Archive for the ‘Informática’ Category
24.04.13 – I Encontro Nacional de Comissões de TI divulga a Carta de Porto Alegre com deliberações sobre o processo eletrônico
O evento reuniu os presidentes e membros das Comissões de TI de todas as OABs do País, com a participação do conselheiro federal e presidente da Comissão de TI do CFOAB, Luiz Cláudio Silva Allemand. A programação faz parte do II Congresso Sulbrasileiro sobre Processo Eletrônico, que inicia ao público inscrito nesta quinta (25) e sexta-feira (26).
O I Encontro Nacional de Comissões de Tecnologia da Informação da OAB foi realizado, nesta quarta-feira (24), em Porto Alegre. O evento foi realizado pelo Conselho Federal da OAB, juntamente com a Ordem gaúcha, por meio da Escola Superior de Advocacia (ESA), e da Comissão de Direito da Tecnologia da Informação (CDTI). A programação faz parte do II Congresso Sulbrasileiro sobre Processo Eletrônico, que inicia ao público inscrito nesta quinta (25) e sexta-feira (26).
O encontro, que aconteceu no Auditório Romildo Bolzan, do TCE/RS, reuniu os presidentes e membros das Comissões de TI de todas as OABs do País, com a participação do conselheiro federal e presidente da Comissão de TI do CFOAB, Luiz Cláudio Silva Allemand.
O objetivo do evento foi discutir e também buscar soluções para os problemas apresentados na implementação do processo eletrônico. No encerramento dos trabalhos, foi deliberada a Carta de Porto Alegre, com os apontamentos das seccionais para a melhoria do sistema virtual dos Tribunais. O texto foi relatado pelo vice-presidente da CDTI da OAB/RS, Miguel Ramos.
O presidente da OAB/RS, Marcelo Bertoluci, abriu o evento falando que esse é um tema latente na sociedade atual, e de interesse de toda advocacia e também da cidadania brasileira. “Esse é um assunto que temos uma convergência de forças entre o CFOAB e as seccionais de todo o país, demonstrando que a instituição está integrada nessa questão”, relatou Bertoluci.
O dirigente também acrescentou que o processo eletrônico não pode ser uma ferramenta excludente de advogados, e por isso é fundamental a discussão do tema, para que isso não dificulte o exercício da advocacia, e consequentemente não afete o acesso do cidadão à justiça.
O presidente da CDTI da OAB/RS, Carlos Thomaz Albornoz, destacou que o processo eletrônico deve ser um elemento facilitador da advocacia. Ele também frisou que as comissões das seccionais têm três papeis fundamentais. “Precisamos alertar os advogados para a importância do tema; prepará-los para se capacitarem e conseguirem utilizar o processo eletrônico na sua plenitude; e também auxiliar na elaboração dos processos eletrônicos nos tribunais”, relatou Albornoz.
Durante o evento, o vice-presidente da Certisign, Paulo Kulikovsky, abordou o tema da certificação digital dos advogados em todo o país. Durante a sua explanação, foram discutidos os principais problemas e também sugeridos formas de melhora na prestação do serviço.
Em nome do CFOAB, Allemand trouxe os cinco principais problemas à implementação do processo eletrônico no país: a infraestrutura deficiente de Internet; dificuldades de acessibilidade; problemas nos sistemas de processo eletrônico; necessidade de melhorias na utilização do sistema; e a unificação dos sistemas de processo eletrônico.
Os cinco pontos foram deliberados em evento, realizado em Brasília no mês de março, que reuniu os presidentes das comissões de Direito da Tecnologia e da Informação das 27 seccionais.
No encontro em Porto Alegre foram discutidas formas de solucionar esses cinco problemas. “Precisamos ter um projeto de unificação do Processo Eletrônico, e lutar para que ele seja implementado e funcione de maneira eficiente”, apontou Allemand.
Também estiveram presentes no evento, o secretário-geral, Ricardo Breier; a secretária-geral adjunta da OAB/RS, Maria Cristina Carrion Vidal de Oliveira; o tesoureiro, Luiz Henrique Cabanellos Schuh; a conselheira federal, Clea Anna Maria Carpi da Rocha; o chefe de gabinete da presidência, Júlio Cesar Caspani; e o representante do TCE, e o gerente da Comissão de Processo Eletrônico, Luis Carlos Carvalho.
Confira a íntegra da Carta de Porto Alegre:
Carta de Porto Alegre
Os presidentes e membros das Comissões de Tecnologia da Informação das Seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil reunidos no Auditório Romildo Bolzan, do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul, nesta cidade de Porto Alegre, no I Encontro Nacional de Comissões de TI da OAB, com o objetivo de debater os problemas e soluções em torno dos sistemas de processo eletrônico, em especial, o PJe (Processo Judicial Eletrônico) do Conselho Nacional de Justiça, do Conselho Superior da Justiça do Trabalho, e de outros Tribunais nacionais, e considerando o art. 133 da Constituição Federal, pelo qual o advogado é indispensável a administração da Justiça, concluem:
1. Amplo acesso ao Judiciário: Os sistemas de processo eletrônico devem ser meios facilitadores do acesso à Justiça e, portanto, atender aos princípios de transparência, eficiência, defesa da cidadania, legalidade e garantias fundamentais asseguradas na Constituição Federal;
2. Processo eletrônico como rito: Os sistemas de processo eletrônico não podem ser regulamentados por atos administrativos que importem em alteração das regras processuais;
3. Unificação dos vários regulamentos: O Judiciário deve adotar regras padronizadas de regulamentação dos sistemas, ressalvada a autonomia legal, de forma a proporcionar uma utilização uniforme e eficiente;
4. Implantação planejada: A implantação de sistemas de processo eletrônico deverá ser precedida de um planejamento de impacto, de forma a minimizar os efeitos das inovações em todos os setores da administração da Justiça, da sociedade e, inclusive, prevendo as futuras alterações legislativas, pontualmente quanto às modificações das regras processuais;
5. Inclusão digital e papel da OAB: O Conselho Federal e as Seccionais da OAB de todo o Brasil têm demandado esforços no sentido de proporcionar condições favoráveis para a inclusão digital de todos os advogados. Todavia, diante dos grandes problemas e dificuldades encontrados nos sistemas informatizados e infraestrutura básica, já reconhecidos pelo Comitê Gestor do CNJ, faz-se necessária a instituição de um período de transição, para a exigência da sua obrigatoriedade;
6. Unificação de sistemas: A OAB defende a unificação dos sistemas de processo eletrônico, dentro das regras Republicanas, observados os princípios da eficiência, transparência e acesso a Justiça;
7. Suspensão de implantação: Diante do reconhecimento pelo Comitê Gestor do CNJ de que o sistema PJe é instável, falho, e que esse órgão não possui estrutura para gerir um projeto de abrangência nacional de modo eficiente e seguro,tampouco os Tribunais dispõem de pessoal apto a operá-lo e desenvolvê-lo,faz-se necessária a suspensão de novas implantações em varas e tribunais, até que tais problemas sejam superados;
8. Necessidade de testes de vulnerabilidade: Diante das constantes falhas e erros nos sistemas relatados por advogados, procuradores, servidores, juízes e demais usuários, a OAB entende por imperiosa a realização de testes públicos de vulnerabilidade e estabilidade dos sistemas, por meios de órgãos independentes, com vista a preservar os direitos e garantias fundamentais, o devido processo legal e a segurança jurídica.
A OAB, em defesa da cidadania, que tanto lutou pela criação e manutenção do Conselho Nacional de Justiça espera que este tenha a sensibilidade para encontrar soluções aos graves problemas apontados.
Porto Alegre, RS, 24 de abril de 2013
——————
João Henrique Willrich
Jornalista – MTB 16.715
Rodney Silva
Jornalista – MTB 14.759
Gostou deste Artigo?
Inscreva-se para acompanhar o nosso RSS feed!
Pesquisa enfoca o uso de novas tecnologias no ensino
05/02/2013
Agência FAPESP – Várias pesquisas e relatórios de projetos educacionais têm apontado que uma das possibilidades para melhorar a qualidade do ensino é inovar as metodologias e variar as formas de apresentar os conteúdos para os alunos. Essas inovações em grande parte estão associadas ao uso das novas tecnologias no processo de ensino.
Um projeto de pesquisa conduzido na Faculdade de Ciências e Letras da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Araraquara, pretende ampliar o uso dos chamados objetos de aprendizagem e envolver um maior número de alunos.
A pesquisa tem apoio da FAPESP por meio do Programa de Melhoria do Ensino Público e origem em estudos já conduzidos no Núcleo de Ensino da Unesp.
“Durante dois anos, uma equipe de professores e bolsistas do Núcleo de Ensino da Unesp desenvolveu atividades com objetos de aprendizagem em uma escola pública estadual. Os resultados não deixaram dúvidas. Nos conteúdos trabalhados com os objetos, os alunos em média tiveram um resultado 32% superior aos conteúdos trabalhados de maneira tradicional”, disse Sílvio Henrique Fiscarelli, coordenador do projeto.
Nas oito classes de ensino médio analisadas, com um total de quase 400 alunos, o desempenho dos alunos se mostrou superior quando foram utilizados objetos de aprendizagem para abordar os conteúdos de Física e Matemática.
Comparando estatisticamente os desempenhos dos alunos nas atividades realizadas em sala de aula com as atividades nas quais foram utilizados os objetos de aprendizagem, observou-se que os estudantes obtiveram um desempenho melhor e mais homogêneo com o uso desse tipo de recurso.
Foi constatado também que os alunos que obtinham média 5 ou abaixo deste valor nas atividades em sala de aula melhoraram 51% seu desempenho, enquanto os alunos com média superior a 5 obtiveram um ganho médio menor, de apenas 13%. Ou seja, os alunos que têm maior dificuldade de aprendizagem são os mais beneficiados pelo uso dessa tecnologia.
Com apoio da FAPESP, foram adquiridos 35 computadores que serão utilizados em sala de aula, evitando que os alunos precisem se deslocar para o laboratório de informática para utilizar os objetos de aprendizagem.
O projeto envolve sete professores que recebem Bolsa da FAPESP para se dedicar às atividades e cinco disciplinas (Português, Matemática, Física, Química e Filosofia).
* Com informações da Unesp
Fonte: http://agencia.fapesp.br/16789
Gostou deste Artigo?
Inscreva-se para acompanhar o nosso RSS feed!
EMPRESÁRIAS DIGITAIS
EMPREENDEDORAS.COM
Autor(es): João VARELLA
Isto é Dinheiro – 14/01/2013
Elas invadiram um setor dominado por homens. Conheça as empresárias digitais que estão conquistando os milhões de dólares dos fundos de investimentos internacionais.
Aos 15 anos de idade, a paulistana Mariana Medeiros circulava pelos corredores do shopping Iguatemi, em São Paulo. Era comum para ela carregar sacolas recheadas de produtos cujos valores iam muito além do que suas economias poderiam bancar. O dinheiro vinha de seu trabalho como braço direito do pai, dono de um escritório de arquitetura em Itu, no interior de São Paulo, como responsável por transações bancárias que envolviam o pagamento dos fornecedores. “Eu conversava com o gerente do banco, que me conhecia, perguntava o saldo da conta e verificava os compromissos a pagar do meu pai”, lembra Mariana.
“Então, pegava o telefone e dizia para o vendedor de areia: “Posso pagar daqui a uma semana?”" Mariana aproveitava os dias extras no prazo para aplicar no overnight, investimento que, na época da hiperinflação, nos anos 1980, proporcionava retornos vultosos diariamente, com o qual reforçava seu orçamento pessoal. A negociadora surfou nessa onda por três anos. “Depois vi que teria de trabalhar.” Esse tino para a negociação, descoberto na adolescência, mais do que garantir a ela o acesso às marcas e grifes de sua preferência, acabou revelando-se de extrema utilidade para os passos futuros de Mariana.
Formada em direito, hoje com 38 anos de idade, ela trabalhou em um escritório especializado em fusões e hoje é uma empresária bem-sucedida do mercado digital. Ela é sócia da loja virtual de moda OQVestir, fundada em 2008, em parceria com a amiga Rosana Sperandéo, que logo em seguida passou a contar com Isabel Humberg na sociedade. A ousadia marcou o nascimento da OQVestir. Em plena crise financeira internacional, deflagrada pela quebra do banco Lehman Brothers, nos Estados Unidos, as três sócias investiram mais de R$ 1 milhão no negócio. Uma das apostas do serviço foi comercializar roupas já com dicas para a combinação ideal – o “look”, como se diz no jargão da moda.
“Queria fazer uma loja virtual que se parecesse com o Iguatemi, que conheço bem”, afirma Mariana. A sacada deu certo. A OQVestir já recebeu três rodadas de investimentos do fundo americano Tiger Global, a última delas realizada em outubro do ano passado. O mesmo fundo, que administra recursos da ordem de US$ 8,2 bilhões, também injetou recursos em empresas como Facebook, Netshoes e Linkedin. A OQVestir é apenas um exemplo de sucesso de uma onda recente de mulheres no comando de negócios digitais, campo que até há pouco tempo era ocupado quase exclusivamente por homens.
Ao que tudo indica, o avanço delas vai ser ainda mais rápido do que o de seus pares masculinos, pois as empresárias pontocom estão chamando a atenção de alguns dos principais fundos de investimento do mundo, como o Redpoint eVentures, IG Expansión e o 500 Start-ups, além do Tiger, dispostos a aplicar seus recursos em seus negócios. O momento não poderia ser mais propício. Em primeiro lugar, porque a internet está se popularizando rapidamente e o avanço da telefonia móvel estimula uma série de novos empreendimentos no mundo digital. Além disso, os produtos ligados a moda e acessórios – segmento no qual atuam muitas das empreendedoras – estão se consolidando como um dos maiores mercados para o comércio eletrônico.
Essa categoria de produtos foi responsável por 11% dos R$ 10,2 bilhões faturados pelo varejo virtual brasileiro no primeiro semestre de 2012. É o terceiro segmento com maior faturamento no ranking do comércio eletrônico, liderado pelos produtos eletrodomésticos, com 13% das vendas, e logo atrás do segundo colocado, “saúde e beleza”, que obteve uma fatia de 13%, segundo dados da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (câmara-e.net). A estimativa é que o varejo virtual tenha registrado no ano passado uma receita de R$ 22,5 bilhões. E, conforme mais lojas físicas de roupas e acessórios migrem para os negócios virtuais, a participação de produtos de moda no faturamento total do mercado deve crescer ainda mais.
O potencial é enorme. No ano passado, o setor têxtil faturou R$ 140 bilhões no Brasil, segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), e o de cosméticos R$ 89,3 bilhões, de acordo com o Instituto Euromonitor. Promissor, esse cenário, que vinha se desenhando nos últimos anos, abriu espaço para que mulheres como Karen Sanchez, 28 anos, montassem suas empresas. Ela fundou no ano passado na capital paulista o Lets, site de moda que atua com o conceito de fast fashion. O termo é usado para descrever os varejistas que rapidamente adaptam conceitos das passarelas para seu acervo. O Lets começou a operar com investimento de US$ 15 milhões recebido do A5 Internet Investments, fundo nacional de investimento para projetos digitais.
Para ter uma ideia do que representa esse valor, o primeiro aporte do Facebook foi de US$ 1 mil, dado pelo brasileiro Eduardo Saverin. Para Karen, o mercado está aberto à agilidade feminina. “A cabeça da mulher é dinâmica”, afirma. “Isso é muito útil no mundo das start-ups, que está sempre em transformação.” O atrativo para estimular as vendas é o uso de vídeos para mostrar melhor como é o caimento das roupas. A empresa deve lançar em breve a Lets TV, uma série de programas de sugestões e entrevistas com a apresentadora Gianne Albertoni, ex-TV Record. Obter sucesso no mundo digital pode significar para elas ter de vencer sozinhas os desafios da tecnologia, tais como programar um site, uma função na qual os homens costumam ter maior desenvoltura.
Para fundar o shopping virtual I Love E-Commerce, por exemplo, a publicitária Mariana Villela, 26 anos, aprendeu programação como autodidata. Não foi fácil. “É um grande desafio”, afirma Mariana. “Você entra em desespero por não entender nada.” O esforço trouxe bons resultados. “Hoje, consigo manter uma conversa de programação de bom nível, o que é essencial para um site que tem mais de 30 mil produtos”, diz Mariana. Atualmente, a empresa oferece sua vitrine para 25 lojas e age como uma seleção das melhores prateleiras virtuais. O site obtém sua receita ao cobrar das empresas uma taxa por usuário que acessa a loja por meio do I Love E-commerce.
CLIQUE A CLIQUE Enquanto a aposta do I Love E-Commerce é na curadoria, o site Sophie & Juliete adaptou ao digital o modelo de venda porta a porta adotado por companhias como Avon e Natura. A empresa foi fundada em 2012 por Camila Souza, 30 anos. Com aporte de cerca de US$ 7 milhões dos fundos Redpoint eVentures, dos Estados Unidos, e IG Expansión, da Espanha, o site oferece a cada revendedora uma vitrine virtual e facilidade para fazer as transações. As consultoras encomendam os pedidos das clientes pela web e não precisam se preocupar com a entrega. Com a loja virtual própria abrigada no Sophie & Juliete, em vez de bater perna atrás das clientes, as promotoras podem navegar pelos perfis virtuais das amigas e de contatos para indicar seus produtos.
“Transformamos a venda de porta a porta em clique a clique”, diz Camila. Para se tornar uma representante da empresa, basta um investimento inicial de R$ 199. Mas não é só às áreas de moda e beleza que as empreendedoras digitais brasileiras se dedicam. A publicitária Lalai Luna, 39 anos, trabalha com internet desde 1995 e fundou a agência digital Remix, em 2009, em parceria com Ana Laura Mello. Entre os focos do negócio estão as estratégias para redes sociais, embora também desenvolva projetos para diversas plataformas. Por lidar com ações na rede, a habilidade feminina para estabelecer diálogos pode ser um diferencial.
Mas, segundo Lalai, a vantagem e a desvantagem das mulheres no comando de empresas é a mistura emocional nas decisões tomadas. “Embora os projetos fiquem mais especiais, há decisões difíceis que exigem mais”, afirma. “Nem sempre conseguimos contar com o aspecto racional.” Outro exemplo de start-up de fora do setor de moda é a JáComparou, criada em 2012 pela administradora Mariella Pollo, 29 anos. Sediada em Orlândia (SP), o site compara preços de serviços de telefonia, tevê a cabo e internet. O usuário pode utilizar diversos critérios para encontrar o serviço ideal. A ideia para montar o negócio partiu de sua experiência pessoal, pois Mariella sentiu falta desse serviço ao retornar ao Brasil, em 2011, depois de dez anos viajando por 52 países – nesse período, ela se formou em negócios e marketing em Londres.
Ter uma boa ideia, no entanto, não foi suficiente para que pudesse lançar-se como empreendedora. Sacrifícios também foram necessários. “Investi todas as minhas economias”, diz. “Passei um aperto. Para honrar o pagamento dos funcionários, Mariella teve de vender o carro, um apartamento e pedir empréstimo no banco. “Sempre acreditei no projeto.” Sua perseverança comoveu Pedro Waengertner, fundador da Aceleratech, empresa que investe em projetos digitais. “Quando vi o comprometimento de Mariella, tive certeza de que ela merecia um investimento”, diz Waengertner, que a conheceu durante um evento. Hoje, a JáComparou se prepara para alçar voos mais altos. Para chegar à meta de R$ 8 milhões de faturamento anual até 2015, o portal também efetuará vendas. “O serviço de comércio eletrônico ficará pronto no começo deste ano”, diz Mariella.
VALE DO SILÍCIO A incursão das empreendedoras brasileiras pelo universo das start-ups já chegou aoExterior. É o caso da carioca Tahiana D”Egmont, 27 anos. Ela é sócia da Unipay, um site de meio de pagamento para celular que está em fase embrionária no Vale do Silício, na Califórnia. O projeto já recebeu um investimento inicial de US$ 50 mil feito pelo 500 Start-ups, fundo americano que investe em empresas iniciantes. O primeiro serviço deve ser lançado em fevereiro. “Queremos ser uma solução de pagamento móvel que faça sentido para a realidade brasileira”, diz Tahiana. Para viabilizar seu projeto, Tahiana contou com a ajuda da Brazil Innovators, de São Paulo, uma empresa especializada em eventos de networking entre start-ups brasileiras e fundos de investimento internacionais.
De acordo com a fundadora da Brazil Innovators, Bedy Yang, que reside em São Franscisco embora a proporção de mulheres à frente de start-ups ainda seja reduzida em termos globais, seu número está crescendo. “Há grupos de investidores-anjo nos EUA que se comprometeram a investir em empreendedoras digitais”, afirma Bedy. Na outra costa dos EUA também há brasileiras na liderança de start-ups. A publicitária Fernanda Romano, que no Brasil é sócia-fundadora da agência de comunicação Naked, é uma das idealizadoras da agência Malagueta, em Nova York, voltada para a criação de conteúdo para marcas. Em sua nova empreitada, Fernanda busca uma equipe que conte com uma proporção equilibrada de homens e mulheres. “Assim, a riqueza de talentos é maior”, afirma.
O surgimento de mais empresas digitais nas mãos de mulheres, como Fernanda e suas colegas, ainda não foi capaz de igualar a balança de gêneros. Visível em praticamente todos os ramos de atividades e nos diferentes países – das 500 maiores empresas americanas listadas pela revista Fortune, por exemplo, apenas 20 são comandadas por elas – essa posição minoritária é mais acentuada no mercado de tecnologia. Em todo caso, o quadro vai se alterando gradativamente, segundo a consultora de gestão Betânia Tanure, professora da PUC-MG e diretora da Betânia Tanure Associados, de Belo Horizonte. “O filme da história das mulheres está cada vez mais positivo, mas a foto ainda mostra diferenças”, diz Betânia. “Talvez, com os negócios digitais, essas mudanças sejam aceleradas.”
A menina do Vale
A paulistana Isabel Pesce, 24 anos, é autora de A menina do vale (editora Casa da Palavra), livro que vem inspirando novas empreendedoras digitais Brasil afora. Depois de trabalhar na Microsoft e no Google e estudar no Massachusetts Institute of Technology (MIT), ela atualmente vive no Vale do Silício cuidando de um novo projeto: a empresa digital Lemon. Leia a entrevista que ela concedeu à DINHEIRO.
O número de mulheres no mercado de tecnologia no Brasil está aumentando, mas nem sempre foi assim. Por quê?
É uma questão que vem da base. Há poucas empreendedoras no mundo da tecnologia porque poucas estudam e se interessam por coisas relacionadas a essa área. Por isso é importante criar programas que mostrem como o mundo tecnológico pode ser mágico. Também é necessário mostrar que há executivas bem-sucedidas nesse circuito.
Qual o obstáculo e qual a vantagem de haver mulheres no comando de start-ups?
Ainda precisamos de mais exemplos de mulheres de sucesso, mas isso é apenas questão de tempo. Há uma vantagem em ser minoria: é mais fácil se destacar se você é muito boa no que faz.
Como é a sua empresa, a Lemon?
É a desenvolvedora de um aplicativo para iPhone, Android e Windows Phone que viabiliza a criação de uma réplica da sua carteira em forma digital. Lançamos em outubro de 2011 e contamos com mais de 2,5 milhões de downloads. Já somos mais de 20 pessoas trabalhando na Lemon.
Colaborou: Clayton Melo
Fonte: http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2013/1/14/empresarias-digitais
Gostou deste Artigo?
Inscreva-se para acompanhar o nosso RSS feed!
Porto Digital de Recife é a ‘Bordeaux do software’
Autor(es): ANGELA LACERDA
O Estado de S. Paulo – 03/12/2012
Serviços prestados pelo parque tecnológico são reconhecidos pelo INPI com certificado inédito
O Porto Digital em Recife, que é um parque voltado para a tecnologia da informação e economia criativa, recebeu na semana passada uma certificação inédita: o selo de indicação de procedência do Instituto Nacional de Produção Industrial (INPI). Esse é o primeiro registro a ser conferido a uma área de serviços no Brasil.
A certificação que atesta a qualidade do Porto Digital na produção de softwares e tecnologia da informação é um registro geográfico que costuma identificar regiões reconhecidas por produtos únicos como Champagne (espumante) e Roquefort (queijo).
“O Porto Digital passa a ser a Bordeaux do software”, comemorou o presidente do parque, Francisco Saboya, ao fazer analogia com a região francesa que orgulha o seu povo pela excelência do vinho. A certificação pelo INPI reconhece, promove e protege os serviços produzidos no parque tecnológico, além de agregar valor e aumentar sua inserção nos mercados internacionais.
A conquista do selo é resultado de uma luta iniciada em 2008 com o objetivo de elevar a qualidade das 200 empresas ancoradas no Porto Digital, uma área de 149 hectares no bairro histórico do Recife Antigo, que emprega 6,5 mil pessoas e teve faturamento de R$ 1 bilhão em 2010 – 65% originados de contratos firmados fora de Pernambuco.
“O Porto Digital é um parque aberto que não faz distinção para quem quer entrar aqui”, observou o seu diretor de inovação e competitividade empresarial, Guilherme Calheiros. A ideia de pedir o selo do INPI surgiu como estratégia visando à busca de um padrão superior de performance das empresas. “Ter algo que faça com que as empresas persigam esse padrão de excelência”, explicou.
Para fazer jus ao selo, as empresas que fazem parte da área demarcada do Porto Digital vão precisar se esforçar para melhorar seus padrões de produção e atender a um conjunto rigoroso de atributos e indicadores previstos no processo de certificação aprovado pelo INPI.
Cinco delas – Procenge, Pitang, MVM, Vectra e Segsat – já estão aptas a receber o certificado de excelência. Elas ainda vão precisar se submeter a uma auditoria contratada pelo conselho de administração do Porto Digital, mas preenchem todos os requisitos previstos.
“Vai reforçar a referência de qualidade”, avaliou Antonio Valença, gerente-geral da Pitang, especializada em criação de software por encomenda, que também atua na área de consultoria em tecnologia da informação, educação e treinamento, fábrica de testes e integração de produtos. Para Valença, a certificação do INPI consolida ainda mais a marca positiva do Porto Digital, que já é uma referência, além de agregar benefícios.
Guilherme Calheiros destaca que a iniciativa do Porto Digital de pedir a certificação ao INPI teve o suporte da academia, do governo estadual, do Sebrae e de especialistas e foi financiado pelo CnPQ. “Não foi uma graça, foi algo auferido, atestado pela entidade oficial”, diz. “A gente não fez sozinho.”
Francisco Saboya complementa que o Porto Digital defendeu, junto ao INPI, ser um contrassenso não se proteger certo tipo de patrimônio construído pelo homem (não herdado pela natureza). De acordo com o coordenador de fomento e registro de indicações geográficas do INPI, Luiz Claudio Dupin, o instituto acatou a solicitação do Porto Digital com base na legislação que prevê o reconhecimento de registro de indicação geográfica por serviço.
Efeito em 20 anos. Por ser pioneiro, o processo foi difícil para todos. “Foi difícil para o INPI porque não tinha precedente, como será difícil para a gente dar os próximos passos a partir de agora”, avalia o presidente do Porto Digital. “Como não tem ninguém para pegar na nossa mão e dizer é por aqui, vamos ter de inventar.”
Francisco Saboya estima que os efeitos estruturantes “desse feito maravilhoso que foi essa indicação para o Recife” só deverão começar a ser percebidos em 20 anos. Enquanto isso, duas questões importantes necessitam, segundo ele, ser tratadas de imediato.
A primeira, no próprio ecossistema local de tecnologia da informação, é definir como o Porto Digital vai agir para sensibilizar as empresas ali instaladas, como vai convencê-las de que fazem parte de um ambiente diferenciado e mostrar que é atributo delas aderirem a este novo patamar oferecido pelo selo. Será preciso deixar claro que, se não aderirem, vão fazer software como qualquer outro, sem a diferenciação da marca de qualidade que reconhece o saber e conhecimento acumulados pelo Porto Digital.
A segunda questão cabe à cidade do Recife. “O desafio de como fazer a promoção desse lugar através de políticas públicas e estratégias privadas”, observa ele. “O Recife precisa se apropriar deste ativo que foi agora reconhecido oficialmente como algo singular e estudar como fazer disso uma plataforma para vender uma cidade competitiva, propícia a certos tipos de negócios.”
É preciso, segundo Saboya, fazer com que a cidade e sua população se apropriem e se orgulhem desta marca – Porto Digital – da mesma forma que o francês se orgulha do Bordeaux. “É mostrar que tem um pedaço do Recife que acumulou uma série de atributos fabricados pelo homem que geraram um ambiente produtivo singular e que vamos vender para o resto do mundo. Vamos dizer a Nova York, Paris, Tóquio, Londres que tem um lugar no Brasil que é especial, singular, o Recife, onde se produz softwares e serviços de tecnologia da informação em padrão superior.”
“É preciso trazer o investidor, mostrar que temos aqui uma região demarcada”, se empolga Francisco Saboya, reconhecendo o espírito do pernambucano, que, além de rebelde, sempre quer ser o maior e o melhor. “Daqui a 20 anos, a gente se encontra de novo para avaliar.”
Fonte: http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/12/3/porto-digital-de-recife-e-a-bordeaux-do-software
Gostou deste Artigo?
Inscreva-se para acompanhar o nosso RSS feed!




