“Na democracia, vale o que pensa a maioria”

Essa afirmação é de um arcaísmo gritante.

A qualidade da democracia não consiste na vitória da maioria sobre a minoria, mas, muito pelo contrário, no respeito às minorias, que goza de suficientes espaços para articular-se e agir, e no reconhecimento de sua dignidade e direitos.

Um regime político que preserve as minorias será aliado dos direitos humanos e estará aberto à pluralidade, bem como à inovação institucional e à mudança, por permitir a existência de espaços para o florescimento de propostas e projetos alternativos.

Neste regime, o processamento dos conflitos e das demandas não será impedido por tabus culturais ou institucionais, antes estimulado, pela ampliação do diálogo, em organismos que propiciem a concertação social e a instauração de pactos sociais transitórios nas diversas áreas das vivências humanas.

Na democracia, a hegemonia não será exercida como massacre e opressão e o poder será exposto à máxima transparência para que nâo possa agir segundo o corporativismo e o instinto de auto-preservação.