Ontem eu dialogava com um colega sobre uma espécie de lógica reducionista que viciou o nosso “logos” (roteiro do pensamento). Tendemos, mesmo no âmbito do intelectivo, a hierarquizar e submeter as dimensões da realidade umas às outras, como que promovendo um desprezo e um esvaziamento de sentido para aspectos da vivência que teimam em persistir como frentes de luta contra esse nosso aparato lógico repressor.

O que a luta das mulheres recorrentemente demonstrou é exatamente que nosso pensamento, se quiser ser libertário, terá que abrir-se para a pluralidade das dimensões da libertação, uma delas, a libertação das expressões de gênero, que, se capitaneada pela luta das mulheres, hoje ampliou-se, graças à coragem delas, para o reconhecimento das expressões homoafetivas também. Não podemos continuar pretendendo aprisionar a mais profunda dimensão da existência humana, a sexualidade, como se ela fosse destituída de razão de ser.

A liberdade deve ser uma conquista rica, plural, complexa, em que se expressam tanto as feições da corporeidade quanto das relações com a produção ou com o poder e da lógica, que precisa ser “multifocal”. Felizmente a perseverança das mulheres na luta vem rompendo com os grilhões do reducionismo e revelando a riqueza da diversidade das interações humanas.

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