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Ataques a Marina Silva começam a derrubar sua candidatura

3 de setembro de 2014 / Unipress /

Saíram os resultados de uma pesquisa IBOPE encomendada pela Rede Globo e o jornal O Estado de São Paulo.

Segundo a pesquisa, Dilma cresceu 3% percentuais em relação àqueles medidos pela pesquisa Datafolha e está com 37% das intenções de voto na pesquisa estimulada, à frente de Marina Silva que aparece com 33%, um a menos do que na pesquisa Datafolha.

Aécio Neves surge com 15% num terceiro lugar desastroso para ele próprio enquanto pretenso líder e para o PSDB, que tende a sofrer retração de votos para o Senado e para o Congresso Nacional, a manter-se tal cenário, apontando para o definhamento.

No artigo O jogo mudou: Marina Silva em segundo lugar tira o PSDB do segundo turno, que escrevi dias atŕas sobre o cenário eleitoral que eu observava, após a entrada de Marina Silva no pleito, substituindo Eduardo Campos, em razão de sua morte acidental, eu já comentava sobre a tragédia que, a meu sentir, abater-se-á sobre o PSDB se confirmar-se que Marina Silva disputará o segundo turno com Dilma Roussef.

Mas, os dados de hoje, mais do que isso, demonstram algo que também já alertei: Marina Silva não conta com a adesão dos pesos pesados da economia brasileira por causa do que entendem ser o “utopismo” de seu discurso ambiental.

A resposta que Marina tentou oferecer a isso foi-lhe pior do que deixar tudo como estava. Ela decidiu incorporar uma agenda econômica francamente conservadora adotando um conjunto de teses neoliberais que ao invés de reforçar-lhe a interlocução com os agentes econômicos mais ainda a tornou vulnerável e sem credibilidade.

Ao contrário dos efeitos da “Carta ao Povo Brasileiro” divulgada pela candidatura Lula em 2002, o programa de governo divulgado por Marina Silva gerou a consideração não de adesão pragmática a um cenário econômico sobre o qual não detém controle, como ocorreu à época com a candidatura Lula, mas de oportunismo eleitoreiro.

Por quê?

Porque o pragmatismo político e o convívio das administrações petistas com agentes econômicos divergentes já era algo fortemente verificado na trajetória do PT em 2002, na prática concreta de seus governos municipais e estaduais.

A adesão pragmática da Carta aos Brasileiros não representou para os agentes econômicos com poder decisório nenhuma migração oportunista, mas a declaração formal de acolhimento de um cenário de correlação de forças desfavorável a transformações mais ousadas.

A atitude de Marina Silva, ao contrário, errou duplamente: primeiro porque esse pragmatismo não lhe correspondeu nunca à sua ação e porque Marina acolheu o que há de pior no campo da formulação ideológica para a economia no presente, que desaguou na crise internacional brutal que se seguiu à quebra dos bancos americanos no final de 2008.

Com isso, Marina perdeu ainda mais a credibilidade. E os ataques contra ela passaram a ser tão frequentes que o próprio PT sequer precisa tecê-los. A própria imprensa, os setores defensores dos direitos cidadãos e a cúpula econômica mesmo do país já o estão fazendo.

Agora a atacam por desprezar a importância do pré-sal, por ser fundamentalista, por trair os segmentos articulados nos movimentos de cidadadia de gênero, por ter migrado de partidos, do PT para o PV, depois para a “Rede”, que não se oficializou e para o PSB. Atacam-na por não representar o próprio PSB em suas vertentes históricas. Pelo fato de que o PSB indicou o deputado Beto Albuquerque como seu vice-presidente. Por tratar do tema da energia nuclear e por defender o uso de energias renováveis. Ou seja: a desconstrução da candidatura Marina Silva começou com uma intensidade impressionante, tanto quanto foi impressionante o movimento de migração de eleitorado para ela, movido pelo sentimento de pesar pela morte de Eduardo Campos ou pelo ódio anti-petista de determinados setores que se sentiam órfãos pela fraqueza da candidatura Aécio.

A tendência que antevejo para o mês de setembro, considerados estes aspectos que enumero, são de que em alguns dias, Marina comece a ter perda de pontos percentuais nas pesquisas, consolidando a eleição de Dilma.

Aécio Neves e o PSDB não recuperarão mais o segundo lugar e devem estacionar sua votação perto dos 12% a 15% dos votos mesmo.

Renovo o convite para a adesão e o apoio à candidatura Dilma Roussef e gostaria de ler comentários sobre a leitura que faço do cenário eleitoral.