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A manipulação dos protestos do MPL em São Paulo

13 de junho de 2013 / Unipress /

Mafalda
Borracha de Apagar Ideologias
O MPL – Movimento do Passe Livre é legítimo e tem todo o direito de se manifestar e mobilizar as pessoas pelas causas que quiser defender, convocando os atos públicos que queira convocar, para os dias e os lugares que achar mais apropriado.

Quanto a isso, não há espaço para nenhum tipo de conciliação com aqueles que queiram deslegitimar esse direito, nem pela direita, sempre contrária às manifestações sociais cujo conteúdo não seja moralista, nem pela esquerda, em nome da proteção dos governos petistas de Fernando Haddad, na capital de São Paulo, ou de Dilma Roussef, na Presidência da República.

Estamos falando da defesa absoluta da democracia como direito de organização e de manifestação de opiniões no espaço público.

É evidente que a defesa dos direitos de manifestação e de organização e da criação dos movimentos sociais não são fenômenos isentos da expressão de interesses diversos, nem todos restritos apenas à própria temática que lhes dão vazão e que motivam as mobilizações. Isso quer dizer que não o é possível evitar que em quaiquer mobilizações estejam presentes motivações de ordem políticas de várias origens, motivações ideológicas diversas, correntes de pensamento distintas. Ou seja: não há como impedir que hajam “infiltrações” em movimentos sociais.

Isso obriga qualquer pessoa honesta e sensata a dizer que aqueles que usam a expressão “infiltração” para se referir a esse sentido de vazão de interesses e ideologias diversos nos movimentos sociais são adversários políticos do movimentos e não aceitam dialogar com sua dinâmica também por interesses ou ideologias bem delineados.

É óbvio que há setores dos pequenos partidos de esquerda participando ativamente das mobilizações do MPL contra o aumento das passagens de R$ 3,00 para R$ 3,20 na capital paulista. São o PSOL, o PSTU, e outros, que o fazem interessadamente, verificando possibilidade de construir identificação com jovens que possuam capacidade de liderança e mobilização, o que tende a lhes fortalecer enquanto organizações políticas. Estes pequenos partidos de esquerda tem a pretensão de demonstrar através desta presença nestes atos que são eles e não o PT que lideram os movimentos sociais na atualidade. Essa disputa contra o PT, tentando apresentar-se como as autênticas agremiações de “esquerda” datam da origem dessas agremiações e têm sido o alicerce de sua estratégia há vários anos.

É possível supor que possam ter sido representantes destes grupos os que radicalizaram os protestos na última terça feira, incendiando ônibus e depredando a sede do PT? Sim, é possível supor. Mas, pessoalmente eu considero pouquíssimo provável que tenham sido. Provavelmente jamais venhamos a saber quem foi, na verdade.

Será que há setores vinculados aos partidos de “direita” como o PSDB e o DEM?

Sim, com certeza. É muito provável que hajam, porque a temática dos preços das tarifas de ônibus desaguam diretamente nas mãos do prefeito Fernando Haddad, do PT, a quem estes segmentos pretendem deslegitimar politicamente.

Várias pessoas fizeram acusações de que parte expressiva dos presentes às mobilizações seriam “boyzinhos”, jovens de classe média, que sequer usariam os ônibus para se locomover pela cidade. Mas, eles teriam interesse em jogar as pessoas contra a Prefeitura do PT, dentro completamente da lógica política.

Lembrando das baixarias das duas últimas campanhas eleitorais, vencidas por Dilma em 2010 e por Haddad, em 2012, em São Paulo, não é difícil entender que sim, grupos de jovens ligados ao PSDB e ao DEM possam estar presentes nas mobilizações e, digo eu, até mesmo assumindo os papéis mais radicais: podem ter sido eles que atacaram a sede do PT. Sem poder ter certeza, associo a imagem muito difundida pela internet de um jovem com uma bandeira brasileira sobre a qual estava escrito luto, com o rosto coberto, com esta juventude pessedebsita, que, em São Paulo, foi formada dentro da mentalidade de que o Brasil deveria aliar-se aos Estados Unidos e imitá-lo, para não dizer, obedecê-lo.

Lembro que jovens da juventude do PSDB entraram em atos de campanha de Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo para, disfarçados, criarem confusão, e constrangerem o crescimento da candidatura petista.

Mas, o que mais me preocupa, é a cobertura que a Globo está dando às manifestações em São Paulo, em que ela não aponta que a violência policial da Polícia Militar, sob comando do Governador Alckmin, do mesmo PSDB, é absolutamente desnecessária.

Surpreendente já seria a Globo cobrir um movimento social. Se ela o faz, então já se sabe que há intenções não declaradas e que, para qualquer analista político razoavelmente esclarecido são evidentes: jogar a população contra o Prefeito Haddad e o PT, como se seis meses de governo petista na capital paulista a tivessem transformado em palco de guerra.

Trata-se de criar terrorismo político para tentar reduzir a popularidade do PT e criar cenas para uso durante a campanha eleitoral de 2014 contra a candidatura de Dilma Roussef e do candidato petista ao governo paulista.

A manipulação dos protestos do MPL em São Paulo e de movimentos similares só poderá ser evitada quando o Brasil conseguir avançar na regulação e na democratização da mídia brasileira. Enquanto o monopólio da comunicação social no país estiver concentrado nas mãos de pouquíssimos grupos como acontece hoje, as notícias serão sempre distorcidas e transformadas em peças de ataque à democracia.