Archive for the ‘Igrejas’ Category

O horror político da corrupção entranhada no Estado como um câncer, repleto de metástases, a sugar o sentido da democracia e da república, reaparece de tempos em tempos, no Brasil, evidenciando, ao mesmo tempo:

a) de um lado, como a geração de riqueza no Brasil sempre resultou de altas taxas de desonestidade tanto dos empresários e agentes privados como públicos, tais como servidores comissionados ou concursados ou mesmo políticos, inclusive os muito hipócritas, como é o caso de Demóstenes Torres (ex-DEM, mesmo partido do ex-governador Arruda, do DF);

b) de outro lado, demonstra-se, o que é motivo de satisfação, que tanto as instituições criadas a partir da vigência da Constituição de 1988, como o Ministério Público, as CPIs e o CNJ, quanto as transformações políticas advindas da posse do Presidente Lula, seguido de Dilma Roussef, que fortaleceram a Polícia Federal e instalaram a CGU, tem tido repercussão positiva no enfrentamento e penalização destas quadrilhas que sempre se habituaram e esmeraram em extorquir a sociedade impunemente.

Tal situação de calmaria para quem pretende pilhar o Estado e a população não existe mais. Por ora, vemos despencar o DEM, cachoeira abaixo. Em breve, será a privataria tucana, que será desmantelada com a CPI convocada em função da publicação do livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr.

Outros que se locupetraram ao longo de décadas, preparem-se, porque a democracia não convive com a proteção da rapinagem.

Manifesto contra a corrupção e a favor da vida
Goiânia, 13 de abril de 2012

A sociedade acompanha, estarrecida e indignada, a sequência de escândalos envolvendo diversos órgãos oficiais. Em 2011, foram trazidos a público resultados da Operação “Sexto Mandamento” da Polícia Federal, o que evidenciou a realidade de várias famílias pobres que choravam e continuam chorando a execução de seus/suas filhos/as diante de ações violentas e organização criminosa dos responsáveis pela Segurança Pública.

No início deste ano, novas e mais amplas denúncias na Operação “Monte Carlo” revelam ligações de uma rede de corrupção que envolve as diversas estruturas oficiais – representantes eleitos, funcionários públicos e altos escalões das Polícias – e contraventores, todos liderados pelo bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Essas situações são alertas à população sobre o Estado e sua organização política e devem levar a sociedade civil a uma postura crítica diante dessa inversão de papéis por parte das instâncias responsáveis pela garantia de direitos.

Nesses casos, muitas pessoas deixam-se levar pela indiferença, outras pela desesperança, outras ainda pelo medo.

Esses sentimentos são vividos coletivamente com sintoma de morte que não combina com o tempo que estamos vivendo de Páscoa Cristã, de um seguimento que nos convoca para a vida e vida em abundância (Jo.10,10). Por isso, as
entidades abaixo e demais pessoas marcadas pela certeza da vida denunciam essas estruturas de violência e de morte e gritam pela vida, especialmente pela vida da juventude empobrecida.

A indignação é maior ainda pelo fato de que os envolvidos nas denúncias são justamente os que imputam aos/às pobres, aos/às adolescentes e jovens a culpa pela violência. Fazem os discursos de endurecimento das leis, pela redução da maioridade penal e, continuamente, buscam ratificar as ações violentas e de extermínio desta população, fazendo-a
responsável por todas as desgraças sociais, levando as vítimas a reelegerem esses personagens, confirmando esse discurso, que banaliza e até estimula a própria violência.

Em outro sentido, podem ser vistos a precarização e o abandono de Políticas Públicas e a deficiência na garantia de direitos à população jovem e pobre, com professores/as surpreendidos/as por golpes contra suas conquistas e qualificações e escolas sem condições necessárias. A prática de segurança pública é marcada pelo medo, pela violência em índices que se comparam aos de uma guerra – foram assassinadas 60 pessoas em Goiânia no mês de março (Dados do Jornal O Popular, dia 4/4/2012)–, cadeias superlotadas e interditadas, saúde marcada por mortes, falta de atendimento, más condições para os/as profissionais, exploração e abuso sexual, crianças em situação de rua, trabalho escravo, concentração de terras… e inúmeras outras situações de desgoverno.

Tememos, no caso em apuração, que se confirme um anúncio prévio de novo engavetamento de todas essas denúncias, como foi o exemplo na operação “Sexto Mandamento”, com todos os policiais envolvidos soltos e, em alguns casos, já absolvidos. Cabe-nos, nessa conjuntura, mobilizar a sociedade civil, os movimentos sociais, as igrejas e todas as lideranças comprometidas com os Direitos Humanos a unirem forças no intuito de exigir apuração transparente – inclusive das denúncias de financiamento de campanhas eleitorais –, fim da corrupção, punição à rede criminosa, cassação de mandatos, devolução de valores aos cofres públicos e continuidade das investigações em busca de ramificações de redes criminosas.

É preciso que a Luz lançada sobre essas situações provoque sentimentos de justiça e reafirmação do compromisso com a vida. Cremos que estas ações darão à população novo vigor para se manter indignada, mas, ao mesmo tempo, confiante na busca da humanização marcada pela garantia de direitos.

Casa da Juventude Pe. Burnier
Agentes de Pastoral Negra (APNs)
Articulação Nacional de Movimentos e Práticas de Educação Popular e Saúde (Aneps)
Associação dos Conselheiros/as e Ex-Conselheiros/as Tutelares do Estado de Goiás (ACETEGO)
C.A.R.A. Vídeo
Cáritas Brasileira
Centro Cultural Eldorado dos Carajás
Centro de Estudos Bíblicos – Goiás (CEBI/GO)
Centro Loyola de Fé e Cultura de Goiânia
Cerrado Assessoria Popular
Circo Laheto
Coletivo Jovem do Meio Ambiente – Goiás
Comissão Dominicana de Justiça e Paz do Brasil
Comissão Pastoral da Terra- Goiás (CPT/GO)
Comissão Pastoral da Terra- Nacional (CPT)
Conferência dos/as Religiosos/as do Brasil – Goiânia
FIAN Brasil (Rede Internacional de Ação e Informação Sobre Segurança Alimentar)
Fórum Colegiado Nacional de Conselheiros Tutelares (FCNCT)
Fórum de Mulheres Negras do Estado de Goiás
Fórum do Grito dos/as Excluídos/as
Fórum Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente (FDCA/GO)
Fórum Goiano de Economia Solidária
Grupo DiverCidade
Grupo Grita Cerrado
Instituto Brasil Central
Instituto Dom Fernando
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra /Goiás – MST-Goiás
Movimento Popular de Saúde em Goiás (MoPS/GO)
Movimento Popular “Terra Livre”
Pastoral Carcerária Nacional
Pastoral da Juventude Centro-Oeste
Pastoral da Juventude do Meio Popular (PJMP) –Goiânia
Pastoral de Rua do Vicariato Oeste
Rede de Educação Cidadã (RECID)
Rede de Proteção “A Juventude Quer Viver”
Sindicato de Trabalhadores do Sistema Único de Saúde – Goiás (Sindsaúde-GO)
União Goiana dos Estudantes Secundaristas (UGES)
Violência Goiás – Mobilização pelo Fim da Violência Policial

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Recife é uma das capitais de Estado dentre as mais importantes do país. Isso se deve a vários fatores: sua longa história, em que se verificaram acontecimentos de grande significado, tais como a ocupação holandesa, no período colonial; a Confederação do Equador, no período do Brasil Império, com destaque para a figura de Frei Caneca, por exemplo; pela presença da primeira faculdade de direito do país, criada em 1827; pela Escola de Recife, onde formou-se uma escola de pensadores que influenciaram o desenvolvimento do pensamento social brasileiro, dentre quais destacam-se Joaquim Nabuco, Silvio Romero, Tobias Barreto, Graça Aranha e Capistrano de Abreu, ainda no final do século XIX, e Gilberto Freyre, já no século XX; pela importância política de Miguel Arraes, no século XX, antes e depois do golpe militar de 1964; pela atuação emblemática e profética de Dom Hélder Câmara, que repercutiu internacionalmente, tanto no que se refere ao combate à pobreza, quanto ao enfrentamento do regime militar e ao apoio à teologia da libertação.

Já no campo econômico, neste começo do século XXI, a cidade destaca-se pela centralidade na atração de investimentos na atividade portuária (Porto de Suape), petrolífera (Refinaria Abreu e Lima), naval (instalação de estaleiros) e informática (Porto Digital).

Além disso, Recife possui grande relevânciatambém para o destino do PT e do PSB. O PT lidera a prefeitura municipal a três mandatos, tendo possibilitado a emergência de nomes de grande destaque, tais como o do Prefeito João Paulo, do atual senador Humberto Costa, do prefeito João da Costa e do deputado federal Maurício Rands, que teve grande destaque por sua excelente atuação no Congresso Nacional. Já o PSB tem o governador Eduardo Campos procurando constituir-se enquanto liderança de visibilidade nacional, uma vez que suas pretensões políticas, segundo vários analistas, inclusive eu, o remetem a uma possível candidatura à Presidência da República, num caminho que passaria, talvez, pela composição de chapa com Dilma Roussef, em 2014, em que ele ocuparia a vaga de vice-presidente.

Por tudo isso, Recife é uma cidade em que devemos prestar a atenção. Sua importância econômica é crescente e seu itinerário político aponta para projeções de alto destaque nos próximos anos.

Pré-candidatura de Rands pode levar PT do Recife a prévia
Autor(es): Murillo Camarotto
Valor Econômico – 22/03/2012

Eleito com tranquilidade em 2010 para o terceiro mandato de deputado federal, o advogado pernambucano Mauricio Rands (PT) causou surpresa dois meses após as eleições, ao anunciar que deixaria Brasília para assumir em Pernambuco a secretaria estadual de Governo. Mais de um ano após a mudança, que não foi bem explicada, ele volta a surpreender, desta vez como pré-candidato petista à Prefeitura do Recife, que hoje é ocupada pelo colega de partido João da Costa, ainda em primeiro mandato.

A opção do PT por Rands, secretário da confiança do governador Eduardo Campos (PSB), pode ter desdobramentos nas alianças dos dois partidos em outras capitais. Na principal delas, São Paulo, a hesitação do PSB em apoiar Fernando Haddad (PT) pode ser destravada pelo desfecho do PT no Recife.

O nome de Rands surge nos últimos capítulos de uma novela que se arrasta desde os primeiros meses de 2009, quando o atual prefeito assumiu. De perfil técnico, João da Costa chegou ao Palácio Capibaribe pelas mãos do antecessor, o hoje deputado federal João Paulo Lima e Silva (PT), que peitou caciques petistas no Estado para emplacar o pupilo. Pouco tempo depois, no entanto, os dois romperam por motivos até hoje desconhecidos e se tornaram inimigos ferrenhos.

A briga gerou nova rachadura no PT pernambucano, que já era dividido entre os grupos de João Paulo (Articulação de Esquerda) e do ex-ministro da Saúde e hoje senador Humberto Costa, integrante da tendência Construindo um Novo Brasil (CNB), assim como Rands. O terceiro bloco foi formado pelos aliados do prefeito, que conviveu com índices elevados de rejeição durante quase todo o mandato e chega ao ano eleitoral enfraquecido politicamente.

Empossado na secretaria, Rands tomou a frente de projetos importantes, como captação de recursos externos e elaboração de parcerias público-privadas. Ele coordena, por exemplo, o projeto de um grande polo multimodal na Mata Norte de Pernambuco, que inclui novo porto, novo aeroporto e um anel viário. Apresentado no ano passado, o empreendimento poderá atrair bilhões em investimentos. Há, no entanto, quem duvide que saia do papel.

De qualquer forma, o secretário petista passou a habitué do núcleo duro do governo de Eduardo Campos (PSB), cujo poder político atinge patamares imperiais em Pernambuco. Campos é o chefe-maior da Frente Popular, grupo de 16 partidos que detém a supremacia política do Estado e do qual faz parte o PT.

A expectativa para as eleições deste ano era – até pouco tempo – de que a frente marcharia unida em torno da reeleição de João da Costa. Entretanto, a gestão mal avaliada e a falta de tino político geraram um movimento de oposição ao prefeito por parte de algumas legendas do grupo, casos de PTB, PDT, PP e alguns nanicos. Comandado pelo senador Armando Monteiro Neto (PTB), o grupo propõe uma candidatura alternativa dentro da Frente Popular.

Além disso, disputas mal resolvidas em alguns municípios geraram ruídos entre PSB e PT, ao ponto de o primeiro cogitar o lançamento do ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, para a corrida municipal no Recife. A candidatura seria um golpe fatal na aliança entre os dois partidos, visto que o PT não cogita a hipótese de perder a cidade, que comanda desde 2001. Campos, por sua vez, sabe que pode precisar do PT em 2014.

Não bastasse a rejeição dos aliados, João da Costa também não conseguiu unir o PT. Diante de pesquisas que apontam uma chance real de derrota na eleição, setores do partido defendem já há alguns meses a saída do prefeito pela porta dos fundos e o lançamento de novo nome. O primeiro a ser ventilado foi o de Humberto Costa, mas a possibilidade acabou descartada, segundo fontes, pois o senador poderia representar um risco aos interesses de Eduardo Campos em 2014, caso decidisse se lançar ao governo estadual.

Com Rands é diferente. Além de gozar da confiança de Campos, que nos bastidores não esconde sua preferência pelo secretário, o petista tem condições de unir novamente a Frente Popular em torno de um só candidato. O desafio da CNB, agora, é apresentar oficialmente o nome de Rands, o que deve ocorrer no sábado, e evitar que a disputa interna culmine com as prévias. Isso porque o prefeito, que não está disposto a abrir mão da candidatura, tem maioria no diretório municipal.

Existe a expectativa de que uma solução menos traumática para o imbróglio possa sair da reunião entre Campos e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que estava prevista para esta semana, mas acabou remarcada para a próxima.

Fonte: http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/3/22/pre-candidatura-de-rands-pode-levar-pt-do-recife-a-previa

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Poucos dias atrás, minha amiga Rosa Maria Morceli encaminhou-me o endereço de um vídeo no Youtube onde um padre mantinha vários vídeos por meio dos quais amplia o alcance de suas pregações e reflexões.

Fiquei um pouco surpreso com o teor radicalmente conservador dos pronunciamentos do referido padre, que eu não conhecia. De tão radicais suas afirmações, cheguei a pensar que não se trata-se realmente de um padre, mas cogitei a hipótese de ser algum ator, o que poucos dias depois, verifiquei que não era: tratava-se mesmo de um padre, e pasmo, descobri que ele era daqui mesmo, da Arquidiocese de Cuiabá, e, pior, que tinha atribuições importantes no seminário diocesano.

No primeiro vídeo que assisti, o padre Paulo Ricardo, desferia ferozes ataques ao PT, usando-se de um argumento do autor italiano, Antonio Gramsci, ex-dirigente do Partido Socialista, morto na prisão do regime fascista de Benito Mussolini, na Itália. Segundo o padre Paulo Ricardo, Gramsci reintrerpretará o escrito de Nicolau Maquiavel, pensador italiano do Renascimento, que escrevera o famoso livro “O Príncipe”, de tal modo que, nesta interpretação de Gramsci o partido socialista seria o novo Príncipe, posição que no Brasil seria ocupada pelo PT.

Até aí, nada demais. Ocorre que para o padre Paulo Ricardo, este novo príncipe, o partido socialista e, no caso, o PT, teriam como objetivo agredir a fé cristã em seus preceitos e a sociedade cristã em seus fundamentos, uma interpretação que se distancia enormemente de qualquer base fática, uma vez que não pode ser verificada em nenhum documento emitido pelo PT, em nenhuma de suas instâncias, em qualquer momento dos seus 32 anos de história, nem na ação de qualquer líder partidário nos parlamentos ou na ação de qualquer governante petista, nem nos municípios, nem nos estados e nem no governo federal.

Mas, ao padre Paulo Ricardo, parece que não importa que não hajam fatos quaisquer a alicerçar suas críticas. Ele se julga imbuído de uma espécie de capacidade de enxergar além das aparências que lhe permite saber o que não foi dito e entender os supostas maldades daqueles que ele erige como adversários. E com base exclusivamente nisso, ele faz uso de vários meios para desferir suas críticas inclementes contra esses que escolheu como adversários.

Eu tentei comentar no youtube que divergia do modo como ele se manifestava sobre o PT naquele momento, mas verifiquei que ele configura o youtube para não aceitar comentários. Ou seja, não bastasse o fato de proferir seus ataques sem nenhuma base nos acontecimentos, julgar-se capaz de ir além das aparências e detectar os interesses supostamente malévolos daqueles contra os quais ele se volta, ele ainda não aceita que ninguém se manifeste contrariamente às suas afirmações, numa atitude avessa ao diálogo e à democracia.

Verificando que nada poderia fazer, não me preocupei muito com o referido padre, ao ver seu vídeo contra o PT, pensando que se tratasse de algum padre adepto da Opus Dei ou de algum outro movimento conservador.

Só que, poucos dias após, soube que um discurso proferido pelo padre Paulo Ricardo durante o carnaval, numa cerimônia realizada aqui em Cuiabá, nestes dias, chamada de Vinde e Vede, que reúne alguns milhares de pessoas, causara um mal estar tão grande no clero local que 27 padres diocesanos e religiosos encaminharam ao Arcebispo local uma carta pedindo punição ao padre Paulo Ricardo.

Fui então assistir ao vídeo de sua pregação no Vinde e Vede e observei que ele não apenas possui uma linha inclemente de ataques ao PT mas também a seus irmãos no clero. Sem precisar quem, o padre Paulo Ricardo ataca duramente aos padres que não vestem-se com batinas, algo que data ainda dos anos 1950 e 1960, que começou com os movimentos do padre Lebret e padre Lombardi, “Por um mundo melhor”, bem anteriores sequer ao Concílio Vaticano II. Mas, na crítica do padre Paulo Ricardo, a opção de não usar batinas dos padres representa uma sinalização de que a fé teria morrido em seus corações, olhem o exagero, mais que isso, que os padres teriam matado o espaço para a presença da fé em suas vidas.

Sem batinas, estes padres estariam se deixando contaminar pelo “mundão”, com casos até de bebedeiras… o discurso moralista contra os padres segue grosseiramente sua argumentação.

Algumas coisas o padre Paulo Ricardo despreza intencionalmente ou ignora, por puro alheiamento que inclusive pode revelar alguma especie de desvio psicológico:

a) neste discurso, ele estava falando para alguns milhares de cristãos leigos, o que significa dizer que, enquanto “pastor” deveria ocupar-se de guiar suas ovelhas; traduzindo, estes leigos vivem suas vidas no trabalho, nas escolas, nas famílias, nos grupos sociais: seria de se esperar que uma oportunidade em que alguns milhares de pessoas se reunem deveria ser aproveitado para orientar aos leigos sobre como eles deveriam agir nestes espaços em que atuam. O padre Paulo Ricardo não apenas perde a oportunidade de orientar aos cristãos leigos como ainda faz com que estes passem a ter que debater-se e posicionar-se sobre os problemas internos ao clero e numa espécie de cruzada inquisitorial em que padres e leigos vão julgar a dignidade moral e de fé dos demais clérigos;

b) de novo, a única base fática de suas acusações contra o clero é pífia: reside no uso ou não das batinas;

c) apesar dele informar ter mestrado em direito canônico, parece desprezar que o direito canônico concedeu às Conferências Episcopais de cada país aprovar quais as vestes canônicas aceitáveis para o uso pelo clero e que, usufruindo dessa autorização canônica, a CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, dispensou a obrigatoriedade das batinas, dizendo, por exemplo, que em momentos de maior oficialidade e protocolo institucional, aos clérigos bastaria o uso do clergiman. Então, o padre desfere um ataque contra o código canônico, em certa medida, aprovado ainda em 1983, e contra toda a CNBB, em decisão que precede aos anos 90. Como é que ele se arvora o direito de julgar que apenas ele é fiel e que tem razão e que todas as instâncias oficiais da Igreja estejam erradas em decisões tomadas há tanto tempo?

É evidente que faltam ao padre Paulo Ricardo a humildade, o respeito às pessoas, o gosto pelo diálogo. Ele é habilidoso no uso das ferramentas de comunicação para propagandear suas opiniões, mas não permite que a comunicação se complemente, porque não aceita ouvir as opiniões diferentes e não considera que as pessoas procurem agir com honestidade em seu cotidiano.

Ele é um bom orador, não nego, mas um orador presunçoso, prepotente e que está motivando pessoas a um conflito que em nada exprime o que seja a espiritualidade verdadeira ou o amor.

Triste episódio de radicalismo conservador, promovendo conflitos entre os cristãos e no interior do clero.

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Tenho um amigo que conheci aqui, em Cuiabá, por ocasião do curso de formação do concurso de gestores governamentais do Estado do Mato Grosso. É um rapaz bastante bacana, possui formação evangélica e procura vivenciar sua religiosidade com a máxima dedicação.

Algumas vezes, ontem aconteceu novamente, ele me encaminha endereços de vídeos no youtube de um determinado pastor de quem ele é admirador e que gosta de ouvir.

O vídeo de ontem tinha cerca de 15 minutos de duração e se tratava de uma longa explanação sobre a possibilidade, que o pastor defendia, da pessoa selecionar os conteúdos de seus pensamentos. Segundo o pastor, “a pessoa é seu pensamento”, de modo que escolher os conteúdos do seu pensar, conformam-lhe a identidade que possuem.

É evidente nesta linha argumentativa, e chega a ser impressionante, a presunção de força da racionalidade intelectiva que seria capaz de expelir quaisquer conteúdos “inadequados” ou “improdutivos” da mente da pessoa. A pessoa detentora plenamente da seletividade dos conteúdos de seu pensamento poderia evitar a tristeza, o abatimento, o “materialismo”, o “erotismo”, todos os demais “pensamentos” provenientes dos influxos da realidade e dos sentimentos, que representariam, nesta interpretação, uma forma de submissão da pessoa que ainda não exerceria, desse modo, sua plena capacidade seletiva sobre os conteúdos de seu pensar.

Ao contrário, a pessoa plenamente seletiva de seus pensamentos poderia, prossegue o pastor, subordinar intencionalmente os seus pensamentos ao “espírito”, de modo que assim, conformar-se-ia o homem de fé, fiel à Palavra de Deus e ao seu Espírito. Então, diz o pastor, “dize-me o que pensas, que lhe direis quem és”.

Manifestacion - Antonio Berni

Sou absolutamente crítico desse tipo de consideração.

Considero-me alinhado filosoficamente ao materialismo, o que quer dizer que importo-me com o que acontece no mundo exterior ao intelecto humano, ou seja, preocupo-me com a organização das relações sociais firmadas no convívio humano, preocupo-me com os processos de produção e distribuição dos benefícios gerados pelo trabalho humano, preocupo-me com a ação dos indivíduos e seus impactos tanto nos demais integrantes da sociedade quanto sobre a natureza.

Respeito que os seres humanos sejamos intelectualmente complexos, que nossas consciências vivenciem dilemas e dúvidas, que nossas interioridades sejam contraditórias, em muitos momentos. E, não pretendo eliminar essas realidades do campo de nossos sentimentos ou pensamentos, porque considero infrutíferos tais anseios.

Preocupo-me, isso sim, com o modo de agir, com as atitudes, com o posicionamento das pessoas nos processos objetivos da vida, da história, da ordem social. Assim, pouco me importa se a pessoa tem fala mansa ou um discurso mais inflamado, se usa um vocabulário mais elaborado ou um discurso simplório, se veste-se com requinte ou como um “jeca tatu” (minha mãe usava bastante essa expressão).

Importa-me, isso sim, se a pessoa investe na construção do grupo, da colegialidade, da democracia e da coletividade. Importa-me se a pessoa apoia os movimentos em favor dos direitos dos pobres, dos direitos humanos, da justiça social, da força do direito aplicada às elites econômicas e políticas, da inovação dos processos de vivência da democracia.

Eis, para mim, o que distingue o joio do trigo, para usar a alegoria bíblica, como o tal pastor a que me referi acima tantas vezes faz.

Importa-me a prática da vida e das relações sociais, importam-me os posicionamentos relacionados às lutas sociais. Importa-me a grandeza de interessar-se pelos bens alheios, que efetivem a justiça, sem interesse pessoal imediato, onde identifico a generosidade e o altruísmo.

Ao contrário do referido pastor, que interessa-se pela seletividade do pensamento, minhas epistemologia e axiologia selecionam pelo posicionamento social e político, porque possuem incidência direta nas condições de vida e de sua reprodução.

Minha máxima, então, é: “dize-me o que fazes e te direis quem és!”

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24/02/2012 – 21h15

DA REUTERS, EM ROMA

O governo italiano anunciou nesta sexta-feira medidas destinadas a acabar com as isenções tributárias para propriedades comerciais pertencentes à Igreja Católica, o que deve resultar numa arrecadação adicional de até 600 milhões de euros.

O primeiro-ministro italiano, Mario Monti, incluiu essa medida, que afeta também outras organizações não-lucrativas, em um pacote mais amplo de desregulamentação que atualmente tramita no Parlamento da Itália.

A Igreja é dona de muitos hospitais, hotéis e pensões, que gozam de isenção tributária por serem parcialmente ocupados por freiras e padres, ou por terem uma capela. A nova lei elimina essa brecha, que isentava de impostos muitos estabelecimentos predominantemente comerciais.

Em dezembro, Monti pediu aos italianos que fizessem sacrifícios para salvar o país da crise da dívida na zona do euro. Em 48 horas depois da aprovação do pacote, mais de 130 mil pessoas aderiram a uma petição pela Internet exigindo o fim dos privilégios tributários para a Igreja.

O pacote deve ser votado na semana que vem pelo Senado e deverá, depois, seguir para a Câmara.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1053360-italia-vai-cancelar-isencao-tributaria-da-igreja-catolica.shtml

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