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A novela Palocci em entrevista da Globo

5 de junho de 2011 / Edmar Roberto Prandini /

Em horário nobre da Rede Globo, o Jornal Nacional, o Ministro Antonio Palocci, da Casa Civil, foi entrevistado, tentando reverter a conjuntura política sobre o seu enriquecimento, que já se transformou em verdadeira novela.

Quem acompanhou a trajetória de Palocci, desde seu princípio, ainda como líder estudantil em Ribeirão Preto, nos anos de 1980, surpreende-se com o ocaso vivido por ele neste momento.

A trajetória ascendente e vertiginosa de Palocci na política, em que começou como vereador, em 1989, depois deputado estadual já em 1990, sendo imediatamente eleito prefeito da cidade, em 1992, imaginava que aquele gênio político estava marcado pela estrela do sucesso.

As posturas de Palocci à frente da administração municipal garantiram a ele ainda mais visibilidade e um verdadeiro namoro com setores da mídia que sob o manto da modernidade já entoavam o canto da sereia no neoliberalismo.

Inteligente, Palocci não desgarrava-se do PT, partido em constante crescimento, ainda que em oposição à hegemonia obtida sob o governo FHC, nos anos 90, ao mesmo tempo em que se aproximava e era bem visto pelos expoentes tanto políticos quanto financistas e empresariais alinhados com o governo de Fernando Henrique.

A morte de Celso Daniel gerou a oportunidade para que ele assumisse posição no comando da campanha presidencial de Lula, em 2002, sendo o interlocutor preferido dos empresários para “domar” qualquer viés “irresponsável” que se mantivesse num provável governo do PT.

Assim, com este papel de interlocutor dos setores que haviam hegemonizado o governo FHC, Palocci praticamente foi imposto como Ministro da Fazenda do governo Lula, entoado em verso e prosa, enquanto a ele atribuiam o papel de refrear a influência de José Dirceu e das facções políticas mais à esquerda do governo que se iniciava.

Era apontando, então, como “fiador” do governo Lula, responsabilizado pelo “acerto” das políticas econômicas do governo, que resultavam em baixos índices de crescimento e lentidão da implantação das políticas sociais. Mas, Palocci era inconteste, até aquele momento.

Quando a mídia e a oposição inauguraram a crise política de 2005, imaginando que o governo Lula fosse sucumbir, derrubaram tanto Dirceu quanto Palocci, agora desnecessário, uma vez que imaginavam o governo no fim, destruído politicamente.

A capacidade política dos movimentos sociais, os resultados das políticas sociais, gradativamente implementadas, e de Lula, em manter o diálogo com os setores populares, entretanto, permitiram que Lula vencesse as eleições, em 2006, novamente, construindo um governo mais identificado com perspectivas de desenvolvimento social e econômico, simbolizado no segundo mandato pelo lançamento do PAC – Plano de Aceleração do Crescimento e personificado nos ministros Guido Mantega e Dilma Roussef.

A evidência da vitória de Dilma ressuscitava a necessidade dos setores financeiros de recuperar o seu interlocutor preferencial e Palocci reabilitado.

Mas, Dilma, ao invés de postá-lo na economia, o guindou à Casa Civil, com a missão de conter a sanha do PMDB por cargos no governo. Palocci tornou-se, então, um estorvo, que precisava ser afastado do governo, se possível reabrindo flancos para o ataque ao governo Dilma, que começa a produzir suas marcas positivas, como o programa Brasil sem Miséria.

O destino de Palocci no governo deve ser definido em breve, mas o certo é que sua capacidade de influenciar reduziu-se muito, com as recentes denúncias que ganharam a imprensa, a Veja, Época, Isto é, Folha e Estadão, principalmente.

A entrevista de ontem à Globo pouco serviu para mudar o cenário, talvez tendo sido o ultimo estopim para a sua demissão.

Fiquemos atentos às cenas do próximo capítulo dessa novela, que parece que vai terminar com um final funesto.