia publicado outro artigo, sobre a Filosofia e Administração: as lições de Steve Jobs.
Hoje, trago um artigo que foi divulgado em 2009, pelo Canal RH, em que se evidencia a importância que algumas pessoas formadas em filosofia alcançaram nas empresas e corporações em que atuam. Texto bastante interessante.
Filosofia em alta no ambiente corporativo
12/03/2009
Fonte: Canal RHA ascensão do filósofo Luiz Carlos Trabucco Cappi à presidência do Bradesco sugere a valorização da Filosofia no mundo corporativo. Ele não é o único executivo brasileiro a ter essa formação, seja em nível de graduação, mestrado ou por meio de cursos complementares. A questão, portanto, é saber o que mudou no mercado empresarial para trazer um conhecimento normalmente restrito ao ambiente acadêmico para o pragmatismo das empresas.
A coordenadora de projetos da Fundação Itaú Social, Isabel Cristina Santana, é outra filósofa atuante em uma área corporativa. Na sua avaliação, uma das principais contribuições dos filósofos para as empresas é a forma de pensar, própria dessa carreira, que valoriza a reflexão aprofundada dos conceitos e das situações, o que permite ter uma visão mais abrangente da realidade. Segundo ela, é atributo da Filosofia pensar coisas complexas e estabelecer relações entre fatos e conceitos. Por isso, esses profissionais têm condições de ajudar as companhias a burilarem a arte de pensar. O que é muito útil, porque “as complexidades do mundo só aumentam”, lembra Isabel.
Para ela, o que as empresas deveriam aproveitar melhor de seus funcionários filósofos – ou do conhecimento filosófico em geral – é a metodologia de investigação filosófica. “Essa metodologia envolve aspectos que muitas vezes faltam às empresas, como visão crítica, criatividade, busca de sentido e coerência de raciocínio”, explica.
No entanto, Isabel não acredita que a ascensão dos profissionais advenha unicamente de sua formação em Filosofia, mas de um conjunto de atributos desenvolvidos ao longo da carreira. A mesma orientação segue o diretor de Marketing e novos negócios da rede de farmácias Drogão, Nelson Luiz Guimarães de Paula, formado em Filosofia e Marketing e Comunicação. “Não acho relevante só a formação. Hoje há milhões de engenheiros que trabalham em Marketing, médicos em áreas promocionais e matemáticos que são vendedores de sucesso”, observa.
Na avaliação de De Paula, a entrada dos filósofos no mercado corporativo advém de um processo natural da sociedade. “O filósofo contemporâneo está imerso no mundo corporativo; não é possível separar o pensamento acadêmico do mundo real”, diz, e completa: “acredito no pensamento dentro do mundo, inserido no contexto”.
Analisando a possibilidade de maior empregabilidade para filósofos no ambiente corporativo, o professor da PUC-SP Eduardo Cruz, acredita haver uma mudança de paradigma operada no ambiente organizacional a partir dos anos 1990. Em sua avaliação, a chamada era da informação, instaurada a partir do início da década passada, fez com que as empresas demandassem profissionais mais pró-ativos, inteligentes, com habilidades mais sofisticadas e que precisam ser motivados. “A motivação não vem só do salário, mas inclui aspectos subjetivos e por isso a Filosofia entrou no vocabulário de gestão”, acredita.
Em um breve histórico, o professor explica que o processo de industrialização clássico do século XX perdurou até os anos 1950, quando as pessoas eram tratadas quase como robôs dentro das empresas. No período entre 1950 até 1990, houve a aplicação da visão neoclássica ao trabalho e os colaboradores foram compreendidos como recursos organizacionais, o que ainda não incluía uma valorização da subjetividade, como passou a ocorrer no final do século passado.
Na visão de Cruz, entretanto, não só a Filosofia é valorizada, mas todas as humanidades. Ele cita Psicologia, Arte e até Física, que embora seja uma disciplina exata confere a seus estudantes uma flexibilidade de pensamento que pode fazer diferença no dia-a-dia das empresas. “Hoje a empresa não quer mais um técnico titulado, mas alguém que tenha facilidade para transitar em várias áreas e pensar de maneira própria”, resume.
Para ele as principais contribuições que a Filosofia pode aportar ao mundo corporativo são uma compreensão maior da Ética, que pode contribuir para uma discussão ampla das decisões das empresas, e o raciocínio rigoroso desenvolvido por esses profissionais. “Quem estuda filosofia está atento a descobrir as lacunas do pensamento e encontrar respostas”, diz.
O filósofo e escritor Paulo Ghirardelli Jr., autor de vários livros, cujos mais recentes são “Filosofia e História da Educação no Brasil”, pela editora Manole, e “O Que é Filosofia Contemporânea”, pela Brasiliense, é ainda mais radical em avaliar a contribuição dos filósofos para companhias. Segundo ele, o filósofo autêntico é um bom administrador, bom negociador e bom homem prático porque, ao lidar com problemas do dia-a-dia, sabe aplicar os resultados das pesquisas em metafísica, epistemologia, ética, estética, pedagogia e política à vida cotidiana. “Caso não saiba, não é filósofo”, atesta. E pondera: “Caso saiba demais, também não é”.
Ghiraldelli ressalta, entretanto, que a Filosofia não é uma profissão, mas uma condição de vida, uma vez que os filósofos são pessoas que investigam o que há a seu redor, e que, em geral, colocam perguntas para aquilo que parece ser o banal e, assim, “desbanalizam o banal”. É por essa condição que ele acredita que muitos profissionais, ao descobrirem o saber filosófico, podem tirar da mesmice vários outros saberes profissionais.
No caso específico das áreas de RH, Ghiraldelli acredita que os filósofos têm muito a contribuir, pois tem um conhecimento melhor das vocações e dos desejos das pessoas. Em sua avaliação a Psicologia, que é a profissão geralmente demandada por essa área, se prende demasiadamente a questões particulares de cada pessoa, enquanto a Filosofia tem condições de inserir os profissionais que passam pelo RH no campo social, humano, existencial e, com isso, avaliar melhor suas potencialidades.
Já para o especialista em treinamento e educação para empresa Luiz Carlos Moreno, a Filosofia contribui amplamente para o desenvolvimento pessoal, o que também se traduz profissionalmente. “Administrar organizações é muito mais do que saber aplicar regras e técnicas; é ser capaz de pensar, decidir e agir”, comenta. Na sua avaliação, o estudo filosófico tem a intenção de ampliar incessantemente a compreensão da realidade no sentido de aprendê-la na sua amplitude, buscando conceitos e classificações.
Embora considere muito pessoal a recomendação de leituras, Moreno sugere alguns livros essenciais na biblioteca de executivos que tenham interesse por Filosofia. Entre os pensadores ocidentais destaca “O Banquete”, de Platão; “Ética a Nicômano”, de Aristóteles e “Além do Bem e do Mal”, de Nietzsche. Entre as obras orientais, ele sugere: “Os Anacletos”, de Confúcio; “Tao Te King”, de Lao-Tse e “A Arte da Guerra”, de Sun-Tsu.
http://www.zap.com.br/revista/empregos/canal-rh/filosofia-em-alta-no-ambiente-corporativo-20090312/
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Começou a fase de priorização de propostas elaboradas na Conferência Virtual da 1ª Consocial. Nesta fase, cada participante poderá distribuir até 20 pontos entre as propostas que considerar mais relevantes, sendo no máximo 5 pontos por proposta.
Na primeira fase da Conferência Virtual, que terminou ontem (segunda, 2 de abril) às 20h, os participantes elaboraram:
• 28 propostas no eixo temático 1
• 44 propostas no eixo temático 2
• 28 propostas no eixo temático 3
• 50 propostas no eixo temático 4
As 20 propostas mais bem pontuadas em cada eixo temático, totalizando 80 propostas, serão incorporadas no Caderno de Propostas que será debatido na Etapa Nacional da 1ª Consocial.
Qualquer pessoa pode participar da Conferência Virtual a qualquer momento, até o prazo de encerramento, dia 8 de abril de 2012. Quem não participou da primeira fase, poderá participar da segunda fase sem problemas.
Quase duas mil pessoas já estão na Conferência Virtual. Participe e faça campanhas em torno das propostas que você defende. Acesse http://edemocracia.camara.gov.br/.
Atenciosamente,
Soraia Mello
Coordenadora da Conferência Virtual da 1ª Consocial
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QUAL O POTENCIAL DE UMA REDE?
http://upload.wikimedia.org/wikiversity/pt/2/2d/Galloway-qual-potencial-de-uma-rede.pdf
Alexander R. Galloway
Estou interessado em um evento. O evento em si é chamado de muitos nomes e é descrito de diferentes maneiras por diferentes pensadores. Na obra de Martin Heidegger, chama-se o Fim da Filosofia; outros usam o nome o Fim da História; na ciência, ele é chamado de Cibernética, ou Ecologia, ou Teoria dos Sistemas; na economia, é chamado de Pós-fordismo; na indústria, é chamado de Computação em Rede; na filosofia alguns dizem que ele atende simplesmente pelo nome de Gilles Deleuze. Em geral, podemos chamar este evento de Emergência da Mediação no Formato de Rede.
É comum falar sobre as redes em termos de igualdade, falar que as redes trazem um sentimento de imparcialidade aos assuntos. É comum dizer que as redes consistem em relações entre pares, e que as redes padronizam e homogeinizam esses relacionamentos. Eu começo desta forma não para sugerir que tais caracterizações são falsas, mas sim para sugerir que elas obscurecem a realidade da situação. Redes existem apenas em situações de assimetria ou
incongruência. Se não, nenhuma rede seria necessária — pares simétricos podem se comunicar, mas pares assimétricos devem “se enredar”. Então, para começar a abordar a questão qual o potencial de uma rede? eu gostaria de observar o que significa estar em uma relação de assimetria, estar em uma relação de desigualdade, ou em uma relação de antagonismo. Eu acho que o lugar mais importante onde a assimetria, o antagonismo e a desigualdade têm sido
pensados é na teoria política e social, particularmente na teoria militar. Isso porque a teoria militar é um dos lugares-chave em que a energia pura do antagonismo tem sido explorada, através do tema da ameaça assimétrica. Ela atende por muitos nomes. Às vezes, a ameaça assimétrica é chamada de insurgente, de partidária, ou de irregular; às vezes é um protesto, uma multidão; às vezes é chamada de rebelião popular, ou de atividade de guerrilha. Esses são
alguns dos muitos sinônimos para o antagonismo no formato de rede. É por isso que, hoje, quando você ouve falar a respeito de terroristas, normalmente fala-se de “redes terroristas”.
Há grandes pensadores que exploraram essa abordagem, incluindo os escritos de Sun Tzu e Carl von Clausewitz sobre teoria militar, e também há uma extensão dessas ideias nos escritos sobre as atividades de guerrilha de V. I. Lenin e Mao Tse-tung. No entanto, vou citar três passagens da fase crucial da pós-modernidade, que são cruciais por causa do relacionamento especial que surgiu historicamente entre a mediação no formato de rede e o período entre o meio e o final século XX: Robert Taber — Autor de War of the Flea (A Guerra das Pulgas), sobre insurreições guerrilheiras e sua relação com o poder do Estado. “As guerrilhas lutam a guerra das pulgas, e
seu inimigo militar sofre as mesmas desvantagens que o cachorro: muito a defender e um inimigo muito pequeno, onipresente e ágil a enfrentar. Se a guerra continua por tempo suficiente — essa é a teoria — o cão sucumbe ao cansaço e à anemia, sem nunca ter encontrado qualquer coisa em que cravar suas mandíbulas ou que rasgar com suas garras.”
Elias Canetti — O celebrado romancista búlgaro que escreveu sobre as qualidades animalescas do bando enfurecido (a “multidão”). “A primeira coisa que chama a atenção em um bando é a sua direção firme; a igualdade se expressa no fato de que todos são obcecados pelo mesmo objetivo: a visão de um animal, talvez, que eles querem matar”.
Guy Brossollet (1975) — O soldado francês e teórico militar que descreveu um sistema de “não-batalhas”, surgido a partir da lógica da distensão nuclear da Guerra Fria. “Uma força de combate composta de ‘alfinetadas’, não de ‘punhos’, implantada através de uma ‘malha’ de ‘módulos de presença’, e apoiada por redes de comunicação que podem produzir uma série de ações pequenas, mas estatisticamente consistentes.” (Esse é um tema comum no discurso sobre as redes: que cada ação individual é relativamente pequena e ineficaz, mas, sob um amplo ponto de vista estatístico,
pode ter um efeito cumulativo muito poderoso). “Multiforma, manobrável, [e] onipresente” foi como Brossollet descreveu as virtudes da estratégia nova, flexível e centrada na rede.
Esses escritos, junto com muitos outros, não apenas ajudam a explicar o que as redes parecem ser — rizomáticas, redes distribuídas, enxames em nuvem, agentes impessoais — mas também apoiam uma alegação muito mais importante: não uma simples descrição das redes, mas a alegação de que, neste momento da história, estamos vivendo uma nova transformação.
Em outras palavras, e em termos mais concretos, podemos esperar uma queda tendencial da eficiência de objetos culturais, tais como imagens e textos, e um aumento significativo na eficiência de um formato completamente diferente de mediação estética: o sistema, a máquina, a rede.
Qual o potencial de uma rede? Existe uma maneira comum de responder a essa pergunta: as redes podem derrubar governos; as redes podem construir novos impérios das cinzas do império antigo; as redes podem usar sua própria conectividade para propagar-se rapidamente em novos espaços; as redes são as mestras tanto do centro quanto do perímetro; as redes podem usar a “cauda longa” para contrabalançar picos de alta intensidade; as redes são também muitas vezes descritas como “fora de controle”; como estruturas que tendem a neutralizar os efeitos dos centros de poder tradicionais. Em suma, redes e hierarquias estão sempre em oposição umas às outras, ao mesmo tempo em que novas soberanias da rede aparecem no cenário. Mas eu não vou responder à pergunta exatamente dessa forma.
Em vez disso vou responder a essa pergunta usando um conceito de ciência da computação: o protocolo, particularmente os protocolos da Internet. Eu passei algum tempo lendo os protocolos da Internet e tentei analisá-los não apenas sob uma perspectiva técnica, mas também questionando quais são os princípios de organização que estão embutidos nesse sistema técnico.
Mas isso exigiria uma resposta muito longa. Então, em vez de respondê-la, permitam-me resumir alguns dos resultados dessa análise. Estas são algumas das virtudes dos tipos de sistemas que são regidos por protocolos.
A primeira é que os protocolos de Internet permitem a interoperação entre computadores. As virtudes do protocolo incluem a robustez, a contingência, a interoperabilidade, a flexibilidade e a heterogeneidade. O chamado “Princípio da Robustez”, que vem do RFC 761 no protocolo de controle de transmissão (transmission control protocol, ou TCP), um dos princípios políticos mais importantes das redes distribuídas, afirma o seguinte: “Ser conservador no que você faz, ser liberal no que você aceita dos outros”. Esse é o princípio da robustez porque se um sistema técnico é liberal no que aceita e conservador no que faz, ele será mais robusto ao longo do tempo. (Mas, claro, não faria mais sentido que, em última instância, este fosse renomeado como o Princípio Neoliberal?) Isso indica uma segunda virtude do protocolo: a totalidade. Como o Princípio da Robustez determina, um sistema deve aceitar tudo, não importa qual seja a fonte, o remetente ou o destino. Por isso eu digo que o protocolo ou um sistema que utiliza protocolos é
um sistema de gerenciamento distribuído que facilita as relações ponto-a-ponto entre entidades autônomas. E por causa dessas virtudes e dessas qualidades, e devido à adoção global dos protocolos, nós podemos dizer que a Internet é a mídia de massa mais altamente organizada até hoje conhecida. Finalmente, o último ponto que também resume o que são protocolos e como eles funcionam é que, como há uma lógica de organização, os protocolos de Internet funcionam
em grande parte fora das duas esferas mais comumente identificadas quando se fala de poder e de controle, que são o estado (o mundo de direito, o mundo jurídico) e o setor comercial ou corporativo. Sim, os membros da indústria participam na elaboração de protocolos, e as forças legais influenciam a forma como a tecnologia se desenvolve, isso é claro; mas, no entanto, vistos como uma infra-estrutura técnica, os protocolos estão em grande parte fora destas duas outras esferas. Daí vem a minha sugestão de que precisamos de um método de análise único para o protocolo em si.
Em seguida, usando esses pressupostos sobre o protocolo, eu gostaria de identificar alguns detalhes dos meios de comunicação em rede que têm ramificações importantes na questão da cidadania digital.
A primeira é que, indo na sequência das descobertas de Claude Shannon e Warren Weaver na área da teoria da informação, redes de informática são relativamente indiferentes a conteúdo semântico e interpretação. Uma rede não é um texto. Questões de interpretação, perguntas sobre o significado semântico — essas eu associaria com a tradição do texto, isto é, a análise textual, a interpretação textual, a leitura e a escrita. A minha posição é a de que as redes não são textos, e que têm de ser entendidas como sistemas ou como máquinas. Em outras palavras, dados são analisados, e não “lidos” — pelo menos não em qualquer sentido convencional e humanista de leitura. Isso é o que pode ser visto, por exemplo, no conceito de uma soma de representação, uma simples assinatura numérica que aparece em todas as mensagens da rede.
Uma soma de verificação é calculada a partir da varredura dos conteúdos de uma mensagem; ela não é realizada por meio de nenhum ato genuíno de leitura da mensagem. Esse é apenas um exemplo da diferença entre análise e leitura. De certa forma, hoje nós não fazemos nada além de calcular algumas somas de verificação aqui e ali. Porque a leitura está em declínio.
A tendência de ser indiferente à interpretação e à semântica do conteúdo poderia ser chamada de tendência anti-hermenêutica das redes. Aqui eu uso o termo hermenêutica para designar a ciência textual da interpretação, que tem suas raízes na interpretação bíblica, mas que floresceu durante os períodos moderno e pós-moderno da história. Em suma, um novo modelo de leitura terá de ser explorado. Um modelo que não é de natureza hermenêutica, mas que em vez disso é baseado em análise cibernética, digitalização, reorganização, filtragem e interpolação. Esse novo modelo de leitura terá de ser baseado em uma noção imanente ou maquínica de software.
(Deixe-me ressaltar brevemente que essa tendência só aumenta com o advento da chamada web semântica. Ela não diminui. Quando uma coisa é aperfeiçoada em forma de software, ela está morta. Isso não é nostalgia tecnofóbica da minha parte. É simplesmente para registrar a verdade sobre o que significa “perfeição”.)
A segunda ramificação é a que pode ser chamada de tragédia política da interatividade. Interatividade e bidirecionalidade da rede são conceitos comumente apreendidos como uma espécie de utopia de Bertolt Brecht em seus pequenos fragmentos no rádio, depois reprisados por Hans Magnus Enzensberger como o coração e a alma de uma mídia “emancipada”. Como pode uma mídia se tornar emancipada? Ela muda de unidirecional para bidirecional. Mas a situação
mudou tanto que hoje a bidirecionalidade é a regra, e não a exceção. Hoje, a interatividade é um dos instrumentos fundamentais de controle e organização. Hoje, as redes se enlaçam ao próprio ato da conexão. As redes são extremamente eficientes articulando e transmitindo mensagens bidirecionalmente (no que a teoria dos gráficos chama de “gráfico não direcionado”). Em suma, os organismos devem hoje se comunicar, querendo ou não. Isso acontece, essencialmente, porque comunicação e controle são indissociáveis na concepção de cibernética de Norbert Wiener.
Organismos são “capturados”, para usar a terminologia de Phil Agre, usando qualquer número de códigos informáticos e rubricas. Os cliques são acumulados. Comportamentos são analisados para revelar dados significativos, ou são monitorados para revelar dados ilegais.
Mesmo o genoma é prospectado para revelar sequências raras ou, de alguma outra forma, úteis, algo particularmente importante no contexto do Brasil, dado o desejo de prospectar diversos ecossistemas biológicos. Por exemplo, as empresas farmacêuticas irão para a Amazônia e encontrarão bolsões de biodiversidade que, por si só, têm valor monetizável. Esses bolsões de diversidade são extraídos e removidos. Assim, a bioprospecção é em si um processo de interatividade informática; a informação em questão, na natureza, é apenas genética. Essa é a tragédia política da interatividade: o que antes era tão libertador para Enzensberger é hoje o verdadeiro lugar da exploração, da regulação e do controle informático.
A terceira ramificação é a tendência do software de privilegiar a superfície em detrimento da fonte, enquanto ao mesmo tempo defende as fontes como absolutamente essenciais, mesmo quando elas estão escondidas. Mas o que isso significa? O software é muitas vezes entendido como se existisse em vários níveis ou modos. No nível da autoria, o software existe como “código-fonte”, um texto legível por humanos que contém comandos escritos em uma linguagem
computacional de alto nível, como C++. Quando esse código-fonte é compilado, os comandos são traduzidos em um código legível por máquina, chamado de aplicativo executável, que consiste nos comandos básicos que podem ser compreendidos pelo hardware da máquina. Esse aplicativo cria uma terceira modalidade de software, a experiência em tempo real de efetivamente iniciar e executar o software como um usuário normal. Essas três modalidades —
código-fonte, executável, e interface — são três aspectos cruciais de qualquer tecnologia de computador. A interface é muitas vezes considerada primária, já que ela é experiência existente do software, já que ela se refere a um usuário. Porém, ao mesmo tempo, o executável é por si só o momento determinante, já que ele contém efetivamente os comandos maquínicos necessários para o software funcionar. Mas o executável é apenas o resultado de uma compilação maquínica do código-fonte, que é, portanto, considerado essencial, como a receita para o trabalho criado, ou a partitura musical para a performance. Então, para a “fonte” do software funcionar, ele deve aparecer sob uma forma que não é a sua (o executável), apenas para ser experimentado em uma terceira forma, completamente diferente das outras duas. Isso é o que poderia ser chamado de a lógica oculta do software: o software se esconde exatamente no momento em que se expressa mais plenamente.
Termino com um exemplo extraído de notícias recentes. Você já deve ter lido sobre este novo triunfo dos laboratórios: os cientistas, com seus muitos talentos, criaram recentemente uma vacina contra a cocaína. Aparentemente, a vacina contra a cocaína funciona de maneira bastante semelhante a outras vacinas. O soro é administrado a um paciente e os efeitos da droga são neutralizados, assim como os efeitos da gripe são neutralizados com uma vacina contra a gripe. No entanto, e este é o ponto crucial, a vacina contra cocaína não remove os desejos de dependência, ou seja, o desejo de adquirir e usar a droga.
A vacina contra a cocaína é uma imagem perfeita para nós. Nós ainda temos desejos, mas não conseguimos sentir os efeitos da droga. Nós temos uma libertação do desejo e da liberdade individual, a libertação de abertura. Nunca o desejo e a expressão afetiva foram tão livres. Nós temos tantos desejos — de democracia, de comida e bebida, de petróleo, de conectividade. Mas, ao mesmo tempo, somos incapazes de perceber os prazeres dessas promessas utópicas. Nossas redes são armas. Nossas webs são também as nossas próprias armadilhas. A interatividade é penosa. A transparência vem com o custo de se fecharem todas as coisas. Essa é a condição do cidadão digital hoje. É nossa tarefa, portanto, não festejar o heroísmo da rede, mas, em vez disso, oferecer uma reconstrução crítica do código, de forma a que o próprio aparelho seja reformulado como um instrumento de prática, e não como um instrumento de gestão, como permanece hoje.
Referências bibliográficas
BROSSOLLET, Guy. Essai sur la non-bataille. Paris: Belin, 1975.
CANETTI, Elias. Crowds and Power. Trad. Carol Stewart. Nova York: Farrar, Straus and Giroux,
1962.
TABER, Robert. War of the Flea. Washington: Potomac Books, 2002.
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Tentaram cunhar em Dilma o apelido de guerrilheira, acusá-la de assaltos (expropriações), como que a invocar que saíssem das trevas do passado obscuro do país o medo infundado da população de uma suposta “ameaça comunista”, tão usada pelos generais para justificar as arbitrariedades e injustiças que cometeram e, mais que isso, institucionalizaram, com sua famigerada Doutrina de Segurança Nacional a orientar a axiologia de todo o sistema legal e político do país.
Uma das imagens absurdas daquela campanha suja conduzida pelos setores retrógrados com a completa conivência e torcida da mídia conservadora, o tal PIG, foi a ficha falsa de Dilma detida no Presídio Tiradentes. Mas, outras não faltaram, inclusive tentando retroceder em busca do moralismo católico dos anos 50 e 60, com a migração da discussão do aborto do campo da saúde pública para o campo da moral sexual.
Com o apoio de Lula e da popularidade obtida pelos resultados do seu segundo mandato, Dilma partiu para a campanha presidencial, tratada inicialmente como “poste”, para galgar pouco a pouco a liderança da campanha e, em um feito histórico, vencer a eleição presidencial, em condições políticas tantopropícias para valorizar o papel da mulher na sociedade como resgatar a justiça da luta daqueles que se opuseram à ditadura.
O ano de 2011 começou como um jogo de xadrez. Dilma compôs o governo, impôs-lhe regras e rigores de padrão de gestão, estabeleceu prioridades tais como o combate à miséria, provocou mudanças institucionais relevantes: mudou a direção do Banco Central e a alinhou à política econômica orientada pelo ministro Guido Mantega, gerando desorientação dos analistas financeiros pensavam que podiam tutelar a política monetária.
As reações dos setores proprietários do establishment não tardou: passaram a intensificar a luta política contra o governo tentando carimbar-lhe a imagem de corrupto – velho chavão sempre usado contra quem não lhes quis beneficiar – e a usar dos dados obtidos em processos internos de fiscalização do sistema de controle interno do governo, como as apurações da CGU, por exemplo, para fustigar cotidianamente e recorrentemente aos ministros do governo.
Alguns deles perderam seus postos, é verdade, o que não implica dizer que a presidenta Dilma tenha concordado com a linha inquisitorial das acusações contra eles desferidas. Pessoalmente, também comemorei a saída de um ou outro, por divergir da orientação de suas estratégias, entendendo que a crítica dos conservadores estava criando oportunidades para Dilma instalar-se ainda mais no comando do governo, deliberando por nomes em que sua orientação pudesse se evidenciar com mais clareza.
Pois, agora, chegou a hora de avisar a Veja, a Folha, a Globo, ao PSDB, ao DEM, a Serra e a Kassab, além de Agripino Maia, lógico: a guerrilheira chegou ao poder!
a) Na semana passada, sob o comando de Dilma e a caracterização, por ela, do “tsunami” da economia mundial, abandonando a “marolinha” de Lula, o Banco Central aderiu à tese da baixa da SELIC mais rápida, reduzida em 0,75% de uma só tacada, implicando em menos uns R$ 3,5 a R$ 4 bilhões nas contas dos usurpadores da riqueza nacional;
b) Dilma reuniu-se com Luis Nassif, para conceder a ele, e a seu blog, uma entrevista exclusiva, a única após circular pela Alemanha opondo-se à Merkel e à orientação tragicomica imposta pela Alemanha à crise européia. Observem: Nassif é um símbolo da luta contra a Veja. Seu blog é referência da disputa politica contra os veículos convencionais;
c) Tentaram ameaçá-la com uma suposta rebelião do PMDB na base do governo, inclusive rejeitando o nome de Bernardo Figueiredo para a ANTT. Dilma aceitou o lance e não cedeu uma vírgula;
d) Inventaram uma entrevista de um general contra a Comissão da Verdade, para justificar a rebelião de um grupo de generais já aposentados da caserna. Dilma mandou que os que se pronunciaram contra a Comissão da Verdade sejam enquadrados e penalizados, porque devem-lhe obediência!;
e) Dilma mudou o titular do MDA, substituindo-o pelo operoso Pepe Vargas, considerado um dos expoentes da interlocução com as microempresas, mas não só: da corrente DS – Democracia Socialista, do PT Gaúcho, hoje integrante da Mensagem ao Partido. E com a nítida tarefa de retomar o ritmo da reforma agrária;
f) Hoje, o golpe de misericórdia: a indicação, contra a vontade dos líderes do PDT, de Brizola Neto, deputado federal, que apenas pelo sobrenome do avô, Brizola já representa um pesadelo para a Globo, no Rio. Mas, Brizola Neto, também é blogueiro, autor do Tijolaço, alinhado claramente em riste contra os senhores da mídia, desde sempre.
Não se trata de avaliar se Brizola Neto seria o melhor nome para o Ministério do Trabalho e Emprego, penso que não. Mas compreender que Dilma, com seus gestos inteligentes e concatenados, resolveu dar seu recado: a trégua acabou, a guerrilheira chegou ao poder!
Não deviam ter cutucado a onça com régua curta.
Dilma decidiu comprar a briga. Viva!!!
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Sex, 11/Fev/2011 17:54 Comunicação Ambiental
Como as empresas estão comunicando a sustentabilidade no mundo? E, principalmente, o que e de que modo vão comunicar o tema nos próximos anos? Para responder a essas duas perguntas, Ideia Sustentável – usando a sua metodologia OTS (Observatório de Tendências em Sustentabilidade) – mapeou e identificou – a partir da análise de dados gerados por organizações globais produtoras de conhecimento em sustentabilidade – 11 tendências. Com a intenção de oferecer material para sua reflexão, apresentamo-nas a seguir:
1) Consumidores exigentes, mais comunicação
As empresas estão comunicando mais a sustentabilidade por meio da propaganda de produtos e de valores institucionais. Esse é um movimento que tende a se expandir em todo o mundo como uma resposta ao crescente interesse dos consumidores e às demandas por mais transparência. Stakeholders mais exigentes, concorrentes mais interessados e atuantes e agências reguladoras mais fiscalizadoras contribuem ainda para compor um cenário muito favorável à comunicação da sustentabilidade.
Realizado em 2010, com 9 mil entrevistados em 8 países (o Brasil incluído), o estudo sobre marcas verdes ImagePower (Cohn&Wolfe, Landor Associates e Penn Schoen Berland, em parceira com a Esty Environmental Partners) revelou que 60% dos consumidores querem comprar produtos de empresas sustentáveis. Pesquisas de diferentes fontes apontam percentuais similares.
2) Inovação puxa comunicação de produtos
O crescimento da comunicação da sustentabilidade em todo o mundo está, de alguma forma, ligado ao fato de que o tema entrou para valer no campo da inovação. Para a FDI Element, braço de comunicação em sustentabilidade da consultoria FTI, a valorização da sustentabilidade como vantagem competitiva tem levado cada vez mais empresas a comunicar não só aspectos convencionais, como reciclagem e pegada de carbono, mas iniciativas amplas relacionadas a produtos verdes. Compromissos efetivos com soluções para as mudanças climáticas seguem em alta nos Estados Unidos e na Europa, em virtude da relevância da questão e da crescente sensibilidade dos consumidores em relação a ela.
3) A velha história da lição de casa primeiro…
Cada vez mais empresas estão preocupadas em melhorar o desempenho em sustentabilidade antes de comunicá-la. A ideia parece óbvia. E é. Mas a história recente mostra que, contrariando o bom senso, muitas companhias quebraram a cara por botar o discurso a léguas da prática. Você, leitor, certamente conhece pelo menos uma empresa brasileira que cometeu esse equívoco. Arrisque fazer a sua listinha.
4) Mensagem valoriza desempenho do produto, o bolso do consumidor e a contribuição para o planeta. Tudo ao mesmo tempo
Associar o desempenho do produto com a sustentabilidade é outra tendência que apareceu no radar. As primeiras ações de comunicação, no início da segunda metade desta década, adotavam um tom mais institucional do tipo “olha como a minha empresa pensa e o que valoriza”. Destacavam valores e compromissos. Agora estão tratando de produtos. E, mais do que isso, da “vantajosa” interação do consumidor com os produtos.
A consultoria canadense Stratos identificou, em recente estudo sobre comunicação da sustentabilidade no ponto de venda, um crescimento no número de empresas que procuram “vender” ao consumidor a ideia de um benefício muito claro para a escolha de produtos mais sustentáveis. É o caso da P&G, com o seu papel-toalha Bounty Select a Size, que permite ao consumidor selecionar o tamanho das folhas de modo a evitar desperdício.
5) Simples é melhor
Considerando ainda o ponto de venda, observa-se uma tendência pela simplificação da mensagem da sustentabilidade. Para a Stratos, um exemplo ilustrativo dessa tendência é a Marks&Spencer, maior rede de lojas de departamento do Reino Unido.
Em busca de uma compreensão melhor e mais sintética da sua visão de sustentabilidade, a varejista britânica implantou uma campanha chamada Plano A, na qual transforma 100 compromissos em cinco pilares (Mudanças Climáticas, Resíduos, Matéria-Prima Reciclável, Parcerias Justas e Saúde), devidamente identificados por ícones. “Cinco anos. Cinco compromissos. 100 coisas para mudar. Porque temos apenas um mundo. E o tempo está acabando”, informa em cartazes espalhados pelas lojas. A intenção é comunicar rápido, de modo simples, para fortalecer vínculos com consumidores cada vez mais bombardeados por informação verde. Uma inspiração para empresas varejistas brasileiras.
6) Verificação externa funciona como avalista
Cada vez mais empresas estão recorrendo à verificação externa e independente para validar suas estratégias verdes e metas de sustentabilidade corporativas. Rótulos de organizações sérias acrescentam valor e ajudam a legitimar a comunicação num mundo de consumidores desconfiados. Na França, Alemanha e China os consumidores se orientam quase que exclusivamente pelos selos de certificação.
A The Body Shop, empresa de cosméticos apontada pela pesquisa ImagePower-2010 como a “mais verde” da Inglaterra, recorre, por exemplo, ao selo Ecocert para comunicar o quão orgânicos são seus produtos. O mesmo faz o Whole Foods Market, supermercado especializado em produtos naturais e orgânicos, a segunda companhia no ranking das “mais verdes” dos EUA.
7) Natural em alta
O repertório de motes de comunicação da sustentabilidade se amplia na medida em que as empresas buscam se diferenciar num contexto de mensagens cada vez mais iguais. Tudo o que é “natural” segue em alta. Cada vez mais empresas se socorrem no procedimento de comunicar, nos rótulos, o “quão natural” é o produto.
Reconhecida como a “marca mais verde” dos EUA, segundo o estudo ImagePower-2010, a Burt´s Bees, empresa de produtos de cuidados pessoais, informa em suas embalagens o percentual preciso de “naturabilidade” de cada um deles, compara por meio de cartazes de ponto de venda os benefícios de produtos naturais em relação aos convencionais e realiza campanhas muito criativas como, por exemplo, a denominada “Quanto de batom você vai comer na sua vida?”, que orienta os consumidores sobre as substâncias presentes nos batons “não naturais.” Boa ideia, comunicação fácil e eficaz.Em conjunto com a Natural Products Association, a Burt`s Bees desenvolveu ainda um padrão para produtos de cuidado pessoal naturais, com o objetivo de sensibilizar consumidores num contexto caracterizado pela inexistência de regulação oficial.
8 ) Redes sociais, aí vamos nós!
Cada vez mais empresas vêm utilizando as ferramentas de mídia social para dialogar com públicos de interesse e ampliar o alcance de sua comunicação da sustentabilidade. Os vídeos on-line estão em alta entre os norte-americanos. Não é exagerado afirmar que serão uma febre também no Brasil, a considerar o crescente número de pessoas conectadas e a expansão da banda larga por aqui.
9) Preferindo o todo, em vez das partes
Cresce o número de empresas que estão trocando ações pontuais por um posicionamento mais amplo de sustentabilidade. A Timberland é apontada como emblemática dessa tendência, graças à iniciativa do Green Index Label (Rótulo de Índice Verde). Um time de desenvolvimento ambiental da empresa avalia os produtos, por meio de auditoria interna feita em processo aberto junto com stakeholders, a partir de três critérios: emissões de carbono, utilização de produtos químicos e consumo de recursos (a porcentagem, em peso, de materiais reciclados, orgânicos e renováveis). Quanto menor o índice (que varia de 1 a 10), “mais sustentável” é o produto. As informações, registradas numa etiqueta, são disponibilizadas aos consumidores no ponto de venda. O processo aberto e transparente garante a confiabilidade do índice.
A mesma Timberland criou ainda uma espécie de “tabela nutricional” para os seus calçados que informa a pegada ecológica do produto, destacando a quantidade de energia renovável, de químicos, de matéria-prima renovável, orgânica e reciclada, e ainda a quantidade de árvores plantadas pela empresa. Os produtos apresentam, na forma de selo, ícones comunicando o percentual de couro curtido proveniente de instalações ambientalmente auditadas, de material orgânico, e de borracha de pneus certificados e de PET reciclada.
10) O que focam as mensagens
Uma análise do que está sendo mais comunicado no ponto de venda revela uma ênfase a: (1) Mudanças climáticas e energia (consumo de energia no ciclo de vida, pegada de carbono do produto, economia de energia no uso do produto); (2) Matérias-primas (padrões éticos e ambientais para fornecedores de materiais, com respeito a direitos humanos e comércio justo); (3) Produtos químicos (segurança, materiais naturais, orgânicos e produtos químicos excluídos); (4) Gestão da água (pegada hídrica, qualidade e abastecimento) (5) Ações relacionadas a causas locais e globais (como o comércio justo, que proporciona algum tipo de economia ao cliente e resultados financeiros para organizações sem fins lucrativos).
11) Marcas sustentáveis mobilizam consumidores, empregados e parceiros
Parece crescer a consciência de que a sustentabilidade é um componente ético fundamental na construção de marcas. E, ainda, que marcas sustentáveis geram uma aura de simpatia e interesse. Criam audiências, favorecem proximidade, despertam confiança. Essa foi uma das sete conclusões da Conferência Sustainable Brands (Marcas Sustentáveis), realizada em 2010, nos Estados Unidos.
Ricardo Voltolini é publisher da revista Ideia Sustentável e diretor da consultoria Ideia Sustentável.
Twitter: @ricvoltolini
Topblog: http://www.topblog.com.br/sustentabilidadeFonte: http://www.ideiasustentavel.com.br/2011/02/tendencias/
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